A chegada do misterioso garoto chamado Rick traz ao Esquadrão M uma ameaça que eles não estavam preparados para enfrentar. Somente com a ajuda de um novo aliado eles conseguirão derrotar a Conspiração K e libertar Temporal. Não perca a conclusão deste arco!
Universo Nova Frequência
Anderson “Aracnos” Oliveira
Versão definitiva.
Episódio 10: O rapto do Garoto de ouro - parte Final.
— Oi. — diz o garoto que surgiu do nada diante do Esquadrão M em meio a uma sala grande coberta por destroços com os jovens da Conspiração K desacordados ou imobilizados espalhados pelos cantos.
— Hã... Oi? — diz Máximo que assim como todos os outros está surpreso com a presença do menino.
— Quer brincar? — continua o garoto, ainda falando sem erguer a cabeça.
— Talvez... Hã... Você sabe onde tá nosso amigo? — Máximo se agacha para ver melhor o rosto do menino. Os outros permanecem parados.
— O professor está com ele. Lá embaixo.
— Ah é? Lá embaixo onde? O que ele está fazendo?
— Não sei. Ele não me deixa entrar lá. Na verdade, é a primeira vez que eu saio do meu quarto desde que cheguei aqui.
— Aí gente, vamos lá! — Máximo se levanta e passa pelo menino seguido pelos outros. O menino continua estático. Quando o Esquadrão chega até o elevador por onde a Conspiração K surgiu, o menino diz, sem olhar para trás:
— Vocês não querem brincar?
— Depois, filho... depois... — responde Maritimus. Nisso, as conjuntivas dos olhos do menino se tornam vermelhas e suas íris ficam verdes. Um semblante de fúria cai sobre seu rosto e com uma força inimaginável de existir em um ser tão pequeno, ele grita:
— VÃO BRINCAR... AGORA!!!
Em um piscar de olhos, a mansão se torna um ambiente sombrio e vermelho, com focos de luz que dançam por todo o espaço onde o chão se confunde com as paredes e um vento frio ecoa dando a sensação de estarem em um lugar amplo. Como se fosse uma outra dimensão. Os membros do Esquadrão se juntam, formando um círculo para se protegerem enquanto o menino caminha suavemente até eles.
— O que é isso?! — pergunta Sandy com suas mãos e pés se transformando em areia.
— É alguma ilusão! Como aquela que tive! — diz Máximo.
— Não... não é... — diz Hellda, que continua caída no chão. Todos olham para ela que expressa um estranho olhar. — Esse garoto se chama Rick. Ele pode fazer coisas... qualquer coisa... apenas com o pensamento... com a vontade. Nenhum de nós pode contra ele... Nem o Mestre K pôde... Por isso ele fica preso numa cela desenvolvida para inibir qualquer poder... E é dopado com pequenas doses de calmante em sua comida... Eu tenho medo dele... Vocês deveriam ter também!
— E agora?! — pergunta Flamy assustada enquanto Rick chega mais perto.
— Temos que detê-lo... de algum jeito! — diz Harpia. Rick chega perto. Sempre com a cabeça baixa. Ele parece contar seus passos enquanto move seus dedos de uma forma estranha.
— Nos tire daqui! Agora! — grita Maritimus. Nisso, Rick para sua caminhada. Finalmente ele levanta a cabeça e encara o grupo:
— Ninguém me dá ordens! — ao dizer isso, ele faz com que todos sejam lançados para trás com um golpe invisível. Eles caem um sobre os outros. — Ninguém me manda fazer as coisas! — Rick surge ao lado deles, e novamente os golpeia fazendo cada um voar para um lado. Depois o menino se multiplica em cinco, ficando cada um ao lado de um herói. — Ninguém!! — cobras brotam do chão e amarram os braços e pernas dos membros do Esquadrão.
— Será mesmo?! — interroga Harpia, se debatendo para se libertar.
— Sim! — responde o Rick junto dela.
— Pelo que vi, o tal Mestre K te controla. — diz Máximo, entendo a ideia de Harpia, em outro ponto do local.
— Não controla! — responde o menino junto dele com raiva nos olhos.
— Então por que você tá aqui agora? — fala Flamy.
— Ele te mandou vir aqui. — diz Sandy.
— Ele manda em você! — diz Maritimus. Em uníssono, as cópias de Rick respondem:
— MENTIRA!! — com isso, o cenário muda e o Esquadrão se vê amarrado pelos pés, de cabeça pra baixo, descendo por uma corrente em um aquário cheio de tubarões. Rick está em uma plataforma e a Conspiração K espelhada pelo chão de alumínio.
— Caraca!! Que loucura é essa?! — exclama Flamy ao ver os dentes afiados dos tubarões.
— Eu posso tudo... — diz Rick. — Tudo que eu quiser...
— Então por que não se livra do Mestre K? — diz Sandy, enquanto a corrente desce.
— Sim... eu posso fazer isso! — Rick sorri.
— Então faça! Livre-se dele! — diz Harpia. E a corrente continua descendo.
— Eu... eu... sim... eu... posso fazer is-- Argh!! — Rick sente uma dor crescer em sua cabeça. Ele leva as mãos na nuca e se contorce. Pode-se ver na sua nuca um aparelho que pisca uma luz vermelha. Então todos podem ouvir uma voz dizendo:
— Que previsível!
— M-mestre... K... — diz Rick, jogado ao chão da plataforma.
— Faça seu trabalho Rick, e não pense que eu não estou preparado para você. — a voz de Mestre K some, assim como a dor que Rick sentia. O menino se levanta e com um simples gesto faz a corrente descer mais rápido.
— Não!! — grita Flamy enquanto todos descem aos tubarões.
— Espere! — Maritimus consegue livrar uma das mãos e a estende contra a água do aquário e a congela, fazendo os tubarões ficarem inertes ao ponto que todos caem sobre a superfície fria do gelo. — se isso não é uma ilusão, nós podemos usar nossos poderes aqui.
Entendendo isso, Flamy se inflama para se livrar das correntes ao mesmo tempo em que Sandy se dissolve em areia. Maritimus e as duas ajudam Máximo e Harpia a se soltarem. Rick fica parado, surpreso com o final do seu plano. O Esquadrão então livre investe contra o menino. Harpia e Flamy voam até ele enquanto os outros se dividem.
— He... ehehe... eheheheheh!! Bobos! — diz Rick. Assim que Harpia e Flamy se aproximam dele, suas cabeças começam a doer. Assim segue com os demais. Todos se contorcem e gemem de dor. — Eu disse que eu posso fazer tudo! — Rick muda o cenário novamente. O novo lugar é coberto por gelo, talvez a Antártida. Além da dor, o Esquadrão enfrenta agora o frio.
— S-seu... seu... idiota! — diz Kohlër que acorda do desmaio. — Esse frio... vai matar... todos nós... Nos... tire... daqui!!
— Você não manda em mim! — diz Rick.
— Mas meu avô manda. — Kohlër fala em tom de ultimato. Temendo que Mestre K utilize novamente seu controle, Rick faz o cenário mudar e leva todos de volta a mansão. Mesmo livres do frio, o Esquadrão continua sentindo as dores de cabeça. — Mate-os! — fala Kohlër, se levantando. — Mate-os agora! — Rick o olha com respeito. Depois anda até mais perto dos heróis. Ele fecha os olhos e se concentra. A dor aumenta.
— Pare! — antes de ver de onde vinha essa voz, Rick é atingido por um feixe de luz verde. Com tal distração, o poder que exercia sobre o Esquadrão acaba. Livres da dor, todos podem ver a face de seu salvador...
Vestindo um traje cinza azulado e preto, com um estranho aparelho no olho direito, pelo qual emana uma fumaça esverdeada, o empresário Roberto Mendes entra na mansão. Antes que Rick se restabeleça do primeiro golpe, Roberto desfere outra rajada de laser pelo seu olho. Os outros da Conspiração K se aproximam para detê-lo, mas ele os lança longe apenas com um gesto. É telecinese. Se aproximando de Rick, Roberto põe sua mão na cabeça do menino e lança sobre ele um forte golpe telepático que o faz desmaiar.
— Estão todos bem? — Pergunta Roberto ao Esquadrão que se aproxima. Ainda tontos pela forte dor que sofreram, agora também estão surpresos por verem-no ali. Menos Maritimus, que diz:
— Obrigado, Capitão M.
— Não por isso, Maritimus. Agora não percamos tempo... Temporal precisa de ajuda. — todos se apressam e entram no elevador que automaticamente desce até o laboratório. Assim que a porta se abre, uma espécie de campo de força não permite que ninguém entre.
— O que é isso?! — questiona Harpia.
— É ele. — responde Capitão M apontando para Mestre K, ainda deitado na maca, todos também veem Temporal ao seu lado. — Karolos Kohlër é um dos maiores telepatas do mundo. Ele está criando esse campo de força... mas eu acho que posso... — Roberto se esforça e avança, rompendo o campo de força.
— Não esperava vê-lo aqui, Roberto! — diz Mestre K. — Faz muito tempo que não nos vemos.
— Não é nenhum prazer vê-lo novamente, Karolos! Vocês! Tirem Temporal de lá! — Capitão M duela contra Mestre K com seus poderes enquanto Harpia, Máximo e Maritimus se aproximam de Simon.
— Por um instante pensei que nunca mais iria vê-los! — diz Temporal enquanto Harpia rompe as amarras com suas lâminas e Máximo e Maritimus levam-no pelos ombros.
— Se apressem... — diz Capitão M visivelmente exausto. — Ele.. é... muito... poderoso! — finalmente todos voltam para o elevador. Capitão M é o último a entrar. Mesmo com as portas fechadas ele continua fazendo frente aos poderes de Mestre K, mesmo assim o elevador quebra e fica parado no meio do fosso.
— Precisamos sair daqui! — avisa Máximo.
— Pra já! — Sandy, com suas mãos em forma de barro, soca o teto do elevador e abre a saída de emergência. Se dissolvendo ela sobe até sair de lá. Máximo também levita e sai, assim como Flamy. O espaço é mínimo para Harpia abrir suas asas, então ela é tirada de lá com a ajuda dos amigos. O próximo a sair é Temporal, depois Maritimus e, por fim, Capitão M.
— Segurem-se! — Harpia diz abrindo suas asas. O fosso é bem amplo para isso. Levando Temporal e Maritimus pelos braços ela voa até a saída, seguida por Máximo que leva Sandy no colo e, por fim Flamy e Capitão M que levitam. Ao chegarem à sala, todos são atingidos pelo impacto de uma explosão. O fogo emerge pela passagem, mas é rapidamente contido por Flamy. — Vamos embora... Tudo está terminado! — dizendo isso, Harpia e os outros deixam a mansão enquanto a Conspiração K permanece caída no chão e, isolado no laboratório, Mestre K lamenta:
— Não! Não!! NÃO!!! A fonte da juventude esteve em minhas mãos e escapou por entre meus dedos! Tudo graças a incompetência dos meus aprendizes e a maldita interferência dos amigos de Temporal! Porém nem tudo foi perdido. O pouco tempo em que minha máquina funcionou foi o bastante para que eu tenha regredido alguns anos em minha idade física... não o quanto eu gostaria, mas pelo menos terei mais tempo de vida... Tempo o bastante para melhorar o mecanismo e obter minha vingança contra Prof. Smith e seus amigos! — nisso, Mestre K faz levitar diante de si um tubo de ensaio com sangue. —Tenho nessa amostra o que preciso do senhor, Prof. Smith. — na sala, os alunos de Mestre K se levantam e se olham, menos Rick que continua desacordado. Kohlër o pega nos braços enquanto todos ouvem as seguintes palavras: — Vocês, desçam aqui e me ajudem a sair dessa máquina... Temos muito trabalho a fazer!
Não muito longe da mansão voando entre as árvores está o Esquadrão M. Harpia, Máximo, Flamy e Capitão M descem em uma clareira onde Maritimus escondeu sua moto. Mesmo enfraquecido pelo que passou lá dentro, Temporal aperta a mão de Capitão M dizendo:
— Obrigado...
— Não há de quê. — responde cordialmente o Capitão.
— Seria um prazer... tê-lo no grupo... — continua Temporal.
— Meus tempos de missões acabaram. Mas sempre estarei por perto para ajudar os amigos.
— Ok... então... — dizia Temporal quando sofre uma convulsão. Todos se apressam para apará-lo.
— Ele está muito fraco ainda. Precisamos levá-lo ao médico. — diz Harpia. Nesse instante Capitão M a segura pelo braço dizendo:
— Serei breve. Se quiser saber mais sobre o cetro e o povo Mithrak me procure. Um mal muito antigo foi despertado. E só os portadores dos artefatos poderão detê-lo. — dito isso, o Capitão se afasta. Antes que Harpia pudesse processar as informações, o estado de Temporal lhe toma a atenção.
Dia seguinte, em um quarto de hospital, Simon Smith acorda e se vê cercado por seus amigos Sandy, Igor, Ângela, Paulo e Mônica, agora sem uniformes, vestidos com roupas normais.
— O garoto de ouro acordou! — avisa Sandy que está sentada em sua cama e logo o presenteia com o beijo no rosto. Os demais se aproximam.
— Puxa... você dormiu por horas! — exclama Mônica.
— Pareceu que dormi por anos! — responde Simon levando a mão na testa. — Esse é um hospital comum?
— Claro que não. — diz Igor. — O Roberto ofereceu para pagar um hospital particular, mas então lembramos que temos nossos patrocinadores! Já estamos no Centro Médico da Corporação
— Ah, claro... Preciso fazer algumas reclamações ao Anderson! — dizia Simon quando todos ouvem um celular tocar. É o de Ângela:
— Olha só... falando nele... — Ela vê o número e depois atende: — Alô, Anderson! Estamos todos aqui... Sim... Tá... — Ela entrega o celular para Simon. — Ele quer falar com você:
— Alô... — Simon atende. — Como é que é? Ir pra onde? — Simon diz ao telefone. — Tá certo... Falou. — Ele desliga e entrega o telefone para sua dona. — O Anderson diz que tem uma tarefa pra gente. — Todos se olham com dúvida.
— Mas já? Nem deixou a gente descansar! — reclama Mônica.
— E pediu pra encontrá-lo na Cidade Universitária. Disse que era algo fácil...
Em outro lugar, iluminado apenas por um decorado abajur, Roberto Mendes deixa de lado sua taça de vinho e se levanta de sua poltrona e dirige até a parede a sua esquerda. Na parede, um lindo e enorme quadro de Portinari. Roberto retira o quadro com cuidado e revela atrás dele um cofre. Digitando a combinação e abrindo a porta, de lá ele retira um pacote de tamanho médio.
Com cuidado, ele desembrulha o pacote. Seu olho esquerdo, coberto por um tapa-olho, parece tremer e uma fumaça esverdeada sobre entre as frestas do tapa-olho. Terminado de desembrulhar o pacote, com o papel pardo jogado pelo chão, Roberto quase cai de joelhos ao observar o conteúdo do pacote.
Um ídolo de barro, de uma divindade ao estilo inca, porém aterrorizante e nefasta, trazendo em seu peito a forma do M, tal qual ao do cetro Mithrak. Roberto deixa a estatueta sobre a mesa junto à parede e se vira, se apoiando na poltrona e levando a outra mão no olho esquerdo.
— Meu Deus... o que foi que fizemos?
Fim.
A Seguir: A Tabuleta Mithrak e o Olho de Silfus.
Postar um comentário