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The Magdalena: A Inquisidora #1



LEVANTAREI os meus olhos para os montes, de onde vem o meu socorro.
O meu socorro vem do SENHOR que fez o céu e a terra.
Não deixará vacilar o teu pé; aquele que te guarda não tosquenejará.
Eis que não tosquenejará nem dormirá o guarda de Israel.
O SENHOR é quem te guarda; o SENHOR é a tua sombra à tua direita.
O sol não te molestará de dia nem a lua de noite.
O SENHOR te guardará de todo o mal; guardará a tua alma.
O SENHOR guardará a tua entrada e a tua saída, desde agora e para sempre.
(Salmos: 121)


The Magdalena: A Inquisidora #1
Quando as Bestas Atacam

Por MMoro



Salt Lake City
USA

Após um dia ensolarado, com poucas nuvens, a lua vem surgindo no horizonte e com isso, prenuncia aos moradores dos bairros a oeste do centro da cidade que é hora da reclusão noturna. Há poucos meses vagarosamente e sem alarde foi instaurada uma ordem de clausura que deve ser cumprida no máximo até meia hora após o anoitecer.

Após esse horário, seus habitantes estarão por sua conta e risco.

Alex chegara há poucos dias na cidade, juntamente com seu primo João.

Os dois primos não se desgrudavam, tamanha a amizade entre eles.

Más línguas diziam que eram namorados não assumidos.

Eles davam risada desse boato, pois nada haveria de abalar a amizade deles.

Somente a morte os separaria.

Eles tinham viajado para ficarem seis meses em intercâmbio em Salt Lake. Trabalhavam como garçom em Sugar House, que ficava no sudeste da cidade, e pegavam vários ônibus para chegarem em casa. O ponto era na frente do prédio onde moravam e eles chegavam tão cansados em casa que não tinha vontade de sair.

Mesmo assim tinham que estudar para melhorar seu conhecimento na língua inglesa, razão pela qual ambos estavam ali. Alex tinha um sonho de trabalhar na indústria farmacêutica, e para isso um conhecimento profundo da língua era imprescindível. João, um pouco mais modesto e mais altruísta, queria fundar uma escola de línguas para crianças carentes, sustentada com auxílio das empresas, pessoas em governo, uma ONG.

Eles trabalhavam e estudavam com afinco, ficando em casa todas as noites para aprimorar seus conhecimentos, por isso nunca tinham se dado conta do toque de recolher.

Mas era a sua última semana na cidade. O intercâmbio estava findando, assim como o contrato na lanchonete. O dono era um venezuelano muito simpático e os rapazes logo caíram na sua graça. Ramirez veio como imigrante ilegal, mas depois conseguiu o Green Card, casando com uma nativa. Ele entendia bem o que era migrar para outro país em busca de oportunidades melhores, por isso ele liberou os dois na última semana.

Para farrearem.

Chegaram mais cedo em casa, tomaram um banho ligeiro e saíram antes do entardecer. Percorreram as ruas do bairro, para conhecerem o local, programa que nunca havia feito antes, nem aos finais de semana, pois ficavam na lanchonete do Ramirez para ganhar horas extras e os trocados do final de semana.

- Venha João. Estou vendo as torres de uma Igreja. Vamos agradecer à nossa padroeira por ter nos dados essa oportunidade.

- Com certeza, amigo. Vamos lá.

Os dois amigos eram católicos fervorosos, mas na mesma medida tinham enorme tolerância e simpatia pelos não católicos. Sempre que podiam freqüentavam a igreja e ajudavam os necessitados, seja com palavras de conforto, com carinho e, quando podiam, até com um prato de comida, afinal, havia muita sobra na lanchonete.

- Nosso Deus é um só, mesmo que tenha diversos nomes – dizia Alex.

Logo que eles viraram a esquina, anoitecera. A lua já estava grande no céu. A praça da Igreja estava totalmente deserta. Era uma noite escura, sem estrelas. A porta da catedral estava parcialmente aberta, com as luzes do altar acesas, dando a entender que a casa de Deus estava aberta para seus fiéis.

Imagem

Dentro da Igreja, eles entraram nos primeiros bancos próximos ao altar, ajoelharam-se e fizeram suas preces, agradecendo aos céus pela oportunidade que tiveram em trabalhar e estudar em outro país. Mal viam eles a hora de embarcar de volta para casa, tamanha era a saudades que sentiam de suas famílias.

- Agora é faaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaarra, gritou Alex.

- Ótimo... Depois de seis meses trabalhando feito escravos, merecemos...

Ao saírem da Igreja, um vento gélido soprava. No silêncio da noite era possível ouvir o sussurro do vento entre os galhos de árvores.

As folhas caiam devido ao vento e revoavam pela praça da igreja, indo parar logo adiante.

Um fino vento frio soprava, anunciando a noite que estava nascendo.

Ao logo, um uivo fez os rapazes se entreolharem.

Em suas espinhas, um gélido arrepio percorreu.

- Vamos ligeiro, João. Está ficando frio.

Apressaram o passo, procurando uma boate ou bar ou lanchonete, qualquer coisa aberta para entrarem lanchar.

Após uma caminhada de quatro quarteirões, onde tiveram a nítida sensação de estarem sendo seguidos, viram uma luz acesa vindo de uma porta aberta e para lá se dirigiram.

- Olá rapazes – chamou uma voz na escuridão.

Ambos pararam com o susto e olharam para trás. Dentre as árvores estava uma pessoa vestida inteiramente com uma roupa de couro preta. E uma bota de salto fino.

Alguns passos que essa pessoa deu para fora das ávores, e eles puderam vislumbrar a mais linda morena que tiveram conhecimento.

Cabelos negros como a noite, cortados na altura dos ombros.

Olhos azuis como o mar, hipnóticos.

Dentes brancos como a pureza dos inocentes.

E duas presas caninas, alongadas.

- Ei gatinha – falou Alex em tom debochado – o halloween já passou faz dias. Não está meio atrasada?

- Não – respondeu.

- Alex - João o pegou pelo braço – corra. Essa mulher é uma vampira.

- Buah aha auha haua uah au – gargalhava Alex – Tu tá louco, primo. Vampiros não existem.

- Fuja – e puxava cada vez mais forte.

A mulher se aproximou, o fitando nos olhos. Profundos olhos azuis, que transmitiam a maior calma do mundo.

- Como se chama, rapaz?

- Alex, gatinha, e você?

- Selene.

Respondendo seu nome, a mulher o abraçou fortemente, e mordeu seu pescoço com suas presas. Um mínimo filete de sangue escorreu pelo canto de sua boca carnuda.

Vermelha como o sangue que estava sugando.

João olhou a cena e viu que os outrora olhos azuis estavam vermelhos, injetados de sangue. Esses mesmos olhos o fitavam intensamente, lhe roubando a vontade de fugir, mesmo com o pavor instalado em seu coração, que batia incessamente.

O terror tinha tomado conta do seu corpo. Suas pernas pesavam toneladas e não levantavam o chão para fugir. Olhando por trás da mulher, ele podia notar mais vultos correndo detrás do lugar que ela surgiu.

Logo o corpo de Alex foi jogado ao chão, desprovido de vida e Selene se dirigiu em direção ao João, totalmente entorpecido pelo poder da Vampira.

Ela o pegou delicadamente pela mão e o levou através das folhagens onde aparecera. Ele a seguiu, totalmente sem controle de seus atos. Em sua mente nublada pelo poder vampírico dela, ele sabia que iria segui-la até o final dos tempos.

E além disso.

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Algumas horas depois
Ao amanhecer


Somente após o sol estar alto que os moradores saem de suas casas, buscando o caminho de seus trabalhos e a normalidade de suas vidas.

Como é de praxe, eles não estranham o cadáver estirado no meio da rua.

Afinal, nas últimas semanas essa cena estava sendo bem comum e as autoridades ainda não tinham tomado nenhuma providência.

Nas horas finais da manhã, uma pessoa encapuzada foi ao encontro do cadáver com um firme propósito em mente.

Parou perto dele à distância de um metro e estudou as adjacências. Qualquer pista era importante para ela.

Após um período aproximado de meia hora, aproximou-se e agachou ao lado do corpo, analisando o cadáver, utilizando luvas de borracha. Virou-o de diversas maneiras até deixar as marcas expostas do pescoço visíveis.

Dois finos buracos exatamente na carótida.

Necrosados e sem uma gota de sangue.

Fotografou o cadáver de diversos ângulos, assim como a ferida no pescoço.

Abrindo a sua capa, retirou uma estaca de madeira e colocou no coração da vítima. Com uma batida seca da outra mão, a estaca atravessou o coração, batendo no asfalto do solo.

Tirou de um pacote um punhado de alho descascado e enfiou na boca do morto.

Com um fósforo ateou fogo no corpo e se afastou pensativa.

- Preciso fazer o relatório dos acontecimentos para a Santa Igreja, imediatamente. Não podemos mais ignorar a volta dessas bestas em tão grande escala.

Pelo modus operandi dessa besta, a pessoa tinha certeza que o assassino era um vampiro. O que a intrigava era o assassinato na outra semana, que tinha sido orquestrado por um lobisomem. Era a primeira vez que ele entrava numa cidade com vampiros e lobisomens e não via sinais da guerra milenar entre eles.

Eles estavam juntos, ou apenas se tolerando?

Essa era uma informação que a Santa Sé precisa saber imediatamente.

Ela precisa ser convocada novamente.


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