
Conan nasceu no campo de batalha, filho do ferreiro Corin e Greshan, contra uma horda de saqueadores Vanires. Conan, um cimério de cabelos negros e olhos azuis, aos sete anos de idade, já teve sua primeira caça em bando.
A Era Moriana de Conan, o Bárbaro
Conan, o Bárbaro
O Início da Lenda: Parte 02
Originalmente Publicado em Dezembro de 2006.
Conan criado por Robert Ervin Howard
E melhorado por Marcelo Moro
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Ciméria
Os aldeões gritam. Sempre é bom quando nasce uma criança ciméria, para adentrar nas fileiras para defender a aldeia.
E como é importante. Nesse exato momento, o líder Vanir dá a ordem de ataque, e vários guerreiros caem no meio da vila sem o menor aviso. Assim como a neve, parece que eles estão caindo do céu, no meio da aldeia.
Apesar da noite de festa, não se acha um cimério que ande desarmado, e imediatamente vários deles já estavam brandindo suas espadas. No primeiro ataque, vários foram os mortos, de ambos os lados. Corin, num lampejo, levou o filho para dentro e o largou nos braços da parteira, e logo já estava atacando os invasores.
Pulando de espada em punho para fora da casa, ele avança ferozmente contra seus adversários. Não poderia ser uma noite melhor. Além do seu filho nascer, de ser um varão, no mais perfeito estado de saúde, ainda poderia finalizar a noite matando muito inimigos, e recolher suas armas e peles de saque.
A aldeia inteira está em polvorosa. Mesmo sabendo da proximidade dos inimigos, e estando preparados, eles esperavam o sinal dos sentinelas, que agora se encontram trucidados na neve. Mulheres, homens e adolescentes estão na batalha. Num cerco assim, quem tivesse força para erguer uma espada ou envergar um arco estava no front de batalha. A ferocidade dessas batalhas era algo incrível de se ver. Isso explicava por que nenhum povo civilizado tentava conquistar os países nórdicos.
Além do fato de ser uma terra inóspita, pouco propícia para morar e plantar. Mas para os povos que lá habitavam, era a morada dos deuses.
No meio da aldeia e entre as cabanas, a batalha se desenrolava. Cabeças eram separadas de seus corpos, assim como alguns braços e pernas. Crianças que tinha força para usar lanças, estavam no alto de suas cabanas, acertando os inimigos. Muito caíram no campo de batalha com um longo dardo entre os olhos, ou no meio do peito. Cada lança dava ao seu atirador o direto a saque daquele corpo. As crianças atiravam com o intuito de matar o máximo possível de inimigos, para aumentarem suas posses dentro de sua própria casa.
Corin estava dizimando alguns inimigos, e com isso estava se afastando cada vez mais de sua cabana.
Dentro da casa, Greshan tem o filho nos braços, mas também tem uma espada ao lado da cama. A parteira é uma mulher idosa, e não teria como defender sua cria. Mesmo debilitada, ela sabe da importância da arma ao seu lado, e como sempre, o instinto materno se revela sábio, pois nesse momento, um vanir entra pela janela.
A parteira levanta para tentar barrar o invasor, mas com um giro de espada, ela tem a cabeça separada do restante do corpo. Devido à força do ataque, a cabeça da velha rola até parar na lareira, enchendo o ambiente com o odor da carne sendo queimada. Ele avança para a mulher, que deixa o filho na cama e brande sua espada em direção ao maldito invasor.
Ele ri, olhando para ela. Como uma mulher, brandindo uma espada que é um pouco maior que uma faca, poderia ter a pachorra de desafiar um guerreiro vanir? Ele ergue sua espada, e quando a mulher ergue a sua, com uma batida de lado ele a faz largar a espada para longe, caindo perto da sua cama.
Ele vê, então, a mulher indefesa em sua frente, pronta para ser estuprada. Até o sangue em seu ventre já está pronto, ele só precisa tirar a roupa dela e fazer o serviço. Ainda maior que a vontade dos saques, esse guerreiro gosta mesmo é de estuprar as mulheres da aldeia onde invade. Ainda mais na Ciméria, onde os vizinhos se odeiam. Após o estupro, ele tem o hábito de arrancar a cabeleira, para servir de troféu. Em seu cinto, Greshan vê várias cabeleiras penduradas.
Quando ele avança em sua direção, a agarra e a ergue do chão. Ela bate e arranha, e devido à proximidade, também morde o rosto do mesmo, mas a força dele é muito maior. Ele a joga na cama e termina de rasgar seu vestido, ensangüentado. Ela cai com sua cabeça ao lado do filho recém nascido, e olhando no fundo dos olhos da criança, ela acha forças para reagir. Ela reage vendo a força daqueles pequeninos olhos azuis, abertos e brilhantes, coisa que não se vê nas crianças que acabaram de nascer. Com certeza, seu bebê era especial, e por causa dele ela teria que triunfar sobre seu inimigo.
Quando o vanir se prepara para se jogar em cima dela e cometer o estupro, ela chuta com toda sua força o meio das pernas dele, o que faz o gigante ruivo se curvar, e lhe dá tempo de levantar, e correr em direção à espada, que estava caída do outro lado da cama. O vanir a segura pela perna, mas, com a outra, ela chuta a cara dele diversas vezes, até que a solte. Com a espada nas mãos, ela avança para cima do vanir, que ainda está de joelhos no chão, e com o olho direito inchado de tanto levar chutes. Ele tenta se esquivar para o lado, assim a espada só entra por suas costelas.
O gigante é forte, e mesmo com a espada enfiada em suas costelas, ele levanta e agarra a mulher, lhe dando um forte soco no rosto, que a joga perto da lareira. Greshan olha para dentro da lareira, onde está a cabeça da mulher idosa morta há poucos momentos. O fedor da carne queimada invade suas narinas, e lhe causa o mais profundo ódio e repulsa por seu adversário. No intuito de defender a cria, ela puxa um pedaço de madeira que estava queimando e enfia na cara do atacante, que já estava em cima dela novamente. Quando ele arqueia o corpo para trás, ela arranca a espada das costelas e enfia novamente na barriga dele, a torcendo para o lado. Ele cai para trás, com o sangue espirrando para fora da ferida, e ela pega um banco e bate na cabeça dele, diversas vezes, até não ter mais forças para erguer o banco mais uma vez, a tornando uma mancha ensangüentada no chão. Uma massa disforme, esmagada e ensangüentada, não podendo mais ser relacionado ao fato de, há poucos minutos atrás, ser a cabeça de um homem.
Não um homem, pensa ela.
- Um maldito Vanir.
E, por todo o momento da briga, Conan permaneceu impassível.
Em nenhum momento ele chorou.
Em nenhum momento ele gritou.
Mas quando Greshan levantou, pôde ver como o menino fitava o vanir, com ódio nos olhos.
O ódio que os cimérios nutriam pelos seus vizinhos.
O ódio que ele vai carregar por muitos anos.
Até o dia em que ele conhecerá Fafnir.
Aos poucos, a supremacia numérica dos cimérios vai sobrepujando os vanires, que tinham excessiva confiança na surpresa e estratégia. Um a um, eles iam caindo no campo de batalha, que tinha se transformado a aldeia. Pessoas trucidadas estavam em todos os cantos, mas facilmente se via que era a maioria de vanires que estavam nesse estado lastimável. Eles não contavam com as crianças arqueiras em cima dos telhados, inalcançáveis por eles. Por sorte, o líder do ataque foi um dos primeiros a cair, senão ele sofreria nas mãos dos próprios comandados, caso sobrevivessem ao ataque, o que não seria esse caso.
Corin, após matar alguns vanires, e vendo que a situação já estava sob controle, ele recolhe sua parte no saque, e caminha em direção à sua casa, para mostrar para Greshan seu butim. E também para ver como estava Conan, seu primogênito. Ele já imaginava quando o filho estivesse crescido para acompanhar a tribo numa incursão contra os vanires. Tal pensamento enchia seu coração de alegria.
Chegando em casa, ele vê a porta destruída, e corre para o interior, para ver Greshan sentada na cama, com o menino mamando. Ela está com o corpo desnudo, com o vestido largado na altura da cintura. Na verdade, com o que restou do vestido na cintura. Próximo à porta está o corpo da parteira. O cheiro de carne queimada enche o ambiente. Nos pés dela, um corpo vanir, com uma massa disforme onde deveria ser a cabeça, e uma espada enfiada no seu peito. Greshan está com um olho roxo, mas olha para seu marido com um grande sorriso.
- Ele estava com fome – diz Greshan, como se nada tivesse acontecido –, e sentei para dar de mamar.
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Ciméria
Sete anos depois
Conan está brincando com outras crianças perto do lago. Brincadeiras normais para essas crianças.
Luta.
Selvagem.
Pancadaria.
Socos e chutes.
Empurrões.
Só não vale enfiar o dedo no olho.
Conan não era a maior das crianças, mas era a mais brigona. Era muito forte, para a pouca idade que tinha. Aos sete anos de idade, ele já brigava de igual com os meninos mais velhos, de nove anos. Ele já surrara outro de 11 anos, dias atrás. Claro que ele atacou e não deu chance para o outro menino se defender, nem contra-atacar. Ele era o único de pé nesse momento. Na beira do lago, estavam cincos crianças a brincar. Um grande lago, por sinal, rodeado por pedras no local onde elas estavam e com uma floresta às suas costas.
- Levantem-se! – gritava Conan – Parecem meninas.
Ele ria, se divertindo. Apesar da selvageria da brincadeira, todos eram amigos.
Um dos meninos levantou cambaleante, e fitou Conan nos olhos. Profundos olhos azuis. Outro se levantou parcialmente, nas costas de Conan, e permaneceu abaixado, o que foi notado pelo primeiro, que deu dois passos para a direita, obrigando Conan a se movimentar e ficar logo à frente do menino abaixado. O primeiro avança em direção a Conan, e com seu peso o obriga a dar um passo atrás, tropeçando no menino abaixado e caindo de costas, com o outro por cima.
Quando o segundo se levantou, Conan, mesmo caído, deu um chute na cara dele, o jogando para trás, e caindo dentro do lago. Com sua força, ele conseguiu tirar o outro de cima de si, e inverteu a posição, dando um soco na cara dele. Nesse momento, os outros dois foram para cima de Conan e o tiraram do lugar que estava, onde todos rolaram pelo chão. Quando o menino saiu de dentro do lago, praguejando, todos pararam e olharam para ele, e começaram a rir.
Nisso, a luta parou por um momento, e todos puderam descansar. Não eram inimigos, muitos menos se desgostavam entre si, mas eram crianças que adoravam brincar, e esse era a brincadeira preferida deles. Eram grandes companheiros, que brincavam juntos todos os dias. Se existissem nos dias atuais, facilmente seriam uma gangue, daquelas que crescem e vira uma equipe de qualquer coisa, tamanha era a proximidade desses meninos. Foi quando um barulho vindo da floresta os alertou. Não era um barulho humano. Era um grunhido. Um animal estava vindo. Todos os meninos se armaram de paus e pedras, e esperaram a vinda do mesmo. Rapidamente, cada um foi para trás de uma pedra, ou mais alta ou mais baixa, para ficarem escondidos na espera de descobrirem que fera era essa, que emitia esse grunhido.
Um porco do mato saltou de dentro dos arbustos, vindo em direção ao lago. Com certeza, estava com sede e vinha saciar. Aos poucos passos, ele se dirigiu ao lago. Com seus dentes que sobressaiam de dentro da sua boca, ele caminhava lentamente.
Ele parou.
Colocando o focinho para cima, cheirou o ar.
Algo estava errado.
Ele sentia um cheiro diferente.
O lago não estava desabitado.
Humanos estavam ali.
Ele sentia o cheiro deles.
Porém ele não os via.
Os garotos estavam escondidos. Eles sentiam os corações batendo mais forte dentro do peito. Era um grande porco do mato. Velho, forte. Um adulto, e não filhote. Marrom, com cicatrizes. Com certeza, também era um guerreiro de várias lutas. Havia marcas de todos os tipos. Cortes de estocadas mal dadas, mordidas de outros animais e arranhões na sua couraça, de passar por espinheiros. Não era uma criança como eles. Era um adulto.
O porco do mato, vagarosamente, se dirigia em direção ao lago. Aos poucos passos que dava, ele parava e erguia o focinho, sentindo o cheiro e tentando posicionar seus prováveis adversários.
Os meninos estavam excitados com a espera.
O porco do mato estava a uns 10 metros deles agora.
Uns 12 do lago.
Eles prendem a respiração. >
O animal dá mais alguns passos. Vagarosos passos.
Está a seis metros deles.
Conan aperta o pedaço de pau que ele tinha achado com as duas mãos.
O porco do mato está a menos de 4 metros.
Um dos meninos se posiciona melhor, apoiando a perna numa pedra, para que fique mais fácil subir na pedra a sua frente e pular em cima do porco.
O outro dá um passo para o lado, para se ajeitar, e chuta uma pedra.
O animal pára. Dá uma nova cheirada.
Ele sente o perigo, mas está com sede.
Mais um passo.
O animal está a menos de dois metros.
- Ataaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaacar!!!!!!!!
Não se sabe quem gritou, mas todos os meninos pularam em cima do porco do mato, que correu para frente. O animal, quando acuado, vira uma fera. Com uma cabeçada na boca do estômago do primeiro que apareceu à sua frente, ele o jogou perto do lago. Com isso, deu uma guinada para a direita e atacou as pernas do outro, que rolou por cima do animal e caiu de cara no chão, cortando o rosto. Conan correu ao lado do porco, e golpeou seu nariz com o pedaço de pau que tinha, desnorteando o animal. Os outros meninos que estava de pé jogaram pedras e bateram nele com o pau. O animal, mesmo machucado, investia contra as crianças, machucando e sendo machucado, até que eles venceram no cansaço do animal. Com muito custo, a base de paus e pedras, venceram a batalha contra o monstro. Batendo nas pernas, obrigavam o bicho a deitar, e com golpes certeiros na cabeça, mataram a fera.
- Urrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrra...
Os meninos gritavam em uníssono. Felizes por terem matado o grande animal. Com alguma dificuldade, conseguiram transportar o animal até a aldeia. Pegaram dois grandes galhos que estavam na floresta, e jogaram o animal em cima. Assim, os cinco meninos se revezavam na hora de puxar a carcaça em direção a aldeia. Quando chegaram, e os adultos viram o que eles tinham feito, armaram uma grande festa para os meninos, assando o porco selvagem.
Após a festa, em casa, Conan ainda foi festejado por Corin. Seu filho já era um guerreiro.
Ele presenteou seu filho com uma espada. Uma espada curta, pouco mais longa que uma faca, mas uma espada que cabia perfeitamente ao tamanho do jovem guerreiro
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