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Mundo Sombrio #7

MS7

Joana e Adler finalmente chegam ao tesouro da família Goldin, que é guardado por um gnomo chamado Glin. Mas o tal tesouro mostra-se ser algo inesperado para o casal, e Adler se enche ainda mais de ambição diante da magnitude do tal tesouro.



O gnomo Glin agarrava-se a perna de uma mesa subindo vagarosamente e de maneira esforçada até a parte de cima. Quando suas duas mãos se puseram sobre a parte do plano alto, seus olhos miraram num pote de geléia sobre a mesa, ocasionando um feliz sorriso em seu rosto. Ainda com a mesma face de felicidade, ele subiu ligeiramente para o topo da mesa, e correu até o pote, jogando-se em cima dele e o abraçando-o como se fosse alguém apaixonado.
- Oh, minha geleinha! Passei a manhã toda procurando por você – proferiu ele, girando a tampa em seguida, e apreciando a geléia de amora. Enfiou a mão dentro do pote e a levou a boca, deixando seus olhos girarem ao sentir o delicioso sabor dissolver sobre a língua. – Delícia! – preparou-se para pegar mais um pouco,mas foi interrompido por algo bastante incomum. Seus ouvidos aguçados movimentaram-se. Ele ouvia passos.
- Intrusos? – indagou o gnomo. Mas a desconfiança em seu rosto deu lugar a uma surpresa duvidosa. – Será que são eles? – perguntou-se, correndo rapidamente para a ponta da mesa, e iniciando uma descida através de um de seus pés. Correu levantando um pouco de terra do chão junto com um “tap-tap” produzido de forma muito rápida devido a sua velocidade. Ele se encontrava em um amplo espaço retangular dentro de uma caverna. No final de uma das paredes rochosas, havia um largo corredor à esquerda com estantes, e no final deste, um muro de madeira.
Havia uma escada de alumínio de seis degraus posicionada em frente e no centro do muro. Ele começou a subir tendo que dar um pulo de um degrau para o outro, já que o seu tamanho pequeno o atrapalhava nessa hora. Ele chegou ao último degrau, e espiou pela brecha retangular onde notou os olhos de um homem que observava algo na parte de cima do muro.
- Quem está aí? – Glin perguntou para a pessoa do outro lado, encarando-o com seus olhos azuis e desconfiados. O homem o olhou pela brecha e respondeu.
- Eu vim buscar o tesouro da família Goldin – Glin mostrou surpresa em sua face, mas que não pôde ser notada pelo homem, já que não podia vê-lo claramente. O gnomo se pendurou em uma das hastes da escada, e deslizou com ela até o chão. Exigiu de sua força para empurrar a escada para o lado direito. Em seguida, pôs-se a subir novamente e pulou em cima de uma cordinha em frente ao muro, e depois de um “trinc”, soltou-se, e caiu sobre o degrau da escada. Deslizou novamente para o chão, ao mesmo tempo em que a porta de madeira rangia, revelando o local para Adler e Joana.
Glin caminhou alguns passos para o lado e se pôs na frente deles, que estavam distraídos olhando o lugar adiante até que o gnomo falasse alguma coisa.
- Estava esperando por vocês – Ao escutarem, continuaram olhando para frente, dessa vez procurando alguém. Vendo isso, o gnomo falou novamente. – Ei, aqui embaixo! – Quando os olhares deles se puseram sobre o gnomo, os dois arregalaram os olhos, pois nunca viram um ser daquele tipo. – Olá! – Glin cumprimentou.
- O que é você? – perguntou Adler estranhando aquela criatura.
- Eu sou um gnomo. Meu nome é Glin. Prazer em conhecê-los – disse ele, sorrindo.


Capítulo 07

Chamas da ambição



Escondido e agachado atrás de uma moita, Neal espreitava a caverna em frente. Foi por ali que observou de longe o casal sumir de sua vista. Os outros guardas esperavam algum sinal, também escondidos na mata. Um deles, o que estava mais próximo de Neal, se aproximou deste.
- O que vamos fazer? Eles entraram lá, não é? – perguntou ele para Neal, que encarava a caverna. Sem olhar para o guarda ao lado, ele respondeu.
- Sim. O tesouro provavelmente está lá. Nesse caso, também temos que ir – decidiu o líder dos guardas se levantando e olhando para o companheiro em seguida. Nesse momento, os outros homens também começaram a se aproximar. Neal esperou que todos chegassem perto, e explicou o que iriam fazer. – Joana e Adler entraram naquela caverna, onde provavelmente pode estar o tesouro. Entretanto, há a possibilidade dele ter entrado ali para nos confundir, tomando um atalho para nos despistar e pensarmos que ali é mesmo o local certo. Logo, temos essas duas possibilidades, e para elas temos uma única decisão. Vamos entrar em três. Iremos averiguar o interior da caverna e confirmarmos se lá é ou não o lugar do tesouro. Depois que fizermos isso, um de nós irá voltar, e avisar aos outros três que estiverem aqui fora.
- Por que não entramos todos juntos? – replicou um guarda. Neal desviou seus olhos para a caverna e respondeu a pergunta.
- Pode ser mesmo o lugar do tesouro. Além do mais, tesouros importantes não querem ser encontrados facilmente. Sabe lá o que pode ter lá dentro!?

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- Um gnomo? – impressionou-se Adler. O mesmo valia para Joana.
- Venham! – A criatura desconhecida pelo casal começou a se afastar, e a convite deste, eles o seguiram. Mas logo depois de entrarem pela porta, Glin virou-se dando um tapa de leve na testa. – Ah, é! Você poderia fechar a porta pra mim? É que no meu caso, é um pouco complicado. – disse o pequenino para o homem gigante. Adler apenas obedeceu, mas não deixando sua ansiedade morrer enquanto fazia aquele favor. Foi logo abrindo a boca para falar.
- O tesouro dos Goldins está mesmo aqui, não está? – perguntou com aparente curiosidade, despertando a atenção de sua noiva. Apenas ela sabia o real interesse daquela pergunta.
- Sim. Eu sou o guardião deste tesouro – Glin respondeu de modo feliz, como sempre. Eles caminharam pelo corredor de volta ao recinto retangular da caverna. Glin nem percebia que era mirado seriamente pelos olhos do homem.
“Huh, esse é o tal guardião? Que patético!” pensava Adler, enquanto Glin continuava a falar guiando-os até o local adiante.
- Vocês são os primeiros que vejo depois de um bom tempo – continuou ele caminhando pelo recinto. Joana e Adler observaram ao redor. Parecia mesmo uma casa. Havia cama, armários, mesas, e várias lamparinas, que davam muita claridade ao local. O curioso era a desproporção entre o tamanho dos objetos e o tamanho do gnomo. Aquilo seria um lugar para um homem viver, e não para um ser pequeno.
Glin começou novamente a subir na mesma mesa de antes. Depois de um pouco de esforço, ele chegou na parte de cima visando seu pote de geléia.
- Já faz alguns anos desde que o velho Boris apareceu por aqui – Glin falou caminhando até o pote.
- Meu pai já veio aqui? Quando? – perguntou Joana, com um grande interesse estampado em sua face. Mas o gnomo nem deu muita atenção para isso, visto que seus olhos estavam centrados na geléia. Ainda assim, ele respondeu.
- Há seis anos – Logo em seguida, Glin mergulhou o dedo no mantimento, e o pôs na boca, deliciando-se mais uma vez com sua comida preferida. Joana continuava refletindo.
- Seis anos... O que ele veio fazer aqui nessa época?
Glin finalmente tirou seus olhos da geléia, e fitou a mulher. Dessa vez, proferiu de modo normal.
- Bem, ele queria usar o tesouro para proteger sua família de alguma ameaça.
- Proteger? – indagou Joana. Aquela resposta despertou sua curiosidade, mas não tanto quanto a de Adler, que estreitou os olhos.
- Como assim... usar o tesouro para proteger? O que é este tesouro? – ele perguntou com muito interesse.
- Vocês ainda não sabem? Pensei que o velhote lhes contaria – Glin fitou somente a mulher. – Joana, certo? – A jovem assentiu com um “sim”, e o gnomo continuou. – O que seu pai falou sobre o tesouro? Se ele contou é porque deu permissão para vê-lo. Por acaso, ele trouxe alguma comida para mim?
- Bem... – Joana sentiu-se relutante em falar, pois percebeu que Glin não sabia a verdade. Adler sorriu levemente de forma que ninguém notou. Ele então proferiu calmamente.
- O senhor Boris faleceu e... deixou o tesouro sob nossa responsabilidade.
- Faleceu? – O gnomo mostrou-se surpreso com a revelação, e em seguida, ficou cabisbaixo. – Eu já devia esperar. – disse melancolicamente virando de costas para os dois e caminhando vagarosamente pela mesa. – Eu guardei o tesouro de sua família durante três gerações. Em troca disso, eu ganharia comida a cada ano. O senhor Boris sempre me dava muitos potes de geléia de amora... – Glin esgueirou seus olhos até o pote. – Mas agora que ele se foi significa que você é a nova herdeira. – voltou-se para Joana. – Além disso, está casada. Vejo que vieram mesmo receber o tesouro.
- Sim – Adler respondeu secamente. – Onde ele está?
- Primeiro, eu preciso ver a certidão de casamento de vocês e o contrato – exigiu o gnomo, voltando ao seu tom normal.
- Contrato? – desconheceu Joana.
- Aqui está! – exclamou Adler, para a surpresa de sua noiva, que o olhava estendendo um pergaminho.
- Abra-o e me mostre! – Glin pediu. Adler obedeceu e mostrou-lhe. – Parece que é mesmo o contrato. Aquela assinatura no final com certeza é a minha. E quanto à certidão de casamento? – Um pouco impaciente, Adler também a mostrou.
- Podemos ver o tesouro agora? – perguntou o homem refletindo impaciência em suas palavras.
- Calma! Por que a pressa? – perguntou o gnomo caminhando até o pé da mesa.
Após descê-la, ele foi para um canto do recinto onde havia acima de uma mesinha, uma espécie de cofre dentro da parede. Entretanto, era bem distinto dos cofres habituais por algumas peculiaridades no lado da borda de sua abertura. Duas lâmpadas circulares de um centímetro de diâmetro sobrepostas, sendo que uma estava acesa na cor vermelha e a outra apagada na cor verde. Um pouco abaixo havia um orifício circular quase impercebível com alguns milímetros de diâmetro.
Já sobre a mesa, Glin lhe mostrou um papel sobre a mesma. Nele, continha algo escrito numa letra pequena que o casal mal teve tempo de ler, sendo interrompidos pelo pedido do gnomo.
- Assinem aqui! – pediu ele, dando-lhes uma caneta que jazia na lateral da mesa. Era um tipo de objeto que nunca viram antes. – Não se preocupem. Faz o mesmo que uma pena e uma tinta. Apenas escrevam os seus nomes. Não precisam molhá-la, pois a tinja já está inserida no tubo. – explicou vendo a confusão no olhar de ambos.
Joana foi a primeira a assinar seu nome em uma linha daquele documento, ao mesmo tempo em que estranhava o objeto em mãos. O mesmo foi para Adler. Em seguida, Glin pediu para Joana estender sua mão na mesa. Sem saber o motivo ela o fez.
Inesperadamente, o gnomo tirou uma agulha do bolso de seu robe, e furou o dedo indicador da jovem. Ela rapidamente afastou a mão ao sentir a picante dor em seu dedo, o sacudindo na mesma hora.
- Espere, eu preciso coletar o seu sangue – disse o gnomo, erguendo a mão para que ela se acalma-se.
Joana o fitou meio confusa se perguntando o porquê daquilo, mas acabou levando a mão de volta a mesa. O líquido vermelho brotava lentamente do pequeno furo feito pela agulha, a qual foi novamente molhada ao sangue, para que esta ficasse com mais líquido preso a ela. Feito isso, Glin foi em direção ao cofre, e enfiou a agulha no pequeno orifício. Em poucos instantes, a luz verde se acendeu e a vermelha se apagou seguido de um “trinc”. O cofre abriu lentamente revelando o que escondia.
Os olhares do casal bateram sobre uma pequena caixa quadrada de tom vermelho e bordas douradas. O gnomo a pegou com um pouco de esforço e a pôs sobre a mesa.
- Eu vou abri-la para vocês verem o que tem dentro – disse ele já deslocando a segunda metade da caixa para cima. Joana, bem atenta e nervosa fitava o interior da caixa que aos poucos era revelado. Adler estava quase esboçando um sorriso de tanta ansiedade que sentia. “O tesouro dos Goldins está bem na minha frente”. Pensava ele, não vendo a hora de pôr as mãos nele.

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- Tem certeza que é por aqui? – Florisval perguntou com seus olhos sobre uma mata fechada. Suas mãos estavam descansadas sobre os joelhos, e seu corpo inclinado para frente. Com sua respiração ofegante, demonstrava todo o seu cansaço após uma longa corrida a toda velocidade. Entretanto, a situação com o mago parado ao seu lado era outra. Apesar de uma respiração mais acelerada do que o normal, ele não aparentava estar tão cansado quanto o camponês. – Não acho que eles tenham entrado num lugar desses depois de percorrem toda esta estrada. – disse Florisval olhando para Melvin.
- Você não acha que um tesouro estaria escondido no meio da estrada, acha? – perguntou o mago num tom irônico. Sua fisionomia tornou-se séria, ao usar novamente a Captação Maligna. Ainda enxergava Adler como um ponto distante, mas não tanto quanto estava na cidade. – Eu posso ver! Eles estão a leste. Vamos!
- Sim – assentiu Florisval vendo o mago caminhar na frente, abrindo caminho por entre os ramos de árvores que batiam na altura do peito. Por causa da mata um pouco fechada e cheia de árvores, pedras e arbustos, eles não podiam correr no mesmo ritmo de antes, mas caminhavam da forma mais apressada possível.

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Andando sobre o solo de terra do escuro túnel onde se encontrava, Neal, acompanhado de mais dois guardas, procuravam por alguma anormalidade que denunciasse o paradeiro do casal que seguiam. Na quase completa escuridão, seus passos eram cautelosos. Suas mãos deslizavam suavemente na parede tentando encontrar algo mais distinto que uma parede rochosa irregular.
- Já andamos bastante e nem sinal deles – comentou um dos guardas.
- Talvez estejam mais ao fundo – insistiu Neal, com seus olhos mirando o fundo da caverna.
- Será que Adler não nos enganou e pegou algum atalho aqui dentro para nos despistar? – perguntou o outro guarda. O primeiro que falou anteriormente, tratou de responder.
- Mas acho que se fosse assim nós teríamos percebido alguma saída nela. Estamos andando e checando as paredes. É pouco provável que deixamos algo passar.
Os olhos de Neal se arregalaram um pouco ao notar uma leve claridade mais adiante, que vinha de uma curva à direita. Os outros dois também perceberam, e aumentaram a velocidade de seus passos para chegar até lá. Assim que os três guardas viraram a curva, se depararam com mais alguns metros da caverna, e uma coluna clara no final.
- É a saída! – exclamou um guarda, já iniciando sua corrida até ela. O outro lhe seguiu.
- Esperem! – Apesar do aviso de Neal, ambos os guardas permaneceram com sua corrida até a luz do dia. Em poucos segundos se encontraram no lado de fora. Eles piscaram várias vezes para acostumarem seus olhos com a claridade, e em seguida, os arregalaram quando notaram mais três pessoas em frente.
- Mas o que... – O guarda não entendia nada, assim como seu parceiro.
- O que está acontecendo? – perguntou o outro, fitando os outros três guardas que ficaram no lado de fora da caverna, que olhavam ansiosos para os companheiros.
- E então? Conseguiram achá-los? – perguntou um destes guardas, sem saber do motivo da surpresa dos que saíram da caverna. Estes olharam para trás, e viram apenas uma entrada para aquele lugar escuro. Neste momento, Neal saia de dentro dele.
- O que está acontecendo, Neal? – perguntou um dos guardas. – Nós entramos e saímos pelo mesmo lugar.
O líder dos guardas se aproximou dos outros, e em seguida fitou a caverna atrás dele.
- Não é uma caverna comum. Tenho quase certeza que o tesouro dos Goldins está aí dentro. Mas por algum motivo, talvez pela própria segurança do tesouro, um certo tipo de magia nos impediu de encontrá-lo. Desse jeito, também não conseguiremos achar a Joana.
- O que vamos fazer? – perguntou um dos guardas. Neal cerrou os punhos sentindo-se impotente naquela situação. Era claro seu olhar de raiva sobre a caverna.
- Nada. Apenas esperar – disse demonstrando toda a sua frustração.
- Mas a Joana não conseguirá encarar aquele homem – retrucou o outro. Neal abaixou a cabeça, provavelmente sabendo que ele tinha razão. Mas nada para mudar aquilo podia ser feito.
- Vamos confiar na Joana – ergueu a cabeça e fitou o lugar de onde acabara de sair. – Ela sairá daquela caverna com o tesouro.

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Os olhares de Joana e Adler pairavam sobre uma esfera avermelhada e reluzente, com uma letra e um número marcado em tinta branca no centro de cima dela, da posição de onde o casal a via.
- Essa é uma Esfera Volaki... – apresentou o gnomo. -... Série K04. “A pessoa que tocar uma esfera Volaki receberá o poder nela contida”. É a principal fonte de energia dos magos, mas que inicialmente encontra-se condensada dentro de uma esfera como essa. A numeração quatro indica que há o poder do elemento fogo inserida nela. Então, o tesouro consiste apenas em dar poder a pessoa herdeira, isso claro se ela quiser. – Enquanto Glin explicava sobre aquela esfera, Joana ouvia tudo atentamente e ao mesmo tempo surpresa. Nunca imaginaria que o tesouro seria algo que lhe desse poderes. Já Adler, surpreso, porém com uma felicidade transbordando em seu interior. Sua mão tremia pela ansiedade de tocar naquele item. O gnomo continuou, dessa vez dirigindo seu olhar somente a Joana. – Agora é a hora da escolha. Você decidirá entre deixar o tesouro aqui para a próxima geração ou usá-lo para você mesma. Mas devo alertar que ao tocar a Esfera Volaki, o poder que ela lhe dará será permanente. Além disso, tal poder tem um espírito aprisionado dentro dele, que dependendo do tipo de pessoa que ela pegar, esta pode ter desde uma vida tranquila controlando perfeitamente o seu poder como encontrando até a morte. Há também outros efeitos que variam bastante que nem eu mesmo sei como explicar por não ter um conhecimento tão detalhado sobre isso, mas o que quero dizer é que a utilização deste poder é um risco, e só deve ser usado se realmente for preciso. Joana, você quer este tesouro?
A jovem olhou para esfera, certa de que de modo algum tocaria nela. Entretanto, ela esgueirou-se até o noivo e notou sua mão direita tremendo. Esta lentamente começou a se erguer, e a jovem rapidamente previu que ela tocaria o objeto.
- Não! – gritou Joana, não querendo que aquilo acontecesse. Numa rápida investida, ela tentou empurrar o noivo, mas ele ergueu rapidamente sua mão direita já com o punho fechado e fazendo-o se chocar contra o rosto de Joana, acertando-a na parte esquerda. Com o choque, ela caiu para o lado. Adler a fitou com um sorriso, vendo seu rosto machucado. Ela o encarou e gritou para o gnomo.
- Glin, feche a caixa! Não o deixe pegar a esfera! – Vendo o apelo de Joana, o gnomo rapidamente olhou para Adler, e o viu dando um malicioso sorriso. Sem ter tempo de notar, e muito menos se defender, Glin levou uma soco com a parte de fora da mão do homem. Devido ao tamanho de seu corpo, ele foi totalmente atingido, como se Adler o tivesse tirado do caminho o comparando a um objeto qualquer. O corpo do gnomo arrastou-se pela mesa, e quase caiu se Glin não tivesse segurado a borda do móvel. Seu corpo ficou pendurado e ele fez força para voltar ao plano.
Adler sorriu mais ainda ao fitar a esfera. Com sua mão vibrando, ele a movimentou até o seu destino.
- Não, Adler! – gritou Joana inutilmente. Era tarde demais.
Em poucos instantes, ela viu o tesouro de seu pai se perder completamente no momento em que a superfície de vidro da esfera tocou a mão ambiciosa de seu noivo. Ele a puxou de dentro da caixa, ao mesmo tempo em que uma listra luminosa avermelhada passou por todo o diâmetro da esfera. Já com ela em mãos, Adler a viu brilhar num tom vermelho, cor que também preenchia a visão de Joana e Glin. A mesma luz que fazia a esfera brilhar começou a correr pelo braço de Adler, envolvendo-o num aspecto cintilante. O homem passou a gritar como se estivesse sentindo dor. Ele ergueu sua cabeça para o alto, enquanto a calorosa luz alcançava o seu peito e se dividia para a cabeça, o outro braço, e para baixo até os pés. Primeiro foi o braço esquerdo, depois a cabeça, e por último as pernas. A luz cintilou intensamente pelo recinto do gnomo, que junto com Joana, fechava os olhos devido ao tamanho brilho vindo de Adler.
Foi então que a luz cessou junto ao grito de Adler. Ele abaixou o seu rosto para a posição normal com seus olhos fechados, sendo visado pelos olhares impressionados de Joana e Glin. Quem o visse não notaria nenhuma diferença entre o Adler anterior e este novo. Somente o próprio sentia isso, e de uma maneira muito prazerosa.
A esfera em sua mão se quebrou em inúmeras partículas de vidro avermelhado. Adler abriu os seus olhos em meio às partículas que voavam em frente ao seu rosto, e que logo desapareçam sem mais nem menos. Ele apertou a mão direita, sentindo algo de diferente em seu corpo.
- Poder! – exclamou ele olhando para a sua mão num momento de êxtase. – Muito poder! – Em seguida soltou uma gargalhada imensamente prazerosa. Joana e Glin fitavam-no não acreditando que aquilo era verdade. Adler abriu as duas mãos e num “Hah” de sua boca, duas chamas apareceram sobre as palmas destas deixando-o deslumbrado. – Incrível! Incrível! – exclamava em meio as suas risadas. – Nenhum tesouro poderia ser melhor. – Ele fitou uma pilha de papéis numa mesinha ao lado, e ergueu sua mão esquerda em direção a ela. Enquanto a chama da mão direita se apagava, a da esquerda se alongava num jato de fogo em direção aos papéis.
Os documentos começaram a queimar para a alegria daquele que ateou fogo. Em meio as suas risadas, Joana lhe fitava com desprezo, ao mesmo tempo em que uma onda de tristeza e “missão falha” tomava conta de sua alma. As chamas dos papéis pareciam ser as mesmas que queimaram a sua casa levando seu pai de sua vida. Agora, as mesmas labaredas também diziam que ela perdera seu pai novamente. Lágrimas estavam prestes a transbordar de seus olhos marejados. Sua tristeza crescia ao ver as chamas e risadas de Adler tomando intensidade.

. . . . . . . . . .

Melvin e Florisval caminhavam apressadamente pela floresta. Entretanto, o mago parou de andar, e fixou o olhar bem mais a frente. Com sua Captação de Energia Maligna, ele enxergou dois pontos já bem próximos. Mas o que estranhou, era que dessa vez ele havia usado uma Captação Total, reunindo todos os sentimentos ruins que poderia sentir. E dentro dessa Captação, duas emanações malignas que ele podia distinguir bem.
- Ambição excessiva e ... tristeza – murmurou o mago.
- O que foi? – perguntou o camponês querendo saber o motivo do outro ter parado, e também de sua fala.
- É melhor nos apressarmos – respondeu o mago fitando Florisval preocupadamente. – Temo que algo ruim tenha ou esteja para acontecer.

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A risada gananciosa de Adler ecoava por todo o recinto cavernoso. Poder era a única palavra que passava em sua mente. Sentia-se como um Deus, um ser superior e soberano a todos os outros. Sua gargalhada explanava tal excitação por aquilo.
Joana levantou-se lentamente correndo seus olhos pelo seu noivo, que aliás, mal merecia aquele nome. Palavras como bandido, ganancioso e assassino eram o que mais combinavam com ele. Ela sentia ódio daquele homem, entretanto, o pavor veio mais forte. Isso se intensificou ainda mais quando os olhos de Adler lhe encontraram. Ele parou sua gargalhada e com um sorriso cínico no rosto, encarou a mulher.
- Está vendo Joana? Está vendo? – disse ele entusiasmado, abrindo seus braços. – Esse é o tesouro de seu pai! Um lindo tesouro! Um lindo poder! Imagine as coisas que poderei fazer com ele. Eu... Eu... posso ter tudo!
- Você está enganado – pronunciou o gnomo, que assim como Joana, encarava Adler. Apesar disso, seu rosto também aparentava um pouco de temor. – Esse poder não é para ser usado de forma insensata. O que você quer fazer é conseguir as coisas valendo-se desse seu poder. Esse Elemental que se apoderou de seu corpo não é nada mais do que uma ilusão que faz com que a pessoa se sinta soberana.
- Do que você está falando? Esse poder é real – Adler disse ainda sem desmanchar o sorriso.
- O poder é real, mas não a sensação dominadora que ele traz a mente. Você não conseguirá ir longe se pensar dessa forma.
- Olhe bem! – exclamou o homem abrindo a palma da mão, deixando um chama cintilante à mostra. – Eu não sou mais um humano comum. Nada poderá me impedir... – Adler ergueu sua mão em direção ao gnomo ainda sobre a mesa. - ...nem mesmo um rato como você. – Logo em seguida, um jato de fogo foi jorrado contra o pequeno ser, que arregalou os olhos vendo as chamas alaranjadas preencherem os seus olhos.
- Glin! – Joana gritou vendo as chamas o atingirem. Mas para a surpresa dela e de Adler, o jato de fogo passou direto pelo local onde estaria o corpo do gnomo. As chamas colidiram contra a parede e cessaram deixando uma marca escura nela.
- O que? – Adler estranhou o corpo ter desaparecido. Joana também estava confusa.
- Joana, vamos fugir daqui! – disse uma voz ao lado de quem foi chamada. Era Glin agarrando o vestido de Joana para ela fugir.
- Então você está aí! – Adler disse fitando o gnomo. – Isso é perfeito! Vou queimar os dois de uma só vez.
- Adler, não faça isso! – pediu Joana, apavorada.
- Você já não me tem mais utilidade, Joana. – O homem com as chamas nas mãos as ergueu em direção as duas pessoas apavoradas. – Morram!
Inesperadamente, as chamas jorradas por Adler colidiram com uma parede rochosa do mesmo tipo da caverna. Surpreso com aquela visão, ele cessou o ataque e analisou o comprimento dela, notando que ela se estendia por todo o lugar, como se fechasse o outro lado do recinto.
- Mas o que... – Joana e o gnomo haviam sumido para a frustração do homem que queria matá-los. – Tsic! Será algum tipo de magia daquele pequeno? – indagou. – Maldição! Tenho que acabar com eles ou me causarão problemas futuros. – Adler tocou a parede e deu algumas batidas com a mão. – Parece que é mesmo uma parede como qualquer outra. Não acho que consigo quebrá-las. Aquele gnomo maldito!
Adler virou-se visando o resto do recinto atrás dele, onde estavam os móveis e outros objetos de Glin. Ao ver aquilo, o homem esboçou um sorriso com algum intuito maléfico em mente.
Alguns minutos depois, Adler saiu pela porta do muro de madeira no corredor da caverna. Atrás dele, erguiam-se as cinzas de alguns objetos sendo queimados. O incêndio atrás dele tomava grandes proporções enquanto seus passos se afastavam daquele lugar. O que foi a casa de um gnomo, ou pelo menos parte dela, era consumida pelas chamas maléficas de Adler. Com um sorriso satisfeito, esse homem caminhava rumo à saída, preparado para a sua próxima investida contra aqueles que lhe causariam problemas.

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A audição aguçada de Neal o fez olhar para a entrada da caverna. Da escuridão à frente, alguém se aproximava.
- Vem vindo alguém! – avisou ele aos seus companheiros. Todos prestativos com o que poderia aparecer diante deles. O nome Joana era uma possibilidade para todos, mas o que viram era tudo o que não queriam.
– Adler? – disse Neal, surpreso por ver aquele homem. Mas seu tom mostrou firmeza em sua próxima pergunta – Onde está a Joana?
Adler cessou os passos na entrada da caverna, com seu corpo já sob a luz do dia.
- Quem sabe? – respondeu com um cínico sorriso.
- Maldito! O que fez com ela? – O tom de Neal demonstrava raiva. Com uma expressão oposta, Adler lhe encarava com o mesmo sorriso de sempre.
- Eu já disse. Eu não sei – Adler observou a expressão de ódio inserida nas faces daqueles homens, com exceção de um. – Se estão preocupados se eu a matei podem se acalmar. Infelizmente eu não consegui realizar algo tão fácil. Ela deve estar em algum lugar da caverna. Mas não percam seu tempo. Vocês não vão viver para vê-la de novo.
- Acha que pode nos vencer? – desafiou um dos guardas. – Nós somos seis e você apenas um. Não há como você escapar, seu maldito!
Neal retirou uma adaga da bainha presa a sua cintura. Os outros guardas repetiram o mesmo movimento que o seu líder. Todos preparados para atacar Adler Collens, que apenas suspirou e fechou os olhos. Em seguida tornou a abri-los novamente, encarando os seis oponentes à frente.
- Agora que possuo o tesouro dos Goldins, vocês não poderão me impedir – proferiu ele calmamente. Delineou um maléfico sorriso, quando em seguida, uma aura avermelhada em chamas começou a circundar o seu corpo. Os seis olharam surpresos para aquele estranho poder.
- O que... o que é isso? – perguntou Neal, pasmo com o que via. Adler soltou uma gargalhada ao sentir o poder transbordando dentro dele. Cerrou os punhos, e com um sorriso de mostrar os dentes, visou as suas vítimas.
- Vamos! – exclamou lançando uma rajada de fogo.
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