Conheça o Cavaleiro da Lua 2099 em sua primeira e fatídica missão de vingança contra os responsáveis pela morte de toda a sua raça: Os Inumanos.
Uma batalha de vida e morte na Colônia Lunar, criada para humilhar os humanos.
Uma batalha de vida e morte na Colônia Lunar, criada para humilhar os humanos.
O passado distante.
Em 2012 a humanidade quase foi extinta, devido a um grande cataclisma mundial que foi impedido somente quando todos os superseres do planeta, heróis e vilões, uniram forças diante de uma ameaça que não podiam enfrentar sozinhos.
O que poderia ter sido o início de uma nova era de paz logo se tornou o pior pesadelo da humanidade.
Skrulls, Shiar’s, Krees, Espectros, Ninhada, Falange e Badoons.
Uma coalizão dessas raças invadiu o planeta e em pouco mais de um ano a humanidade foi derrotada.
Na sequencia uma grande colonização teve início, com cada raça recebendo uma área do planeta para controlar conforme sua vontade.
Tem sido assim a quase cem anos.
Um dos primeiros passos tomados pela coalizão alienígena, que conquistou o planeta Terra, foi vencer e eliminar possíveis aliados dos terráqueos.
Essa decisão varreu todo o universo, causando muita dor e destruição.
Algumas semanas antes do ataque principal, a primeira batalha não se deu no planeta alvo, mas em seu satélite natural.
A Lua e seus habitantes, desconhecidos até então pela maioria dos humanos, foram a verdadeira primeira baixa da invasão.
Os Inumanos eram um grupo composto por terráqueos que sofreram uma aceleração evolutiva por parte dos Krees, quando estes ainda estavam em guerra com os Skrulls, mas que foram abandonados à própria sorte sem um motivo aparente.
Sem encontrar um lugar seguro na Terra, Raio Negro, o rei dos Inumanos antes da conquista alienígena, reuniu seu povo e, usando de uma tecnologia avançadíssima, levou toda a Grande Attilan para a Lua, criando um espaço que alguns viriam a chamar de Área Azul.
Nesse local o oxigênio e a atmosfera seriam iguais aos da Terra, mas, principalmente visando não chamar a atenção dos gananciosos terráqueos, a Área Azul estava propositalmente “instalada” numa das faces da Lua que raramente era vista da Terra.
Quando a Coalizão chegou, os Krees ordenaram a rendição imediata dos Inumanos, o que os forçariam a entrar imediatamente para as fileiras dos conquistadores.
Algumas horas e debates acalorados depois Raio Negro enviou a resposta dos Inumanos na forma de um ataque em massa contra os agora declarados inimigos.
A batalha não durou nem uma hora e logo a Área Azul e Attilan jaziam completamente destruídas.
Ignorando se haveriam sobreviventes, a armada seguiu caminho rumo à Terra e só voltariam à Lua anos depois, quando começaram a construção de um antigo sonho terrestre, que agora seria um símbolo da força da Coalizão.
Uma cidade Lunar.
Batizada de Nova Attilan, a base só receberia membros da Coalizão, sendo terminantemente proibida a entrada de humanos, mais uma tentativa de humilhação, pois as estrelas haviam sido completamente negadas aos terrestres.
O presente.
Quase cem anos se passaram e Nova Attilan brilhava como uma jóia, o imenso domo protetor, criado para emular a antiga Área Azul, podia ser visto da Terra, enquanto as ruínas da antiga Attilan eram considerados um local proibido.
Recentemente algumas equipes de arqueólogos e cientistas receberam permissão para vascular o que restara da antiga cidadela, em busca da verdade sobre a criação dos Inumanos.
Muitos membros dessas equipes de exploração jamais retornaram e aqueles que voltaram relatavam, em estado febril, a existência de um espírito, alguns, menos dados a rompantes religiosos, classificaram como uma criatura, que atacou e exterminou quase todos que lá estiveram, permitindo que um ou outro vivesse, para levar uma mensagem para o conselho regente da Nova Attilan:
“Vão embora Usurpadores e Assassinos, ou sintam a justa vingança do Cavaleiro da Lua.”
Em 2012 a humanidade quase foi extinta, devido a um grande cataclisma mundial que foi impedido somente quando todos os superseres do planeta, heróis e vilões, uniram forças diante de uma ameaça que não podiam enfrentar sozinhos.
O que poderia ter sido o início de uma nova era de paz logo se tornou o pior pesadelo da humanidade.
Skrulls, Shiar’s, Krees, Espectros, Ninhada, Falange e Badoons.
Uma coalizão dessas raças invadiu o planeta e em pouco mais de um ano a humanidade foi derrotada.
Na sequencia uma grande colonização teve início, com cada raça recebendo uma área do planeta para controlar conforme sua vontade.
Tem sido assim a quase cem anos.
Um dos primeiros passos tomados pela coalizão alienígena, que conquistou o planeta Terra, foi vencer e eliminar possíveis aliados dos terráqueos.
Essa decisão varreu todo o universo, causando muita dor e destruição.
Algumas semanas antes do ataque principal, a primeira batalha não se deu no planeta alvo, mas em seu satélite natural.
A Lua e seus habitantes, desconhecidos até então pela maioria dos humanos, foram a verdadeira primeira baixa da invasão.
Os Inumanos eram um grupo composto por terráqueos que sofreram uma aceleração evolutiva por parte dos Krees, quando estes ainda estavam em guerra com os Skrulls, mas que foram abandonados à própria sorte sem um motivo aparente.
Sem encontrar um lugar seguro na Terra, Raio Negro, o rei dos Inumanos antes da conquista alienígena, reuniu seu povo e, usando de uma tecnologia avançadíssima, levou toda a Grande Attilan para a Lua, criando um espaço que alguns viriam a chamar de Área Azul.
Nesse local o oxigênio e a atmosfera seriam iguais aos da Terra, mas, principalmente visando não chamar a atenção dos gananciosos terráqueos, a Área Azul estava propositalmente “instalada” numa das faces da Lua que raramente era vista da Terra.
Quando a Coalizão chegou, os Krees ordenaram a rendição imediata dos Inumanos, o que os forçariam a entrar imediatamente para as fileiras dos conquistadores.
Algumas horas e debates acalorados depois Raio Negro enviou a resposta dos Inumanos na forma de um ataque em massa contra os agora declarados inimigos.
A batalha não durou nem uma hora e logo a Área Azul e Attilan jaziam completamente destruídas.
Ignorando se haveriam sobreviventes, a armada seguiu caminho rumo à Terra e só voltariam à Lua anos depois, quando começaram a construção de um antigo sonho terrestre, que agora seria um símbolo da força da Coalizão.
Uma cidade Lunar.
Batizada de Nova Attilan, a base só receberia membros da Coalizão, sendo terminantemente proibida a entrada de humanos, mais uma tentativa de humilhação, pois as estrelas haviam sido completamente negadas aos terrestres.
O presente.
Quase cem anos se passaram e Nova Attilan brilhava como uma jóia, o imenso domo protetor, criado para emular a antiga Área Azul, podia ser visto da Terra, enquanto as ruínas da antiga Attilan eram considerados um local proibido.
Recentemente algumas equipes de arqueólogos e cientistas receberam permissão para vascular o que restara da antiga cidadela, em busca da verdade sobre a criação dos Inumanos.
Muitos membros dessas equipes de exploração jamais retornaram e aqueles que voltaram relatavam, em estado febril, a existência de um espírito, alguns, menos dados a rompantes religiosos, classificaram como uma criatura, que atacou e exterminou quase todos que lá estiveram, permitindo que um ou outro vivesse, para levar uma mensagem para o conselho regente da Nova Attilan:
“Vão embora Usurpadores e Assassinos, ou sintam a justa vingança do Cavaleiro da Lua.”
Justa Retribuição.
Por João Norberto da Silva.
- Juro que não sei por que aceitei esse negócio... Se tivesse ficado no meu planeta natal não estaria nesse buraco... Junto com... Alguém como você... Um... Como os humanos chamam mesmo? Ah! Sim... Um sapão...
- Ah, cala a boca seu azulão idiota... Agora precisamos é pensar num jeito de sair daqui... Isso sim... Os alarmes de evacuação continuam tocando...
Um skrull, chamado Kr’ool e um kree, conhecido como Rar-Een caminhavam juntos por um extenso corredor parcialmente destruído, enquanto trocavam insultos. A mais de cem anos atrás eles estariam tentando se matar, mas isso era passado, agora a coalizão havia mudado as relações entre os dois povos.
Infelizmente séculos anteriores e repletos de ódio racial não sumiam tão fácil.
- Acho que estou ouvindo sons por esse lado...
- Claro... Pelo menos essas orelhonas pontudas servem para algo não é?
- Cala boca azulão... Você vem ou não?
O receio de ficar sozinho foi mais forte e então Rar-Een acompanhou, ainda que relutantemente, Kr’ool enquanto esse entrava por uma esquina do corredor em que eles estavam.
Os dois caminharam mais alguns metros até que os sons à frente foram ficando mais e mais altos e davam a impressão de ser não uma equipe de resgate, mas um combate violento.
- Pau... – O skrull arregalava os olhos para a cena que ele viu. - O que é isso?
- Você e essas gírias humanas... – Rar-Een demorou a se juntar ao companheiro, mas logo ficou também boquiaberto. – Pau...
A última visão dos dois foi a de uma rajada de energia vindo da direção deles, o que os levou a abraçar um ao outro e tentar fazer uma última prece a seus deuses.
Em seguida tudo ficou escuro.
XXX
O passado recente.
Nova Attilan era, segundo as propagandas, um oásis repleto de chances para quem fosse destemido e não perdia oportunidades raras.
Claro que nenhuma propaganda deixava claro que apenas as castas da realeza, a minoria absoluta, tinha as melhores oportunidades, enquanto os demais teriam que se submeter aos piores serviços se não quisessem morrer de fome.
Ainda assim a cidade cresceu e também cresceram os problemas de se manter sob o mesmo domo um número tão grande de raças variadas, afinal, na Terra, cada continente os mantinham afastados uns dos outros, mas em Nova Attilan, muitas vezes, a separação era apenas uma fina parede.
Os prédios, torres e demais construções e monumentos criavam uma colcha de retalhos, como se uma raça disputasse sempre com outra por mais espaço. E essa disputa, muitas vezes, não se resumia a arquitetura, ou mesmo terminava sem mortes.
Desse modo o conselho regente, onde cada raça mantinha um representante, criou a Milícia Lunar, onde estariam os mais fortes e aptos membros de cada raça para que a paz fosse mantida.
Não era raro que duplas de milicianos de raças diferentes, em meio à patrulha de uma área da cidade, acabassem por se envolver em algum tipo de conflito, muitas vezes acabando por enfrentar um ao outro.
A solução foi simples.
Cada dupla recebia um bio-implante que explodiria caso um colega erguesse a mão contra o outro. Até mesmo os escorregadios skrulls não conseguiam se livrar do dispositivo.
Apenas os monótonos membros da Falange eram poupados, uma vez que poucos haviam sido enviados a Nova Attilan, como sinal de cortesia para com os demais líderes da Terra, sendo que eram os únicos também a não ter um representante no conselho lunar.
Com o tempo, e a rigorosa vigília da milícia, os problemas enfrentados na cidade não passavam de brigas comuns entres seres de espécies diferentes e uma ou outra tentativa de rebelião, normalmente efetuada pelas castas inferiores. Tudo era rapidamente controlado.
Por isso os últimos acontecimentos estavam sendo uma dor de cabeça para os regentes.
- Arrrgghhh!!! – R’dru, o representante Skrull e primo distante do Imperador Dorreck era o líder do conselho daquela gestão. – Não agüento mais! Quem é esse maldito afinal?
Ao redor de uma mesa oval estavam os demais regentes, todos tentando encontrar uma saída para a crise atual.
Os ataques do homem que se apresentava como Cavaleiro da Lua.
- Algumas pesquisas histórias afirmam que houve um, eles chamavam de herói, com esse nome na época da colonização. – Uma mulher com clara descendência Shiar lia as informações que surgiam no que eles chamam de tábua de memória, um aparelho que se assemelhava aos antigos notebooks humanos. – Mas os registros históricos da inforrede são pouco confiáveis e cheios de lacunas...
- Obrigado lady Ashira... Mais alguém tem alguma ideia?
- Os atentados desse terrorista não estão afetando tanto assim Nova Attilan... – Uma criatura amorfa, coberta por farrapos dava sua opinião enquanto comia algo que tinha um aspecto tão horrível quanto ele. – Acho que deveríamos desviar as atenções do público para outra coisa qualquer... Tudo o que esse terrorista quer é ter o que os humanos chamam de “quinze minutos de fama”...
- Uma ideia típica dos Espectros, Loryen...
- Então o que o senhor, Chefe Aluri-Rell, grande representante kree sugere que façamos?
- Ora!!! Chega de discussões inúteis!!! – Um imenso réptil humanóide de quatro braços se erguia e socava a mesa de reuniões, causando algumas pequenas fissuras. – Vamos simplesmente caçá-lo como o animal que é e encerrar esse problema de uma vez.
- A solução Baddon de sempre não é? – Uma das criaturas da Ninhada acabava de arrancar o último pedaço do que parecia ter sido um dia um corpo humano. – Se fosse por vocês nós teríamos destruído a Terra de uma vez, ao invés de colonizá-la...
- Ora seu...
- Silêncio!!! – Era Aluri-Rell quem tentava chamar a atenção dos demais de volta para o problema mais imediato. – Apesar de parecer radical demais, a idéia de Ragnadoor não é de toda ruim. Pode ser a solução, caso o que eu planejei não der certo.
- E o que seria senhor Kree? – O desprezo na voz de R’dru era óbvio a todos. – O que irá resolver essa dor de cabeça que temos em mãos?
- Capitão Mar-Vell.
Um longo minuto de silêncio caiu na sala e, começando pelo representante Espectro, todos logo estavam gargalhando.
- Por favor... Fale sério Aluri-Rell... O Capitão Mar-Vell? A grande vergonha dos Krees? O desertor que tentou defender a Terra durante nossa chegada? Pensei que toda a família tinha sido exterminada.
- Nós também pensamos, mas descobrimos um ramo que permaneceu escondido na Terra, que parece ter... – O kree demorou, pensando bem como seria a reação dos demais á sua próxima informação. – Se mesclado com uma família humana.
Nova onda de gargalhadas.
- Incrível... - R’dru limpava as lágrimas que caiam pelo seu rosto, tentando retomar o autocontrole. – Você realmente acha que um bastado híbrido conseguirá fazer o que nenhum dos nossos oficiais conseguiu?
- Ele não é um híbrido comum... Ele consegue...
Uma explosão foi ouvida, fazendo toda a sala de reunião tremer e forçando os regentes a correrem até uma janela próxima.
- Onde foi? Alguém está vendo?
- Ali!!! Naquela região!!! Que idiota... Se ele queria mesmo acabar conosco deveria ter destruído nosso prédio!
- Idiota... Todos os Espectros são uns idiotas mesmo...
- Ora seu lagarto gigante...
- O Badoon está correto... O alvo foi bem planejado... Era ali que estava nossa torre de comunicações... Agora não podemos pedir ajuda da Terra...
Todos os presentes pegaram imediatamente seus comunicadores, percebendo a verdade nas palavras de Aluri-Rell, mas não puderem fazer nada, pois logo a sala estremecia por causa de uma nova explosão.
- E agora o desgraçado destruiu o espaço-porto... Estamos realmente presos aqui... Aonde vocês vão?
- Se acha que confiamos no seu Capitão Mar-Vell, Aluri-Rell, você está louco... Vamos todos para nossas naves particulares... Assim que pudermos estaremos saindo desse inferno de lugar.
- E quando aos cidadãos?
- Que vão para o inferno...
Depois da frase do Espectro, o comandante Aluri-Rell, se viu sozinho e, sem outra escolha, antecipando os movimentos de seu inimigo, resolveu sentar-se calmamente eu sua poltrona, enquanto novas explosões podiam ser ouvidas ao longe.
No topo de um dos edifícios centrais de Nova Attilan, o responsável pelo caos que se instalou na cidade, observava sua obra.
Se a máscara do Cavaleiro da Lua não cobrisse seu rosto inteiro seria possível ver que ele estava sorrindo, enquanto via um kree e um skrull correndo pelas ruas e acabando por entrar por um buraco que levaria para o subsolo do prédio.
“Vocês não poderiam ter escolhido lugar pior para se esconder...” foi o que ele pensou e enquanto esperava pelo seu perseguidor, o Cavaleiro se permitiu fechar brevemente os olhos, relembrando como tudo chegou até aquele momento.
As primeiras lembranças daquele que viria a se tornar o Cavaleiro da Lua de 2099 eram as do som das explosões que viriam a acabar com a Attilan original.
Seus pais, o rei Raio Negro e a rainha Medusa, lideravam as forças dos Inumanos na batalha desigual contra centenas de naves da coalizão alienígena, enquanto ele, com apenas três anos, era levado por sua tia, Cristalys, até uma profunda câmara subterrânea.
Ela o beijou na fronte e o colocou dentro de um imenso tubo de metal. A última imagem que ele viu foi a de sua tia se afastando com os olhos cheios de lágrimas.
Depois apenas escuridão.
Mas mesmo na escuridão tanto a mente quanto o corpo do último dos Inumanos crescia.
Os aparelhos fizeram o corpo e poderes dele se desenvolverem até o ápice, usando as misteriosas névoas terrígena e, por volta dos trinta anos humanos, ele entrou numa espécie de sono criogênico, que o manteria assim até que chegasse o momento dele despertar.
Já sua mente foi inundada pelos conhecimentos históricos dos humanos e inumanos enquanto recebia informações atualizadas da ocupação alienígena.
Em sua mente o inumano recebia conhecimentos táticos de guerra e guerrilha, bem como tudo o que seria necessário para sua missão de vingança, passado até por um tipo de treino virtual, comandado por cópias mentais dos maiores e melhores guerreiros de todos os tempos.
Ele permaneceu nesse sono de preparação por quase cem anos.
Nova Attilan tinha uma regra que estava quase que acima de todas as demais: Jamais, jamais se aproximar dos destroços da antiga cidade dos Inumanos, mas nos últimos anos equipes de arqueólogos haviam recebido permissão para vascular as ruínas em busca de algo que pudesse ser útil ou de valor.
Foi o maior erro da atual equipe de regentes.
Um Espectro havia se afastado da equipe alfa, sentindo uma fonte de energia desconhecida, que ele acreditou poder se tratar de magia, uma tipo de energia que a alguns anos se encontrava em declínio, quase que extinta.
O que a tornava uma prioridade para uma raça como a dos Espectros.
Ele seguiu por corredores estreitos, muitos dos quais já soterrados por verdadeiros paredões de desmoronamento, causados na época da dominação da Terra, conseguindo passar pelos mesmos por conta de sua capacidade de mudar de forma.
Logo ele estava abrindo os portões da câmara real, que ele identificou assim por causa dos brasões da família dos governantes da Attilan original.
Ele caminhou pelo interior da câmara e se deparou com o corpo adormecido do último dos Inumanos, mas por achar logicamente este deveria estar morto, o Espectro continuou a procurar pela fonte do poder místico que havia detectado e, ao se aproximar do tubo de estase, recebeu um potente soco que o lançou ao chão.
Ainda zonzo por causa do golpe, o Espectro viu espantado o ser, que ele julgou estar morto, abrindo o que restava do vidro do tubo e caminhar lentamente até ele, que tentou inutilmente fugir, sendo logo agarrado pelas suas roupas.
O recém-desperto era forte demais e, numa tentativa desesperada, o Espectro assumiu a forma de um monstro ainda mais horrendo que ele próprio, mas de nada adiantou, pois, antes mesmo de ele perceber, seu peito estava atravessado pelo braço do outro.
Os colegas do espectro, assim que finalmente haviam dado pela falta do mesmo chegaram à câmara e tiveram um fim parecido com o dele, sendo que apenas uma garota kree foi poupada, para levar o aviso aos moradores de Nova Attilan de que o fim estava próximo.
Nas semanas seguintes o inumano se preparou para sua missão de vingança, escolhendo se vestir de modo a lembrar um dos antigos super-heróis que ele havia conhecido através de seu aprendizado virtual.
Ele vestiu uma moderna armadura toda branca, uma máscara negra coberta por um capuz, que terminava numa longa capa rasgada, ambos brancos, o que aumentava a imagem fantasmagórica dele. No peito a imagem de uma lua e como arma ele escolheu uma foice, cuja lâmina era esculpida com base em desenhos dos antigos deuses egípcios terrestres.
Assim nascia o Cavaleiro da Lua de 2099.
Com a ajuda do computador da câmara real, o Cavaleiro se atualizou sobre a Nova Attilan e preparou um plano para levar sua justa vingança contra os descendentes daqueles que destruíram seu povo.
Enquanto ele fazia seus preparativos, outras equipes de exploração foram até as ruínas, agora escoltadas por membros da milícia, mas nenhuma foi páreo para ele, que apenas algumas vezes permitiu que algum sobrevivente retornasse, levando novas ameaças até o conselho regente.
Quando finalmente tudo ficou pronto o Cavaleiro saiu do local onde havia permanecido quase cem anos e rumou até Nova Attilan, mas não sem deixar uma lembrancinha para trás.
Uma última equipe que chegou até a câmara foi surpreendida por uma gravação final do Cavaleiro da Lua, que se despediu em grande estilo.
“O tempo dos avisos terminou. Saibam que em breve todos em Nova Attilan os encontrarão no inferno para onde vocês vão primeiro.”
A explosão que destruiu a Câmara Real dos Inumanos pôde ser sentida em nova Attilan e foi o marco inicial dos atos terroristas daquele que rapidamente se tornou o inimigo público número um da colônia lunar.
O Cavaleiro da Lua parecia conhecer a cidade melhor que os próprios moradores, escolhendo vários pontos importantes para destruir, mas em todos esses ataques o objetivo realmente parecia apenas causar pânico e desordem.
A grande verdade é que ele queria apenas desviar os olhares para seu verdadeiro objetivo.
O único que havia conseguido entender e seguir os passos do Cavaleiro foi aquele que motivou as risadas dos regentes.
O Capitão Mar-Vell conseguiu penetrar na mente do terrorista e conseguiu até frustrar alguns dos atentados, mas apenas os menos importantes, como o Cavaleiro costumava dizer para si mesmo.
Ainda assim, na véspera de ter seus planos finalmente concretizados, o Capitão Mar-Vell empreendeu uma incrível caçada por toda Nova Attilan, dando apenas alguns instantes para que sua presa recuperasse o fôlego.
Assim que voltou a abrir os olhos, deixando as lembranças para trás, o Cavaleiro da Lua respirou fundo, se apoiando em sua arma e mexendo o ombro ferido, sentindo uma pontada terrível de dor.
Ele focou sua atenção na torre sede dos regentes e percebeu algumas naves que deixavam o local rapidamente.
Mais uma vez ele sorriu por sob a máscara.
“Tão previsíveis”, ele pensou para, em seguida, tocar levemente um botão oculto sob a sua manopla esquerda.
As naves explodiram de modo que seria impossível haver sobreviventes e as bolas incandescentes de metal derretido caíram no solo, aumentando ainda mais a destruição e o caos.
- Então... – Uma voz já conhecida e quase odiada resoou às suas costas. – Imagino que aqueles eram os covardes dos regentes... Não acho que foi uma grande perda afinal. Talvez agora o honrado comandante Aluri-Rell, que eu duvido que tenha tentado fugir, possa tomar o controle de Nova Attilan...
O Capitão Mar-Vell flutuava a alguns metros de distância do Cavaleiro da Lua. Sua armadura vermelha, dourada e azul, reluzia debaixo das lâmpadas do salão onde ele se encontrava.
- Já disse antes Capitão... – O inumano se voltava para o perseguidor e caminhava devagar, deixando claro como estava ferido. – Não chame essa ofensa de Attilan... A verdadeira Attilan...
- Foi destruída no passado e blá-blá-blá... Você repetiu isso mais de mil vezes e eu já não me importei desde a primeira... Você vai se entregar ou teremos de fazer isso do meio mais difícil?
A resposta se deu da única maneira possível.
O Cavaleiro da Lua saltou cobrindo os poucos metros que o separavam do Capitão Mar-Vell e usando o cabo de sua foice contra o pescoço do kree mantendo este imobilizado contra o chão do salão.
- Vo-você... - O Capitão segurava o cabo da foice com as duas mãos, tentando erguer seu oponente. - Acha que pode... Me manter assim?
- Não preciso... - A voz do Cavaleiro mais de perto era distorcida, parecendo eletrônica, mas Mar-Vell não teve tempo de assimilar esse detalhe.
Uma série de pequenas explosões aconteceu ao redor dos combatentes, formando um círculo de rachaduras que aumentaram com um estalo, causando em seguida um enorme buraco, pelo qual os dois caíram no andar seguinte.
- Cof,cof... - O Capitão Mar-Vell se ergueu primeiro, procurando seu inimigo em meio à poeira que ainda estava no ar. - Vai precisar mais que isso para me deter e...
Assim que ele viu o Cavaleiro da Lua, percebeu muito tarde que o mesmo levava uma das mãos à sua manopla, apertando um botão e repetindo a sequencia de explosões do andar de cima, causando um novo buraco e fazendo os dois caírem mais uma vez.
A cena se repetiu por vários andares, sem que o Capitão Mar-Vell tivesse tempo para se recuperar e logo os dois estavam no subsolo do prédio.
Assim que a poeira começara a baixar, o kree teve de se desviar de um ataque do Cavaleiro, mas não sem antes receber um corte no peito, sendo obrigado a saltar para aumentar a distância entre os dois.
O último dos inumanos tinha de que movimentar rápido para escapar das rajadas de energia do outro, que acabaram por atingir Rar-Een e Kr’ool.
- Eu disse que vocês não podiam ter escolhido um lugar pior para se esconder. - O Cavaleiro se distraiu por um breve momento, relembrando quando viu a dupla que entrara a poucos minutos no prédio, à procura de abrigo. - Pelo menos foram mortes rápidas e... AAARRRGGGHHH!!!!
Uma rajada de energia o atingiu em cheio pelas costas, lançando-o violentamente contra alguns entulhos para, logo em seguida cair pesado no chão.
Sua visão estava turva quando ele viu a silhueta de seu oponente se aproximando e tentou ganhar tempo.
- Cof... O... O Capitão Mar-Vell original teria vergonha de você...
- Você não sabe nada de vergonha seu terrorista nojento... - A provocação pareceu encontrar terreno fértil. – A vergonha de ter um antepassado traidor perseguiu minha família por gerações... Ainda mais por termos herdado essa cor de pele... Quando finalmente atingi a patente de capitão, sob as ordens do comandante Aluri-Rell e ele me falou das oportunidades de um recomeço aqui na Lua eu abracei a chance sem pensar... Agora, graças às suas ações tenho certeza de que teremos a chance de transformar Nova Attilan num lugar livre de outras raças... Um lugar puro...
- E-eu já disse... - O Cavaleiro se erguia com dificuldade, seu manto escondendo a maior parte do corpo. - Não chame esse lugar... De Attilan!!!!!!!!!!
Sem aviso algum o inumano lançou um dardo em forma de lua contra seu inimigo, atingindo-o de raspão no rosto, fazendo com que o mesmo não conseguisse ver direito por causa do sangue que espirrara sobre seus olhos.
- Seu desgraçado!!! - O tempo que Mar-Vell levou para erguer as mãos, tentando desobstruir a visão, foi o suficiente para que o Cavaleiro cobrisse a distância que os separava, atingindo-o no peito com sua foice, pega no caminho. - AAAEEERRRGHHH!!!
O Capitão Mar-Vell caiu aos pés do Cavaleiro e este se afastou alguns passos, dando as costas para o inimigo caído e finalmente retirou sua máscara, revelando que sua boca era coberta pelo que parecia uma mordaça eletrônica, o motivo pelo qual sua voz soava estranha.
Ele olhou para uma de suas manoplas e confirmou num pequeno mapa holográfico que estava no centro exato de Nova Attilan e, em seguida, ergueu a cabeça, abrindo lentamente sua boca.
Enquanto isso o Capitão Mar-Vell se esforçava para se levantar e retirar a foice do peito, sem fazer algum barulho que alertasse seu oponente.
- Pai... Mãe... - O Cavaleiro da Lua começava a sussurrar e o ar ao seu redor, como se em resposta, ficava distorcido. Quando o Capitão Mar-Vell o alcançou, se jogando e agarrando o inumano pela cintura, este terminou de falar. - Sou Blackagar Amaquelin Boltagon... E eu os amo e honro...
Uma esfera de energia, criada pelo verdadeiro poder do Cavaleiro da Lua, herdado de seu pai, formou uma esfera ao redor dos combatentes e então começou a se expandir, destruindo tudo ao seu redor.
As ruas foram destroçadas, os prédios iam explodindo dos andares inferiores até as coberturas, em breve atingiria o domo de proteção da cidade.
Da sala de reuniões o comandante Aluri-Rell, o último regente que ainda estava vivo, acompanhou, com lágrimas nos olhos, o fim de Nova Attilan, pelo menos até que a onda de destruição atingisse o local onde ele estava.
Nem o domo foi páreo para a energia liberada pelo último dos inumanos. A destruição pôde ser vista da Terra, mas as equipes de salvamento chegariam obviamente tarde demais.
O Cavaleiro da Lua recolocou a mordaça e sua máscara, enquanto mantinha o rosto erguido e via os destroços voltando. Logo ele e o Capitão Mar-Vell, que foi mantido a salvo por estar segurando o inimigo e agora permanecia desacordado, seriam esmagados, terminando assim a missão de vingança de uma raça extinta.
De repente o Cavaleiro sentiu uma mão tocar seu ombro e se sobressaltou, se preparando para um novo combate, mas não foi isso que aconteceu.
- Quem é você? O que faz aqui?
- Quem sou eu não importa no momento jovem Boltagon... - O misterioso recém-chegado se abaixou, colocando o Capitão Mar-Vell sobre um dos ombros. - Mas vocês dois não devem morrer aqui... A verdadeira batalha, contra o verdadeiro inimigo, ainda está por começar...
- Eu... - Antes que o Cavaleiro pudesse protestar, o estranho esticou sua mão livre e tocou no ombro do outro.
Os três desapareceram no exato instante em que centenas de milhares de toneladas ocupavam o local onde eles estavam, terminando por encerrar a existência de Nova Attilan.
Muito longe dali, nas profundezas do espaço, uma voz impossivelmente ecoou, refletindo o mal absoluto em suas palavras:
- Seus esforços de nada adiantam velho amigo... O fim é iminente...
E o silêncio voltou a reinar.
Fim.
- Ah, cala a boca seu azulão idiota... Agora precisamos é pensar num jeito de sair daqui... Isso sim... Os alarmes de evacuação continuam tocando...
Um skrull, chamado Kr’ool e um kree, conhecido como Rar-Een caminhavam juntos por um extenso corredor parcialmente destruído, enquanto trocavam insultos. A mais de cem anos atrás eles estariam tentando se matar, mas isso era passado, agora a coalizão havia mudado as relações entre os dois povos.
Infelizmente séculos anteriores e repletos de ódio racial não sumiam tão fácil.
- Acho que estou ouvindo sons por esse lado...
- Claro... Pelo menos essas orelhonas pontudas servem para algo não é?
- Cala boca azulão... Você vem ou não?
O receio de ficar sozinho foi mais forte e então Rar-Een acompanhou, ainda que relutantemente, Kr’ool enquanto esse entrava por uma esquina do corredor em que eles estavam.
Os dois caminharam mais alguns metros até que os sons à frente foram ficando mais e mais altos e davam a impressão de ser não uma equipe de resgate, mas um combate violento.
- Pau... – O skrull arregalava os olhos para a cena que ele viu. - O que é isso?
- Você e essas gírias humanas... – Rar-Een demorou a se juntar ao companheiro, mas logo ficou também boquiaberto. – Pau...
A última visão dos dois foi a de uma rajada de energia vindo da direção deles, o que os levou a abraçar um ao outro e tentar fazer uma última prece a seus deuses.
Em seguida tudo ficou escuro.
XXX
O passado recente.
Nova Attilan era, segundo as propagandas, um oásis repleto de chances para quem fosse destemido e não perdia oportunidades raras.
Claro que nenhuma propaganda deixava claro que apenas as castas da realeza, a minoria absoluta, tinha as melhores oportunidades, enquanto os demais teriam que se submeter aos piores serviços se não quisessem morrer de fome.
Ainda assim a cidade cresceu e também cresceram os problemas de se manter sob o mesmo domo um número tão grande de raças variadas, afinal, na Terra, cada continente os mantinham afastados uns dos outros, mas em Nova Attilan, muitas vezes, a separação era apenas uma fina parede.
Os prédios, torres e demais construções e monumentos criavam uma colcha de retalhos, como se uma raça disputasse sempre com outra por mais espaço. E essa disputa, muitas vezes, não se resumia a arquitetura, ou mesmo terminava sem mortes.
Desse modo o conselho regente, onde cada raça mantinha um representante, criou a Milícia Lunar, onde estariam os mais fortes e aptos membros de cada raça para que a paz fosse mantida.
Não era raro que duplas de milicianos de raças diferentes, em meio à patrulha de uma área da cidade, acabassem por se envolver em algum tipo de conflito, muitas vezes acabando por enfrentar um ao outro.
A solução foi simples.
Cada dupla recebia um bio-implante que explodiria caso um colega erguesse a mão contra o outro. Até mesmo os escorregadios skrulls não conseguiam se livrar do dispositivo.
Apenas os monótonos membros da Falange eram poupados, uma vez que poucos haviam sido enviados a Nova Attilan, como sinal de cortesia para com os demais líderes da Terra, sendo que eram os únicos também a não ter um representante no conselho lunar.
Com o tempo, e a rigorosa vigília da milícia, os problemas enfrentados na cidade não passavam de brigas comuns entres seres de espécies diferentes e uma ou outra tentativa de rebelião, normalmente efetuada pelas castas inferiores. Tudo era rapidamente controlado.
Por isso os últimos acontecimentos estavam sendo uma dor de cabeça para os regentes.
- Arrrgghhh!!! – R’dru, o representante Skrull e primo distante do Imperador Dorreck era o líder do conselho daquela gestão. – Não agüento mais! Quem é esse maldito afinal?
Ao redor de uma mesa oval estavam os demais regentes, todos tentando encontrar uma saída para a crise atual.
Os ataques do homem que se apresentava como Cavaleiro da Lua.
- Algumas pesquisas histórias afirmam que houve um, eles chamavam de herói, com esse nome na época da colonização. – Uma mulher com clara descendência Shiar lia as informações que surgiam no que eles chamam de tábua de memória, um aparelho que se assemelhava aos antigos notebooks humanos. – Mas os registros históricos da inforrede são pouco confiáveis e cheios de lacunas...
- Obrigado lady Ashira... Mais alguém tem alguma ideia?
- Os atentados desse terrorista não estão afetando tanto assim Nova Attilan... – Uma criatura amorfa, coberta por farrapos dava sua opinião enquanto comia algo que tinha um aspecto tão horrível quanto ele. – Acho que deveríamos desviar as atenções do público para outra coisa qualquer... Tudo o que esse terrorista quer é ter o que os humanos chamam de “quinze minutos de fama”...
- Uma ideia típica dos Espectros, Loryen...
- Então o que o senhor, Chefe Aluri-Rell, grande representante kree sugere que façamos?
- Ora!!! Chega de discussões inúteis!!! – Um imenso réptil humanóide de quatro braços se erguia e socava a mesa de reuniões, causando algumas pequenas fissuras. – Vamos simplesmente caçá-lo como o animal que é e encerrar esse problema de uma vez.
- A solução Baddon de sempre não é? – Uma das criaturas da Ninhada acabava de arrancar o último pedaço do que parecia ter sido um dia um corpo humano. – Se fosse por vocês nós teríamos destruído a Terra de uma vez, ao invés de colonizá-la...
- Ora seu...
- Silêncio!!! – Era Aluri-Rell quem tentava chamar a atenção dos demais de volta para o problema mais imediato. – Apesar de parecer radical demais, a idéia de Ragnadoor não é de toda ruim. Pode ser a solução, caso o que eu planejei não der certo.
- E o que seria senhor Kree? – O desprezo na voz de R’dru era óbvio a todos. – O que irá resolver essa dor de cabeça que temos em mãos?
- Capitão Mar-Vell.
Um longo minuto de silêncio caiu na sala e, começando pelo representante Espectro, todos logo estavam gargalhando.
- Por favor... Fale sério Aluri-Rell... O Capitão Mar-Vell? A grande vergonha dos Krees? O desertor que tentou defender a Terra durante nossa chegada? Pensei que toda a família tinha sido exterminada.
- Nós também pensamos, mas descobrimos um ramo que permaneceu escondido na Terra, que parece ter... – O kree demorou, pensando bem como seria a reação dos demais á sua próxima informação. – Se mesclado com uma família humana.
Nova onda de gargalhadas.
- Incrível... - R’dru limpava as lágrimas que caiam pelo seu rosto, tentando retomar o autocontrole. – Você realmente acha que um bastado híbrido conseguirá fazer o que nenhum dos nossos oficiais conseguiu?
- Ele não é um híbrido comum... Ele consegue...
Uma explosão foi ouvida, fazendo toda a sala de reunião tremer e forçando os regentes a correrem até uma janela próxima.
- Onde foi? Alguém está vendo?
- Ali!!! Naquela região!!! Que idiota... Se ele queria mesmo acabar conosco deveria ter destruído nosso prédio!
- Idiota... Todos os Espectros são uns idiotas mesmo...
- Ora seu lagarto gigante...
- O Badoon está correto... O alvo foi bem planejado... Era ali que estava nossa torre de comunicações... Agora não podemos pedir ajuda da Terra...
Todos os presentes pegaram imediatamente seus comunicadores, percebendo a verdade nas palavras de Aluri-Rell, mas não puderem fazer nada, pois logo a sala estremecia por causa de uma nova explosão.
- E agora o desgraçado destruiu o espaço-porto... Estamos realmente presos aqui... Aonde vocês vão?
- Se acha que confiamos no seu Capitão Mar-Vell, Aluri-Rell, você está louco... Vamos todos para nossas naves particulares... Assim que pudermos estaremos saindo desse inferno de lugar.
- E quando aos cidadãos?
- Que vão para o inferno...
Depois da frase do Espectro, o comandante Aluri-Rell, se viu sozinho e, sem outra escolha, antecipando os movimentos de seu inimigo, resolveu sentar-se calmamente eu sua poltrona, enquanto novas explosões podiam ser ouvidas ao longe.
No topo de um dos edifícios centrais de Nova Attilan, o responsável pelo caos que se instalou na cidade, observava sua obra.
Se a máscara do Cavaleiro da Lua não cobrisse seu rosto inteiro seria possível ver que ele estava sorrindo, enquanto via um kree e um skrull correndo pelas ruas e acabando por entrar por um buraco que levaria para o subsolo do prédio.
“Vocês não poderiam ter escolhido lugar pior para se esconder...” foi o que ele pensou e enquanto esperava pelo seu perseguidor, o Cavaleiro se permitiu fechar brevemente os olhos, relembrando como tudo chegou até aquele momento.
As primeiras lembranças daquele que viria a se tornar o Cavaleiro da Lua de 2099 eram as do som das explosões que viriam a acabar com a Attilan original.
Seus pais, o rei Raio Negro e a rainha Medusa, lideravam as forças dos Inumanos na batalha desigual contra centenas de naves da coalizão alienígena, enquanto ele, com apenas três anos, era levado por sua tia, Cristalys, até uma profunda câmara subterrânea.
Ela o beijou na fronte e o colocou dentro de um imenso tubo de metal. A última imagem que ele viu foi a de sua tia se afastando com os olhos cheios de lágrimas.
Depois apenas escuridão.
Mas mesmo na escuridão tanto a mente quanto o corpo do último dos Inumanos crescia.
Os aparelhos fizeram o corpo e poderes dele se desenvolverem até o ápice, usando as misteriosas névoas terrígena e, por volta dos trinta anos humanos, ele entrou numa espécie de sono criogênico, que o manteria assim até que chegasse o momento dele despertar.
Já sua mente foi inundada pelos conhecimentos históricos dos humanos e inumanos enquanto recebia informações atualizadas da ocupação alienígena.
Em sua mente o inumano recebia conhecimentos táticos de guerra e guerrilha, bem como tudo o que seria necessário para sua missão de vingança, passado até por um tipo de treino virtual, comandado por cópias mentais dos maiores e melhores guerreiros de todos os tempos.
Ele permaneceu nesse sono de preparação por quase cem anos.
Nova Attilan tinha uma regra que estava quase que acima de todas as demais: Jamais, jamais se aproximar dos destroços da antiga cidade dos Inumanos, mas nos últimos anos equipes de arqueólogos haviam recebido permissão para vascular as ruínas em busca de algo que pudesse ser útil ou de valor.
Foi o maior erro da atual equipe de regentes.
Um Espectro havia se afastado da equipe alfa, sentindo uma fonte de energia desconhecida, que ele acreditou poder se tratar de magia, uma tipo de energia que a alguns anos se encontrava em declínio, quase que extinta.
O que a tornava uma prioridade para uma raça como a dos Espectros.
Ele seguiu por corredores estreitos, muitos dos quais já soterrados por verdadeiros paredões de desmoronamento, causados na época da dominação da Terra, conseguindo passar pelos mesmos por conta de sua capacidade de mudar de forma.
Logo ele estava abrindo os portões da câmara real, que ele identificou assim por causa dos brasões da família dos governantes da Attilan original.
Ele caminhou pelo interior da câmara e se deparou com o corpo adormecido do último dos Inumanos, mas por achar logicamente este deveria estar morto, o Espectro continuou a procurar pela fonte do poder místico que havia detectado e, ao se aproximar do tubo de estase, recebeu um potente soco que o lançou ao chão.
Ainda zonzo por causa do golpe, o Espectro viu espantado o ser, que ele julgou estar morto, abrindo o que restava do vidro do tubo e caminhar lentamente até ele, que tentou inutilmente fugir, sendo logo agarrado pelas suas roupas.
O recém-desperto era forte demais e, numa tentativa desesperada, o Espectro assumiu a forma de um monstro ainda mais horrendo que ele próprio, mas de nada adiantou, pois, antes mesmo de ele perceber, seu peito estava atravessado pelo braço do outro.
Os colegas do espectro, assim que finalmente haviam dado pela falta do mesmo chegaram à câmara e tiveram um fim parecido com o dele, sendo que apenas uma garota kree foi poupada, para levar o aviso aos moradores de Nova Attilan de que o fim estava próximo.
Nas semanas seguintes o inumano se preparou para sua missão de vingança, escolhendo se vestir de modo a lembrar um dos antigos super-heróis que ele havia conhecido através de seu aprendizado virtual.
Ele vestiu uma moderna armadura toda branca, uma máscara negra coberta por um capuz, que terminava numa longa capa rasgada, ambos brancos, o que aumentava a imagem fantasmagórica dele. No peito a imagem de uma lua e como arma ele escolheu uma foice, cuja lâmina era esculpida com base em desenhos dos antigos deuses egípcios terrestres.
Assim nascia o Cavaleiro da Lua de 2099.
Com a ajuda do computador da câmara real, o Cavaleiro se atualizou sobre a Nova Attilan e preparou um plano para levar sua justa vingança contra os descendentes daqueles que destruíram seu povo.
Enquanto ele fazia seus preparativos, outras equipes de exploração foram até as ruínas, agora escoltadas por membros da milícia, mas nenhuma foi páreo para ele, que apenas algumas vezes permitiu que algum sobrevivente retornasse, levando novas ameaças até o conselho regente.
Quando finalmente tudo ficou pronto o Cavaleiro saiu do local onde havia permanecido quase cem anos e rumou até Nova Attilan, mas não sem deixar uma lembrancinha para trás.
Uma última equipe que chegou até a câmara foi surpreendida por uma gravação final do Cavaleiro da Lua, que se despediu em grande estilo.
“O tempo dos avisos terminou. Saibam que em breve todos em Nova Attilan os encontrarão no inferno para onde vocês vão primeiro.”
A explosão que destruiu a Câmara Real dos Inumanos pôde ser sentida em nova Attilan e foi o marco inicial dos atos terroristas daquele que rapidamente se tornou o inimigo público número um da colônia lunar.
O Cavaleiro da Lua parecia conhecer a cidade melhor que os próprios moradores, escolhendo vários pontos importantes para destruir, mas em todos esses ataques o objetivo realmente parecia apenas causar pânico e desordem.
A grande verdade é que ele queria apenas desviar os olhares para seu verdadeiro objetivo.
O único que havia conseguido entender e seguir os passos do Cavaleiro foi aquele que motivou as risadas dos regentes.
O Capitão Mar-Vell conseguiu penetrar na mente do terrorista e conseguiu até frustrar alguns dos atentados, mas apenas os menos importantes, como o Cavaleiro costumava dizer para si mesmo.
Ainda assim, na véspera de ter seus planos finalmente concretizados, o Capitão Mar-Vell empreendeu uma incrível caçada por toda Nova Attilan, dando apenas alguns instantes para que sua presa recuperasse o fôlego.
Assim que voltou a abrir os olhos, deixando as lembranças para trás, o Cavaleiro da Lua respirou fundo, se apoiando em sua arma e mexendo o ombro ferido, sentindo uma pontada terrível de dor.
Ele focou sua atenção na torre sede dos regentes e percebeu algumas naves que deixavam o local rapidamente.
Mais uma vez ele sorriu por sob a máscara.
“Tão previsíveis”, ele pensou para, em seguida, tocar levemente um botão oculto sob a sua manopla esquerda.
As naves explodiram de modo que seria impossível haver sobreviventes e as bolas incandescentes de metal derretido caíram no solo, aumentando ainda mais a destruição e o caos.
- Então... – Uma voz já conhecida e quase odiada resoou às suas costas. – Imagino que aqueles eram os covardes dos regentes... Não acho que foi uma grande perda afinal. Talvez agora o honrado comandante Aluri-Rell, que eu duvido que tenha tentado fugir, possa tomar o controle de Nova Attilan...
O Capitão Mar-Vell flutuava a alguns metros de distância do Cavaleiro da Lua. Sua armadura vermelha, dourada e azul, reluzia debaixo das lâmpadas do salão onde ele se encontrava.
- Já disse antes Capitão... – O inumano se voltava para o perseguidor e caminhava devagar, deixando claro como estava ferido. – Não chame essa ofensa de Attilan... A verdadeira Attilan...
- Foi destruída no passado e blá-blá-blá... Você repetiu isso mais de mil vezes e eu já não me importei desde a primeira... Você vai se entregar ou teremos de fazer isso do meio mais difícil?
A resposta se deu da única maneira possível.
O Cavaleiro da Lua saltou cobrindo os poucos metros que o separavam do Capitão Mar-Vell e usando o cabo de sua foice contra o pescoço do kree mantendo este imobilizado contra o chão do salão.
- Vo-você... - O Capitão segurava o cabo da foice com as duas mãos, tentando erguer seu oponente. - Acha que pode... Me manter assim?
- Não preciso... - A voz do Cavaleiro mais de perto era distorcida, parecendo eletrônica, mas Mar-Vell não teve tempo de assimilar esse detalhe.
Uma série de pequenas explosões aconteceu ao redor dos combatentes, formando um círculo de rachaduras que aumentaram com um estalo, causando em seguida um enorme buraco, pelo qual os dois caíram no andar seguinte.
- Cof,cof... - O Capitão Mar-Vell se ergueu primeiro, procurando seu inimigo em meio à poeira que ainda estava no ar. - Vai precisar mais que isso para me deter e...
Assim que ele viu o Cavaleiro da Lua, percebeu muito tarde que o mesmo levava uma das mãos à sua manopla, apertando um botão e repetindo a sequencia de explosões do andar de cima, causando um novo buraco e fazendo os dois caírem mais uma vez.
A cena se repetiu por vários andares, sem que o Capitão Mar-Vell tivesse tempo para se recuperar e logo os dois estavam no subsolo do prédio.
Assim que a poeira começara a baixar, o kree teve de se desviar de um ataque do Cavaleiro, mas não sem antes receber um corte no peito, sendo obrigado a saltar para aumentar a distância entre os dois.
O último dos inumanos tinha de que movimentar rápido para escapar das rajadas de energia do outro, que acabaram por atingir Rar-Een e Kr’ool.
- Eu disse que vocês não podiam ter escolhido um lugar pior para se esconder. - O Cavaleiro se distraiu por um breve momento, relembrando quando viu a dupla que entrara a poucos minutos no prédio, à procura de abrigo. - Pelo menos foram mortes rápidas e... AAARRRGGGHHH!!!!
Uma rajada de energia o atingiu em cheio pelas costas, lançando-o violentamente contra alguns entulhos para, logo em seguida cair pesado no chão.
Sua visão estava turva quando ele viu a silhueta de seu oponente se aproximando e tentou ganhar tempo.
- Cof... O... O Capitão Mar-Vell original teria vergonha de você...
- Você não sabe nada de vergonha seu terrorista nojento... - A provocação pareceu encontrar terreno fértil. – A vergonha de ter um antepassado traidor perseguiu minha família por gerações... Ainda mais por termos herdado essa cor de pele... Quando finalmente atingi a patente de capitão, sob as ordens do comandante Aluri-Rell e ele me falou das oportunidades de um recomeço aqui na Lua eu abracei a chance sem pensar... Agora, graças às suas ações tenho certeza de que teremos a chance de transformar Nova Attilan num lugar livre de outras raças... Um lugar puro...
- E-eu já disse... - O Cavaleiro se erguia com dificuldade, seu manto escondendo a maior parte do corpo. - Não chame esse lugar... De Attilan!!!!!!!!!!
Sem aviso algum o inumano lançou um dardo em forma de lua contra seu inimigo, atingindo-o de raspão no rosto, fazendo com que o mesmo não conseguisse ver direito por causa do sangue que espirrara sobre seus olhos.
- Seu desgraçado!!! - O tempo que Mar-Vell levou para erguer as mãos, tentando desobstruir a visão, foi o suficiente para que o Cavaleiro cobrisse a distância que os separava, atingindo-o no peito com sua foice, pega no caminho. - AAAEEERRRGHHH!!!
O Capitão Mar-Vell caiu aos pés do Cavaleiro e este se afastou alguns passos, dando as costas para o inimigo caído e finalmente retirou sua máscara, revelando que sua boca era coberta pelo que parecia uma mordaça eletrônica, o motivo pelo qual sua voz soava estranha.
Ele olhou para uma de suas manoplas e confirmou num pequeno mapa holográfico que estava no centro exato de Nova Attilan e, em seguida, ergueu a cabeça, abrindo lentamente sua boca.
Enquanto isso o Capitão Mar-Vell se esforçava para se levantar e retirar a foice do peito, sem fazer algum barulho que alertasse seu oponente.
- Pai... Mãe... - O Cavaleiro da Lua começava a sussurrar e o ar ao seu redor, como se em resposta, ficava distorcido. Quando o Capitão Mar-Vell o alcançou, se jogando e agarrando o inumano pela cintura, este terminou de falar. - Sou Blackagar Amaquelin Boltagon... E eu os amo e honro...
Uma esfera de energia, criada pelo verdadeiro poder do Cavaleiro da Lua, herdado de seu pai, formou uma esfera ao redor dos combatentes e então começou a se expandir, destruindo tudo ao seu redor.
As ruas foram destroçadas, os prédios iam explodindo dos andares inferiores até as coberturas, em breve atingiria o domo de proteção da cidade.
Da sala de reuniões o comandante Aluri-Rell, o último regente que ainda estava vivo, acompanhou, com lágrimas nos olhos, o fim de Nova Attilan, pelo menos até que a onda de destruição atingisse o local onde ele estava.
Nem o domo foi páreo para a energia liberada pelo último dos inumanos. A destruição pôde ser vista da Terra, mas as equipes de salvamento chegariam obviamente tarde demais.
O Cavaleiro da Lua recolocou a mordaça e sua máscara, enquanto mantinha o rosto erguido e via os destroços voltando. Logo ele e o Capitão Mar-Vell, que foi mantido a salvo por estar segurando o inimigo e agora permanecia desacordado, seriam esmagados, terminando assim a missão de vingança de uma raça extinta.
De repente o Cavaleiro sentiu uma mão tocar seu ombro e se sobressaltou, se preparando para um novo combate, mas não foi isso que aconteceu.
- Quem é você? O que faz aqui?
- Quem sou eu não importa no momento jovem Boltagon... - O misterioso recém-chegado se abaixou, colocando o Capitão Mar-Vell sobre um dos ombros. - Mas vocês dois não devem morrer aqui... A verdadeira batalha, contra o verdadeiro inimigo, ainda está por começar...
- Eu... - Antes que o Cavaleiro pudesse protestar, o estranho esticou sua mão livre e tocou no ombro do outro.
Os três desapareceram no exato instante em que centenas de milhares de toneladas ocupavam o local onde eles estavam, terminando por encerrar a existência de Nova Attilan.
Muito longe dali, nas profundezas do espaço, uma voz impossivelmente ecoou, refletindo o mal absoluto em suas palavras:
- Seus esforços de nada adiantam velho amigo... O fim é iminente...
E o silêncio voltou a reinar.
Fim.
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