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Ultimate UNF: Psylocke #1

Depois de muitas derrotas, inclusive no lado pessoal, Psylocke decide dar um tempo e cuidar da própria vida, mas parece que seus planos serão interrompidos quando seu antigo mestre a invoca, para que ela recupere a poderosa Aurora Rubra! Mini-série especial em 7 capítulos!



Ultimate UNF
Psylocke
Por Pedro Caldeira

Das a wibe! [1]

Bahamas, Caribe

Daquele grupo de turistas, ao menos uma pessoa não parecia estar empolgada com as explicações do guia, enquanto caminhava pela prateada areia.

- A oeste do mar de Sargaços, região do Atlântico em que é comum a alga sargassum bacciferum, encontra-se o arquipélago das Bahamas, o primeiro território das Américas pisado pelos europeus...

O calor quente deixava sua pele grudenta e nem aqueles enormes óculos escuros Dulce e Gabana escondiam o tédio.

- As Bahamas constituem, desde 1973, a Comunidade das Bahamas, estado independente associado à Comunidade Britânica de Nações. Situado ao norte de Cuba e separado da costa dos EUA pelo estreito da Flórida, o arquipélago das Bahamas estende-se ao longo de 1.200km...

O laço do biquíni no pescoço já tinha sido desfeito, e agora apenas um vestido de tecido fino, com diversas estampas, protegia um busto que atraía diversos olhares.

- Compõe-se de 700 ilhas, das quais só 22 são habitadas, e cerca de 2.400 ilhotas, que somam uma superfície total de 13.939km². As ilhas mais importantes são Nova Providência, a mais populosa que abriga Nassau, a capital do país, Andros, Grande Ábaco, Grande Bahama, Watling e Eleuthera.

“Calor.”

Um rabo-de-cavalo feito.

A mulher se afasta do grupo e se aproxima de um bar instalado à beira-mar. Senta em uma cadeira reclinável e logo é atendida por um garçom, um alto e forte negro.

- Em que posso ajudar?
- Algo refrescante com mediano teor de álcool. De preferência, algo com rum.

O garçom se afasta após sinalizar com a cabeça que o pedido viria o mais rápido possível.

As sandálias e o vestido estão sobre a areia. A mulher de cabelos escuros, que têm um leve reflexo roxo, deita de bruços na cadeira feita de sabicu, madeira dura e quase extinta, e põe-se a olhar o mar quase transparente.

“Há muito eu precisava disso.”

O garçom se aproxima e serve a bebida que tinha o copo enfeitado com frutas tropicais.

- Obrigada. O que uma garota britânica deve fazer pra se divertir aqui, nesse “arquipélago-irmão”?

O garçom, com camisa floral vermelha, bermuda branca e chinelos, sorri, se aproximando.

- Mergulho, cassino, esportes aquáticos…
- Interessante. Mas estou cansada desses divertimentos caribenhos vendidos em pacotes turísticos. Quero algo mais… nativo.

O garçom novamente sorri.

- Cavernas. Existem algumas liberadas para serem exploradas, inclusive na ilha de Cat.
- Quero as proibidas – interrompendo – Seja meu guia.

O homem reluta com gestos trêmulos.

- Ora, o que teme?
- Não, não é isso. É que seu sotaque é encantador.
- Então nos vemos aqui amanhã, pela manhã?
- Perfeito, senhorita.

Outros turistas se aproximam do local onde está o casal, em busca de cadeiras e atendimento.

- Eu sugiro frutos do mar – diz o homem, para tentar despistar qualquer pensamento indiscreto dos outros.

A mulher abaixa os óculos até o queixo e sorri, piscando o olho esquerdo. O garçom se assusta com o desenho num forte tom vermelho sobre este mesmo olho.

A mulher, agora em pé, amarra o laço do biquíni, coloca os óculos sobre a cadeira, desfaz o penteado e corre para o mar numa velocidade capaz de deixar muito atleta pra trás.

Um pulo.

Embaixo da água, apenas os peixes coloridos nadando por entre as pernas e braços da mulher.

Ela emerge bruscamente, jogando os cabelos pra trás, busca novo fôlego e mergulha novamente.

“Nadar é realmente uma delicia. Me sinto livre. E como eu posso enxergar tudo aqui nesse cintilante oceano, é como se…”

E então um grito, bolhas explodindo, saindo da própria boca, água entrando pelas narinas. Corpo se debatendo, lutando contra uma força que a puxa para o fundo.

Os olhos veem uma figura conhecida.

“Gomurr!”

E rapidamente aquele sufoco é transformado novamente na calmaria.

Em um banco de areia distante das ilhas maiores, a mulher respira, sentada com as pernas abertas e os braços esticados para trás, apoiando o corpo.

Novamente a imagem carrancuda do velho homem chinês surge.

Uma mistura de telepatia e holograma.

- Preciso de você – diz em tom não-amigável.
- Não.
- Você não pode me negar ajuda agora. Isso seria ingratidão. E a falta de gratidão não é digna de uma lady da família Braddock.
- Não, Gomurr. Não tenho mais nada para perder. Por isso não tenho mais motivos para lutar.
- Isso não é um pedido. Quando você precisou de mim eu estava lá, pronto. Mas agora não sou apenas eu quem precisa de ajuda. O mundo inteiro carece.

Psylocke senta em posição de lótus.

- Você deve isso a mim. Eu te falei que iria cobrar… mais cedo ou mais tarde.
- Gomurr… eu estou acabada!
- Volte para o Reino Unido.

A tatuagem no rosto dela brilha.

- Para quê?
- A Aurora Rubra foi roubada.

Psylocke grita. A energia púrpura explode em forma de shurikens, que destroem algumas pedras e a pouca vegetação do local.

- Pela Sociedade da Serpente.
- Como?
- Já disse, encontre-me na Inglaterra.
- Qual a diferença em me explicar aqui?
- Você precisa me pagar. E aqui você não vai se convencer.
- Vai ficar me cobrando a vida toda?
- Só quando necessário. Agora vá. Você tem muita coisa para fazer ao chegar ao Reino Unido.

A imagem do velho desfaz-se com uma pequena, mas forte onda, que novamente a carrega, e submerge a mutante para as límpidas águas caribenhas.

Ao buscar a superfície e respirar, descobre que já é noite. Ela caminha pela areia, até sua cadeira, coloca o vestido, os óculos sobre a cabeça como uma tiara para segurar o cabelo, e caminha até o bar.

“Inglaterra. Serpentes. Gomurr. Aurora Rubra. Warren…”

Um passo curto interrompido. A cabeça para cima. Um céu estrelado como nunca visto antes. constelações nunca antes admiradas.

As luzes coloridas e ofuscantes, e o barulho da música, não impedem que ela busque, e encontre, o garçom.

Ele, segurando uma bandeja e caminhando pelo estabelecimento, nem percebe quando é puxado pelo braço e levado para um lado mais afastado do movimento.

- Vamos para a caverna agora porque eu vou voltar para a Inglaterra amanhã.

*************

[1] Das a wibe!: Expressão usada nas Bahamas, que significa “algo pra se pensar”.
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+ comentários + 2 comentários

22 de julho de 2010 às 06:46

Muito legal o primeiro capítulo.
Ficou bem claro mesmo como a Betsy tava sem vontade de não fazer nada e como a ligação com o tal Gomurr deve ser forte prá ela agir como agiu...
Ótimo começo!
Meus parabéns e até a próxima!

26 de julho de 2010 às 10:47

valeu, menino renan! tou até preocupado com tanta responsabilidade que terei de agora em diante, mwhahahaha!

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