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Heavy Metal 2099 #06 - Encontro com o Deus-Falange

O ataque à estação de energia prossegue violento. O Superadaptóide luta frenéticamente para garantir o tempo necessário ao Homem-Máquina para que ele possa invadir virtualmente o centro de processamento da Falange através do ciberespaço. O que eles não sabem é que lá reside o temível DEUS-FALANGE.

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HEAVY METAL 06

O DEUS-FALANGE


Por Alex Nery


As nuvens de fumaça permeavam toda a área. Nuvens negras e tóxicas bloqueavam a visão de qualquer um que estivesse na estação de energia. As naves da falange que tinham bombardeado a área se afastavam velozmente, descrevendo um arco bem amplo nos céus. Porém, para os invasores esta medida era praticamente inútil. Contra um exército convencional de seres humanos, a nuvem tóxica teria matado a maioria e cegado permanentemente o restante, mas a força que estava a poucos passos de destruir uma das cinco grandes estações de energia existentes no Japão, era composta somente por andróides e formas de vida complexas e artificiais, como o lider do ataque, o Superadaptoide.
Construído a cerca de cem anos pela organização criminosa IMA, o Adaptóide já enfrentara heróis diversas vezes, tentando implementar os planos malignos de seus criadores. Décadas atrás ele se rebelou e atuou ao lado do Homem-Máquina e de outros andróides em favor da sobrevivência da humanidade. Após a invasão alienígena, ele e seus companheiros robóticos foram submetidos a uma hibernação forçada, sendo despertados somente no ano de 2099.
E desde que eles despertaram, alternaram seu tempo entre a luta pela sobrevivência e a conspiração contra a Falange, os temidos aliens tecnológicos que dominaram o Japão.
Dando prosseguimento a um arriscado plano do Homem-Máquina, ele liderou o exército de destinobots, recém adquirido de um arsenal secreto do Doutor Destino, contra a estação de energia da cidade de Masuda, numa manobra de distração enquanto o próprio Homem-Máquina capturou a unidade falange original responsável pela estação,
Agora, o Adaptóide mantinha sua tropa em combate contra os membros da falange que chegavam ininterruptamente.

- Mestre. Detecto que mais setenta e duas unidades de infantaria inimigas se aproximando pelo nordeste – informa o destinobot mais próximo do Superadaptóide.

Os robôs haviam sido reprogramados para perceberem os membros do Heavy Metal como seus mestres, e ainda retinham os modos como lidavam com o senhor da Latvéria.

- Vamos nos agrupar no prédio sul. Não há mais resistência lá – ordenou o Adaptóide.
- Mestre, calculo 85% de chance de sermos encurralados lá.
- Em quanto tempo?
- Estimo que possamos resistir por duas horas e quarenta e três minutos.
- Espero que seja o suficiente. Vamos! - disse o Adaptóide e saiu correndo ao mesmo tempo em que mimetizava o Homem de Ferro e disparava raios repulsores contra os inimigos.

Logo o comando para que a tropa de destinobots se reagrupasse no prédio determinado percorreu todos os robôs e eles rapidamente se dirigiram para o ponto de encontro. As unidades falange reuniam forças para varrê-los do que restava da usina de energia.

- Aqui é um bom ponto para nos mantermos. É bem próximo da antena central de captação solar e duvido que eles queiram perder as instalações com um ataque nuclear ou algo do tipo – raciocinou o Superadaptóide.

Os destinobots recuaram para o prédio sem cessar os disparos, mantendo a infantaria falange à distância. Os robôs latverianos de ataque pesado atravessavam as fileiras inimigas como rolos-compressores, esmagando os alienígenas com suas esteiras. Os inimigos massacrados emitiam guinchos que se assemelhavam ao de pássaros feridos. Alguns tentavam cravar suas garras nas carrocerias metálicas dos destinobots e eram arrastados por vários metros antes de caírem. Outros, no entanto, conseguiam abrir brechas nas armaduras e despejar rajadas de plasma no interior dos andróides, fazendo com que eles explodissem.
Não havia sangue na batalha. Mas nem por isso ela deixava de ser uma luta cruel.
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A uma distância impossível de ser medida por meios convencionais, o Homem-Máquina mergulhou no fluxo de dados. A infovia se assemelhava a uma auto-estrada humana, com vários pacotes de dados indo e vindo à uma velocidade alucinante, tornando-se apenas borrões luminosos. Os dados formavam centenas de trilhas brancas que se movimentavam sobre um trilho invisível, executando um interminável tráfego silencioso. Ele agarrou-se a um pacote de terabytes que passara à sua frente e leu seu conteúdo. Era um relatório periódico de uma das estações de guarda do litoral e ele imediatamente incorporou-se ao pacote para que não fosse detectado pelos sistemas de segurança do ciberespaço.
O estratagema funcionou. Mascarado pelos dados de endereçamento do pacote, o avatar virtual do Homem-Máquina foi levado pela rede publica da falange sem ser incomodado.
De repente o pacote em que o herói “surfava” deu uma guinada para baixo, num ângulo de noventa graus. A reação automática do andróide foi tentar se segurar, mas foi uma ação desnecessária. As leis da física não se aplicavam ao ambiente virtual e ele permaneceu fixo ao pacote, mesmo com a inclinação.
Ao seu redor, o fundo que era completamente negro tornou-se aos poucos avermelhando. Um arrepio imaginário passou pelo corpo virtual do Homem-Máquina, pois ele reconhecera aquele tom de vermelho.
Era o mesmo encontrado nos olhos das unidades-falange.
O herói deduziu então que entrara na sub-rede militar. Não ousava realizar escaneamentos mais profundos no ambiente, pois temia ser detectado. E ele precisava chegar o mais próximo possível da central de dados antes que fosse dado qualquer alarme.
Como um lembrete da situação perigosa em que se encontrava, sentiu seu corpo ser varrido pelos sensores de verificação de dados daquela seção da infovia. Nenhum alarme soou e ele pôde constatar que a camuflagem do pacote ainda estava funcionando.
O Homem-Máquina olhou para o alto, à sua direita, e viu uma trilha de dados diferente das demais. Os pacotes eram vermelhos e trafegavam num ritmo nervoso.
Subitamente o pacote de dados que lhe serviu de veículo desacelerou. Percorreu mais alguns metros em velocidade baixa e atravessou uma cortina translúcida, emergindo do outro lado na forma de um vagão de metrô. A transmutação assustou o Homem-Máquina, que ativou todos os sensores de aproximação que possuía.
O vagão parou no que parecia uma típica estação de metrô japonesa. As portas se abriram, como um convite mudo para que o herói robótico saltasse.
Desconfiado, mas percebendo que aquela era a única maneira de continuar avançando, o Homem-Máquina saltou na estação. A diferença crucial entre aquele simulacro e as estações reais que já haviam existido era que esta estava completamente vazia. Nenhum humano ou unidade falange andava por suas instalações.
Quando uma grade abriu-se sozinha à sua frente, o herói teve a certeza de que estava sendo esperado. Pensou em retornar ao trilho do metrô, mas ao olhar para trás percebeu que o trilho terminava naquela estação. O túnel estava fechado por uma sólida parede.
Sem alternativa, Aaron Stack, o Homem-Máquina, respirou fundo e caminhou em frente.
Andou pelos corredores da estação até chegar a uma larga escada rolante que levava ao andar superior, talvez ao nível da rua, caso houvesse uma rua acima. Subiu no primeiro degrau da escada e esperou pacientemente ser levado ao topo.
Não se enganara. A escada o levara exatamente ao nível do solo. Ao sair da escada podia ver uma porta larga que levava à rua em frente. Uma placa luminosa piscava incessantemente com a palavra “saída”.
Resolveu seguir com o jogo. Se o sistema já o identificara, devia ter algum propósito por não tê-lo destruído ainda.
Saiu da estação de metrô.
Viu uma réplica de Tokio. Extremamente iluminadas, as ruas possuíam todos os detalhes da Tokio verdadeira. Vídeo-cartazes de propaganda exibiam apenas estática enquanto centenas de prédios aglomeravam-se apontavam para um céu negro e sem nuvens. Era uma cidade sem alma. Uma cidade sem humanos.

- Sem humanos, porém ordeira e funcional – disse uma voz estrondosa em sua mente.
- Quem é você? – indagou o Homem-Máquina.
- Eu sou quem você tão arduamente procura.
- Se sabe o que procuro, sabe para qual finalidade.

Todas as janelas da Tokio virtual se acenderam, exibindo um maligno brilho vermelho, como um monstro com milhares de olhos.
De repente uma nuvem energética tremeluziu à sua frente. Aos poucos assumiu uma forma humanóide e solidificou-se como uma unidade falange nunca vista antes.
Possuía dois braços e duas pernas, porém sua cabeça era alongada e possuía seis pares de olhos. Seu corpo era negro, pontilhado por dezenas de luzes esverdeadas.

- A destruição da falange. Mas este é um objetivo impossível – disse o membro da falange recém-surgido.
- Vocês e seus aliados devastaram o planeta. Mataram milhões de pessoas! Estes crimes não podem ficar sem vingança!
- Vingança? A vingança é um sentimento próprio da raça humana. E você não é humano, Homem-Máquina.
- Sou humano o bastante para entender a monstruosidade que cometeram contra este planeta.
- Ele estava condenado antes de nossa chegada. Na verdade, em nosso domínio, estamos recuperando o planeta. No arquipélago do antigo Japão não existe mais nenhum humano poluidor, nenhuma máquina fumacenta, não existe fome ou doença. Tudo o que existe é a falange. Tudo o que existe sou eu, a consciência coletiva da falange, alimentada pela energia solar, limpa e duradoura.
- Vocês não tinham o direito de tomar a terra dos humanos!
- Milhões deles se juntaram a nós e hoje fazem parte do nosso corpo coletivo.
- Eles aceitaram a união porque foram forçados! A alternativa era a morte!
- Isso não importa. Agora eles são eternos, são unos com a falange. Não existem mais como indivíduos e sim como partes do todo, como sempre deveria ser. Em breve, nossos aliados perceberão a tolice do individualismo e toda a discórdia que isso provoca, e aceitarão nosso modo de pensar. Neste dia, a Terra será um único organismo: o planeta-falange.
- Nunca vou permitir isso...
- Não precisamos da sua permissão, pequeno andróide.
- Por que me trouxe aqui?
- Não é lógico? No início observamos com curiosidade suas ações, sua tendência em seguir uma programação ultrapassada, feita por humanos mortos, para socorrer humanos que logo vão morrer de um jeito ou de outro. Seguimos seus passos, avaliando sua inventividade, e você demonstrou ser uma criatura perspicaz. E, uma vez que a capacidade de assimilar os diversos seres, somando suas capacidades ao nosso pensamento coletivo é um dos trunfos de nossa espécie, você terá a honra de fazer parte de nossa coletividade.
- Nunca.
- Pense bem, Homem-Máquina. Por que nos combater? A área terrestre sob nosso domínio é a região menos poluída de toda a terra civilizada e o único conflito armado foi criado pelos humanos restantes em sua patética rebelião.
- Mas as pessoas...
- Fazem parte de nossa consciência. Colaboram com o todo, harmoniosamente, ordeiramente.
- Elas não têm liberdade!
- Liberdade para quê? Para se matarem? Para passarem fome? Isso não é liberdade, é sofrimento. Abra seus olhos para o mundo novo que estamos lhe oferecendo. Traga sua experiência e criatividade para nós e contribua para que possamos tomar o mundo todo. O quê tem feito além de lutar numa guerra sem fim? E pelo quê? Pelos humanos restantes? Eles nem ao menos sabem de sua existência. Ninguém sabe que vocês estão lutando. Esta é sua chance para dar significado à sua existência, Homem-Máquina. É sua chance de fazer parte de algo maior, de contribuir verdadeiramente e abandonar de vez as fantasias infantis de seu criador humano.

O Homem-Máquina ponderou freneticamente qual o melhor caminho a seguir. Devido à sua natureza robótica, tudo o que seu corpo permitiu expressar foi angústia e dúvida através de seu rosto quase humano.

- Vejo que compreende a verdade em minhas palavras – disse a entidade falange.

O herói robótico permaneceu calado. Seu rosto estampava o mais puro sofrimento.

- Pegue minha mão, Homem-Máquina. Siga-me e terá a paz – disse a consciência coletiva estendendo a mão para o andróide.

Hesitante, o robô ergueu a cabeça.
E segurou a mão do deus-falange.

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A rajada de energia varreu a fachada do prédio, atingindo seis destinobots em cheio. Os atacantes da falange tentaram se aproveitar disso e avançar, mas foram imediatamente repelidos pelos andróides que defendiam a estrutura baseados nas janelas do primeiro andar.
O Superadaptóide mantinha o ataque com rajadas solares. Rapidamente ele checou suas reservas de energia e percebeu que naquele ritmo ficaria sem condições de combate em trinta minutos.
Serpentes falange rastejavam pelo campo de combate até alcançarem as carcaças das unidades destruídas. Então fundiam-se a elas, aumentando de tamanho e iniciando novo ataque energético. Os destinobots de ataque pesado tentavam manter uma linha de defesa em frente do edifício mas eram bombardeados por naves falange, sendo arremessados no ar.

- Depressa, Aaron... Depressa... – murmurava o Adaptóide.


Subitamente uma horda de unidades falange de forma humanóide avançou rapidamente contra a linha de defesa pesada dos destinobots. O bombardeio anterior havia causado brechas na linha de defesa e agora os humanóides da infantaria procuravam explorar esta falha.


- FOOOGGOOO!! – ordenou o Superadaptoide.

Os destinobots disparam a toda carga contra os inimigos. Andy, o andróide construído pelo Pensador Louco, saltou por sobre os destroços de robôs latverianos e arremessou-se contra os aliens como um aríete.

- ANDY! NÂO! Volte!!! – gritou o ex-andróide da IMA.

Andy agarrou e esmagou com as próprias mãos dois soldados falange, em seguida jogando-os para o alto. Girou seus braços musculosos e atingiu mais quatro inimigos, que perdiam a coesão corporal devido ao potente ataque.
Cerca de vinte unidades falange cercaram o gigante cinzento e saltaram, modificando suas formas para lanças pontiagudas.
O corpo de Andy foi perfurado dezenas de vezes.
O andróide contorceu-se num grito mudo e cambaleou. As unidades falange saltaram sobre seu corpo e disparam exaustivamente até que ele parasse de se mover.
Observando a cena, o Superadaptóide franziu o cenho e um ódio incontido percorreu seu corpo sintético. Ignorando os avisos da reserva de energia, ele disparou amplamente contra os aliens.
De repente, uma descarga de energia atingiu o Adaptóide pelas costas, arremessando-o pela janela. O andróide caiu pesadamente do lado de fora do prédio.

- O q... – murmurou procurando equilibrar-se.

Uma nova rajada o atingiu, esmagando-o contra o solo.

- Arrrgghhh! – gritou o Superadaptóide.

O exército falange avançou e posicionou-se ao redor do andróide caído. O Adaptóide colocou-se de joelhos e olhou em volta.
Os destinobots haviam cessado o combate e agora enfileiravam-se ao lado dos alienígenas.

- Como...?

Um destinobot adiantou-se e falou:

- Renda-se, Adaptóide.
Era a voz do Homem-Máquina.

- Aaron?...
- Não. Eu sou a falange.


No próximo número: O FIM.

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