Últimas Publicações:

Heavy Metal 2099 #05 - Guerra!

Chega de planejamentos e escapadas! É hora de encarar o inimigo de frente!
Após conquistar o arsenal esquecido do Dr. Destino, o Homem-Máquina e seus aliados decidem partir para a ofensiva total contra a Falange, num ato de vingança em nome da humanidade.
Porém, mesmo com toda a tecnologia do ex-monarca da latvéria, poderá o Heavy Metal se opor às milhares de unidades falange que infestam o Japão?
Não perca esta aventura dos heróis robóticos... poderá não haver outra.


Image

SM2099 – HEAVY METAL

CAPÍTULO 05 – GUERRA

Por Alex Nery


Ilha Honshu
Província shimane
Cidade masuda



As luzes do monitor refletiam na pele metálica do Homem-Máquina, produzindo um brilho leve e colorido. Ele permanecia totalmente concentrado na tarefa, trabalhando freneticamente. Já haviam se passado seis semanas desde a invasão do arsenal do Doutor Destino e daquele momento em diante ele não havia feito nada além de se dedicar à programação dos destinobots. Neste ponto era uma vantagem ser um robô e não precisar de alimentação covencional. Bastavam cerca de duas horas de recarregamento das baterias solares e ele estava pronto para mais uma semana de trabalho.
Abaixo da cabine, no grande salão, outro membro do Heavy Metal o Superadaptóide checava o funcionamento dos destinobots. O Adaptóide contava com a ajuda de Andy para medir a força e a velocidade de reação dos andróides latverianos.
Logo que chegaram às ruínas da cidade de Masuda, na província japonesa de Shimane, eles se fixaram nas velhas instalações da base aérea local. Ela ficava situada à quinze quilômetros do centro da cidade, sobre uma colina ampla, permitindo uma excelente visão em todas as direções. Imediatamente o Adaptóide posicionou vinte destinobots em torno da área como sentinelas.
Havia sido bem difícil trazer todos os robôs e unidades de combate desde a Argentina. Isso só havia sido possível graças ao Sentinela Kree, o quarto e silencioso membro do Heavy Metal, que disfarçara a passagem da tropa emitindo o sinal kree que os disfarçava como um comboio de transporte de carga. Os krees confiavam tanto na rede automática que a mantinham monitorada apenas por andróides.
Agora, após longas semanas de preparação, o Heavy Metal estava pronto para uma ação audaciosa: erradicar a Falange do solo japonês.

- Eles estão em ótimo estado, Aaron – disse o Superadaptóide se aproximando.
- Ótimo. Vamos prosseguir.
- Tenho que lembrá-lo do imenso risco que estamos correndo.
- Eu sei. Mas não temos alternativa. Exterminamos os aliens ou não teremos chance de sobrevivência, e os poucos humanos que ainda existem no mundo estarão irremediavelmente perdidos – afirmou o Homem-Máquina.
- Uma coisa me incomoda, Aaron.
- O quê?
- Você sabe.

O Homem-Máquina recostou-se pensativo na cadeira.

- Sim, eu sei.
- Quando percebeu?
- Desconfiei quando conseguimos escapar da base do lago Ashi. Fomos bem rápidos mas...
- ... mas não poderíamos ter escapado do tecno-vírus falange – afirmou o Superadaptóide.
- Não tive como checar isso antes. Era apenas uma desconfiança. Só depois que nos estabelecemos aqui eu pude realizar um diagnóstico completo.
- E o que constatou?
- Hm... de alguma maneira, estamos infectados com o tecno-vírus, mas não estamos submetidos à consciência coletiva da falange.
- Isso confere com o que eu mesmo percebi. Devido a minha natureza mutável, sou capaz de detectar qualquer mudança em meu hardware. Percebi a infecção imediatamente após a nossa fuga. Pensei que o vírus ficaria em estado dormente até conseguirmos os armamentos de Destino, então ele tomaria o controle e nos destruiria.
- O quê???!!! Pensou isso e mesmo assim foi em frente? Por que não me disse?
- De quê adiantaria? Conseguir o arsenal era nossa última opção, então o que importava a ameaça de contaminação?
- Droga! Não lhe ocorreu que poderíamos estar sendo manipulados pra conseguir estas armas para a Falange?
- De novo, não teria importância alguma. Eles já têm armas suficientes. Além disso, fiz um auto-diagnóstico bem interessante...
- Diga.
- Os agentes transmissores do tecno-vírus que infestaram a base do lago Ashi e que nos alcançaram são diferentes daqueles que hoje estão nos nossos corpos.
- Diferentes? Uma variação?
- Sim. E uma variação antagônica. A subespécie que existe em nós devastou a espécie invasora do lago Ashi. Acredito que isso impediu nossa assimilação pela consciência coletiva.
- Hmmm... isso é muito estranho. Por que a Falange possuiria duas variações excludentes?
- Pode ser que a espécie atual seja uma descendente evoluída daquela que permanece em nós, afinal, ficamos encaixotados por décadas em um depósito da própria Falange.
- Se fosse assim, seriam compatíveis.

Os dois homens artificiais silenciaram. A dúvida invadiu suas mentes. Por fim, o espírito lógico prevaleceu.

- Não adianta pensarmos nisso agora. Devemos levar o plano adiante – diz o Superadaptóide.
- Tem razão – tomado por uma excitação instantânea, o Homem-Máquina digitou alguns comandos no console e um mapa tático surge no monitor à sua frente.

- Esta é a central da Falange: Tókio. A cidade em si não existe mais. Em seu lugar existe um imenso complexo tecno-orgânico composto pelos aliens e pela população humana subjugada, extendendo-se por uma área de cinco mil quilômetros quadrados. Ali está situada a gigantesca antena de transmissão sub-espacial dos japão – explicou o Homem-Máquina.
- Praticamente impossível de invadir – comentou o Adaptóide.
- Sim, concordo. Uma invasão nos moldes tradicionais é algo impensável. Segundo os dados coletados do sistema desta base, Tokio possui pelo menos dois milhões de unidades falange. E estes dados datam de 2037, quando Musada foi devastada. Imagine o quanto esse contingente aumentou até agora.
- Um objetivo inexpugnável.
- Talvez. Mas veja este mapa...

O Homem-Máquina digitou novamente e a tela mudou para um mapa panorâmico completo do Japão.

- Vê estes pontos em amarelo? – pergunta o herói ao Adaptóide.
- Estações de energia.
- Exato. Estações solares.
- A Falange se alimenta de energia solar? Quem diria, são uma espécie ecologicamente correta.
- A Falange assimila qualquer forma de vida que encontre. Ela não se alimenta de carne ou vegetais, e combustíveis fosseis já devem ter sido extintos à milhares de anos em sua galáxia de origem. Eles só perdurariam como espécie se tivessem descoberto uma forma auto-sustentável de alimentação.
- Por isso devemos sabotar sua rede de energia.
- Bem, no começo eu pensei em fazermos isso, mas...
- Mudou de planos?
- Sim, quer dizer... veja bem... existem cinco estações solares espalhadas pelo Japão. Destruir uma ou duas me parece perfeitamente viável, mas teríamos tempo e forças para destruir todas de uma vez? E o que impediria eles de acionarem algum sistema de emergência?
- Eles devem ter alguma contra-medida deste tipo. Parece...
- ... lógico? Sim. Parece. E é exatamente aí que vejo uma brecha, uma possibilidade.
- Qual, Aaron?
- A Falange é uma consciência coletiva. Partilham conhecimento, possuem comunicação instantânea... Acredito que nesta integração está a nossa chance. Atacaremos uma das estações de energia, mas isso será apenas uma distração. Nosso verdadeiro alvo é capturar um alien, invadir sua consciência e atacar a Falange no seu ponto mais íntimo: a consciência coletiva. Para isso teremos que capturar um dos aliens genuínos, não um assimilado, pois acredito que existe uma hierarquia entre eles e aposto que somente os “puros” possuem contato direto com o centro da consciência.
- Arriscado demais, Aaron. Podemos ficar perdidos no ciberespaço, sem poder entrar na rede da Falange.
- Como sempre, nossas opções são limitadas. Não temos recursos para manter uma guerra duradoura. Mesmo duzentos destinobots são uma força pequena contra todo o exército da Falange. Apenas uma operação cirúrgica como esta tem alguma chance.
- Diabos, Aaron...
- “Diabos”?
- Forma de expressão.
- Eu sei, apenas estranhei que você a utilizasse, heh... Lembre-se, Adaptóide, já estamos contaminados. Podemos nos tornar escravos a qualquer momento. Não temos absolutamente nada a perder, mas se vencermos, temos muito a deixar para humanidade.
- “Deixar”? Hm, não espera mesmo que escapemos com vida, não é?
- Isso não importa.
- Então vamos aos detalhes...

----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

Nuvens pesadas pairavam sobre a noite de Hiroshima tornando impossível enxergar a lua. Uma chuva fina começara a cair, lavando tanto as ruínas da cidade japonesa quanto a nova e brilhante estação de energia da Falange.
Utilizando um campo de camuflagem, o Superadaptóide e sua tropa de destinobots avançou até as defesas periféricas da estação de energia. Graças ao engenhoso sistema de camuflagem dos robôs, puderam avançar sem serem detectados até o início do ataque.
O plano de ataque havia sido transmitido para todos através de comunicação eletrônica. Cada unidade ou grupo sabia exatamente o que fazer, porém cabia ao Adaptóide adaptar o plano conforme a resistência inimiga.
Uma formação de quarenta destinobots de infantaria alçou vôo e avançou contra as defesas de perímetro da estação. Canhões laser emergiram do solo e dispararam com precisão contra os atacantes. Os escudos defletores dos robôs latverianos resistiram ao ataque e eles puderam despejar sua carga mortífera de raios energéticos, fazendo os canhões explodirem num estrondo ensurdecedor. A infantaria aérea havia conseguido abrir uma brecha nas defesas.
Ao perceber a abertura, o restante dos atacantes avançou rapidamente. O exército robótico correu pelo chão arenoso e atravessou as poças d’água salpicando lama para todos os lados. Com mortífera precisão eles abriram fogo contra as instalações, ao mesmo tempo que dezenas de unidades falange surgiram para defender o local.
Os alienígenas se transformavam em variadas formas bélicas, desde criaturas de aspecto humanóide que disparavam rajadas de energia de suas próprias mãos, até veículos com esteiras, que jorravam ácido sobre os inimigos. Os primeiros destinobots foram atingidos pelo jorro amarelo e se desfizeram numa poça fervente.
A segunda leva de robôs projetou raios repulsores que arremessaram os tanques aliens para trás. Os robôs de destino usavam todo tipo de ataque disponível em seu arsenal, desde armas sônicas até disparadores de raios, e assim conseguiam cada vez mais penetrar na área-alvo.
Alienigenas em forma de serpente surgiram do solo, envolvendo os destinobots que avançavam pelo solo. Em segundos os aliados dos heróis terrestres estavam envolvidos pela infecção tecno-orgânica, porém eles mesmos ativavam seus escudos energéticos e destruíam a praga alienígena, destruindo os organismos alienígenas como moscas. Um ou outro destinobot que não conseguira impedir a contaminação era logo eliminado por seus irmãos.
O Adaptóide avançou montado em um destinobot robusto como um tanque com pernas. O ex-andróide da IMA assumiu a forma do Gaviâo Arqueiro e disparou flechas explosivas contra vários inimigos que tentavam aproximar-se, fazendo chover partes alienígenas pelo campo de batalha. Subitamente ele detectou um mini-míssil vindo em sua direção e conseguiu defender-se simulando o escudo do Capitão América. O mini-míssil bateu no escudo e explodiu, jogando o Adaptóide no chão. Rapidamente ele levantou-se, bem a tempo de simular a espada do Cavaleiro Negro e empalar um alienígena que buscava tirar vantagem de sua queda. Mais quatro unidades falange tentaram cercá-lo, mas ele atingiu-as com o raio repulsor do Homem de Ferro.
Andy, o andróide do Pensador Louco agarrava qualquer inimigo que encontrasse e o rasgava com as próprias mãos. Para ele bastava saber que eram inimigos, e assim ele avançava como um tanque desgovernado. Nem mesmo ser atingido por raios laser o faziam parar, pois sua pele era bastante espessa e resistente, então ele funcionava como uma ótima ponta de lança, desferindo potentes murros contra os alienígenas.
De repente surgiram unidades falange sobrevoando a estação. Elas possuíam formato de discos achatados, com vários longos apêndices que serpenteavam no ar. Da ponta de cada apêndice eles despejavam raios mortíferos. Vários destinobots foram atingidos e destruídos pela chuva de morte. Alguns lançaram-se no ar e investiram contra as naves falange, sendo atingidos no ar, porém, uma parte deles conseguiu chegar ao inimigo e iniciaram o contra-ataque aéreo. Choviam pedaços de unidades falange e peças de robôs terrestres.
Lasers, repulsores, raios sônicos, projéteis, chamas, descargas de plasma e todo tipo de arma zuniam pelo ar, passando a poucos centímetros da cabeça do Superadaptóide. Percebendo que ele se destava no comando da horda invasora, os alienígenas haviam determinado que ele era o alvo prioritário e decidiram concentrar seu ataque contra o andróide. O Adaptóide saltou e rolou pelo chão, buscando unir-se ao pelotão de destinobots que avançava pelo solo. Os disparos o acompanharam e atingiram alguns robôs, que involuntariamente serviram para sua proteção. Ao se erguer ele já assumira a forma de um destinobot, confundindo assim o ataque inimigo.
Um grupo de robôs conseguira chegar à central de armazenamento da energia solar coletada pela estação e rapidamente instalara uma bomba no prédio. Conforme programados, eles ajustaram a bomba para explosão imediata e permaneceram de pé junto ao artefato para impedir qualquer tentativa de desarmamento.
A explosão fez o solo da estação estremecer. O estrondo pôde ser ouvido por toda Hiroshima. Os destinobots e as unidades falange mais próximas foram dizimados pela explosão. Nem assim os destinobots restantes cessaram a luta. Continuaram com o que parecia um ataque objetivando destruir completamente a estação alienígena.
Com a destruição da central de armazenamento, um grupo de unidades falange semelhantes a aranhas negras surgiram vindo do prédio de comando. Uma delas, a maior de todas, possuía pontos amarelos e brilhantes pelo corpo todo e permanecia na retaguarda, disparando esporadicamente contra os inimigos.
Ao perceber a aproximação dos novos modelos de alienígenas, o Superadaptóide acionou um sinal eletrônico.
De repente, saltando a cerca de proteção com suas pernas periscópicas, surge o Homem-Máquina. O destemido herói-robô ignorou os combates à sua volta e mergulhou precisamente sobre a maior aranha-falange. Ao perceber a aproximação, algumas unidades aranha se voltaram para disparar, mas foram imediatamente atingidas pelos destinobots. Aaron Stack desceu sobre a aranha-líder, que se voltou e tentou atingi-lo com disparos energéticos, mas errou o alvo graças à incrível agilidade do herói. O Homem-Máquina estendeu seu braço esquerdo por trás do inimigo e projetou uma agulha eletrônica de seu dedo indicador, enfiando-o em seguida no corpo da aranha. A unidade falange sentiu a ferroada e estremeceu, cambaleando. Antes que tocasse o solo, o Homem-Máquina o agarrou e arrastou seu corpo, saltando pelo campo de batalha com suas pernas extensíveis. Num movimento rápido, ele e sua presa desapareceram na noite, afastando-se do campo de batalha.
Em meio à luta frenética, observando a tudo, o Adaptóide teve apenas um pensamento: “Boa sorte, Aaron”.

-------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

O silêncio impera.
A aranha falange abre seus olhos e se vê cercada pela escuridão. Instintivamente ela aciona seus sensores infravermelhos e percebe que está dentro de uma espécie de caverna, contida por algemas eletrônicas. Imediatamente tenta reconfigurar sua forma para algo que possa esgueirar-se e fugir, mas é tomada por dores insuportáveis.

- É impossível mudar de forma – diz uma voz desconhecida.
- Humano! Exijo que me solte! – sibila o alienígena.
- Isso não será possível – diz o Homem-Máquina se aproximando.
- Não há escapatória para você. Logo serei rastreado e virão em meu resgate.
- Esqueça isso. Esta área está coberta por um embaralhador de sinais.
- O que pretende, humano?
- Heh... O fato de me chamar de “humano” é uma prova de que o embaralhador está funcionando perfeitamente. Você está limitado ao alcance visual. Já tentou “escutar” seus amigos lá fora?

O alienígena tenta contactar a rede falange, mas nada encontra. Pela primeira vez em sua existência como parte da consciência coletiva ele percebe o que é solidão e fica aterrorizado.

- Eu serei encontrado! – reafirma o alien.
- Duvido muito.
- O que quer de mim?
- Pouca coisa... seu corpo, sua mente... Eu poderia dizer “sua alma”, mas sei que criaturas como você não têm alma.
- O quê?

Sem dizer mais nada, o Homem-Máquina revelou um cabo com ponta perfurante que mantinha em mãos e enfiou bruscamente no corpo do aranha-falange. O alien urrou de dor, enquanto uma descarga elétrica foi enviada para o corpo do monstro. Ele convulsionou por alguns instantes e por fim caiu estático.
O Homem-Máquina voltou-se para um console onde monitorou os sinais vitais da criatura extraterrestre. Percebeu que conseguira desativar a consciência do monstro sem matá-lo. Lentamente sentou-se numa cadeira e puxou outro cabo idêntico ao primeiro. Abriu uma janela em seu peito e segurou a ponta aguda do cabo. Hesitou apenas por um instante antes de enfiar o cabo no próprio peito.
A dor foi insuportável e tudo tornou-se mais negro ainda.
Aos poucos percebeu um ponto verde brilhoso na escuridão. Voou em sua direção e aproximou-se rapidamente. Somente quando chegou ao ponto verde percebeu que estava voando. O ponto verde tornou-se uma porta circular.
Com um sorriso nos lábios, ele tocou a porta.
E o ciberespaço se abriu.


Continua...
Compartilhe este artigo: :

Postar um comentário

 
Support : Creating Website | Johny Template | Mas Template
Copyright © 2013. UNF - Todos os direitos reservados.
Template Created by Creating Website Published by Mas Template
Proudly powered by Blogger