Como Jonathan reagirá ao seu primeiro "contato imediato" com vidas alienígenas? Numa luta em meio a grandes explosões claro!
Enquanto isso na Terra Luíza e Andressa travam uma difícil conversa com o pai do rapaz e também com seu... Avô!!
Herança. Segunda parte. Aprendizado.
Por João Norberto da Silva.
Planeta Terra, Brasil, cidade de São Paulo.
No apartamento de Luiza Salles ocorria uma importante reunião, logo após ela dispensar todos os convidados da festa de aniversário que havia preparado para seu filho.
O homem, que surgiu quando Jonathan desapareceu e se apresentou como sendo o pai do rapaz, agora estava vestido com roupas normais, algumas que o filho deixara no apartamento da mãe quando se mudou, ficaram um pouco apertadas, mas pelos menos ele já não estava nu.
Os três estavam na sala, cada um sentado num dos sofás, ainda sem saber o que deveria ser dito ou feito, a situação fora tão bizarra que todos precisavam de tempo para se ajustar.
- Então... - Andressa, namorada do aniversariante, foi a primeira a quebrar o incômodo silêncio que permanecia entre eles. - O senhor é mesmo o pai do Jon?
Mais silêncio.
O olhar de ódio que Luiza lançava para o homem sentado à sua frente fez com que a garota desistisse de qualquer tentativa de começar um diálogo, por isso se surpreendeu quando a dona do apartamento finalmente falou, ainda abraçada à guitarra que o filho tinha deixado no apartamento, aparentava ter dificuldade em controlar a raiva em sua voz:
- Então... Rodrigo... O que aconteceu ao meu filho?
- Nosso filho Luiza... Eu...
- Não vem com essa de “nosso filho”! - Agora a mulher se levantava do sofá, gritando sem se preocupar se algum vizinho a ouvisse. - Você desapareceu! Deixou aquela... Aquela coisa comigo e simplesmente sumiu!!!
- Luiza... Sei que é até inútil pedir desculpas... Pedir para você se acalmar... Mas juro que agora não é hora para você ficar assim... Tenho certeza de que o garoto está bem...
- O nome dele é Jonathan! Jonathan ouviu bem?!!
- Você colocou o nome que eu tinha escolhido...
- Vai pro inferno!!!!!!!!!!!!!! - Dito isso as forças de Luiza se esgotaram e ela desabou no sofá, sendo amparada por Andressa, enquanto chorava copiosamente. - Eu quero o meu filho de volta...
- E vai ter... Mas eu preciso entender direito o que está acontecendo... Luiza... Preciso do artefato que ficou com você quando eu fui embora... - Isso fez a mulher erguer o rosto, a maquiagem borrada pelas lágrimas que ainda caíam. - Preciso falar com o meu pai.
XXX
“Morri... Morri...” A anos luz dali, num planeta ainda desconhecido por ele, Jonathan permanecia de olhos fechados e os braços cruzados diante de si, no que ele acreditava ser um gesto inútil contra o raios que haviam sido disparados contra ele.
“Na verdade...” A voz estava de volta “Você ainda está vivo, mas se não abrir os olhos não permanecerá assim muito tempo”
Primeiro Jonathan abriu vagarosamente seu olho direito, torcendo para que, ao fazer isso ele despertasse em sua cama, com Andressa ao seu lado reclamando de seus roncos, como acontecia muito desde que haviam começado a transar, mas a realidade que ele viu, ao abrir os dois olhos, era outra.
As estranhas crianças de pele roxa, bem como a adolescente que ele vira ao chegar àquele planeta, permaneciam ao seu redor e ele logo percebeu o motivo: Cobrindo todos eles brilhava o que parecia ser um campo de força, o que impedia que os raios da nave acima os atingisse.
- Meu Deus... Ainda estou aqui...
- Como assim? - O rapaz estranhava a voz da garota atrás de si, e o fato de ela ser um alienígena, não ajudava a ele pensar direito. - Você não é aliado da Tirana? Foi o que você falou e...
Ela continuou a questioná-lo, mas o rapaz já não ouvia, apenas um estrondo em sua mente ocupava sua atenção, era como se sua cabeça fosse explodir de dor.
“Acalme-se rapaz...” A voz agora soava mais desesperada “Se continuar assim pode ter um ataque ou um derrame... Aceite o que está ao seu redor...”.
- E-eu não consigo... - O corpo do jovem começava a tremer e sua indecisão estava afetando o campo de força, que parecia oscilar perigosamente. - N-não...
- Olha... Eu não estava reclamando... Mas não deixa essa nave matar as crianças, por favor... Não importa se você é aliado da tir...
- Cala a boca!!!
“Controle-se e concentre-se Jonathan! Não perca o controle agora!! Eu estou ajudando-o, mas você precisa querer que o poder funcione, senão você e todos ao seu redor irão morrer! Concentre-se!!!”
- Eu não quero morrer... - Com a cabeça baixa, o jovem encontrou os olhos de cor estranha de uma das crianças alienígenas, o desespero era palpável. - Não quero... - E o que parecia um menino o abraçou ainda mais forte.
- E-eu... - Jonathan fechou os olhos com força, tentando se concentrar em algo que pudesse ajudá-lo.
A mente do rapaz foi lançada de volta no tempo quando ele tinha apenas doze anos e estava numa maca de hospital. Ele havia quebrado o braço ao proteger uma criança, quando um pesado galho havia se soltado de uma árvore, durante uma das típicas tempestades de fim de tarde em São Paulo.
“Por que você fez isso meu filho?” Era sua mãe, que permaneceu ao lado dele todo o tempo “Por que largou da minha mão e se arriscou daquele jeito?”
“Prá proteger a menininha mamãe... Ela ia morrer... Eu não podia deixar... Não é?”
Orgulhoso, ele ouviu um dos médicos falar com sua mãe, enquanto os dois acreditavam que ele estava dormindo.
“Temos um pequeno herói aqui minha senhora...”
E na época ele dormiu com o maior sorriso que coube em sua pequena boca.
- E nem eu pequenino... - Agora ele abria novamente seus olhos, uma nova determinação parecia surgir, enquanto ele fazia um carinho na cabeça do menino alienígena. - Eu também não quero morrer.
O campo de força deixou de oscilar e eram os raios da nave que agora pareciam enfraquecidos.
- O que eu tenho que fazer? - As crianças e Thar-Tae estranharam a pergunta por desconhecer o fato de que ele não estava se dirigindo a elas. - Me fala.
“O poder do Antares te dá a capacidade de criar campos de força como este ou controlar vários tipos de energia, muitas das quais você nunca ouviu falar, podendo usá-las de forma defensiva... Ou ofensiva... Ah! E, é claro... Voar.”
- Voar? Eu posso voar?
- Hã... - Thar-Tae ficava cada vez mais apreensiva, se sobrevivesse aos ataques de seus inimigos, sobreviveria ao estranho? - Você está bem?
“Voar foi a primeira coisa que você fez, ou não se lembra de seu “passeio” pelo espaço? Tudo o que precisa é visualizar e querer realizar essas ações... Encare como se fossem ações simples, como respirar, pense e acontecerá...”
- Fácil para você falar... Muito bem... - Ele respirou fundo, ainda com dificuldades em aceitar tudo aquilo, mas se forçando, uma vez que a alternativa seria a morte. - Vamos lá.
Pouco a pouco ele sentiu seu corpo se afastando do solo, que ele percebeu estar também intacto, sendo informado que seu campo de força tinha uma forma esférica, protegendo-os por baixo também.
Logo a nave parou de disparar seus raios, enquanto os pilotos viam uma forma que começava a sair da redoma, deixando a mesma sem nenhum sinal de sua passagem.
Os pilotos viram, então, que o estranho objeto, tomando uma forma humanoide, parecia olhar atentamente para eles e só então perceberam que se tratava de alguém com as mesmas proporções de um Svitariano, o típico nativo do planeta Svitar.
- Certo... - Jonathan agora sentia sua boca se torcer em um longo sorriso, finalmente se entregando à energia que tomava seu corpo. - Agora eu vou...
- Atenção rebelde... - Uma estranha voz mecanizada vinha da nave. - Se identifique agora.
- Me identificar? - O jovem sentiu um novo ânimo tomar conta de si, era como se seus sonhos de criança acabassem de se tornar realidade. - Eu sou Antares!!!!
E ele se lançou ao ataque.
XXX
De volta ao planeta Terra, mais especificamente ao apartamento de Luiza Salles, a mesma voltava para a sala, trazendo nas mãos uma caixa que aparentava ser muito antiga.
- Você o colocou numa caixa de sapatos?
- O que você queria? Depois desse troço começar a falar de viagens espaciais e que era a sua vez de se tornar um... Como ele disse? Um herói espacial ou algo assim, eu o enfiei nessa caixa... Sei lá porque não joguei fora...
- Ainda bem que você não fez isso... Agora eu acho que teremos algumas respostas diretas.
Assim que Rodrigo abriu a caixa todos olharam, Andressa com mais surpresa do que os outros dois, para um estranho aparelho, que todos imediatamente associaram a um liquidificador, cujas cores vermelha e dourada começaram a emitir um intenso brilho, forçando todos a desviar o olhar.
- Bem... - Agora eles voltavam o rosto para o aparelho e viram uma imagem translúcida de um homem, que aparentava pouco mais de quarenta anos. - Então finalmente chegou o momento da troca... - Ele se voltou para Rodrigo. - Olá filho... Não faz tanto tempo assim não é?
- Papai... - O outro sentia algo estranho no peito, era um misto de tristeza, frustração e saudade. - Eu... Eu estava tão perto...
- Sim... Mas como eu cansei de te avisar, o desgraçado é muito esperto e poderoso... A sua batalha final calhou de acontecer justo hoje...
- Mas e Sahy? Ela estava ao meu lado quando...
- Eu quero saber do meu filho! - Finalmente Luiza saía do estado de torpor que aquela situação familiar lhe provocara, gritando contra a imagem holográfica. - Onde ele está Antônio?! Traz ele de volta!!
- Você sabe que não é possível Luiza... Aliás, se não tivesse me deixado de lado, eu poderia ter me comunicado com o Rodrigo...
- Não depois do que você me contou que ia acabar acontecendo com o Jon... Eu tentei me afastar de vocês e de toda essa loucura...
- E obteve sucesso?
A voz do holograma foi o último som a ecoar no apartamento durante longos minutos, até que o próprio se voltou para uma estupefata Andressa.
- E então você será a mãe do meu Bisneto?
- O QUÊ?!!!!!! - Depois do grito finalmente Luiza não pôde mais aguentar, se ergueu do sofá, se afastando da garota e, em seguida, desmaiou, sendo amparada por Rodrigo.
Andressa rezava em seu íntimo para que tudo aquilo fosse um sonho, do qual ela queria acordar o mais rápido possível.
XXX
“Se isso for um sonho... Não me acorda!!!”
Nos céus do planeta Svitar um animado Antares se desviava com facilidade dos disparos contínuos da nave que o perseguia, tendo se esquecido completamente dos Svitarianos que continuavam no chão, protegidos por seu campo de força.
“Continue assim garoto... Você leva jeito prá coisa...” A voz parecia soar cada vez mais humana, mas Jonathan não se permitia focar a atenção nesse detalhe, ele ainda estava deslumbrado pelo poder que sentia arder em seu interior. “Agora estenda uma das mãos contra a nave e pense em disparar um raio”.
- Como? Assim?
Logo que Antares estendeu seu braço direito, ele pôde perceber que nas costas de sua mão surgia uma pequena estrela translúcida, que começou a brilhar cada vez mais, até que uma rajada de energia foi disparada contra a nave, que escapou por pouco.
- Cacete! Eu que fiz isso e... OOOUUUCCHHHH!!!
Aproveitando momento de distração do inimigo, os pilotos da nave conseguiram acertar Antares bem no peito, jogando o mesmo contra o chão logo abaixo.
- AAAAAAAAAAAAAHHHHHH!!!!!!!!!!!! - Ele fechou os olhos, esperando se esborrachar, mas quando percebeu que seu corpo parecia ter parado de cair, ele olhou ao seu redor. - Mas o quê?
“Eu o ajudei, impedindo a sua queda, mas não poderei fazer isso sempre. Concentre-se!”
- E-eu... E o raio que me atingiu? - Jonathan passava as mãos no local atingido, percebendo que apesar da dor que sentira, não havia um único arranhão na armadura. - Não acredito.
“É preciso muito mais do que isso prá nos derrubar... Olhe! Eles estão voltando! Precisamos terminar isso logo... Antes que eles engulam o orgulho e chamem reforços...”
- Certo...
Voltando a se concentrar, Antares voou na direção da nave e dessa vez estendeu as duas mãos diante de seu corpo, mal reparando nas estrelas que surgiam, antes de disparar novas rajadas de energia conta seu oponentes.
A nave não conseguiu se esquivar e sua parte traseira explodiu, o que fez com que seus pilotos tentassem em vão recuperar o equilíbrio da mesma, percebendo que suas células de força haviam sido comprometidas.
A queda era inevitável e eles levaram suas mãos ao rosto, apenas esperando pela morte.
Foi nesse momento que sentiram a nave parar, mas não do modo explosivo que esperavam e quando tiveram coragem de baixar lentamente suas mãos, perceberam que estavam envoltos em uma luz dourada, que ia levando-os suavemente até o chão, onde chegaram e ficaram presos dentro de uma redoma de energia.
“Muito bom... Como você soube que podia fazer isso?”
- “Pense e acontecerá...” foi o que você disse... Tentei ver se era verdade mesmo...
“Muito bom mesmo... Agora precisamos pegar as crianças e sair daqui... Tenho certeza de que eles irão chamar ajuda, assim que aceitarem que você os salvou...”
Antares voltou até onde deixara Thar-Tae e seus demais protegidos e, após um momento de concentração o campo de força foi desativado.
Todos permaneceram parados por um tempo, mas logo as crianças voltaram a cercá-lo, agora todas agradecendo e querendo as atenções de seu novo herói.
A jovem Thar-Tae permanecia parada, de braços cruzados e batendo de leve um de seus pés, mostrando impaciência.
“Incrível como eles parecem tão humanos...” Jonathan tentava se adaptar àquela situação e dava graças a todos os alienígenas aos seu redor não se parecerem com as criaturas dos filmes que ele costumava assistir.
- E então? - Finalmente a jovem de pele arroxeada quebrava o silêncio. - Quem é você?
- Eu... - “Deus... Estou falando com uma alien... Deve ter um monte de cientistas que iam querer estar no meu lugar... O que eu falo?. - Hã... Pode me chamar de... - “Melhor não dar meu nome verdadeiro... Saco... Nunca me senti tão indeciso...”. - Hã... Antares...
- An... Antares? Que nome estranho...
- Não! Quer dizer... É só Antares. Isso... Antares.
- Ah... - Então ela deu um lindo e cativante sorriso e Jonathan se percebeu vendo que ela não era tão diferente de uma humana afinal. E uma bela humana. - Que bom que nós te encontramos Antares! - Ela então o tomou por um dos braços e começou a puxá-lo. - Vem... Precisamos chegar logo na base rebelde!
- Hã... Claro, por que não? - “Dá para levarmos todos numa esfera de luz?” ele pensou e depois de uma afirmativa da voz que o estava guiando, ele parou gentilmente de avançar e logo todos estavam voando. - Me indica o caminho.
“Que loucura!! Num instante estou no meu aniversário e no outro estou num planeta alien!!! Meus Deus...”
“Acostume-se meu garoto... As loucuras estão apenas começando...”
Alguns momentos depois deles terem partido, o campo de força que mantinha os pilotos presos se desfez, no exato momento em que uma nova nave, muito maior que a primeira, se aproximava deles.
Uma imensa criatura desceu, com vários guardas ao seu redor e os pilotos engoliram em seco quando reconheceram que era.
- Co-comandante Tayagon! Nós o saudamos! Vida longa à Imperatriz Quarin[!
- Calem-se... Falharam em sua missão e sabem o que vai acontecer... - Diante dessas palavras os pilotos tentaram uma fuga inútil. - Tolos...
Tayagon esticou seus dois braços e foi como se tentáculos de energia avermelhada partissem de suas mãos, agarrando os pescoços dos fugitivos, que, além do sufocamento, sentiram uma invasão em suas mentes. Enquanto imagens de sua breve batalha, contra aquele que se identificou como Antares, passavam diante de seus olhos, os dois sentiam suas vidas se esvaírem.
- Hum... - O imenso comandante largou os corpos como quem se livra do lixo. - Pelo visto terei algum desafio... Todos de volta para a nave! A imperatriz precisa ser avisada imediatamente!
XXX
- Ele venceu a primeira batalha! E com mais facilidade do que você Rodrigo... Devo salientar isso...
- Espera aí! Você está vendo o que está acontecendo com o Jonathan? - Já recuperada Luiza parou de disparar perguntas e ofensas para Andressa, sobre sua gravidez, e se voltou para o holograma de Antônio. - Onde ele está?! Como ele está?! Quero falar com ele já!
- Calma... Ele está usando seus poderes de Antares nesse exato momento... E leva um tempo até que eu, aqui da Terra, possa me comunicar com ele...
- Não me importa! Quero falar já com o meu filho!!
- Hã... Como você pode falar com ele... Se está aqui com a gente?
Andressa precisou reunir muita coragem para fazer aquela pergunta e após Luiza a fuzilar com os olhos, se amaldiçoando por não ter feito perguntado aquilo ainda, Antônio sorriu levemente, já simpatizando com a moça.
- Simples mocinha... Quem você acha que o está guiando, de dentro de sua armadura?
Continua.
Por João Norberto da Silva.
Planeta Terra, Brasil, cidade de São Paulo.
No apartamento de Luiza Salles ocorria uma importante reunião, logo após ela dispensar todos os convidados da festa de aniversário que havia preparado para seu filho.
O homem, que surgiu quando Jonathan desapareceu e se apresentou como sendo o pai do rapaz, agora estava vestido com roupas normais, algumas que o filho deixara no apartamento da mãe quando se mudou, ficaram um pouco apertadas, mas pelos menos ele já não estava nu.
Os três estavam na sala, cada um sentado num dos sofás, ainda sem saber o que deveria ser dito ou feito, a situação fora tão bizarra que todos precisavam de tempo para se ajustar.
- Então... - Andressa, namorada do aniversariante, foi a primeira a quebrar o incômodo silêncio que permanecia entre eles. - O senhor é mesmo o pai do Jon?
Mais silêncio.
O olhar de ódio que Luiza lançava para o homem sentado à sua frente fez com que a garota desistisse de qualquer tentativa de começar um diálogo, por isso se surpreendeu quando a dona do apartamento finalmente falou, ainda abraçada à guitarra que o filho tinha deixado no apartamento, aparentava ter dificuldade em controlar a raiva em sua voz:
- Então... Rodrigo... O que aconteceu ao meu filho?
- Nosso filho Luiza... Eu...
- Não vem com essa de “nosso filho”! - Agora a mulher se levantava do sofá, gritando sem se preocupar se algum vizinho a ouvisse. - Você desapareceu! Deixou aquela... Aquela coisa comigo e simplesmente sumiu!!!
- Luiza... Sei que é até inútil pedir desculpas... Pedir para você se acalmar... Mas juro que agora não é hora para você ficar assim... Tenho certeza de que o garoto está bem...
- O nome dele é Jonathan! Jonathan ouviu bem?!!
- Você colocou o nome que eu tinha escolhido...
- Vai pro inferno!!!!!!!!!!!!!! - Dito isso as forças de Luiza se esgotaram e ela desabou no sofá, sendo amparada por Andressa, enquanto chorava copiosamente. - Eu quero o meu filho de volta...
- E vai ter... Mas eu preciso entender direito o que está acontecendo... Luiza... Preciso do artefato que ficou com você quando eu fui embora... - Isso fez a mulher erguer o rosto, a maquiagem borrada pelas lágrimas que ainda caíam. - Preciso falar com o meu pai.
XXX
“Morri... Morri...” A anos luz dali, num planeta ainda desconhecido por ele, Jonathan permanecia de olhos fechados e os braços cruzados diante de si, no que ele acreditava ser um gesto inútil contra o raios que haviam sido disparados contra ele.
“Na verdade...” A voz estava de volta “Você ainda está vivo, mas se não abrir os olhos não permanecerá assim muito tempo”
Primeiro Jonathan abriu vagarosamente seu olho direito, torcendo para que, ao fazer isso ele despertasse em sua cama, com Andressa ao seu lado reclamando de seus roncos, como acontecia muito desde que haviam começado a transar, mas a realidade que ele viu, ao abrir os dois olhos, era outra.
As estranhas crianças de pele roxa, bem como a adolescente que ele vira ao chegar àquele planeta, permaneciam ao seu redor e ele logo percebeu o motivo: Cobrindo todos eles brilhava o que parecia ser um campo de força, o que impedia que os raios da nave acima os atingisse.
- Meu Deus... Ainda estou aqui...
- Como assim? - O rapaz estranhava a voz da garota atrás de si, e o fato de ela ser um alienígena, não ajudava a ele pensar direito. - Você não é aliado da Tirana? Foi o que você falou e...
Ela continuou a questioná-lo, mas o rapaz já não ouvia, apenas um estrondo em sua mente ocupava sua atenção, era como se sua cabeça fosse explodir de dor.
“Acalme-se rapaz...” A voz agora soava mais desesperada “Se continuar assim pode ter um ataque ou um derrame... Aceite o que está ao seu redor...”.
- E-eu não consigo... - O corpo do jovem começava a tremer e sua indecisão estava afetando o campo de força, que parecia oscilar perigosamente. - N-não...
- Olha... Eu não estava reclamando... Mas não deixa essa nave matar as crianças, por favor... Não importa se você é aliado da tir...
- Cala a boca!!!
“Controle-se e concentre-se Jonathan! Não perca o controle agora!! Eu estou ajudando-o, mas você precisa querer que o poder funcione, senão você e todos ao seu redor irão morrer! Concentre-se!!!”
- Eu não quero morrer... - Com a cabeça baixa, o jovem encontrou os olhos de cor estranha de uma das crianças alienígenas, o desespero era palpável. - Não quero... - E o que parecia um menino o abraçou ainda mais forte.
- E-eu... - Jonathan fechou os olhos com força, tentando se concentrar em algo que pudesse ajudá-lo.
A mente do rapaz foi lançada de volta no tempo quando ele tinha apenas doze anos e estava numa maca de hospital. Ele havia quebrado o braço ao proteger uma criança, quando um pesado galho havia se soltado de uma árvore, durante uma das típicas tempestades de fim de tarde em São Paulo.
“Por que você fez isso meu filho?” Era sua mãe, que permaneceu ao lado dele todo o tempo “Por que largou da minha mão e se arriscou daquele jeito?”
“Prá proteger a menininha mamãe... Ela ia morrer... Eu não podia deixar... Não é?”
Orgulhoso, ele ouviu um dos médicos falar com sua mãe, enquanto os dois acreditavam que ele estava dormindo.
“Temos um pequeno herói aqui minha senhora...”
E na época ele dormiu com o maior sorriso que coube em sua pequena boca.
- E nem eu pequenino... - Agora ele abria novamente seus olhos, uma nova determinação parecia surgir, enquanto ele fazia um carinho na cabeça do menino alienígena. - Eu também não quero morrer.
O campo de força deixou de oscilar e eram os raios da nave que agora pareciam enfraquecidos.
- O que eu tenho que fazer? - As crianças e Thar-Tae estranharam a pergunta por desconhecer o fato de que ele não estava se dirigindo a elas. - Me fala.
“O poder do Antares te dá a capacidade de criar campos de força como este ou controlar vários tipos de energia, muitas das quais você nunca ouviu falar, podendo usá-las de forma defensiva... Ou ofensiva... Ah! E, é claro... Voar.”
- Voar? Eu posso voar?
- Hã... - Thar-Tae ficava cada vez mais apreensiva, se sobrevivesse aos ataques de seus inimigos, sobreviveria ao estranho? - Você está bem?
“Voar foi a primeira coisa que você fez, ou não se lembra de seu “passeio” pelo espaço? Tudo o que precisa é visualizar e querer realizar essas ações... Encare como se fossem ações simples, como respirar, pense e acontecerá...”
- Fácil para você falar... Muito bem... - Ele respirou fundo, ainda com dificuldades em aceitar tudo aquilo, mas se forçando, uma vez que a alternativa seria a morte. - Vamos lá.
Pouco a pouco ele sentiu seu corpo se afastando do solo, que ele percebeu estar também intacto, sendo informado que seu campo de força tinha uma forma esférica, protegendo-os por baixo também.
Logo a nave parou de disparar seus raios, enquanto os pilotos viam uma forma que começava a sair da redoma, deixando a mesma sem nenhum sinal de sua passagem.
Os pilotos viram, então, que o estranho objeto, tomando uma forma humanoide, parecia olhar atentamente para eles e só então perceberam que se tratava de alguém com as mesmas proporções de um Svitariano, o típico nativo do planeta Svitar.
- Certo... - Jonathan agora sentia sua boca se torcer em um longo sorriso, finalmente se entregando à energia que tomava seu corpo. - Agora eu vou...
- Atenção rebelde... - Uma estranha voz mecanizada vinha da nave. - Se identifique agora.
- Me identificar? - O jovem sentiu um novo ânimo tomar conta de si, era como se seus sonhos de criança acabassem de se tornar realidade. - Eu sou Antares!!!!
E ele se lançou ao ataque.
XXX
De volta ao planeta Terra, mais especificamente ao apartamento de Luiza Salles, a mesma voltava para a sala, trazendo nas mãos uma caixa que aparentava ser muito antiga.
- Você o colocou numa caixa de sapatos?
- O que você queria? Depois desse troço começar a falar de viagens espaciais e que era a sua vez de se tornar um... Como ele disse? Um herói espacial ou algo assim, eu o enfiei nessa caixa... Sei lá porque não joguei fora...
- Ainda bem que você não fez isso... Agora eu acho que teremos algumas respostas diretas.
Assim que Rodrigo abriu a caixa todos olharam, Andressa com mais surpresa do que os outros dois, para um estranho aparelho, que todos imediatamente associaram a um liquidificador, cujas cores vermelha e dourada começaram a emitir um intenso brilho, forçando todos a desviar o olhar.
- Bem... - Agora eles voltavam o rosto para o aparelho e viram uma imagem translúcida de um homem, que aparentava pouco mais de quarenta anos. - Então finalmente chegou o momento da troca... - Ele se voltou para Rodrigo. - Olá filho... Não faz tanto tempo assim não é?
- Papai... - O outro sentia algo estranho no peito, era um misto de tristeza, frustração e saudade. - Eu... Eu estava tão perto...
- Sim... Mas como eu cansei de te avisar, o desgraçado é muito esperto e poderoso... A sua batalha final calhou de acontecer justo hoje...
- Mas e Sahy? Ela estava ao meu lado quando...
- Eu quero saber do meu filho! - Finalmente Luiza saía do estado de torpor que aquela situação familiar lhe provocara, gritando contra a imagem holográfica. - Onde ele está Antônio?! Traz ele de volta!!
- Você sabe que não é possível Luiza... Aliás, se não tivesse me deixado de lado, eu poderia ter me comunicado com o Rodrigo...
- Não depois do que você me contou que ia acabar acontecendo com o Jon... Eu tentei me afastar de vocês e de toda essa loucura...
- E obteve sucesso?
A voz do holograma foi o último som a ecoar no apartamento durante longos minutos, até que o próprio se voltou para uma estupefata Andressa.
- E então você será a mãe do meu Bisneto?
- O QUÊ?!!!!!! - Depois do grito finalmente Luiza não pôde mais aguentar, se ergueu do sofá, se afastando da garota e, em seguida, desmaiou, sendo amparada por Rodrigo.
Andressa rezava em seu íntimo para que tudo aquilo fosse um sonho, do qual ela queria acordar o mais rápido possível.
XXX
“Se isso for um sonho... Não me acorda!!!”
Nos céus do planeta Svitar um animado Antares se desviava com facilidade dos disparos contínuos da nave que o perseguia, tendo se esquecido completamente dos Svitarianos que continuavam no chão, protegidos por seu campo de força.
“Continue assim garoto... Você leva jeito prá coisa...” A voz parecia soar cada vez mais humana, mas Jonathan não se permitia focar a atenção nesse detalhe, ele ainda estava deslumbrado pelo poder que sentia arder em seu interior. “Agora estenda uma das mãos contra a nave e pense em disparar um raio”.
- Como? Assim?
Logo que Antares estendeu seu braço direito, ele pôde perceber que nas costas de sua mão surgia uma pequena estrela translúcida, que começou a brilhar cada vez mais, até que uma rajada de energia foi disparada contra a nave, que escapou por pouco.
- Cacete! Eu que fiz isso e... OOOUUUCCHHHH!!!
Aproveitando momento de distração do inimigo, os pilotos da nave conseguiram acertar Antares bem no peito, jogando o mesmo contra o chão logo abaixo.
- AAAAAAAAAAAAAHHHHHH!!!!!!!!!!!! - Ele fechou os olhos, esperando se esborrachar, mas quando percebeu que seu corpo parecia ter parado de cair, ele olhou ao seu redor. - Mas o quê?
“Eu o ajudei, impedindo a sua queda, mas não poderei fazer isso sempre. Concentre-se!”
- E-eu... E o raio que me atingiu? - Jonathan passava as mãos no local atingido, percebendo que apesar da dor que sentira, não havia um único arranhão na armadura. - Não acredito.
“É preciso muito mais do que isso prá nos derrubar... Olhe! Eles estão voltando! Precisamos terminar isso logo... Antes que eles engulam o orgulho e chamem reforços...”
- Certo...
Voltando a se concentrar, Antares voou na direção da nave e dessa vez estendeu as duas mãos diante de seu corpo, mal reparando nas estrelas que surgiam, antes de disparar novas rajadas de energia conta seu oponentes.
A nave não conseguiu se esquivar e sua parte traseira explodiu, o que fez com que seus pilotos tentassem em vão recuperar o equilíbrio da mesma, percebendo que suas células de força haviam sido comprometidas.
A queda era inevitável e eles levaram suas mãos ao rosto, apenas esperando pela morte.
Foi nesse momento que sentiram a nave parar, mas não do modo explosivo que esperavam e quando tiveram coragem de baixar lentamente suas mãos, perceberam que estavam envoltos em uma luz dourada, que ia levando-os suavemente até o chão, onde chegaram e ficaram presos dentro de uma redoma de energia.
“Muito bom... Como você soube que podia fazer isso?”
- “Pense e acontecerá...” foi o que você disse... Tentei ver se era verdade mesmo...
“Muito bom mesmo... Agora precisamos pegar as crianças e sair daqui... Tenho certeza de que eles irão chamar ajuda, assim que aceitarem que você os salvou...”
Antares voltou até onde deixara Thar-Tae e seus demais protegidos e, após um momento de concentração o campo de força foi desativado.
Todos permaneceram parados por um tempo, mas logo as crianças voltaram a cercá-lo, agora todas agradecendo e querendo as atenções de seu novo herói.
A jovem Thar-Tae permanecia parada, de braços cruzados e batendo de leve um de seus pés, mostrando impaciência.
“Incrível como eles parecem tão humanos...” Jonathan tentava se adaptar àquela situação e dava graças a todos os alienígenas aos seu redor não se parecerem com as criaturas dos filmes que ele costumava assistir.
- E então? - Finalmente a jovem de pele arroxeada quebrava o silêncio. - Quem é você?
- Eu... - “Deus... Estou falando com uma alien... Deve ter um monte de cientistas que iam querer estar no meu lugar... O que eu falo?. - Hã... Pode me chamar de... - “Melhor não dar meu nome verdadeiro... Saco... Nunca me senti tão indeciso...”. - Hã... Antares...
- An... Antares? Que nome estranho...
- Não! Quer dizer... É só Antares. Isso... Antares.
- Ah... - Então ela deu um lindo e cativante sorriso e Jonathan se percebeu vendo que ela não era tão diferente de uma humana afinal. E uma bela humana. - Que bom que nós te encontramos Antares! - Ela então o tomou por um dos braços e começou a puxá-lo. - Vem... Precisamos chegar logo na base rebelde!
- Hã... Claro, por que não? - “Dá para levarmos todos numa esfera de luz?” ele pensou e depois de uma afirmativa da voz que o estava guiando, ele parou gentilmente de avançar e logo todos estavam voando. - Me indica o caminho.
“Que loucura!! Num instante estou no meu aniversário e no outro estou num planeta alien!!! Meus Deus...”
“Acostume-se meu garoto... As loucuras estão apenas começando...”
Alguns momentos depois deles terem partido, o campo de força que mantinha os pilotos presos se desfez, no exato momento em que uma nova nave, muito maior que a primeira, se aproximava deles.
Uma imensa criatura desceu, com vários guardas ao seu redor e os pilotos engoliram em seco quando reconheceram que era.
- Co-comandante Tayagon! Nós o saudamos! Vida longa à Imperatriz Quarin[!
- Calem-se... Falharam em sua missão e sabem o que vai acontecer... - Diante dessas palavras os pilotos tentaram uma fuga inútil. - Tolos...
Tayagon esticou seus dois braços e foi como se tentáculos de energia avermelhada partissem de suas mãos, agarrando os pescoços dos fugitivos, que, além do sufocamento, sentiram uma invasão em suas mentes. Enquanto imagens de sua breve batalha, contra aquele que se identificou como Antares, passavam diante de seus olhos, os dois sentiam suas vidas se esvaírem.
- Hum... - O imenso comandante largou os corpos como quem se livra do lixo. - Pelo visto terei algum desafio... Todos de volta para a nave! A imperatriz precisa ser avisada imediatamente!
XXX
- Ele venceu a primeira batalha! E com mais facilidade do que você Rodrigo... Devo salientar isso...
- Espera aí! Você está vendo o que está acontecendo com o Jonathan? - Já recuperada Luiza parou de disparar perguntas e ofensas para Andressa, sobre sua gravidez, e se voltou para o holograma de Antônio. - Onde ele está?! Como ele está?! Quero falar com ele já!
- Calma... Ele está usando seus poderes de Antares nesse exato momento... E leva um tempo até que eu, aqui da Terra, possa me comunicar com ele...
- Não me importa! Quero falar já com o meu filho!!
- Hã... Como você pode falar com ele... Se está aqui com a gente?
Andressa precisou reunir muita coragem para fazer aquela pergunta e após Luiza a fuzilar com os olhos, se amaldiçoando por não ter feito perguntado aquilo ainda, Antônio sorriu levemente, já simpatizando com a moça.
- Simples mocinha... Quem você acha que o está guiando, de dentro de sua armadura?
Continua.
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