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Ultimate UNF: Sentinelas da Magia #4


Estranhos pesadelos levam Zatanna e o Dr.Oculto a encontrarem um intrigante personagem do universo DC. Afinal, quem é o Deadman?


SENTINELAS DA MAGIA
CAPÍTULO 04 – DEAD MAN’S PARTY


Por Alex Nery

“I'm all dressed up with nowhere to go
Walkin' with a dead man over my shoulder
Waiting for an invitation to arrive
Goin' to a party where no one's still alive.”
Dead Man’s Party
Oingo Boingo



O corredor é escuro e estreito. O homem tateia no escuro e percebe a frieza das pedras que formam suas paredes grosseiras. Vacilante, ele dá alguns passos na escuridão, procurando se certificar de que existe um chão à sua frente. Cada passo é um alívio, pois pouco a pouco ele se afasta da coisa.
A coisa.
Ele não sabe o que é. Nem mesmo se possuísse coragem o suficiente para olhar para trás ele poderia identifica-la, pois a escuridão é total. Ele só sabe que ela está lá.
O único sinal de sua presença é a respiração pesada que vez ou outra se faz ouvir. Um arfar profundo e lento. Uma respiração calma. Assustadoramente calma.
E o homem continua tateando na escuridão. Avançando passo a passo. Com suas unhas ele arranha a parede áspera, como se buscasse apoio para prosseguir. Ele tem a impressão de que o corredor começa a se inclinar para cima, numa subida suave.
Ele tenta em vão relembrar como chegou ali, naquele local escuro, naquela situação inusitada. Tudo o que lhe vem à mente é a imagem dos rostos de algumas pessoas, uma mulher, um homem e um garoto de aproximadamente doze anos. Ele tem a impressão de que os conhece, mas sua memória falha e ele não consegue se recordar de mais detalhes. Ele se sente cansado como um maratonista que percorre os últimos metros de uma longa prova.
Subitamente uma luz fraca aparece à frente, recortando o formato de uma porta na escuridão.
O ruído de ar sendo inalado explode alguns metros atrás dele.
Ele aperta o passo, seu corpo não responde como ele quer. A provável saída está tão próxima e ao mesmo tempo tão distante.
O ritmo da respiração sinistra acelera. Ele sabe que a coisa que o persegue começa a correr para alcança-lo. Sem pensar duas vezes, ele acelera o passo. Em sua mente, apenas chegar àquela saída importa.
A luz que vem da porta mal penetra no corredor, como se a escuridão abaixo fosse espessa o suficiente para bloquea-la. Passo a passo a porta se aproxima, e a cada metro vencido o ânimo se renova.
Ele já consegue ouvir passos grotescos correndo pelo corredor atrás de si. Algo bufa, lembrando vagamente um touro. A coisa abandonara a tranqüilidade e parece avançar com fúria. Ainda sem olhar para trás ele corre, desta vez conseguindo vencer a inércia do próprio corpo, tirando forças da visão esperançosa da porta aberta.
Com passos desesperados e enlouquecidos ele atravessa a porta, emergindo numa arena circular que em muito lembra as arenas romanas.
No centro da arena, uma luz cintilante brilha suspensa a um metro do solo e, saindo de dezenas de portas como a que acaba de atravessar, dezenas de criaturas correm em direção à luz. Por instinto, ele segue o mesmo caminho e começa a correr para o centro da arena.
Outras pessoas passam correndo por ele, vestidas das maneiras mais estranhas possíveis. Ele pode jurar que algumas delas estão fantasiadas com roupas típicas de séculos passados. Homens, mulheres e crianças correm desesperados para a luz.
De uma porta à sua esquerda, um homem idoso emerge, carregando um pequeno baú. Ele tenta correr, porém, antes que avance mais um passo na arena, é traspassado por uma espécie de ferrão, saído da escuridão da porta, que atravessa seu tórax e o ergue no ar. O velho grita e solta o baú, que cai e deixa à mostra várias moedas que parecem de ouro. O ferrão puxa o velho novamente para a escuridão, e o homem apenas percebe os grandes olhos vermelhos que se recolhem, refletindo o brilho da luz.
O medo faz com que ele tire forças de onde já não tem. Ele decide correr para a luz, pois pressente que lá estará seguro. Seus passos são incertos e atrapalhados. Ele mais se joga para frente do que na verdade consegue correr.
Diversos ferrões, de todos os tipos e cores, são jogados das portas, espetando e puxando de volta algumas pessoas que tentavam alcançar a luz. Nesse momento, ele percebe que outras criaturas, que nada têm de humano, também correm em meio às pessoas desesperadas.
O brilho da luz central pulsa à sua frente, aproximando-se rapidamente. Um ferrão vermelho e espinhoso estala próximo da sua cabeça e espeta uma mulher que corria ao seu lado. Num último impulso, ele salta e entra na luz.

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Zatanna abre os olhos e sufoca um grito de terror. Seu corpo está coberto de suor e suas mãos tremem. Por alguns instantes ela fica arfando sentada na cama, e em sua cabeça ela ainda pode ouvir os gritos das pessoas.
A maga apanha seu robe e envolve seu corpo. Com passos lentos, passa pela cozinha e prepara um chá rápido. Ela se serve da única dose e caminha para o terraço, onde se senta à mesa situada à beira da piscina. Dali, de seu apartamento situado no vigésimo-segundo andar, os ruídos das ruas abaixo não podem ser ouvidos, então existe uma relativa calmaria. Zatanna agradece pelo silêncio da madrugada.

- Que merda de pesadelo... – murmura.

Ela saboreia o chá em pequenas doses. Em sua mente, vêem as lembranças de sua infância nada comum, acompanhando o pai em seus shows pelo país. Era uma vida bem conturbada. Seu pai, o famoso mágico Zatara, era uma das principais atrações em Las Vegas, atraindo multidões em seus shows. Porém, o que poucos conheciam é que ele não era apenas um ilusionista, mas sim um mago com poderes reais.
Poderes que lhe deram uma vida de luxo e fama.
Poderes que cobraram caro por isso.
O vento frio da madrugada faz com que ela se arrepie. Ela bebe o chá quente, pensando no quanto está soturna hoje. Depois dos acontecimentos estranhos ocorridos na Inglaterra, três meses atrás, sempre que o mundo racional ameaça ruir, ela se recorda de seu amigo Richard, mais conhecido como Doutor Oculto.
Ela olha para o relógio e constata que são 4:20h da manhã. Em São Francisco ainda seria 1:20h. Ela decide ligar. Apanha o telefone sem fio e disca rapidamente. O telefone toca cinco vezes e ela desanima.
De repente, alguém atende.
- Alô? – responde uma voz feminina.
- Ah, eu... Alô... er... – Zatanna fica surpresa por uma mulher atender. Nesse momento ela se dá conta de que nunca cogitara a chance de Richard ter uma namorada ou mesmo uma esposa.
- Quem é? – pergunta a mulher do outro lado da linha.
- Eu... desculpe, meu nome é Zatanna Zatara. Eu gostaria de falar com o Dr. Oculto. Desculpe por ligar tão tarde, mas é importante... eu acho...
- Ah, Zatanna, claro. Richard me falou de você. Vou chama-lo. Aguarde, por favor.
- Obrigada...

Zatanna aguarda mais alguns minutos, ainda constrangida por ter ligado de madrugada.

- Que idiota eu sou... – pensa ela.
- Alô? Zatanna? – atende o Dr. Oculto.
- Oi! Alô! Richard? Como vai?
- Comigo tudo bem.
- Desculpe ligar tão tarde...
- Deixe disso. Imagino que é algo importante.
- Sim... bem, não sei...
- Diga, Zatanna. Pode falar.
- Eu... ando tendo uns pesadelos... pesadelos bem estranhos...
- De que tipo?
- Alguém fugindo de algo... de algo realmente pavoroso. Mas não sou eu, é um homem.
- Conhece-o?
- Não. Nunca o vi. Mas mesmo assim ele é familiar... não sei explicar.
- Já manifestou poderes premonitórios alguma vez na vida?
- Está perguntando se sou vidente, ou algo assim? Não, nunca. Sei que não sou.
- Tem certeza?
- Sim. Nunca previ nada. Tenho sensações esquisitas, mas premonições nunca. E estou com essa sensação estranha de que isso é importante.
- Sim, já percebi que você é sensitiva... Tem alguma pista sobre esse homem? Um nome, talvez?
- Não estou certa...
- Tudo pode ser importante, Zatanna.
- Eu... acho que ouvi, ou percebi, um nome mas não sei qual a relação com o homem.
- Que nome?
- Brand. Boston Brand.
- Hmmm... nunca ouvi falar. Mas já é um começo. Vou ver o que descubro, ok?
- Ok, obrigada, Richard. Desculpe incomoda-lo... pode ser só stress, insônia, sei lá...
- De nada. Amigos são pra isso. Te ligo mais tarde.
- Obrigada mesmo. Tchau.
- Até mais.

O Dr. Oculto desliga, deixando Zatanna experimentando o restante do chá, que já esfriara.

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O sol a pino não desanima as dezenas de trabalhadores que se esforçam para erguer a tenda do picadeiro central. É um trabalho bastante coordenado, apesar da aparente confusão.
O Dr. Oculto observa a cena com curiosidade. O calor fez com que ele dispensasse o tradicional sobretudo, contentando-se com uma camisa branca e calças cáqui.

- Por aqui, doutor – indica o homem magro que o conduz pelo meio dos trabalhadores – Chegamos ontem e ainda estamos com as coisas meio bagunçadas por aqui.
- É admirável o trabalho de vocês, Sr. Gordon.
- Obrigado. Tentamos manter o “maior espetáculo da terra”, heh... Vamos. É logo ali naquele trailer.

Oculto segue Phineas Gordon, o proprietário do Circo, até um trailer vermelho. O homem bate duas vezes na porta.

- Entrem – responde uma voz vinda do interior.

Ambos entram e encontram um homem moreno, de porte atlético e com cara de poucos amigos.

- Aqui está senhor Oculto. Um de nossos astros... – apresenta Gordon.
- Como assim “um de nossos astros”? Eu sou o único astro por aqui, Gordon. E você sabe disso – responde o homem estendendo a mão para Oculto.
- A modéstia não é uma de suas qualidades, mas enfim... – ironiza Gordon.
- Muito prazer – cumprimenta o Dr. Oculto apertando a mão do homem moreno.
- O que o traz à minha procura, senhor Oculto? O que o trouxe ao show do melhor trapezista do mundo?
- É o que pretendo descobrir, Boston Brand.


Continua

No próximo número: Trapezistas e mágicos.
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+ comentários + 3 comentários

15 de setembro de 2010 às 07:31

Esse capítulo é sensacional!!
Curto demais o Boston Brand e essa hsitória veio em boa hora, dado o destaque desse personagem no Dia mais claro, a saga da DC original, mas tenho certeza de que o seu será infinitamente superior.
E que os Sentinelas ainda tenham longa vida sob a sua batuta!!
Parabéns, um abração e até mais!!!

16 de setembro de 2010 às 17:15

Nery, que bom que você voltou com os sentinelas! :p
Um dos meus títulos prediletos, muito bem escrito, cara. Parabéns.

22 de setembro de 2010 às 07:29

Uhuuuu adorei reler esse cap \o\

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