A batalha contra Hrúcarë finalmente termina. Quem sobreviverá ao fim do mundo de Svitar?
Descubra já!
Herança. Parte Final. Êxodo.
Por João Norberto da Silva.
- Você não pode salvar nem a si mesmo... Garoto... Que chances acha que tem de salvar esse planeta?
- Vai se ferrar seu babaca! Você só vai destruir esse planeta por cima do meu cadáver!!
- Quão heroico você consegue falar... Será que tem poder para fazer valer tais palavras?
O jovem permaneceu calado, mesmo ainda assustado com tudo que estava acontecendo, ele ainda teve cabeça fria para pensar em quanto havia sido clichê a frase que usara, pensando também como aquele lance de “herói cósmico” o estava afetando. Ele sabia que teria que repensar em sua vida e suas futuras escolhas.
Isso se ele sobrevivesse àquela luta.
Antares e Hrúcarë se mantinham dentro de esferas, criadas com suas energias e cujas paredes externas se chocavam, lançando rajadas de energia para todos os lados, aumentando ainda mais a destruição ao redor da batalha.
O jovem terráqueo tentava de todas as maneiras fazer com que sua energia suplantasse a do oponente, mantendo assim o planeta inteiro por mais tempo, possibilitando a evacuação dos Svitarianos.
No rosto de Hrúcarë o sorriso doentio parecia aumentar cada vez mais e o som de sua risada parecia ressoar acima das explosões e demais sons da batalha.
“Não está adiantando...” O avô de Jonathan se comunicava com o rapaz, procurando alguma saída para a situação em que se encontravam. Mesmo estando surpreso com o nível de poder que seu neto estava apresentando, ele tentava não externar sua surpresa, se atendo à ameaça imediata “O desgraçado ainda está ligado ao núcleo do planeta... Se continuar assim...”.
- Eu sei vovô... Mas ao menos, segundo os relatos que tô recebendo do Anner-Roll, a Thar-Tae e os demais estão quase escapando... Arrghhh!!!
Antares interrompeu sua conversa com o avô quando sentiu seu campo ser destroçado pelo inimigo, que avançava em sua direção, disposto a matá-lo e encerrar aquela batalha imediatamente.
Ainda atordoado, Jonathan sentiu que algo saía de seu corpo, era uma sensação estranha, quase como se sua própria pele estivesse se “descolando”. Ele então abriu os olhos e não pôde conter o pânico que sentiu quando sua mente, entorpecida pela dor, finalmente entendia o que estava acontecendo.
- NNNNNNÃÃÃÃÃÃÃOOOOO!!!!!!!!!!!!!!!
O próprio grito foi a última coisa que ele ouviu, quando uma luz branca surgiu e tomou seu mundo.
Mesmo com os olhos fechados ele ainda se sentia ofuscado pela luz, que parecia queimá-lo até os ossos.
Poucos segundos depois ele foi tomado pelo véu da inconsciência.
XXX
Momentos atrás.
- MOOOORRRRAAAA!!!!! – Vanyarin acabou desferindo o primeiro golpe contra Hrúcarë, descrevendo um arco descendente com suas duas espadas na direção da cabeça dele. – Pela minha mãe!!!
Para a surpresa dos defensores de Svitar, as duas espadas foram detidas sem o menor sinal de esforço e então o vilão, mantendo-as firmemente seguras, puxou Vanyarin para si, tencionando acertá-la no rosto com uma cabeçada.
A guerreira fechou os olhos aguardando o impacto.
Que não aconteceu.
Os dois estavam tão concentrados um do noutro que não perceberam que Antares havia se aproximado e, poucos instantes antes do vilão acertar a cabeçada, uma rajada de energia o acertou bem no rosto, forçando-o a se afastar, largando assim as espadas.
- Não precisa agradecer...
- Humpf... Quem disse que eu ia agradecer? – Vanyarin parecia realmente furiosa pela interrupção do outro. – Concordei em lutar ao seu lado e não...
- Cuidado!!!
Antares se colocou diante da companheira no exato instante em que uma imensa bola de energia negra iria atingi-la, salvando-a pela segunda vez ao erguer um escudo, que recebeu a maior parte do impacto.
- Se não quer minha ajuda, presta atenção na luta!
Dizendo isso Antares voou na direção do oponente, mantendo um campo de energia sobre seus dois punhos cerrados.
“Jon! Não é boa idéia atacá-lo tão de perto!!!”
Infelizmente o aviso de Antônio chegou tarde e seu neto acabou socando o ar, enquanto Hrúcarë desviava facilmente de seu golpe, mantendo uma de suas garras no peito do jovem, disparando ali uma rajada que lançou Antares contra o chão, abrindo uma enorme cratera.
Alguns instantes se passaram, até que ele conseguisse se erguer, afastando a poeira com as mãos, tentando ver o que acontecia no céu acima.
- Merda... Esse cara é bem mais forte que o Tayagon... – Antares levou uma mão ao seu ouvido. – Sim... Entendido Anner-Roll... Não... É melhor sua filha e o Kwisp continuarem a ajudar na evacuação... E a Thar-Tae? Não descansou ainda... É... Eu sei... Ela é durona... O que é durona? Hã... Eu explico outra hora.
Naquele momento o jovem percebeu que era hora de voltar à batalha, pois Vanyarin já tentava novamente acertar o vilão com suas espadas.
“Não se preocupe Thar...” Antares deixou seus pensamentos voltarem até a jovem Svitariana que, surpreendentemente, ficava cada vez mais importante na vida dele “Se não conseguir salvar seu planeta, ao menos você eu vou salvar”.
Conforme avançava, Antares começou a disparar pequenas esferas de energia que explodiam ao entrar em contato com o campo de força de seu inimigo.
A intenção do herói era cegar Hrúcarë para poder atacá-lo.
Infelizmente, mais uma vez, o plano dele não deu certo.
- Você acha mesmo que essas fagulhas poderiam me cegar? – O vilão gargalhava entre suas frases, enquanto agarrava o punho que vinha em sua direção, girava seu oponente por sobre sua cabeça e o lançava para longe. – Justo eu que não sou afetado nem pela explosão de uma estrela morrendo?
- Merda! Eu... O quê?!!
Hrúcarë se moveu mais rápido do que Antares pôde perceber e logo o vilão o agarrava pelo pescoço, mantendo-o quase desmaiando pela falta de ar.
- Já disse que você não é páreo para meu poder... Garoto... Por que não facilita as coisas e desiste?
- Nu... Gasp... Nu-nunca...
- Bem... – O vilão erguia sua outra mão, fazendo-a fulgurar com energia negra, preparando o golpe final. – Que ninguém diga que não lhe dei uma chance...
O que aconteceu a seguir surpreendeu os dois.
De repente a mão de Hrúcarë parou de emitir energia, caindo para longe do braço, o que fez tanto o vilão quanto seu oponente indefeso voltarem os olhares para um ponto pouco acima deles.
Vanyarin estava com suas duas espadas empunhadas à frente do corpo, das lâminas escorria um tipo de liquido enegrecido, o sangue do vilão. No rosto da garota o orgulho e felicidade por finalmente ter conseguido ferir seu inimigo.
Um sorriso que logo deixou de existir.
Sem nenhum esforço Hrúcarë estendeu seu braço sem a mão na direção dela, disparando um poderoso raio que, pegando-a de surpresa, a atingiu em cheio, fazendo com que ela caísse desacordada na direção da terra lá embaixo.
Olhando para a ponta do braço, o vilão se concentrou e em segundos uma nova mão se movia lentamente. Ele voltou seu rosto na direção de Antares, pretendendo continuar o que estava fazendo antes de ser interrompido, mas mais uma vez acabou sendo surpreendido.
- Mas heim?
Antares estava com as duas mãos espalmadas diante do rosto do vilão e com um esforço tremendo, disparou as rajadas mais poderosas de que já tentara, afinal agora ele fazia ideia do tanto de dano que o inimigo aguentaria.
Pego novamente de surpresa e com um urro de ódio, Hrúcarë acabou soltando seu oponente, que foi o mais rápido possível para junto da guerreira caída.
- Vanyarin... Acorda... - Antares sacudia a garota pelos ombros e dava pequenos tapinhas no rosto dela. - Você precisa acordar droga...
- Hã... - Pouco a pouco ela abria os olhos, tendo dificuldades para entender onde estava. - Mas... Eu... Não!
A imagem de Hrúcarë vindo na direção deles, o sorriso do vilão agora se contorcia num esgar de ódio, foi o suficiente para que ela despertasse de vez.
- Se prepara que agora eu acho que ele vai parar de brincar...
Enquanto falava, Antares ergueu um campo de força, que era reforçado pelas energias de Vanyarin.
Quando o vilão os alcançou, a explosão resultante do encontro das energias foi o suficiente para ser sentida a muitos quilômetros de distância.
Inclusive na principal base rebelde.
Anner-Roll tentava organizar os grupos de evacuação através de um precário sistema de comunicação, construído às pressas por Thar-Tae, após a fuga de Lady Quarin e seu povo, deixando Svitar livre e às portas da destruição.
“Não vale a pena lutar por um mundo morto” fora a ordem da tirana, que foi ouvida por todos no planeta, quando as naves invasoras começavam a fuga em massa.
Antes de partir ela ainda queria atormentar o povo do planeta que ela não conseguira conquistar.
- Pai... Eu acho que devia ir até lá para ajudar...
- Não Ashira... Você mesma viu as escalas de poder que estamos recebendo do local da batalha... Por mais que me doa dizer isso, e confesso que parte de mim está aliviada, nós dois sabemos que você não faria diferença lá...
A guerreira, respeitando a sabedoria de seu pai saiu da sala de comando, mas tão logo se viu no corredor, deu um soco na parede, afundando sua mão na mesma.
- Nem preciso perquntar se está tudo bem não é querida? - Kwisp, o guerreiro, se aproximava da mulher, que em tão pouco tempo o havia conquistado, enquanto Ashira limpava sua mão dos restos da parede. - Seu pai precisa que você fique calma...
- Como eu posso ficar calma?!! Temos dois seres alienígenas e praticamente desconhecidos lutando pelo meu mundo, enquanto eu, que tanto treinei para ser a guerreira máxima, estou presa aqui... Onde até minha irmã é mais útil do que eu!! Não sei como VOCÊ pode ficar calmo...
- Um verdadeiro guerreiro tem a medida exata de suas capacidades... - O jovem alienígena tentava se explicar, aliviado por Anner-Roll mesmo já ter uma desculpa apropriada. - E assim como seu pai disse, nós dois não faríamos diferença lá... Acabaríamos atrapalhando...
- AAARRRRR!!!! - Com mais um golpe Ashira-Rey derrubou outro pedaço de uma parede e se afastou, proferindo xingamentos em sua língua natal.
Atrás dela ficava um envergonhado Kwisp, o Guerreiro.
“Meus parabéns seu lostra...” ele sentia o rosto arder de vergonha, seus pensamentos eram realmente seu pior inimigo “Se não fosse tão covarde, sobrevivendo a tantos combates por pura sorte, se bem que muitas vezes me pergunto se é mesmo sorte, eu não estaria nessa...”
Sentindo seu espírito cada vez mais diminuído, o pequeno guerreiro se recostou em uma janela, vendo que, mesmo ao longe, os sinais da batalha eram visíveis.
Noutro local da base, Thar-Tae não permitia a seus pensamentos irem na direção do amado, pois no momento toda sua concentração estava voltada para a construção das naves de salvamento.
- Não! Essa peça vai para lá! - Ao redor dela estavam vários outros Moldadores, Svitarianos que possuíam a incrível habilidade de reunir qualquer tipo de tecnologia e molda-la segundos suas necessidades. - Isso! Aí mesmo!!
Aos poucos a base ia sendo “depenada”, enquanto enormes arcas espaciais eram montadas, seguindo as especificações da filha de Anner-Roll e seus colegas, num esforço que realizava em poucas horas o que seria impossível até em meses, mas ninguém reclamava ou pensava em desistir.
Afinal, eles tinham um mundo para evacuar.
- Thar? - Um jovem moldador, desviou o olhar de seus aparelhos por um instante. - O que houve?
- Hã? O que foi Asteur?
- Você está chorando?
Só ao passar a mão pela face direita a garota percebeu estar com o rosto todo molhado por lágrimas.
- Na-não é nada... Vamos continuar...
“Não se preocupe meu amor... Nós vamos conseguir tirar todo mundo desse mundo... Mas por favor, volte vivo para mim...”
XXX
Muito longe do planeta Svitar, um ser caminhava pelo espaço.
Literalmente.
- Hum... Sim mestre, eu sinto a flutuação dos eventos se se passam nesse momento e dos que virão... Pode ter certeza de que o Messias realizará seu papel nessa intricada trama...
Ele parou seu andar e flutuou até um asteroide próximo, no vácuo do espaço suas palavras só poderiam ser audíveis para si por causa de seus poderes e o significado dessas para sua antiga mente.
Ali ficou por longos instantes, até que algo lhe chamou a atenção.
Um bólido prateado, com nuances azuladas, se aproximava com uma velocidade próxima à da luz e imediatamente o Messias soube o motivo de ter parado justo ali.
- Então mais uma peça desse jogo finalmente se aproxima... É realmente o mais sábio de todos meu mestre...
Ao se aproximar mais o bólido se revelou como Tyssuir-Zaak, o Centurião designado para vingar o planeta Svitar, uma vez que seus centros lógicos de decisão já haviam calculado que ele não chegaria a tempo para salvar o planeta da destruição.
Sua concentração nas rotas espaciais eram tantas que o Centurião não percebeu a forma de vida que se encontrava no asteroide, não até ser tarde demais.
O Messias estendeu um cajado na direção de Tyssuir-Zaak e após uma pequena e inaudível oração para seu mestre, uma rajada de energia azulada foi disparada poucos metros à frente do centurião.
Um portal se abriu diante de Tyssuir-Zaak e este, sem ter tempo para calcular uma rota de desvio mergulhou no círculo de energia.
- Está feito mestre... - O Messias ajeitava seu cajado ao lado do corpo e sentava-se em algumas formações do asteroide, alterando-as até tomarem a forma de uma poltrona. - Agora... Vamos encontrar outra peça...
Com outro movimento do cajado, o asteroide começou a se mover lentamente pelo espaço.
Muito longe dali, próximo da atmosfera de Svitar, um portal surgia e por ele passou um confuso Tyssuir-Zaak.
Sistemas falhando. Reiniciar. Reiniciar.
O computador interno do Centurião desligou todas as funções do mesmo, fazendo com que até sua armadura de energia desaparecesse.
Ele levaria preciosos minutos até despertar novamente para sua missão.
No planeta logo abaixo, a luta continuava.
- Preciso de espaço para tentar cortá-lo de novo!!
- Se prepara então!!!
Antares voou ao redor de Hrúcarë, disparando rajadas de energia na direção do monstro, tentando vencer as defesas desse o suficiente para que sua companheira pudesse atacá-lo.
- Tiveram sorte de ter sobrevivido ao meu ataque crianças... Mas esperam mesmo poder me vencer? São ilusões que eu terei prazer de espalhar pelos ventos!!
- Vai à merda!!!! - Antares aumentava ainda mais a intensidade de seus ataques, ele mesmo se surpreendia com seus poderes, que ele sentia aumentarem cada vez mais. - Não vamos desistir por nada!!!
- Então morrerão! Vocês e esse planeta enfadonho!
Como se em resposta às palavras do vilão o local onde ele perfurara a crosta de Svitar e de onde erguia-se a coluna de energia negra, pareceu emitir um grito estridente, quando uma série e rachaduras começaram a surgir no solo, dando espaço para a lava do interior do planeta começar a escorrer, destruindo tudo o que tocava.
- Mas o que é isso?!!
- Hahahahahahahahaha!!! Vocês acharam mesmo que poderiam impedir a destruição desse planeta? Mesmo durante a luta eu continuei a infectá-lo, distorcendo as energias naturais, levando-o à gloriosa entropia!!!
Vanyarin voltou a atacar o vilão, dessa vez abrindo duas enormes feridas no peito deste, que tentou acertá-la, mas errou por pouco, graças à agilidade da garota, o que deu tempo suficiente para Antares se comunicar com Anner-Roll.
- Não temos muito mais tempo!!! Como está a evacuação?
- As naves estão decolando! Mas Thar-Tae está terminando a última delas!
- Como é?! Você deixou sua filha por último?
- Não só ela, como eu e minha outra filha... Seremos os últimos a deixar Svitar.
- Saco... - Antares via que Vanyarin era finalmente atingida e voou para pegá-la, antes que acabasse caindo num buraco cheio de lava. - Tente se apressar Anner-Roll!! Vou conseguir mais tempo!!
Dizendo isso ele deixou sua companheira num local seguro, enquanto ela tentava se recuperar do último golpe e então partiu para um novo ataque contra Hrúcarë.
- Não vou falhar!!!
- Não adianta!! Seu destino é falhar... Garoto.
- NÃO ME CHAMA ASSIM!!!!
As energias ao redor do jovem aumentaram tanto que ele começava a brilhar como uma verdadeira estrela, enquanto tentava acertar um soco contra seu inimigo.
O sorriso de Hrúcarë pareceu aumentar ainda mais.
“Está funcionando mestre... Ele se entrega cada vez mais ao poder... Não.. Não é o suficiente para me ferir... Sim... O planeta já está condenado... Ele falhará... Não se preocupe...”
O vilão esticou a mão e conteve o ataque do Antares, mas pouco a pouco o impossível parecia acontecer.
Hrúcarë começou a ser empurrado para trás.
- AAAARRRGGGHHHH!!!!!!!!!!!!
A rajada disparada por Antares encobriu o corpo do seu inimigo, lançando o mesmo contra uma das fissuras cheias de lava, onde desapareceu.
- Arf... Arf... - O jovem mal conseguia se manter voando e então desceu até onde estava Vanyarin, que tentava ficar de pé. - Olá... Acho que vencemos...
- N-não achei que... Se-seria possível... - A garota cambaleou e foi amparada pelo rapaz antes de cair. - Hã... Obrigada e...
A frase dela foi interrompida quando o chão abaixo deles foi destruído por uma explosão de energias negras.
Hrúcarë estava de volta.
Sistemas recuperados.
Naquele instante Tyssuir-Zaak despertava, analisando a situação e o fato de estar diante de Svitar enquanto ainda estava inteiro.
Sem um momento de hesitação ele mergulhou na direção em que seus sensores acusavam estar o destruidor de mundos, que ele fora programado para enfrentar.
Sua missão mudava de vingança para salvamento.
Antares e Vanyarin ainda permaneciam caídos, enquanto seu inimigo se aproximava, as mãos crepitando de energia.
- Isso acaba aqui...
Ele ergueu os punhos, mas antes do ataque, seu corpo foi atingido em cheio pelo Centurião Tyssuir-Zaak.
- Seu caminho de destruição acaba aqui.
- Agora mandam um brinquedo me enfrentar? A ousadia desses pobres coitados não conhece limites?
Sem responder a provocação, o recém-chegado criou uma espada de energia e começou a atacar o vilão, que parecia finalmente enfraquecido, pela certa dificuldade apresentada em se defender.
- A-acho que nós o ferimos... - Antares permanecia de pé, apoiando Vanyarin, que permanecia sem sentidos. - Anner-Roll... Co-como estamos?
- Faltam algumas pessoas... - Percebendo pela voz do outro como Antares devia estar ferido, o agora líder dos Svitarianos, tentava acalmar aquele que lutava por todos eles. - Dentro em breve nós conseguiremos...
Uma explosão, vinda do ponto focal da destruição, mostrou que realmente não tinham mais tempo.
“Precisamos que você use seus poderes para evitar que o planeta se destrua.”
- Mas como vou fazer isso vovô? Tô tão arrebentado...
“Do mesmo modo como fez quando conseguiu derrubar o Hrúcarë. Concentre sua energia e dispare contra o planeta, procurando mantê-lo inteiro.”
- Certo... Eu...
Naquele exato momento Tyssuir-Zaak caía perto de onde eles estavam.
O vilão voava precariamente de volta para o jorro de energia negra.
- Voltarei a atacá-lo.
- Não! - Antares o segurou pelo braço, impedindo seu avanço.
- Como é? - Tyssuir-Zaak livrou seu braço e se voltou para o outro. - Você por acaso é um aliado do destruidor?
- Não! Eu sou Antares e estou tentando impedir ele de destruir esse mundo...
- Antares? Buscando informações... - O Centurião permaneceu parado por alguns segundos. - Arquivos encontrados. Apesar da diferença corporal e visual, o nome Antares é associado a um inimigo do destruidor. Explique sua tentativa de de deter.
- Acabei de pensar num modo de, ou salvar o planeta, ou pelo menos dar tempo para os Svitarianos escaparem... Acredite, somente eu posso fazer isso, mas preciso que você me faça um favor. - Ele então apontou para Vanyarin. - Leve-a para um local seguro...
Tyssuir-Zaak permaneceu impávido, como que absorvendo as palavras de Antares.
- Por favor...
- Por fim... - O Centurião parecia um pouco confuso, sem entender por que estava para fazer algo que ia contra sua programação. - Minha missão será realmente de vingança por Svitar... - Ele então tomou a garota nos braços. - Pois bem... Eu a levarei a um lugar seguro.
Dito isso Tyssuir-Zaak abriu suas asas de energia e se afastou, deixando para trás um decidido Antares, que olhou firmemente para seu inimigo.
- Pois bem... Agora é a hora.
Ele criou uma esfera de energia ao seu redor e se lançou na direção de Hrúcarë.
Os dois permaneceram medindo forças, enquanto a destruição de Svitar se interrompia momentaneamente.
Os poderes do jovem terráqueo não foram o suficiente e seu campo de força acabou sendo destroçado, deixando-o à mercê de seu inimigo.
- Agora acabou garoto!
“Não vou permitir isso!!!”
Antares sentia que algo parecia se descolar de seu corpo e em meio à dor ele percebeu do que se tratava, quando viu algo que lembrava a armadura de seu avô, de seu pai e a que ele próprio usara, surgindo de seu peito, ao mesmo tempo que ele ouvia em sua mente, pela última vez, a voz de seu avô.
“Adeus Jon... Seja forte e maior que eu e seu pai... Eu te am...”
- NNNNNNÃÃÃÃÃÃÃOOOOO!!!!!!!!!!!!!!!
O próprio grito foi a última coisa que ele ouviu, quando uma luz branca surgiu e tomou seu mundo.
Mesmo com os olhos fechados ele ainda se sentia ofuscado pela luz, que parecia queimá-lo até os ossos.
Poucos segundos depois ele foi tomado pelo véu da inconsciência.
Fim
Por João Norberto da Silva.
- Você não pode salvar nem a si mesmo... Garoto... Que chances acha que tem de salvar esse planeta?
- Vai se ferrar seu babaca! Você só vai destruir esse planeta por cima do meu cadáver!!
- Quão heroico você consegue falar... Será que tem poder para fazer valer tais palavras?
O jovem permaneceu calado, mesmo ainda assustado com tudo que estava acontecendo, ele ainda teve cabeça fria para pensar em quanto havia sido clichê a frase que usara, pensando também como aquele lance de “herói cósmico” o estava afetando. Ele sabia que teria que repensar em sua vida e suas futuras escolhas.
Isso se ele sobrevivesse àquela luta.
Antares e Hrúcarë se mantinham dentro de esferas, criadas com suas energias e cujas paredes externas se chocavam, lançando rajadas de energia para todos os lados, aumentando ainda mais a destruição ao redor da batalha.
O jovem terráqueo tentava de todas as maneiras fazer com que sua energia suplantasse a do oponente, mantendo assim o planeta inteiro por mais tempo, possibilitando a evacuação dos Svitarianos.
No rosto de Hrúcarë o sorriso doentio parecia aumentar cada vez mais e o som de sua risada parecia ressoar acima das explosões e demais sons da batalha.
“Não está adiantando...” O avô de Jonathan se comunicava com o rapaz, procurando alguma saída para a situação em que se encontravam. Mesmo estando surpreso com o nível de poder que seu neto estava apresentando, ele tentava não externar sua surpresa, se atendo à ameaça imediata “O desgraçado ainda está ligado ao núcleo do planeta... Se continuar assim...”.
- Eu sei vovô... Mas ao menos, segundo os relatos que tô recebendo do Anner-Roll, a Thar-Tae e os demais estão quase escapando... Arrghhh!!!
Antares interrompeu sua conversa com o avô quando sentiu seu campo ser destroçado pelo inimigo, que avançava em sua direção, disposto a matá-lo e encerrar aquela batalha imediatamente.
Ainda atordoado, Jonathan sentiu que algo saía de seu corpo, era uma sensação estranha, quase como se sua própria pele estivesse se “descolando”. Ele então abriu os olhos e não pôde conter o pânico que sentiu quando sua mente, entorpecida pela dor, finalmente entendia o que estava acontecendo.
- NNNNNNÃÃÃÃÃÃÃOOOOO!!!!!!!!!!!!!!!
O próprio grito foi a última coisa que ele ouviu, quando uma luz branca surgiu e tomou seu mundo.
Mesmo com os olhos fechados ele ainda se sentia ofuscado pela luz, que parecia queimá-lo até os ossos.
Poucos segundos depois ele foi tomado pelo véu da inconsciência.
XXX
Momentos atrás.
- MOOOORRRRAAAA!!!!! – Vanyarin acabou desferindo o primeiro golpe contra Hrúcarë, descrevendo um arco descendente com suas duas espadas na direção da cabeça dele. – Pela minha mãe!!!
Para a surpresa dos defensores de Svitar, as duas espadas foram detidas sem o menor sinal de esforço e então o vilão, mantendo-as firmemente seguras, puxou Vanyarin para si, tencionando acertá-la no rosto com uma cabeçada.
A guerreira fechou os olhos aguardando o impacto.
Que não aconteceu.
Os dois estavam tão concentrados um do noutro que não perceberam que Antares havia se aproximado e, poucos instantes antes do vilão acertar a cabeçada, uma rajada de energia o acertou bem no rosto, forçando-o a se afastar, largando assim as espadas.
- Não precisa agradecer...
- Humpf... Quem disse que eu ia agradecer? – Vanyarin parecia realmente furiosa pela interrupção do outro. – Concordei em lutar ao seu lado e não...
- Cuidado!!!
Antares se colocou diante da companheira no exato instante em que uma imensa bola de energia negra iria atingi-la, salvando-a pela segunda vez ao erguer um escudo, que recebeu a maior parte do impacto.
- Se não quer minha ajuda, presta atenção na luta!
Dizendo isso Antares voou na direção do oponente, mantendo um campo de energia sobre seus dois punhos cerrados.
“Jon! Não é boa idéia atacá-lo tão de perto!!!”
Infelizmente o aviso de Antônio chegou tarde e seu neto acabou socando o ar, enquanto Hrúcarë desviava facilmente de seu golpe, mantendo uma de suas garras no peito do jovem, disparando ali uma rajada que lançou Antares contra o chão, abrindo uma enorme cratera.
Alguns instantes se passaram, até que ele conseguisse se erguer, afastando a poeira com as mãos, tentando ver o que acontecia no céu acima.
- Merda... Esse cara é bem mais forte que o Tayagon... – Antares levou uma mão ao seu ouvido. – Sim... Entendido Anner-Roll... Não... É melhor sua filha e o Kwisp continuarem a ajudar na evacuação... E a Thar-Tae? Não descansou ainda... É... Eu sei... Ela é durona... O que é durona? Hã... Eu explico outra hora.
Naquele momento o jovem percebeu que era hora de voltar à batalha, pois Vanyarin já tentava novamente acertar o vilão com suas espadas.
“Não se preocupe Thar...” Antares deixou seus pensamentos voltarem até a jovem Svitariana que, surpreendentemente, ficava cada vez mais importante na vida dele “Se não conseguir salvar seu planeta, ao menos você eu vou salvar”.
Conforme avançava, Antares começou a disparar pequenas esferas de energia que explodiam ao entrar em contato com o campo de força de seu inimigo.
A intenção do herói era cegar Hrúcarë para poder atacá-lo.
Infelizmente, mais uma vez, o plano dele não deu certo.
- Você acha mesmo que essas fagulhas poderiam me cegar? – O vilão gargalhava entre suas frases, enquanto agarrava o punho que vinha em sua direção, girava seu oponente por sobre sua cabeça e o lançava para longe. – Justo eu que não sou afetado nem pela explosão de uma estrela morrendo?
- Merda! Eu... O quê?!!
Hrúcarë se moveu mais rápido do que Antares pôde perceber e logo o vilão o agarrava pelo pescoço, mantendo-o quase desmaiando pela falta de ar.
- Já disse que você não é páreo para meu poder... Garoto... Por que não facilita as coisas e desiste?
- Nu... Gasp... Nu-nunca...
- Bem... – O vilão erguia sua outra mão, fazendo-a fulgurar com energia negra, preparando o golpe final. – Que ninguém diga que não lhe dei uma chance...
O que aconteceu a seguir surpreendeu os dois.
De repente a mão de Hrúcarë parou de emitir energia, caindo para longe do braço, o que fez tanto o vilão quanto seu oponente indefeso voltarem os olhares para um ponto pouco acima deles.
Vanyarin estava com suas duas espadas empunhadas à frente do corpo, das lâminas escorria um tipo de liquido enegrecido, o sangue do vilão. No rosto da garota o orgulho e felicidade por finalmente ter conseguido ferir seu inimigo.
Um sorriso que logo deixou de existir.
Sem nenhum esforço Hrúcarë estendeu seu braço sem a mão na direção dela, disparando um poderoso raio que, pegando-a de surpresa, a atingiu em cheio, fazendo com que ela caísse desacordada na direção da terra lá embaixo.
Olhando para a ponta do braço, o vilão se concentrou e em segundos uma nova mão se movia lentamente. Ele voltou seu rosto na direção de Antares, pretendendo continuar o que estava fazendo antes de ser interrompido, mas mais uma vez acabou sendo surpreendido.
- Mas heim?
Antares estava com as duas mãos espalmadas diante do rosto do vilão e com um esforço tremendo, disparou as rajadas mais poderosas de que já tentara, afinal agora ele fazia ideia do tanto de dano que o inimigo aguentaria.
Pego novamente de surpresa e com um urro de ódio, Hrúcarë acabou soltando seu oponente, que foi o mais rápido possível para junto da guerreira caída.
- Vanyarin... Acorda... - Antares sacudia a garota pelos ombros e dava pequenos tapinhas no rosto dela. - Você precisa acordar droga...
- Hã... - Pouco a pouco ela abria os olhos, tendo dificuldades para entender onde estava. - Mas... Eu... Não!
A imagem de Hrúcarë vindo na direção deles, o sorriso do vilão agora se contorcia num esgar de ódio, foi o suficiente para que ela despertasse de vez.
- Se prepara que agora eu acho que ele vai parar de brincar...
Enquanto falava, Antares ergueu um campo de força, que era reforçado pelas energias de Vanyarin.
Quando o vilão os alcançou, a explosão resultante do encontro das energias foi o suficiente para ser sentida a muitos quilômetros de distância.
Inclusive na principal base rebelde.
Anner-Roll tentava organizar os grupos de evacuação através de um precário sistema de comunicação, construído às pressas por Thar-Tae, após a fuga de Lady Quarin e seu povo, deixando Svitar livre e às portas da destruição.
“Não vale a pena lutar por um mundo morto” fora a ordem da tirana, que foi ouvida por todos no planeta, quando as naves invasoras começavam a fuga em massa.
Antes de partir ela ainda queria atormentar o povo do planeta que ela não conseguira conquistar.
- Pai... Eu acho que devia ir até lá para ajudar...
- Não Ashira... Você mesma viu as escalas de poder que estamos recebendo do local da batalha... Por mais que me doa dizer isso, e confesso que parte de mim está aliviada, nós dois sabemos que você não faria diferença lá...
A guerreira, respeitando a sabedoria de seu pai saiu da sala de comando, mas tão logo se viu no corredor, deu um soco na parede, afundando sua mão na mesma.
- Nem preciso perquntar se está tudo bem não é querida? - Kwisp, o guerreiro, se aproximava da mulher, que em tão pouco tempo o havia conquistado, enquanto Ashira limpava sua mão dos restos da parede. - Seu pai precisa que você fique calma...
- Como eu posso ficar calma?!! Temos dois seres alienígenas e praticamente desconhecidos lutando pelo meu mundo, enquanto eu, que tanto treinei para ser a guerreira máxima, estou presa aqui... Onde até minha irmã é mais útil do que eu!! Não sei como VOCÊ pode ficar calmo...
- Um verdadeiro guerreiro tem a medida exata de suas capacidades... - O jovem alienígena tentava se explicar, aliviado por Anner-Roll mesmo já ter uma desculpa apropriada. - E assim como seu pai disse, nós dois não faríamos diferença lá... Acabaríamos atrapalhando...
- AAARRRRR!!!! - Com mais um golpe Ashira-Rey derrubou outro pedaço de uma parede e se afastou, proferindo xingamentos em sua língua natal.
Atrás dela ficava um envergonhado Kwisp, o Guerreiro.
“Meus parabéns seu lostra...” ele sentia o rosto arder de vergonha, seus pensamentos eram realmente seu pior inimigo “Se não fosse tão covarde, sobrevivendo a tantos combates por pura sorte, se bem que muitas vezes me pergunto se é mesmo sorte, eu não estaria nessa...”
Sentindo seu espírito cada vez mais diminuído, o pequeno guerreiro se recostou em uma janela, vendo que, mesmo ao longe, os sinais da batalha eram visíveis.
Noutro local da base, Thar-Tae não permitia a seus pensamentos irem na direção do amado, pois no momento toda sua concentração estava voltada para a construção das naves de salvamento.
- Não! Essa peça vai para lá! - Ao redor dela estavam vários outros Moldadores, Svitarianos que possuíam a incrível habilidade de reunir qualquer tipo de tecnologia e molda-la segundos suas necessidades. - Isso! Aí mesmo!!
Aos poucos a base ia sendo “depenada”, enquanto enormes arcas espaciais eram montadas, seguindo as especificações da filha de Anner-Roll e seus colegas, num esforço que realizava em poucas horas o que seria impossível até em meses, mas ninguém reclamava ou pensava em desistir.
Afinal, eles tinham um mundo para evacuar.
- Thar? - Um jovem moldador, desviou o olhar de seus aparelhos por um instante. - O que houve?
- Hã? O que foi Asteur?
- Você está chorando?
Só ao passar a mão pela face direita a garota percebeu estar com o rosto todo molhado por lágrimas.
- Na-não é nada... Vamos continuar...
“Não se preocupe meu amor... Nós vamos conseguir tirar todo mundo desse mundo... Mas por favor, volte vivo para mim...”
XXX
Muito longe do planeta Svitar, um ser caminhava pelo espaço.
Literalmente.
- Hum... Sim mestre, eu sinto a flutuação dos eventos se se passam nesse momento e dos que virão... Pode ter certeza de que o Messias realizará seu papel nessa intricada trama...
Ele parou seu andar e flutuou até um asteroide próximo, no vácuo do espaço suas palavras só poderiam ser audíveis para si por causa de seus poderes e o significado dessas para sua antiga mente.
Ali ficou por longos instantes, até que algo lhe chamou a atenção.
Um bólido prateado, com nuances azuladas, se aproximava com uma velocidade próxima à da luz e imediatamente o Messias soube o motivo de ter parado justo ali.
- Então mais uma peça desse jogo finalmente se aproxima... É realmente o mais sábio de todos meu mestre...
Ao se aproximar mais o bólido se revelou como Tyssuir-Zaak, o Centurião designado para vingar o planeta Svitar, uma vez que seus centros lógicos de decisão já haviam calculado que ele não chegaria a tempo para salvar o planeta da destruição.
Sua concentração nas rotas espaciais eram tantas que o Centurião não percebeu a forma de vida que se encontrava no asteroide, não até ser tarde demais.
O Messias estendeu um cajado na direção de Tyssuir-Zaak e após uma pequena e inaudível oração para seu mestre, uma rajada de energia azulada foi disparada poucos metros à frente do centurião.
Um portal se abriu diante de Tyssuir-Zaak e este, sem ter tempo para calcular uma rota de desvio mergulhou no círculo de energia.
- Está feito mestre... - O Messias ajeitava seu cajado ao lado do corpo e sentava-se em algumas formações do asteroide, alterando-as até tomarem a forma de uma poltrona. - Agora... Vamos encontrar outra peça...
Com outro movimento do cajado, o asteroide começou a se mover lentamente pelo espaço.
Muito longe dali, próximo da atmosfera de Svitar, um portal surgia e por ele passou um confuso Tyssuir-Zaak.
Sistemas falhando. Reiniciar. Reiniciar.
O computador interno do Centurião desligou todas as funções do mesmo, fazendo com que até sua armadura de energia desaparecesse.
Ele levaria preciosos minutos até despertar novamente para sua missão.
No planeta logo abaixo, a luta continuava.
- Preciso de espaço para tentar cortá-lo de novo!!
- Se prepara então!!!
Antares voou ao redor de Hrúcarë, disparando rajadas de energia na direção do monstro, tentando vencer as defesas desse o suficiente para que sua companheira pudesse atacá-lo.
- Tiveram sorte de ter sobrevivido ao meu ataque crianças... Mas esperam mesmo poder me vencer? São ilusões que eu terei prazer de espalhar pelos ventos!!
- Vai à merda!!!! - Antares aumentava ainda mais a intensidade de seus ataques, ele mesmo se surpreendia com seus poderes, que ele sentia aumentarem cada vez mais. - Não vamos desistir por nada!!!
- Então morrerão! Vocês e esse planeta enfadonho!
Como se em resposta às palavras do vilão o local onde ele perfurara a crosta de Svitar e de onde erguia-se a coluna de energia negra, pareceu emitir um grito estridente, quando uma série e rachaduras começaram a surgir no solo, dando espaço para a lava do interior do planeta começar a escorrer, destruindo tudo o que tocava.
- Mas o que é isso?!!
- Hahahahahahahahaha!!! Vocês acharam mesmo que poderiam impedir a destruição desse planeta? Mesmo durante a luta eu continuei a infectá-lo, distorcendo as energias naturais, levando-o à gloriosa entropia!!!
Vanyarin voltou a atacar o vilão, dessa vez abrindo duas enormes feridas no peito deste, que tentou acertá-la, mas errou por pouco, graças à agilidade da garota, o que deu tempo suficiente para Antares se comunicar com Anner-Roll.
- Não temos muito mais tempo!!! Como está a evacuação?
- As naves estão decolando! Mas Thar-Tae está terminando a última delas!
- Como é?! Você deixou sua filha por último?
- Não só ela, como eu e minha outra filha... Seremos os últimos a deixar Svitar.
- Saco... - Antares via que Vanyarin era finalmente atingida e voou para pegá-la, antes que acabasse caindo num buraco cheio de lava. - Tente se apressar Anner-Roll!! Vou conseguir mais tempo!!
Dizendo isso ele deixou sua companheira num local seguro, enquanto ela tentava se recuperar do último golpe e então partiu para um novo ataque contra Hrúcarë.
- Não vou falhar!!!
- Não adianta!! Seu destino é falhar... Garoto.
- NÃO ME CHAMA ASSIM!!!!
As energias ao redor do jovem aumentaram tanto que ele começava a brilhar como uma verdadeira estrela, enquanto tentava acertar um soco contra seu inimigo.
O sorriso de Hrúcarë pareceu aumentar ainda mais.
“Está funcionando mestre... Ele se entrega cada vez mais ao poder... Não.. Não é o suficiente para me ferir... Sim... O planeta já está condenado... Ele falhará... Não se preocupe...”
O vilão esticou a mão e conteve o ataque do Antares, mas pouco a pouco o impossível parecia acontecer.
Hrúcarë começou a ser empurrado para trás.
- AAAARRRGGGHHHH!!!!!!!!!!!!
A rajada disparada por Antares encobriu o corpo do seu inimigo, lançando o mesmo contra uma das fissuras cheias de lava, onde desapareceu.
- Arf... Arf... - O jovem mal conseguia se manter voando e então desceu até onde estava Vanyarin, que tentava ficar de pé. - Olá... Acho que vencemos...
- N-não achei que... Se-seria possível... - A garota cambaleou e foi amparada pelo rapaz antes de cair. - Hã... Obrigada e...
A frase dela foi interrompida quando o chão abaixo deles foi destruído por uma explosão de energias negras.
Hrúcarë estava de volta.
Sistemas recuperados.
Naquele instante Tyssuir-Zaak despertava, analisando a situação e o fato de estar diante de Svitar enquanto ainda estava inteiro.
Sem um momento de hesitação ele mergulhou na direção em que seus sensores acusavam estar o destruidor de mundos, que ele fora programado para enfrentar.
Sua missão mudava de vingança para salvamento.
Antares e Vanyarin ainda permaneciam caídos, enquanto seu inimigo se aproximava, as mãos crepitando de energia.
- Isso acaba aqui...
Ele ergueu os punhos, mas antes do ataque, seu corpo foi atingido em cheio pelo Centurião Tyssuir-Zaak.
- Seu caminho de destruição acaba aqui.
- Agora mandam um brinquedo me enfrentar? A ousadia desses pobres coitados não conhece limites?
Sem responder a provocação, o recém-chegado criou uma espada de energia e começou a atacar o vilão, que parecia finalmente enfraquecido, pela certa dificuldade apresentada em se defender.
- A-acho que nós o ferimos... - Antares permanecia de pé, apoiando Vanyarin, que permanecia sem sentidos. - Anner-Roll... Co-como estamos?
- Faltam algumas pessoas... - Percebendo pela voz do outro como Antares devia estar ferido, o agora líder dos Svitarianos, tentava acalmar aquele que lutava por todos eles. - Dentro em breve nós conseguiremos...
Uma explosão, vinda do ponto focal da destruição, mostrou que realmente não tinham mais tempo.
“Precisamos que você use seus poderes para evitar que o planeta se destrua.”
- Mas como vou fazer isso vovô? Tô tão arrebentado...
“Do mesmo modo como fez quando conseguiu derrubar o Hrúcarë. Concentre sua energia e dispare contra o planeta, procurando mantê-lo inteiro.”
- Certo... Eu...
Naquele exato momento Tyssuir-Zaak caía perto de onde eles estavam.
O vilão voava precariamente de volta para o jorro de energia negra.
- Voltarei a atacá-lo.
- Não! - Antares o segurou pelo braço, impedindo seu avanço.
- Como é? - Tyssuir-Zaak livrou seu braço e se voltou para o outro. - Você por acaso é um aliado do destruidor?
- Não! Eu sou Antares e estou tentando impedir ele de destruir esse mundo...
- Antares? Buscando informações... - O Centurião permaneceu parado por alguns segundos. - Arquivos encontrados. Apesar da diferença corporal e visual, o nome Antares é associado a um inimigo do destruidor. Explique sua tentativa de de deter.
- Acabei de pensar num modo de, ou salvar o planeta, ou pelo menos dar tempo para os Svitarianos escaparem... Acredite, somente eu posso fazer isso, mas preciso que você me faça um favor. - Ele então apontou para Vanyarin. - Leve-a para um local seguro...
Tyssuir-Zaak permaneceu impávido, como que absorvendo as palavras de Antares.
- Por favor...
- Por fim... - O Centurião parecia um pouco confuso, sem entender por que estava para fazer algo que ia contra sua programação. - Minha missão será realmente de vingança por Svitar... - Ele então tomou a garota nos braços. - Pois bem... Eu a levarei a um lugar seguro.
Dito isso Tyssuir-Zaak abriu suas asas de energia e se afastou, deixando para trás um decidido Antares, que olhou firmemente para seu inimigo.
- Pois bem... Agora é a hora.
Ele criou uma esfera de energia ao seu redor e se lançou na direção de Hrúcarë.
Os dois permaneceram medindo forças, enquanto a destruição de Svitar se interrompia momentaneamente.
Os poderes do jovem terráqueo não foram o suficiente e seu campo de força acabou sendo destroçado, deixando-o à mercê de seu inimigo.
- Agora acabou garoto!
“Não vou permitir isso!!!”
Antares sentia que algo parecia se descolar de seu corpo e em meio à dor ele percebeu do que se tratava, quando viu algo que lembrava a armadura de seu avô, de seu pai e a que ele próprio usara, surgindo de seu peito, ao mesmo tempo que ele ouvia em sua mente, pela última vez, a voz de seu avô.
“Adeus Jon... Seja forte e maior que eu e seu pai... Eu te am...”
- NNNNNNÃÃÃÃÃÃÃOOOOO!!!!!!!!!!!!!!!
O próprio grito foi a última coisa que ele ouviu, quando uma luz branca surgiu e tomou seu mundo.
Mesmo com os olhos fechados ele ainda se sentia ofuscado pela luz, que parecia queimá-lo até os ossos.
Poucos segundos depois ele foi tomado pelo véu da inconsciência.
Fim
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