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Esquadrão M #9



Para encontrar Temporal, o Esquadrão pede ajuda ao enigmático empresário Roberto Mendes, e encontram o rastro do Mestre K e sua letal Conspiração K. O confronto é inevitável.



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Universo Nova Frequência
Anderson “Aracnos” Oliveira
Versão definitiva.

Episódio 9. O rapto do Garoto de ouro - parte 3.

São Paulo, 8:22 da manhã.
O imponente prédio do grupo Tec&Light com sua torre de vidro e metal figura como um dos mais novos cartões postais da cidade. A empresa de tecnologia resolveu investir no Brasil como um novo polo de desenvolvimento da América Latina e parece não se arrepender do investimento. O presidente da filial brasileira, um ex-militar e atual empresário com um admirável currículo, entra em sua sala no último andar da torre e deixa sua maleta sobre sua mesa de vidro e mármore. Só então percebe que não está sozinho...
— Eu nem vou perguntar como entrou aqui, passando pela minha segurança de alto nível, sargento Moreira. — diz o empresário, um homem na casa dos cinquenta anos com cabelo grisalho e óculos escuros. Sentado em um sofá, Igor Moreira, agora vestido com uma armadura verde com detalhes dourados, responde:
— Doutor Roberto Mendes... é mais apropriado que me chame de Maritimus enquanto eu visto este traje. — Maritimus se levanta e cumprimenta Roberto.
— Ah sim... Maritimus... o soldado da Guarda Real de Atlântida... Ou seria Lemúria? — Roberto o cumprimenta amistosamente.
— Nenhuma nem outra... se chama Oceânia.
— Claro... Mas a que devo o prazer da visita?
— Quem dera fosse uma simples visita entre velhos amigos, Capitão.
— Não sou mais Capitão, Igor...
— Ah... ainda é... sempre será.... Mas o fato que me trouxe aqui é sério... Preciso de ajuda.
— Hmm... entendo. — Roberto vai para trás de sua mesa e se senta em sua cadeira. — Maritimus, por que não manda seus amigos entrarem? — Roberto diz com um sorriso discreto. Maritimus estranha por um momento, mas logo lembra das capacidades do seu amigo.
— Entrem. — ele diz ao comunicador que traz dentro do capacete. Logo, da saída de ar condicionado começa a cair grãos de areia até que se acumulem no chão e tomem a forma de Sandy, vestida com jaqueta, blusa e saia brancos. Roberto da sua cadeira percebe uma sombra surgir atrás de si, ele se vira e vê do lado de fora Harpia com suas asas abertas, vestida com sua armadura metálica com saia vermelha e o cetro na forma de M. Ao seu lado, Flamy, em chamas, flutua vestida com seu short e top pretos e do outro lado, Máximo, levitando em um campo eletro-magnético com seu casaco branco, calças azuis, coturnos e óculos escuros.
— Melhor assim. — diz Roberto que apertando um botão na mesa faz as janelas se abrirem, por onde Harpia, Flamy e Máximo entram, já sem usarem seus poderes.
Roberto não pode deixar de reparar no cetro de Ângela. Sua mente remonta há mais de vinte anos atrás, na última vez que viu aquela peça, na aldeia Carerê[1]. Sabia no fundo do seu coração que tornaria a vê-la. Seu olhar então encontra o rosto de Ângela, e no mesmo momento vê a imagem da professora Suzane de Oliveira. Ele não precisa usar seus dons para deduzir que esta bela jovem a sua frente é a filha de Suzane. Depois ele olha o colar no pescoço de Flamy, o mesmo M do cetro, e o mesmo colar (ou um muito parecido) que ficou com o Dr. Muniz. Sabido que Igor é filho do seu amigo, o tenente Daniel Moreira, fica claro para Roberto que o destino (ou alguma outra força superior) tratou de reunir os filhos de todos que estiveram com ele naquele dia.
Dissipando então de sua mente essas divagações, Roberto volta suas atenções novamente para Igor enquanto os cinco membros do Esquadrão ficam diante dele.
— Velho amigo, precisamos de ajuda para localizar nosso amigo Simon Smith, o Temporal. — diz Maritimus.
— Que tipo de ajuda vocês querem? Dinheiro? Agentes? Ou... aquela ajuda...?
— “Aquela ajuda”, se for possível. — responde Maritimus enquanto os outros não entendem do que eles estão falando.
— Bem... Posso tentar... não lhes garanto nada. — Roberto se levanta e se aproxima do grupo. — deem as mãos. Façamos um círculo. Quero que todos mentalizem a figura de Simon. Irei rastrear seu padrão cerebral. Isso pode levar alguns minutos. — Todos receiam um pouco, mas enfim dão as mãos e formam o círculo. Roberto fecha os olhos e se concentra. Os outros também fecham os olhos. Logo em sua mente ele vê a imagem de Simon, alguém que ele nunca tinha visto antes. As imagens vêm das mentes dos amigos de Simon. São cenas alegres, de descontração, assim como cenas de luta, de treinamento, de tristeza.
Roberto, após decifrar toda a informação, consegue encontrar a expressão da mente de Simon. Então ele vasculha tudo, todas as mentes das criaturas da Terra, primeiro as mais próximas, dentro do prédio, depois nas ruas e prédios ao redor e indo mais longe, em busca da mente de Simon. O esforço é grande. São muitas mentes, muita informação. Roberto sua frio. Os outros esperam ansiosos por alguma resposta. Longos minutos se passam...
— Aqui está! — diz Roberto soltando as mãos de Maritimus e Sandy e caindo no chão. Os outros logo se apresam em ampará-lo. Roberto, muito cansado, diz: — Encontrei... ele... ele está... em São Paulo... Junto a... junto... uma mente... muito... muito superior...
— Acalme-se, Roberto... Respire e fale devagar. — diz Maritimus enquanto ele e Máximo ajudam Roberto a se sentar em sua cadeira.
— Irei me restabelecer logo... Não se preocupe... Agora... seu amigo... ele está em perigo... precisam chegar lá o quanto antes!
— Nos dê a localização exata que iremos pra lá. — diz Harpia. Em resposta, Roberto a olha nos olhos e logo olha para cada um dos heróis.

“Uma casa antiga, grande, no estilo colonial, perto da Serra da Mantiqueira. Cercada por árvores e de difícil acesso. Uma fortaleza camuflada de casa de campo.”

Esta é descrição do lugar, que os membros do Esquadrão lembram enquanto se aproximam. Maritimus e Sandy em uma moto, Máximo, Harpia e Flamy voando, se bem que a única que voa é Harpia, pois os outros apenas flutuam, seja em massas de ar quente, seja em campos eletromagnéticos. Assim se aproximam da casa em alta velocidade.
— Não deveríamos ter pedido apoio da Força Tarefa A.L.F.A.? — pergunta Flamy.
— Seria muito demorado. — responde Harpia. — Não há carro que passe por essas estradas e um comboio iria chamar muita atenção.
— Claro, e uma loira com asas prateadas, um cara numa bola de luz e uma ruiva pegando fogo não chama nenhum pouco de atenção! — diz Máximo.
— Pelo menos estamos indo rápidos! Vejam! Lá está a casa!

— Inicie! — ordena Mestre K (devidamente conectado a Temporal) aos seus discípulos que, do lado de fora da sala de vidro, ligam sua máquina.
A máquina que já se movia ao redor de Temporal começa a se mover mais rápido, formando uma cúpula em todo seu corpo. Ele se debate na mesa, mas as correias que o prendem mal o deixam se mover. Mestre K, ao seu lado, usa todas suas forças, pois é seu poder a maior ferramenta da máquina. Assim, os aparelhos sobre sua mesa também começam a rodar ao seu redor, formando um campo de força. Kohlër, Ácido, Hellda e Thery apenas observam.
Após alguns instantes, os aparelhos que giram ao redor dos homens começam a se mover mais rápido e em perfeita sincronia. Temporal sente a força gerada pelo campo na sua carne. Ele grita. Um grito de profunda dor, pois sente que algo está lhe sendo roubado. Mestre K, por sua vez, sente algo lhe ser acrescentado. Suas células por todo seu corpo começam a se regenerar e a rejuvenescer lentamente.
— Está dando certo! — exclama Hellda.
— Sim... meu avô é um verdadeiro gênio! — diz Kohlër com um sorriso.
— Isso não é perigoso? — pergunta Ácido com os olhos arregalados.
— Só se for para o Temporal! — responde Thery com seu sorriso malicioso. Nesse instante, todos ouvem um grande estrondo e sentem um tremor, como se algo estivesse explodido. A luz do laboratório fica mais fraca e faíscas se soltam das lâmpadas. Percebendo o risco, Kohlër decide desligar a máquina.
— Não! O que pensa que está fazendo?! — diz com sua telepatia o velho Mestre K enquanto os arcos da máquina param de girar.
— Alguma coisa estranha está acontecendo! Era arriscado continuar! — diz Kohlër entrando na sala.
— Hmm... veremos... — Mestre K, ainda na maca, se concentra e visualiza cinco pessoas invadirem sua casa através de um grande buraco na parede. Assustado, ele abre os olhos e esboça uma reação, o que não passa de esboço, pois ainda está velho e doente. — Intrusos!! Rápido, meus aprendizes! Acabem com eles! — sem dizerem nada, Kohlër e os outros correm para o elevador, deixando Mestre K e Temporal, este desacordado, nas macas.

— Tá vazia! — exclama Flamy, com seus olhos em chamas, enquanto ela e os outros andam entre os destroços causados pela explosão.
— Roberto disse que Simon está aqui... E ele nunca erra! — diz Maritimus enquanto vasculha as estantes repletas de livros do lugar.
— Eu vou ver lá em cima. — Harpia voa até a marquise superior, onde há corredores e portas.
— Espera... Acho que não vai precisar! — exclama Sandy ao ver uma passagem na parede de madeira se abrir. Dela surge um elevador por onde saem quatro jovens. O Esquadrão se reúne e confronta os recém-chegados.
— Deveríamos imaginar que vocês viriam até aqui. — diz Kohlër a frente do seu grupo. Nisso, Flamy reconhece um rosto familiar entre eles:
— Gil?! — exclama a garota com grande surpresa no olhar.
— Olá, Mônica! É bom te ver! — responde Ácido, com ares de vergonha.
— Não temos tempo pra rencontros! — Kohlër se interpõe. — Devemos nos livrar desses intrusos!
— Nos entregue Temporal e iremos embora! — diz Harpia enquanto o Esquadrão avança.
— Desculpe, moça, — Kohlër faz suas mãos se transformarem em duas lâminas afiadas. Hellda flutua em um campo de energia negra. Ácido se converte em um ácido verde. E Thery saca duas pistolas de seus coldres. — mas isso está fora de questão!

Inicia-se uma luta sem precedentes.
— Gil, o que aconteceu com você?! — questiona Flamy, flutuando e bloqueando uma rajada de ácido com um escudo de fogo.
— Aquele incidente no estádio não afetou só você, minha querida! — responde Ácido investindo com sua chuva ácida sobre a garota até que ela não pode mais resistir e é atingida. Flamy cai no chão, mas logo se levanta com um salto e recua, ampliando o fogo sobre si. — Você me abandonou depois daquele dia!
— Não foi isso! Aconteceu muita coisa... Achei que você tinha morrido! Procurei seus pais e--
— Todos me abandonaram! Só o Mestre K me estendeu a mão! — os dois se atracam com ferocidade. Perto deles, ouve-se um bradar de espadas:
— Quem são vocês?! O que querem com Simon? — pergunta Harpia enquanto usa uma lâmina em seu braço esquerdo e o cetro na mão direita para enfrentar Kohlër.
— Meu nome é Kohlër, e está é uma Conspiração! Conspiração K! — Kohlër investe contra Harpia enquanto seus cabelos se tornam metal e espinhos metálicos surgem no seu rosto. — Você é a Harpia, não? — Ângela o olha com estranheza, pois parece que ele tem conhecimentos sobre o Esquadrão. Se desvencilhando dele com ajuda do cetro, ela converte a lâmina em seu braço em uma espécie de foice.
— Diga o que querem com Temporal! — ela salta sobre o jovem e o ameaça com a foice em seu pescoço. Ele a olha nos olhos, apesar de algo dentro de si o fazer desviar seu olhar para seus lindos seios.
— Apesar de temos poderes parecidos... Os meus são mais... evoluídos! — Kohlër, em questão de milésimos, recobre seu corpo em metal, deixando apenas seu rosto desprotegido. Assim, ele chuta Harpia para longe e se levanta, fazendo de seu braço direito uma outra lâmina.
— Gostei da roupa! — exclama Máximo, coberto por um campo elétrico, enquanto Hellda levita diante de si, com olhos negros como a sombra que a envolve.
— Quer uma pra você?! — responde Hellda sorrindo. Em seguida ela ergue os braços e faz uma massa de energia negra cair sobre Máximo que percebe seu campo elétrico sumir.
— Mas o quê...?
— Já esteve no inferno? — Hellda desce até o chão e toca o rosto de Máximo delicadamente, aproximando seu rosto ao dele. Ele parece hipnotizado pela beleza exótica da garota e não consegue reagir. A moça se aproxima mais e, sorrindo, diz: — Pois eu já! — e finalmente o beija. Nesse momento, Máximo sente o chão sumir debaixo de seus pés e cair por um túnel de pedras e fogo:
— O que tá acontecendo?! — a medida que Máximo cai, ele sente o fogo lhe queimar e começa a ouvir uma gargalhada sinistra. Logo, a gargalhada se torna a voz de Hellda:
— Bem-vindo ao meu mundo, querido! Imagine o que é viver com essas imagens na cabeça o tempo todo! Ahahahahah!!!! Veja... lá está o fundo! — Máximo então cai sobre uma pedra que flutua em um poço de magma. Ele percebe que morcegos gigantes voam sobre ele. Paulo nunca sentiu tanto medo. — Você ficará aí para sempre! — diz a voz de Hellda. — Para semp--
Hellda sente areia entrar por sua boca e nariz. Sandy a paralisa também nos braços e pernas enquanto Máximo permanece parado diante delas, em estado hipnótico. Tudo não passou de uma ilusão. Aos poucos ele recobra a consciência e nota que está bem.
— Puxa vida! Cara...! Eu... eu...!! — diz ele enquanto se toca para ver se está tudo inteiro.
— Se liga aí Máximo e me ajuda com essa doida! — diz Sandy quando Hellda cria esferas de energia negra pelas mãos. A bruxa toca a areia de Sandy e a energia negra se propaga por todo seu corpo. — Argh!! Não... vem... com... essa... sua...! — Sandy resiste e aperta Hellda o mais forte que pode. Por fim, Máximo desfere um raio elétrico que atinge o peito de Hellda enquanto Sandy a solta. A vilã grita de dor.
Maritimus bloqueia com os braceletes da armadura os tiros disparados por Thery:
— É só isso que tem pra me mostrar, filha? — ironiza o herói.
— Claro que não! — Thery guarda as armas nos coldres. — Que tal... isso? — ela começa a correr em volta dele. Sua velocidade é absurda. Um redemoinho envolve Maritimus e de onde ele menos espera recebe um chute ou um soco. Socos a princípios fracos, mas constantes e rápidos que levam o marinheiro a se ajoelhar. — Ah, como eu gosto de fazer isso!!
— Certo... agora é minha vez! — de súbito, Maritimus se ergue e une suas mãos acima da cabeça. Thery aos poucos sente seu corpo ferver. O calor é tanto que ela mal consegue continuar correndo e acaba caindo.
— O que tá acontecendo!?
— Todas as moléculas de água do seu corpo entraram em ebulição! É só uma questão de tempo até que seus órgãos comecem a cozinhar! Mas claro, não deixarei chegar a esse ponto! É hora de resfriar! — Maritimus se concentra e catalisa as moléculas de água do ar as condensando diante de si na forma de uma bolha do tamanho de uma bola de basquete. Depois ele lança essa água sobre os pés de Thery que congelam e a água se torna cristais de gelo.
— Argh! Seu miserável!
A esse ponto, Harpia e Flamy viraram o jogo contra Kohlër e Ácido. A primeira alçou voo e desceu em rasante sobre Kohlër quebrando sua armadura de metal orgânico. Flamy primeiro usou seu fogo para queimar uma viga que caiu sobre seu ex-namorado, mas este a corroeu sem dificuldades. Porém a jovem ruiva lançou novo ataque que o jogou contra as costas de Kohlër. Estando um em metal e outro em ácido, houve uma reação química e os dois foram ao chão. Harpia se aproximou e levantou Kohlër pelo pescoço dizendo:
— Agora, pela última vez: onde está Temporal? — Kohlër, com dificuldade, deu um sorriso maroto e disse:
— Mestre... É hora de usar o nosso trunfo! — e desmaia. Do laboratório, ainda na máquina, Mestre K responde através da telepatia:
— Eu temia por esse momento, meu filho. Mas a situação é deveras perigosa. — enquanto fala, Mestre K percebe que Temporal começa a acordar. Ele então dirige sua atenção a outra pessoa. Alguém que está sentado em uma sala escura e pequena, com paredes forradas de espuma e sobre várias camadas de chumbo. — Rick... é hora de trabalhar. — a pessoa que está na sala escura percebe que a porta diante de si se abre. A luz entra lentamente e revela seu rosto. É um garoto, apenas um garoto. Ele se levanta e passa pela porta, porém simplesmente desaparece no corredor.
O Esquadrão avalia seus inimigos fora de combate espalhados pela sala da mansão enquanto se questionam com olhares o que Kohlër quis dizer antes de desmaiar. Todos se aproximam de Harpia esperando alguma resposta daquela que, sem a presença de Temporal, faz às vezes de líder. Porém antes da bela jovem dizer alguma coisa, um garoto, de uns dez anos, surge diante de todos, vindo do nada. Com a cabeça baixa, o menino olha para todos e após algum silêncio, diz:
— Oi.

__________
[1] – No prólogo antes do Episódio 1, lembra?

Continua...
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