Últimas Publicações:

Ultimate UNF: Batman #1

capabtm001













Somente um homem muito determinado pode combater a maldade e a loucura que assolam as ruas de Gotham City. E este homem é BATMAN, O Cavaleiro das Trevas. Um assassinato brutal faz com que o homem-morcego tenha que expor sua presença na cidade sombria. O que ele não espera é ter que enfrentar seu pior pesadelo.

BATMAN 01 - ANOITECER



Por Alex Nery.

Batman criado por Bob Kane.

A escuridão total só é cortada pelo som ininterrupto da torneira pingando. Lenta e inexoravelmente, as gotas caem produzindo um tilintar ritmado na pia metálica. Nos primeiros instantes (ou seriam horas?) aquele som lhe dava uma sensação de alívio, pois era uma prova de que ainda estava vivo. Agora, porém, tanto tempo depois, aquilo o estava enlouquecendo.
Tentou novamente mover suas pernas e acabou apenas constatando que ainda estava amarrado, tanto pelos pés quanto na altura dos joelhos. Esticou as pernas o máximo que pôde e sentiu tocar os limites da caixa onde estava aprisionado. Tinha a sensação de que estava em um caixão.
A mordaça dificultava ainda mais respirar o ar viciado e quente. Ele se sentia nauseado e o suor escorria abundante. Tentava lembrar-se de como teria chegado ali, mas até mesmo seu nome era uma recordação difícil.
Subitamente, um ruído diferente destacou-se na escuridão. Batidas fortes, seguidas do ranger de madeira. Sentiu uma lufada de ar frio e percebeu que estava sendo erguido por mãos fortes. Seu coração acelerou. Parecia que estava sendo solto, finalmente. Esperou que alguma luz se acendesse. Mas isso não aconteceu. Teve um medo irracional de estar cego, mas em seguida concluiu que devia estar vendado.
Ele foi jogado violentamente contra o assoalho. Suas costas bateram com violência no frio piso de concreto e ele gemeu de dor. Ouviu a respiração pesada de alguém e tentou em vão falar, implorar por ajuda, chorar. Em vão. Sentiu uma ferroada no abdômen, seguida de outra e mais outra. A dor inundou seu corpo. As ferroadas estenderam-se para seus braços e pernas. Rápidas. Incisivas.
Uma luz amarelada invadiu seus olhos quando teve a venda arrancada. Tudo o que pôde ver foi a silhueta de seu assassino.
Mas o que ele levou consigo para o além foi o som daquele riso macabro.

--------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

Gordon olhou para o céu buscando uma visão mais inspiradora. E tudo o que conseguiu foi uma imagem cinzenta, que mesclava a poluição urbana com as pesadas nuvens de chuva que se aproximavam, deixando aquela manhã com um aspecto pesaroso. Praguejou para si mesmo, amaldiçoando sua profissão pela milionésima vez.
Baixou os olhos e encarou o corpo sem vida capturado pelas redes de pesca do pequeno barco que estava atracado no cais à sua frente. Mesmo os pescadores, homens brutos e acostumados com cenas de afogamento, demonstravam seu horror frente àquela carga sombria. O corpo parecia ter sido retalhado por um açougueiro. Mas não um açougueiro qualquer, e sim alguém que se preocupara em montar um verdadeiro quadro de morte, colocando as vísceras da vítima enroladas em torno do corpo.

- É um troço nojento, não é? – perguntou um homem de aparência suja que se aproximou de Gordon.
- Sim. Bem nojento – respondeu Gordon sem desviar o olhar – Quero um relatório até o fim da tarde, Bullock.
- Claro, chefe.
- Sem atrasos, entendeu?
- Quê isso, chefe? Deixa comigo – disse Bullock sorrindo.

Gordon caminhou até o seu carro e entrou no exato instante em que a chuva começava a cair.

- Ô, merda... – murmura Bullock, observando a água lavar o cadáver.

--------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

As ervas daninhas insistiam em proliferar por entre os arbustos, deformando todo o trabalho de podagem feito nos jardins. E isso era algo que realmente irritava Alfred. Com instruções precisas ele pedira ao jardineiro que resolvesse esse problema, mas vendo o resultado insatisfatório, ele chegara à conclusão de que devia despedir o homem. Desceu os degraus que o separavam do jardim e foi examinar mais de perto os arbustos, sem esconder sua expressão de desagrado. O jardineiro, que estava agachado, cuidando de um canteiro de rosas, sentiu o olhar de Alfred perfurando-o e não teve coragem de encará-lo.

- Miguel.

Ao ouvir seu nome, o jardineiro prontamente levantou-se.

- Sim, Sr. Alfred?
- Estas plantas não estão nos padrões aceitáveis.
- Ahn, bem... eu...
- Devo lhe dizer que, se pretende continuar neste ramo, deve dedicar-se com mais afinco. Aliás, já lhe pedi enfaticamente que dedicasse mais atenção às suas tarefas.
- Sim, senhor.

Miguel, um jovem latino de vinte e dois anos, não conseguia disfarçar seu constrangimento. Na verdade, mantinha a cabeça baixa, numa expressão totalmente subjugada. Alfred observou a figura franzina do rapaz e percebeu que suas mãos tremiam levemente. O mordomo suspirou profundamente.

- Veja bem, meu jovem, a minha função é fazer com que tudo nesta casa corra a contento. E a sua função é cuidar deste jardim. Estou disposto a lhe dar uma nova chance, mas que fique bem claro que esta é a última chance, compreende?

O rosto de Miguel iluminou-se.

- Sim, Sr. Alfred. Sou muito grato ao senhor por esta oportunidade. Refarei o serviço e prometo que ficará melhor.
- Não prometa nada, jovem. Apenas faça. Pode ir.

Miguel abaixou-se apanhando suas ferramentas e saiu apressado para continuar seu trabalho.

- Está amolecendo com o tempo, hein?

Alfred se volta na direção da voz do recém-chegado.

- Não entendo o que quer dizer, patrão Bruce.

Bruce Wayne aproximou-se do velho amigo e estendeu a mão para cumprimentá-lo. Alfred aperta a mão do patrão com força.

- Nos velhos tempos teria demitido o coitado.
- Ora, gostaria que o demitisse, senhor?
- Não, não. A casa é sua, Alfred. Você cuida dessas coisas.
- Na verdade, a mansão é SUA, senhor. Embora não viva mais nela.
- Ah, ela é muito... chamativa. Prefiro algo mais discreto.
- Aham, como uma caverna, suponho.
- Espirituoso como sempre, Alfred.
- De qualquer forma, sua visita é um prazer, senhor. Encontrará tudo em ordem, como sempre.
- Passei para ver como você está.
- Estou ótimo, como pode ver. Pensei que ainda estava na Grécia.
- Oficialmente ainda estou lá. Aliás, oficialmente eu nunca sairei da Grécia.
- Compreendo.
- Sim, bem... o que temos pro almoço? Estou faminto.
- Venha comigo. Tenho certeza de que algo na despensa o agradará.

Os dois velhos amigos caminham em direção à mansão.

-------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

Gordon acende a luz de sua sala. A noite começara a cair sobre a cidade, estendendo as sombras dos edifícios. O comissário joga o molho de chaves sobre a mesa e senta-se ruidosamente na velha cadeira. A mesa estava entulhada de papéis. À esquerda, uma pilha de pastas contendo fichas de criminosos, páginas e mais páginas de interrogatórios e algumas fotos apenas acumulam poeira. Gordon nem saberia dizer à quais casos aquelas pastas pertencem. Tudo o que ele sabe é que estão ali a semanas. E provavelmente vão continuar ali. Ele tem certeza de que se fosse algo importante, algum político ou figurão já teria batido na sua porta.
Era assim que as coisas funcionavam em Gotham City, conhecida como “a pior cidade da América”. Os casos criminosos se sucediam aos montes , todos os dias, a qualquer momento. Poucos policiais mal-remunerados eram apenas poucas gotas nesse mar caótico. E não seria ele, James Gordon, que iria lutar contra a natureza. Vez ou outra ele saía do escritório, como hoje pela manhã, para atender aos chamados mais bizarros, afinal estes sempre atraíam a imprensa, e atenção demais nunca é bem-vinda. Ela é ruim para os negócios. Para todos os negócios.
Bullock entrou na sala de Gordon sem bater. Era um péssimo hábito, mas o comissário não conseguia fazê-lo mudar.

- Comissa, tá aqui a ficha do cara que foi pescado hoje.

Bullock jogou a pasta amarela sobre a mesa. Gordon apanhou-a e leu com avidez.

- Hm... Um ricaço, então?
- É. Um dos figurões do mercado.
- Marcas de amarras, desnutrido, asfixiado, cortes múltiplos, estripado... Alguém quis “brincar” com ele antes de matá-lo...
- Segundo o Kirk, do IML, ele foi mantido amarrado por várias horas.
- Hm... Isso é um problema. Esse caso não vamos poder deixar passar. É um empresário, gente com dinheiro... Alguém vai reclamar.
- Isso foi serviço de doido, comissa.
- Doido ou não, temos que descobrir quem fez isso.

--------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

Brian sempre achou que a vida deveria ser mais justa. Ele nunca entendeu porque as coisas eram tão mais fáceis para alguns e tão duras para ele mesmo. Com vinte e um anos de idade, ele não conseguira completar o colegial e nem arrumar um emprego decente, por isso, agora ele corria mascarado, por uma viela suja, acompanhando seu amigo de infância, Ray, ambos carregando cerca de setecentos dólares, fruto do roubo da loja de conveniência situada três quarteirões atrás. Eles haviam estudado o local antes do ataque. Sabiam que o velho Kyung-soon não tinha segurança alguma na loja. E agora ele pagara o preço por ser tão sovina.
Seguindo o plano, os dois criminosos chegaram até o bueiro no fim da viela. Sem dificuldade, ergueram a tampa e desceram até o sistema de esgotos. Sem perder tempo correram pelos túneis em direção a uma pequena sala de manutenção abandonada, descoberta por Ray algumas semanas atrás. Acreditavam que ali seria o local perfeito para aguardar as coisas se acalmarem.
Os dois se atiram para dentro da sala, iluminada por uma antiga lâmpada fluorescente, e sentam-se no chão, ofegantes.

- Arf... conseguimos, brother! Eu te disse que era moleza! – disse Ray.
- Arf... arf... é... é... – concorda Brian.

De repente a luz se apagou. Os dois marginais seguraram suas armas com mais força.

- Que foi isso?? – perguntou Brian.
- Não sei! Acho que a merda da lâmpada queimou – respondeu Ray.
- Porra, que escuridão fodida...

O barulho de alguma coisa pesada batendo violentamente na porta assustou os dois criminosos. Instintivamente eles apontaram seus revolveres na direção da entrada.

- QUE FOI ISSO?? – gritou Brian.
- Sei lá! Manda BALA! – ordenou Ray.

Sem pensar duas vezes eles abriram fogo, estilhaçando a velha porta de madeira com os disparos. Ray gritou para cessarem fogo e se levantou rapidamente.

- CHEGA! CHEGA!

Ambos permaneceram em silêncio no escuro, tentando perceber algum movimento ou som. Nada.

- Ray, eu vou lá.
- Te dou cobertura, brother!

Brian se levantou e tateou cautelosamente até a porta. Com seus dedos ele pôde sentir a porta estilhaçada que se abrira. Vagarosamente ele pôs o corpo para fora da sala, tentando ver alguma coisa, mas no corredor a escuridão é tão profunda quanto na sala. O criminoso deu mais um passo para adiante e virou-se para o comparsa.

- Ray, não tem nada aq...

Braços fortes o agarraram, imobilizando o braço armado. Brian gritou e por reflexo tentou puxar o gatilho, mas sentiu uma dor insuportável no pulso, sendo obrigado a soltar a arma. Ray, ouvindo o grito do amigo, ergueu a arma e disparou na direção da porta. O clarão do disparo permitiu ao marginal ver Brian agarrado pelas costas por algo negro, como nos filmes de vampiro quando a vítima é imobilizada. Apavorado, ele tornou a atirar e pôde ver em flashes seu amigo ser empurrado para o lado e a coisa negra caindo sobre ele.
Então aconteceu o que Ray mais temia: Ele ficou sem balas. Na escuridão podia ouvir os gritos de Brian, verdadeiros urros de medo e dor. Ray ficou paralisado de medo. Não conseguia avançar para tentar correr. Depois de intermináveis segundos, Brian calou-se. Ray esperava que a coisa negra invadisse a sala a qualquer momento, mas nada aconteceu.
Ray aguardou por mais alguns instantes, vasculhando a escuridão atentamente. Por fim, percebeu que era correr ou morrer. Decidiu avançar devagar, na esperança de não atrair a atenção indesejada. Deu dois passos em direção à porta, arrastando-se próximo à parede lateral. Agarrou a abertura, sentindo os contornos da fechadura destruída pelos tiros.
Algo perfurou sua mão. Imediatamente ele largou o revolver e gritou. Tentou uma corrida louca pela porta a fora, mas tropeçou em algo e caiu no esgoto, bebendo a água pútrida. Virou-se e chutou o objeto pesado em que tropeçara e constatou que ele não era tão rígido. Quase instantaneamente percebeu que era o corpo de Brian.
Algo imenso saltou por cima dele. Uma mão forte atingiu-lhe o rosto, afogando-o novamente no esgoto. Ele não conseguia se levantar, a coisa negra estava sobre ele. Começou a afogar-se, mas foi puxado pela camisa com violência. Socos rápidos atingiam seu rosto e ele sentiu o gosto do próprio sangue. Quase perdendo a consciência, ouviu a coisa rosnar.
- Acabou.
A escuridão da inconsciência recebeu Ray de braços abertos.
A sombra negra ergueu-se sobre o criminoso. Seus contornos eram indistintos ali naquela escuridão total, porém, nada mais era do que um homem. Um homem com determinação de ferro. Aquele que em breve a cidade conheceria como BATMAN.
O vigilante agarrou os dois marginais e os arrastou até a entrada de acesso aos esgotos. Tratou de amarrá-los à própria escada situada abaixo da entrada. Já saindo do bueiro, recebeu uma chamada privativa através de um pequeno comunicador.

- Sou eu – disse a voz inconfundível de Alfred, do outro lado da linha.
- Que houve?- perguntou o homem-morcego.
- Lucius Fox foi assassinado.

Continua...
Compartilhe este artigo: :

Postar um comentário

 
Support : Creating Website | Johny Template | Mas Template
Copyright © 2013. UNF - Todos os direitos reservados.
Template Created by Creating Website Published by Mas Template
Proudly powered by Blogger