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Heavy Metal 2099 #07 - O Fim

O FIM!

O Homem-Máquina rendeu-se à falange.

O Superadaptóide foi derrotado e está na iminência de ser destruído ou assimilado pelos alienigenas.

Andy foi impiedosamente executado pela falange.

O Sentinela Kree permanece impassível.

Acompanhe o capítulo final da saga dos heróis robóticos e descubra o destino daqueles que lutaram por uma humanidade perdida.


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HEAVY METAL 07

POWER OFF


Por Alex Nery



Dezenas de pontos luminosos vermelhos flutuvam sobre a pele do andróide caído. As miras laser não deixavam nenhuma dúvida: qualquer movimento brusco e ele seria exterminado.
Mesmo assim a criatura humanóide ergueu desafiadoramente a sua cabeça. Se possuísse olhos em sua face branca eles com certeza transbordariam seu ódio. Ódio contra seus inimigos, que ironicamente poderiam ser considerados seus irmãos robóticos.
Dezenas de unidades falange, juntamente com vários destinobots, cercavam ameaçadoramente o Superadaptóide.
Mas, entre todos aqueles adversários, um se destacava.
Um destinobot que falava com a voz do Homem-Máquina.

- Acabou, Adaptóide. Tudo está como deveria ter sido desde o início.
- O que houve com você, Aaron? – indagou o Adaptóide.
- Invadi o cerne da consciência coletiva da falange. E lá tive uma visão.
- Então você foi contaminado pelo vírus falange!
- Não. Eu aceitei fazer parte da falange.
- Como pôde nos trair assim?
- Não é traição. É lógica. Se você abrir os olhos verá que a falange fez mais pelo planeta do que os humanos.
- Abrir os olhos? Nunca vou me unir à falange!
- Estranho que seja tão emocional, Adaptóide. Com certeza extrapolou sua programação original.
- Graças a você, Aaron. Você me deu escolha, por isso estou nesta luta!
- A luta acabou. E a falange venceu, como esperado.
- Então eu estava certo. A contaminação que detectei semanas atrás era apenas uma maneira de nos espionar e trazer para uma armadilha.
- Contaminação? Do que está falando?

Uma explosão atraiu a atenção de todos. A enorme antena da estação de energia retorceu-se e despencou sobre vários robôs, dizimando-os. Alguns metros atrás da antena surgiu o Sentinela Kree, que continuou disparando cargas explosivas sobre a estação.

- Destruam-no – ordenou o destinobot com voz de Homem-Máquina.

As unidades falange começaram a se espalhar e avançar contra o novo oponente.
Aproveitando a distração, o Superadaptóide mimetizou a armadura do Homem de Ferro e acionou os jatos propulsores, arremessando-se sobre o traidor. O ex-andróide da IMA agarrou o destinobot pela cintura e arrastou-o até se chocarem contra a parede do prédio administrativo.
O destinobot iniciou prontamente uma reação. Começou a socar a cabeça do adaptóide com poderosos murros. Imitando o Capitão América, o Adaptóide aplicou um golpe de judô no adversário, jogando-o no solo. O destinobot disparou rajadas de seus pulsos, mas o adaptóide defletiu o ataque com uma réplica do escudo do herói americano.
O Sentinela Kree avançou contra a maré inimiga. Os alienígenas dispararam pesadamente contra o novo inimigo, mas o sentinela acionou seu escudo de energia e alçou vôo, atravessando o batalhão inimigo como um foguete. Vários inimigos foram atingidos pela passagem do sentinela e foram jogados para todos os lados, chocando-se contra o solo e contra outras unidades falange.
O sentinela pousou a meio caminho do Superadaptóide. Imediatamente lançou um pulso eletromagnético, fazendo com que os destinobots mais próximos estremecessem e caíssem desativados.
O Superadaptóide e seu inimigo destinobot ergueram-se no ar. Os dois andróides esmurravam-se de maneira selvagem, elevando-se cada vez mais. As unidades falange ergueram seus braços armados preparando-se para atingir os dois, mas uma rajada de projéteis explosivos despejada pelo Sentinela Kree fez com que perdessem o equilíbrio e a chance de acertar o alvo.
Oito membros da falange atacaram o Sentinela pelas costas e saltaram sobre o robô kree. Ele caiu causando um estrondo no campo de batalha, mas logo rolou no solo e agarrou os inimigos, esmurrando-os e disparando rajadas contra os aliens.
Nos céus, os dois combatentes lutavam como homens enfurecidos.
O Adaptóide era um misto de decepção e ódio. Durante as últimas semanas tudo o que ele e o Homem-Máquina fizeram era planejar uma maneira de destruir a falange, e agora ele tinha que combater o próprio amigo, que se entregara aos invasores alienígenas.

- Aaron, seu covarde! Como pôde nos trair? – gritou o Adaptóide.
- Eu apenas vi a inutilidade de combater a falange. A falange é tudo, ela está em todo lugar. Em breve, o planeta será a falange. Nem mesmo nossos aliados espaciais poderão nos deter, pois serão todos absorvidos. Junte-se a nós enquanto é tempo.
- Nunca! A liberdade é um dom do qual eu não abrirei mão!
- Liberdade é uma outra palavra para o caos.
- Liberdade é VIDA!

O Sentinela Kree se ergueu e observou os lutadores aéreos. Então, fez algo que não fazia desde que foi desativado décadas atrás: ele falou.

- Adaptóide!
O ex-andróide criminoso poderia ter se arrepiado, se possuísse essa capacidade. O Sentinela Kree falava também com a voz do Homem-Máquina, mas esta era diferente daquela emitida pelo destinobot. Esta tinha a entonação humana que sempre caracterizou o herói robótico.

- A-Aaron???
- Traga-o aqui! DEPRESSA!!! – gritou o Sentinela.

O Adaptóide agarrou o destinobot e mergulhou rapidamente em direção ao solo. Executando um vôo rasante, ele aproveitou a máxima velocidade para jogar o destinobot contra o chão de concreto. O robô colidiu destroçando a calçada da estação, abrindo uma pequena cratera.
Ainda com seus sensores apresentando mal funcionamento, o destinobot não pôde reagir à aproximação do Sentinela Kree. Apesar de possuir cinco metros de altura, o gigantesco andróide espacial correu rapidamente até o destinobot caído.

- Adaptóide! Me dê alguns instantes! – gritou o Sentinela.
- M-mas... – murmurou o Adaptóide.
- Sem perguntas agora!

Mesmo sem entender o que se passava, o Adaptóide fez o que o Sentinela pediu e começou a disparar a pouca carga que ainda tinha, tentando garantir um perímetro seguro para o aliado. Mas ele percebeu que não agüentaria mais do que alguns segundos.
Logo atrás do Adaptóide, o Sentinela agachou-se e agarrou o destinobot. Do dedo indicador da mão direita do Sentinela emergiram alguns filamentos, semelhantes a fibras óticas. As fibras serpentaram pelo corpo do destinobot até entrarem em suas cavidades oculares.
As unidades falange continuavam avançando. Já era possível ver o brilho vermelho de seus olhos alienígenas.
O Adaptóide parou de atirar.

- Aaron! Estou sem energia! – disse o andróide ao cair indefeso no solo.

O Superadaptóide fechou seus olhos, num ato demasiado humano, e aguardou pelo fim.
Mas, em vez de uma explosão, o que ele sentiu foi as mãos do Sentinela Kree o levantando.

- A guerra acabou, meu amigo.

Os membros da falange, assim como os destinobots, permaneciam parados, como um exército aguardando ordens. O cessar fogo era total e o único som que podia ser percebido era o crepitar das chamas.

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A primeira coisa que o Adaptóide pôde perceber foi a luz azul que tremulava sobre sua cabeça. As lembranças dos últimos acontecimentos parecia vagas e distantes.
Tentou mover-se, mas percebeu que estava conectado a uma série de equipamentos. Analisou os aparelhos e concluiu que eram parte de um sistema de reparos.
Ele estava sendo consertado.
Mas por quem? E com qual propósito?
- Calma, Adaptóide - disse uma voz familiar.

O andróide voltou sua cabeça para a direita e notou o Homem-Máquina, com seu velho visual humanóide, sentado lhe observando.

- Aaron? Como? Onde?
- Levante-se. Vamos dar uma volta – pediu o herói.

Caminharam até uma sacada ampla, de onde podiam observar vários quilômetros da paisagem. Centenas de metros abaixo, as luzes de uma grande cidade podiam ser percebidas como vagalumes.

- Onde estamos? O que houve? – indagou o Adaptóide.
- Estamos em Tókio – respondeu o Homem-Máquina.
- Tokio? Mas, e a falange?
- A falange deixou de existir. Pelo menos da forma como a conhecíamos.
- Ainda não entendi, Aaron. Vá direto ao ponto.

O herói robótico suspirou profundamente.

- Lembra-se de quando eu invadi o centro da mente coletiva? – indaga o Homem-Máquina.
- Sim. E você foi contaminado.
- Realmente, fui.
- E o que foi tudo aquilo com o Sentinela?
- Deixe-me explicar... Quando decidi invadir o ciberespaço eu sabia que corria o risco de ser assimilado. Era um risco muito alto para correr sem um plano de segurança. A intenção inicial era infectar a falange com a variação do vírus tecnoorgânico que já percorria nossos corpos. Como percebemos, esta variação estava nos protegendo da infecção da falange.
- Então não foi a falange que nos infectou? Não fazia parte do plano deles?
- Com certeza, não.
- Por isso a surpresa do destinobot...
- Exato. Continuando...cheguei até o centro da consciência coletiva, mas ali fui sugestionado a aceitar a assimilação virtual. A minha consciência passou a fazer parte da falange.
- E qual foi o plano de segurança que executou?
- Antes de mergulhar no ciberespaço, fiz um backup completo de minha programação e personalidade para o Sentinela Kree.
- Esperando que ele o socorresse quando necessário?
- Isso. A falange estava concentrada em nós dois, então ele me pareceu um local seguro.
- Mas como a falange não leu isso da sua mente contaminada?
- O programa de backup incluía esquecer tudo assim que fosse completado.
- Entendo. Você copiou a si mesmo e...
- ... esqueci logo em seguida. Não pude lhe contar antes pois você poderia ser forçado a falar e aí estaria tudo perdido.
- E os dois Homens-Máquina?
- O meu “eu” contaminado estava no destinobot, enquanto minha “cópia limpa” estava no Sentinela. Assim que minha “cópia” foi ativada, deu prosseguimento ao plano de emergência: Localizar minha consciência contaminada e usá-la como canal para disseminar o código do tecnovírus que nos imunizava diretamente no centro da falange.
- Sua cópia contaminada serviu como cavalo de tróia.
- Algo assim. Depois de tudo foi fácil recuperar meu corpo físico que estava na caverna, conectado à aranha-falange.
- E agora, Aaron? O que houve com a falange depois disso?
- Ela deixou de existir. O tecnovirus modificado varreu a consciência alienígena de seus membros. Os aliens puros foram dizimados por dentro, tornaram-se carcaças vazias, enquanto os assimilados, os humanos absorvidos, ganharam pensamento independente. Ainda são seres tecnoorgânicos, mas a primeira providência que tomei foi libertá-los.
- VOCÊ os libertou?
- Sim... eu estou no comando agora. Todo o maquinário falange me obedece.
- Aaron Stack, imperador do Japão?
- Nem pensar. Somos necessários por enquanto para reestruturar o Japão.
- “Somos”?
- Claro. Acha que o Heavy Metal acabou? Agora que começa o trabalho pesado, meu amigo.
- Ok, Aaron. Mais uma vez estou com você.
- Mas, algumas coisas terão que mudar.
- Hm?
- Você precisa escolher um nome. “Superadaptóide” é muito longo...
- Hah, só no dia em que eu desenvolver senso de humor.

Os dois amigos observam a atividade abaixo, onde centenas de humanos tecnoorgânicos tentam pôr ordem a uma estranha nova vida.

- Aaron, ainda tem uma coisa...
- O quê?
- Quem nos infectou com essa variação do vírus tecnoorgânico?

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Em um local indeterminado, uma grande projeção holográfica exibe um mapa-mundi terrestre, exibindo os continentes num tom avermelhado. Um homem digita alguns comandos em um teclado virtual e a área do Japão torna-se azul.

- Muito bem. Falta o resto do mundo...


FIM


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