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Um Novo Homem #3



Ramon Gonzáles é o inimigo público número um. Sua própria gangue superou a Grimm's Gang e isso causou a ira do Espelho. Agora a verdade vem a tona pela boca de um homem que procura a vingança: Lupus Malvinos.



Imagem
Ilustração da capa de Artista Desconhecido. Se souber de quem é, favor avise para lhe dar o devido crédito.

Um Novo Homem
Universo Nova Frequência

Por: Anderson Oliveira
Publicado originalmente em março de 2007.

10 LIÇÕES PARA SE TORNAR UM VILÃO
Parte 3


LIÇÃO 6: Tome cuidado com seus inimigos. Seus verdadeiros inimigos.


Espelho ouve o relato de Lupus Malvinos em silêncio. Podia-se ver em seus olhos toda a admiração ao ouvir aquela história. Sua imagem aprisionada na superfície plana do vidro se mostrava cada vez mais satisfeita e feliz. Lupus, por sua vez, parecia saber como tirar proveito disso tudo. Lupus é um homem alto e musculoso, vestindo uma camisa branca e um macacão azul jeans. Seus braços são peludos e assim deve ser o resto do seu corpo. Seu rosto é de homem truculento, com barba por fazer, olhos profundos e uma boca torta que lembra vagamente Sylvester Stallone. Seus cabelos são pretos, lisos e na altura do pescoço.

Na sala ouvindo o relato está a linda rainha, guardiã do caminho dos espelhos, sua enteada Bianca, de olhos azuis e tristes, a encantadora Cindy e Red-Charlie, ainda sem jeito de estar na companhia de Lupus, seu ex-namorado. Talvez futuro namorado, vai depender do que o Espelho decidir. Este se mantém atento à história de Lupus Malvinos. Quem diria que, de uma hora para outra, todos os seus problemas com Ramon Gonzáles estavam perto de acabarem.

— Então foi isso. — concluiu Lupus. Espelho não disfarçou seu sorriso de satisfação plena e disse:

— Agora que sabemos da verdade, vamos acabar de uma vez por todas com a vida de Ramon. Vocês — ele se dirigiu às garotas — vão até o covil de Ramon Gonzáles e tragam-me sua cabeça!

— Mas, onde ele vive? — perguntou Red-Charlie.

— De fato... se eu soubesse a resposta já o teria matado. — disse Espelho, um tanto envergonhado por sua ignorância perante esse assunto.

— Calma, eu posso descobrir! — atalhou Cindy que em seguida tirou da jaqueta um vidrinho. De súbito ela atirou o vidro contra o chão o fazendo em pedaços. De seus destroços subiu uma fumaça que logo se condensou na forma de uma mulher ajoelhada e com as mãos no chão, de orelhas pontudas, pele azulada com tatuagens tribais e piercings, com folhas verdes cobrindo suas partes e trazendo uma corrente ao pescoço. Rapidamente Cindy pegou a ponta da corrente e a puxou enquanto a mulher se desesperava para fugir.

— Hmmm, tinha me esquecido de seu trunfo, Cindy. — Espelho tomou novo ânimo.

— Argh! Solte-me, criança vadia! — esbravejou a prisioneira.

— Ainda não, minha querida madrinha! Antes há de me conceder alguns favores! — respondeu Cindy.

— Não te dou nada, maldita! — a outra disse isso e rosnou como uma fera. Cindy apertou a corrente e a enforcou dizendo:

— Feche sua boca imunda e faça o que mando, senão terá o mesmo destino da sua irmã que amaldiçoou aquela que hoje dorme! — com o ultimato, a prisioneira recuou. — Assim está melhor... Agora me diga: Onde mora Ramon Gonzáles?

— Existem muitos homens com esse nome no mundo...

— Verdade, mas este que procuro é especial...

— Tem uma foto? — perguntou a prisioneira, logo Red-Charlie que estava próxima a um computador fez surgir no monitor uma foto de Ramon. — Ah, agora é mais simples... Tal indivíduo reside no lugar que os mortais chamam de Praia de los Amores, em Cancun, México.

— Certeza? — perguntou Cindy.

— Acaso já me enganei?

— Não. Pois bem.... agora volte para seu lugar! — disse Cindy e em seguida os cacos do vidrinho que jaziam no chão se moveram, a mulher azul se transformou em fumaça, não sem antes soltar gritos de agonia, e tão logo o vidrinho com a fumaça estava inteiro novamente. Cindy o pegou e o guardou no bolso, saindo do recinto dizendo: — Vamos nessa.


Enquanto tudo isso acontecia, Ramon Gonzáles, o criminoso mais procurado e temido do mundo, tinha seu corpo massageado por duas mulheres maravilhosas em uma sala de banho de mármore e vidro, ao lado do seu irmão José, que tinha para ele outras duas mulheres lindas. Ao passo que José demonstrava em seu rosto toda a satisfação da vida que estava levando, Ramon era triste, muito triste, como se fosse um estranho no monte Olimpo, um mero mortal que entrou escondido na morada dos deuses e agora desfruta dos manjares e bebe do bom vinho. Mas afinal, por que ele se entristece?

Antes Ramon não era nada. Não era ninguém. Um capacho onde todos pisavam, principalmente Guadalupe, uma mulher que ele nunca amou e viu-se obrigado a viver com ela por dezesseis anos. Então, por um lance do destino, estava Super Justiça morto em seus braços. Uma morte o salvou da vida miserável e logo Ramon estava no topo do mundo, provando de delícias que nunca sonhara em conhecer. Talvez Ramon tivesse percebido, tarde demais, é claro, o preço das escolhas que fez.

Ele olhou para José. Seu irmão é quem decide tudo na gangue, mas nunca mostra sua cara, sempre coloca tudo no nome de Ramon. No começo Ramon até achou isso normal, afinal era Ramon o procurado pelo assassinato, era ele quem começava a ser temido. Essa fama daria aos crimes maior impacto e seu sucesso criminoso só subiria mais, como de fato subiu. Mas agora Ramon começa a perceber que, no fundo, José tem outros planos em mente.

— O que há Ramon, por que não relaxa? — disse José percebendo a preocupação no rosto do irmão.

— Não sei... me sinto... sozinho.

— Sozinho? Do que você está falando?! Veja essas mulheres! Você nunca estará sozinho!

— Você não entende... Eu não pertenço a esse lugar, a essa vida. Essas paredes cheiram a mentira e sangue... muito sangue! — Ramon se exalta e levanta do divã, assustando as mulheres.

— Acalme-se Ramon! Não pense nessas coisas, deixe que eu cuide de tudo...

— Aí está o problema, José... você sempre cuida dessas coisas e continua calmo como se... se... isso tudo fosse natural... — José estranha a observação de Ramon, mas não diz nada, apenas faz sinal para suas massagistas continuarem o trabalho e vira o rosto para o outro lado. Com isso Ramon só vê suas suspeitas crescerem.

Minutos depois Ramon estava em sua suíte. Um quarto que sozinho é maior que a casa onde ele morava. Olhando pela varanda ele contempla o anoitecer e o mar, ora calmo e sereno, mas que por baixo de suas águas esconde uma explosão de vida e morte entre as criaturas que nele vivem fazendo do mar o maior campo de batalha do mundo. Como se fosse uma metáfora da vida de Ramon, aparentemente calma, mas por trás de tudo há um corredor de mentiras, crimes e sangue. Num gole de tequila, Ramon relembra aquela noite onde tudo começou a mudar. O sangue. O sangue de Super Justiça a escorrer por seus dedos. Uma morte que mudou sua vida.

Como estarão Guadalupe e Inezita? Ramon já mandou procura-las, mesmo sobre os protestos de José que preferia que nada da suas vidas antigas fosse resgatado. Mas seus agentes não encontraram nenhum rastro, como se elas tivessem sido riscadas do mapa. E se as tivesse encontrado? Ramon as traria para seu palácio litorâneo e continuaria a passar seus dias ouvindo os berros da mulher e as vadiagens da filha? Nem Ramon sabe dizer, talvez só quisesse saber notícias, ajudar de alguma forma. Mas nada pode fazer.

A garrafa de tequila secou. Ramon procura mais no frigobar, mas este já está vazio. Há de ter mais na cozinha. Um pouco tonto, ele sai da suíte e caminha pelo amplo corredor. Vasos de porcelana com pequenos coqueiros quase vão ao chão a cada esbarrada de Ramon. Do andar de baixo, uma meia dúzia de seus agentes olha a movimentação através da marquise, mas não dão muita atenção ao seu adorado líder que exibe outro momento de alcoolismo, não sendo o único naquela gangue a apreciar os efeitos entorpecentes dos mais variados tipos de drogas lícitas ou não. Aliás, naquela mansão existe uma sala reservada para armazenar tais delícias.

Ramon procura as escadas. Quer ir até a cozinha pegar mais bebidas. Mesmo cercado de lacaios fiéis ele prefere fazer as coisas sozinho em vez de mandá-los de lá pra cá, como aprecia José. Assim, Ramon se segura para não tombar no carpete vermelho que forra todo o corredor e dá passos vacilantes até que tropeça em alguma pedra invisível para nossos olhos sóbrios vindo a se escorar no batente da porta da suíte de José. A porta está entreaberta o bastante para Ramon visualizar seu irmão, sentado numa poltrona com um capanga ao seu lado enquanto aprecia um cubano. Porém José parece não perceber a aproximação de Ramon e continua a dizer, sem medo de alguém ouvir, para seu capanga:

— Tem certeza que não vão encontrar os corpos?

— Não restou nada para chamarmos de corpos! — responde o capanga que se veste com uma espécie de farda, cheia de bolsos e cintos que lembra muito algum caçador.

— Ótimo! Se Ramon encontrasse aquelas duas, certamente Guadalupe iria dar com a língua nos dentes.

Ramon, mesmo bêbado, consegue compreender perfeitamente tais palavras. Guadalupe e Inezita mortas? A mando de José? Isso soou tão asquerosamente vil para Ramon que, sem ordenar seus pensamentos, agora mais confusos e mexidos do que nunca, ele recuou alguns passos tropeçando em um vaso e caindo no chão. Isso se fez ouvir na suíte de José que, disposto a xingar algum capanga desastrado, foi até a porta onde apenas encontrou seu irmão com olhos frios e rancorosos.

— Ramon?! Meu Deus... você escutou...?

José não teve resposta, mas o olhar de seu irmão serviria mais do que qualquer palavra.


LIÇÃO 7: Esteja sempre pronto para um ataque surpresa.


Uma BMW conversível entra pelo jardim da mansão enquanto as ondas do mar quebram nas pedras na distância de uma pequena floresta verde que completa a bela paisagem do paraíso mexicano. O carro para em frente à escadaria que leva a entrada da mansão. Simultaneamente os quatro ocupantes saltam pra fora e começam a subir às escadas, distraídos em uma conversa amistosa entre velhos conhecidos.

— ... A propósito, belo carro, Cindy. Só não gostei dessa cor de abóbora! — diz Lupus Malvinos, ao lado de Red-Charlie e Bianca, enquanto Cindy vai mais a frente.

— Quero lançar moda, Lupus! — responde Cindy com um belo sorriso irônico.

— Então, este é o lugar? — Bianca diz após dar uma dentada em uma maçã suculenta enquanto todos param um instante e contemplam a casa. — Não somos as únicas que gostamos de viver em palácios!

— Red-Charlie, trouxe seus brinquedos? — pergunta Cindy.

— Claro! Não saio de casa sem eles! — Red-Charlie responde abraçando sua maleta.

— Bom, vamos acabar logo com isso. Preciso voltar pra casa antes da meia-noite. — diz Cindy que continua a marcha, sendo seguida pelas outras duas garotas enquanto Lupus olha o céu e vê o brilho fosco da lua cheia atrás de densas nuvens. Uma noite igual aquela onde se principiou essa história.

— José... — diz Ramon se levantando lentamente, embriagado agora pela ira e não mais pelo álcool.

— Ramon! Foi preciso... — José responde procurando lhe estender a mão, mas Ramon recua.
Nesse momento a campainha toca.

— Tire suas mãos de mim!

A campainha toca novamente.

Os capangas na sala nem ouvem, pois estão todos de olho na discussão que acontece no andar superior.

— Não me diga que você trocaria tudo que tem hoje por aquela vida miserável?

Um terceiro toque também passa despercebido.

— Desgraçado! É tudo culpa sua! Você vai--

A porta explode. Seus destroços invadem a sala e atingem os capangas. O estrondo chama a atenção de Ramon e José que podem ver após a poeira baixar quatro vultos entrar na casa.

— Tocamos, mas ninguém quis abrir... — disse Red-Charlie, com sua maleta no chão e com uma granada em sua mão. Lupus e as garotas passam por ela e entram na casa.

— É o fim da linha Ramon. — diz Cindy. — Espelho quer o que é dele. — Ramon e José não precisam dar nenhuma ordem, pois os capangas já se colocam entre os invasores. São ao todo sete, dos quais cinco são homens sendo aqueles três irmãos gorduchos mais Jack Beans e o chamado “filho do carpinteiro”, já das duas mulheres uma tem longos cabelos ruivos feitos em tranças, usando calça justa, botas e jaqueta cor de rosa e outra é Carina Goldlocks, que já invoca seus três ursos ferozes. O outro capanga, que estava com José, fugiu pela janela ao ouvir a explosão e os muitos outros membros da gangue não estão na mansão nesse momento.

— Precisamos de reforços... — avisa Red-Charlie que tira da sua maleta peças com as quais monta uma metralhadora.

— Deixa comigo. — responde Bianca, que fecha os olhos e recita palavras estranhas com as mãos postas na altura do ventre. Sete focos de fogo formam um círculo no chão e, ao passo que suas palavras ganham uma entoação mais forte e arcana, o fogo se eleva e com isso surge ao redor dela sete pequenos demônios. Demônios anões, com peles esverdeadas, longos chifres, pequenas asas, dentes afiados e bizarras barbichas brancas, com exceção de um deles que não tem barba.

Inicia-se uma luta feroz. Tiros de metralhadora cortam o ar e destroem a decoração da sala enquanto demônios anões saltam por entre ramos de erva trepadeira, sendo abatidos pelas patas dos ursos que rosnam fortemente. Os três irmãos gordos e rosados se comportam como lutadores de sumô e resistem aos ataques físicos de Lupus. Cindy pega emprestado de Red-Charlie duas Magnum 45 e ataca o filho do carpinteiro que se defende enquanto pode com suas luvas de madeira, mas evidentemente elas acabam não resistindo e este é o primeiro a tombar, sendo em seguida arrastado por um dos demônios de Bianca para fora da casa. A garota de longos cabelos, por nome Raquel, usa suas tranças como chicotes e ataca Red-Charlie que sangra devido aos espinhos presentes nas pontas das tranças de Raquel. Mas ela não esmorece e contra-ataca com sua arma, obrigando a ruiva a se proteger atrás de escombros. Jack Beans espalha sua erva por toda a sala e se mantém intocável dos ataques inimigos.

Um dos ursos de Carina chega até Bianca e a derruba, fazendo sua maçã rolar pelo chão. Porém antes de sentir os dentes do animal em seu ombro, Bianca é salva por três de seus demônios que cobrem o urso e parecem queimar sua carne. O animal se afasta furioso e acaba enroscado nos ramos na planta de Jack Beans. Cindy investe contra Carina Goldlocks, julgando que ela é indefesa sem seus ursos, mas a moça das botas de cristal se surpreende quando Carina saca uma pistola e contra-ataca com perícia. Red-Charlie desfere suas balas contra a planta de Jack Beans que avança contra ela, sendo pega de surpresa por Raquel que a imobiliza pelas costas. A garota da boina vermelha então puxa uma granada de gás lacrimogêneo que desnorteia Raquel. Em seguida Red-Charlie a coloca na sua frente, a fazendo receber os ataques da planta em seu lugar. Enquanto isso Lupus é sufocado pelos três irmãos que se jogam sobre ele formando uma pilha de gordura.

De cima, deixando a discussão e o rancor de lado por um instante, Ramon e José observam tudo sem saber o que fazer. O mais sensato seria fugir dali, pegar o helicóptero e procurar abrigo com seus aliados em Cuba, mas a visão da batalha que se desenrola diante de seus olhos os deixa estáticos. Principalmente Ramon, ainda sob o efeito da tequila e da ira, sendo ele ainda o mesmo pateta lerdo o bastante para demorar séculos para tomar decisões. José começa a pensar em fugir, como convém ao seu caráter, ele sempre está preparado para uma fuga caso seus planos fujam ao seu controle. Assim ele olha com o canto do olho para Ramon e o pega disperso, fixado na luta, sem perceber sua presença. É a hora oportuna para sair dali, escapar do ataque dos agentes do Espelho e ainda escapar de Ramon, que, nunca se sabe, pode perder a cabeça a por tudo que eles conquistaram abaixo. Se bem que vendo o que acontece lá embaixo, isso parece ser só questão de tempo.

Assim José começa a se afastar, visando entrar em seu quarto, abrir a passagem secreta que mandou construir e subir até o terraço onde um helicóptero o espera. Feliz ideia de ter aulas de pilotagem, assim não precisaria de ninguém ao seu lado, para servir de cúmplice ou mesmo futuro delator. José ainda conta com um notebook com conexão wi-fi para transferir uma gorda quantia do dinheiro de Ramon para uma conta secreta nas Ilhas Caiman. É isso. Uma fuga perfeita. Que fique Ramon entregue nas mãos de Espelho ou mesmo da lei. Aliás, sua serventia na organização criminosa só era necessária por causa de sua fama de perigoso vilão, o que José sabe não demonstra a verdade. Será que foi ele mesmo que matou Super Justiça? José nunca nem quis saber. Então ele recua mais alguns lentos passos e alcança a porta de sua suíte, mas algo inesperado estraga sua fuga.

Um corpo pesadíssimo caí sobre José. Ramon se vira para ver o que era e vê um dos irmãos obesos, desfalecido e muito ferido. Aliás, tal visão lhe faz lembrar do estado que estava Super Justiça quando surgiu diante de si naquela noite. Mas enquanto nisso pensava viu um alto e corpulento homem subir as escadas, com outro irmão gordo erguido acima de sua cabeça, demonstrando sua enorme força. Este é Lupus, com um olhar quase animalesco e demoníaco.

— Ramon. Não nos conhecemos, mas você tomou algo que é meu... — disse ele largando o gorducho nos degraus e se aproximando.

— Do que está falando? — Ramon recua até ficar diante de uma janela do corredor que exibe o céu noturno, quase enquadrando a lua cheia em sua moldura.

— As pessoas são estúpidas! — começou Lupus enquanto as nuvens descobriam o brilho lunar. — Como poderiam acreditar que um imprestável como você foi capaz de matar aquele maldito Super Justiça...? — a lua se revelou. Lupus a olhou e um brilho singular tomou seus olhos. — Isso só poderia ser obra de alguém muito, muito superior! — então suas palavras ganharam um tom de rosnado, e se contorcendo e se debatendo seu corpo começa a se transformar. Seus pelos crescem, assim como seus dentes, garras e uma cauda. Seu rosto adquire uma aparência canina com um focinho protuberante, orelhas pontudas e bigodes. Sua camisa se rasga e seus braços fora do controle arrasam as paredes próximas. Ramon observa aquilo incrédulo, se perguntando se teria bebido demais ou se tudo aquilo fosse um pesadelo.

Se essa última alternativa fosse verdade, Ramon saberia que tal pesadelo começou naquela noite há cinco meses. Uma noite igual essa, de lua cheia, onde ele estava bêbado e desgostoso com a vida. Mas talvez os pesadelos não sejam tão reais, onde ele possa ouvir gritos de dor vindos dos seus capangas, sentir o cheiro de pólvora dos muitos tiros que quase o deixam surdo e ainda sentir o bafo de uma fera que surge diante de seus olhos. Lupus Malvinos, em questão de segundos, se tornou uma fera canina com mais de dois metros de altura, ainda com traços humanos em seu tronco e membros, mas com um rosto totalmente animalesco. Em outras palavras, resumindo a sentença, Lupus era um lobisomem.

— Grrrrr...! — rosnou em alto som com a baba escorrendo por sua boca. — Como naquela noite...



Conclui a seguir.
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