Em uma terra desconhecida, Roy Harper se vê sozinho e obrigado lidar com situações que testarão todos os seus limites. Em meio ao tumulto, ele pensa em rever um tio desaparecido a muito tempo.
Altas doses de adrenalina esperam por você no próximo capítulo de Ulimate UNF: Titãs!!
Titãs #5
Rosas e Espinhos - Parte 1
Por Black Raven
Eu não conheci meus pais. Não do jeito que devia ser. Minha mãe morreu muito cedo, eu era muito pequeno, e tenho poucas recordações sobre ela. Meu pai, ao que eu sei, é um ricaço aventureiro, que não queria saber de nada sério. Na verdade, não sei nem se ele ainda é vivo. Só sei que os dois se conheceram na época da faculdade. Fui criado pelo tio Harper, numa base militar. Na verdade, aquilo era tudo que um menino queria da vida. Crescer rodeado de aeronaves, armas e um monte de coisas bacanas. Meu tio era uma espécie de soldado de elite, e estava sempre em missões pela agência. Eu adorava esperá-lo voltar de suas viagens. Ele sempre me trazia algo, nem que fosse apenas uma boa história pra contar. Nossa vida era até divertida.
Ele não gostava muito que eu ficasse xeretando pela base, mas a curiosidade era maior do que o medo. Lembro quando as coisas começaram a dar errado. Quando a agência foi absorvida por uma organização maior, o Projeto Cadmus, meu tio passou a questionar o teor de algumas missões. Durante uma delas, ele percebeu o quanto estavam errados. Ele me contou tudo que aconteceu nessa missão. Era algo sobre um alien que eles tinha ido capturar em algum lugar do Kansas. Foi a primeira vez que ouvi o tio contar que levou uma surra. Só sei que ele teve uma briga com a Waller, aquela vaca gorda. Depois disso, ele andou sumido por uns tempos, enfrentando missões cada vez mais casca-grossas. Parecia até que eles não queriam que meu tio Harper voltasse vivo. Até que um dia ele realmente não voltou. Fiquei sozinho de novo.
Mas meu tio Harper era um herói. Por isso eu admiro ele. Tento ser como ele. Tento ser melhor que ele. Ele me inspirou a ser o homem que eu me tornei hoje, e sou o único humano normal numa equipe de meta-humanos. E quer saber mais? Eu sou o líder. Quando um dia eu alcançar meu objetivo, finalmente vou poder encontrar meu tio. E vou encontrá-lo.
E o estranho e´ que agora sou eu que estou sendo mandado em missões suicidas. Talvez não querem que eu volte vivo também...
Qurac
“Minha pele está suada como nunca.... Cara, esse Ravan luta muito... Roy, concentre-se, ou você vai pagar mico na frente da gata da Jade..Estou aqui a dois meses, e tudo que eu estava fazendo ate´ agora era me drogar e brigar... até aquele dia no bar, onde a conheci...”
- Pow!!! - Um estrondo, e Roy Harper ganha o chão após um poderoso chute de Ravan.
- Argh... pegou pesado, hein, Ravan...?
- Pare de choramingar, Willians... aqui os treinos são pesados...mas você está indo muito bem, ainda nem pensou em desistir, certo?
- Ah, claro que não... ainda...eheheheheeh....
A nova identidade de Roy Willians que a agência me deu foi o suficiente para despistar suspeitas de quem sou, embora ainda seja uma identidade americana. Ganhei a confiança de Ravan e consegui me infiltrar no grupo terrorista.
“Jade esta´me olhando na arquibancada do ginásio...meu Deus, que vergonha...”
Com uma bolsa de gelo no rosto, aquele a quem chamam de Willians caminha na direção da jovem morena que sorri para ele da arquibancada.
- Vem, Jade! Vamos mostrar pro Roy como é que se faz!
Do alto da arquibancada, a garota de olhos felinos e verdes salta, caindo em posição de ataque bem á frente de Ravan.
- Então vamos lá, Ravan... está pronto?
- Sempre pronto, querida.
Num instante, Ravan salta em direção á garota, que se esquiva, golpeando Ravan pelas costas com um chute. O rapaz cai, e num movimento rotativo, ele já está novamente em forma para contra-atacar.
Lá de cima, um atrapalhado Roy Willians observa minuciosamente os movimentos dos lutadores, prestando atenção em cada detalhe.
- Nossa, esses caras são rápidos... Jade... ela é linda... linda demais...
Willians de repente é surpreendido pela chegada de mais capangas de Rustam, o homem que ele veio eliminar.
- Ravan! Venha até nós, por favor.
Ravan e Jade param a luta no ato, e Ravan sobe para falar com os homens.
- Ravan, acha sensato adimitirem esse americano como pupilo?
- Olha, desde que o garoto salvou a Jade aquele dia no bar... bem , eu confio muito nele. Se eu não tivesse distraído com garotas no bar, Jade teria sido morta naquela noite. Estou em debito com ele.
- E o garoto luta bem?
- Sim, é um bom garoto... tem bastante conhecimento marcial. Tem potencial pro Jihad.
- Conversou com ele sobre o projeto?
- Não. Ele já ouviu falar, mas nunca perguntou nada a respeito.
- Pois bem, Ravan, fique de olho.
- Pode deixar.
Willians passa a toalha nas costas de Jade, quando é interrompido pela chegada de Ravan.
- E aí, Ravan, o que eles queriam?
- Falar sobre aquele projeto.
- O tal projeto meta-humano?
- Sim. E eles queriam saber se você gostaria de participar.
- Quê ? To fora! Já não basta a zona que tá nos Estados Unidos. Tem gente voando por toda parte, cara. Voando! Pelamordedeus!!
- É a evolução, Roy. Cedo ou tarde os metas serão dominantes no planeta. Os governos mundiais serão metas. Os exércitos serão formados por metas. A curto prazo, meu amigo, quem não for meta, será escravo. É isso que você quer para seu futuro?
- Creio que as coisas não são bem assim, Ravan. A população que nasce com esse poder latente, nem sempre o desenvolve. As vezes, é preciso um empurrãozinho de fatores externos.
- Leia os jornais, assista aos noticiários. Nós não estamos sozinhos, Roy. Criaturas mágicas, seres infernais, alienígenas... eles estão em toda parte. Quando vierem conquistar o que eles querem, nós vamos estar preparados pra eles. Os normais terão de trabalhar para nos ajudar a defender o que é nosso.
- Cara, estou com vocês. Mas só quando estiver realmente preparado.
- Pois decida logo, senão será tarde demais, e vai servir apenas como gado.
Ravan tira do bolso um saquinho contendo um pó branco em seu interior.
- Vai aí, irmãozinho?
*****T*****
Gabinete do Presidente do Qurac
- Pois bem, Dr. Bright. Tem certeza de que se este experimento der certo, você conseguirá replicar o processo?
- Com certeza, Sr. Marlo. Só que precisaremos de mais componentes elet...
- Cale-se! – O presidente Marlo soca a mesa, em seguida coloca as mãos na cabeça. - Está me dizendo que vamos novamente ter que invadir laboratórios no ocidente? Nossos bio-engenheiros não são capazes de duplicar esses componentes?
- Levaria tempo, senhor. Uma ação rápida bastaria para abastecer nossos estoques de material genético e equipamentos necessários.
- Na última vez, perdemos vários homens, e quase colocamos todo o projeto a perder.
Súbito, um homem alto , cabelos semi-grisalhos, boina e roupas militares adentra a sala, sorrindo como se já soubesse de todo o assunto.
- Pois bem, presidente, será que ouvi que precisa de nós mais uma vez?
- Rustam? Como vai, irmão?
- Parado demais, presidente Marlo, preciso de mais agitação, de sentir o sangue correr por entre essas veias...
- Logo terá esse pedido realizado, amigo. Teremos que adquirir uma nova remessa para que o doutor Bright consiga dar andamento aos experimentos.
- É só dizer pra quando você precisa, doutor. Seus contatos nos Estados Unidos ainda o mantém informado dos locais de fácil invasão?
- Sim, Rustam. Amanhã vou tentar alguns contatos. Só espero não termos problemas com os metahumanos do governo.
- Você disse que são apenas crianças. Não nos trarão problemas.
- São jovens poderosos, Rustam. Não pense que será tão fácil.
- Veremos, doutor... veremos...
Rustam se levanta, e silenciosamente, cruza os braços para trás do corpo, e sai tranquilamente de sala.
- Não pode deixar Rustam controlá-lo assim, Marlo.
- Cale-se , doutor. As vezes imagino que ele pode nos ouvir.
No corredor, a caminho da porta de saída do edifício, Rustam sorri.
*****T*****
No Qurac não se tem muitas coisas pra se fazer a noite. Na parte alta da cidade existem alguns bares, bordéis e coisas do gênero, mas eu lhes asseguro: é mais seguro ficar no meio de uns 40 terroristas armados até os dentes, do que sair por aí, a noite em busca de diversão. Meu medo maior quando cheguei aqui, era ter de dormir no meio desse monte de malucos. Mas eis que pra minha surpresa, os aposentos era individuais.
Meia noite. O implante que o Dr. Stone me implantou no ouvido e no meu dente molar esquerdos estão tilintando... É, eles são pontuais.
- Harper na escuta.
- Olá, Agente Harper. Alguma notícia?
- Olha, por aqui é dificil descolar quentinhas, ninguém abre o bico. Mas soube que estão preparando um novo ataque a algum laboratório, e é pra logo. Vou tentar descobrir onde é e comunic...
- Esqueça, Harper.
- Oque?
- Elimine o alvo. Você tem de matar Rustam, e se preciso for, o presidente Marlo.
- Entendido, senhor Eiling.
- Ótimo.
Desligaram. Droga. Matar Rustam e fugir daqui vivo não são duas sentenças que podem ser vistas na mesma frase.
*****T*****
Base do Jihad
No dia seguinte
“ Quando ela se aproxima de mim, meu coração se acelera, minha pulsação sai do controle.. meu Deus... tenho que manter o foco na missão...”
- Oi, Jade... como está?
- Olá, Roy... e aí, como passou a noite?
- Seria melhor se estivesse comigo... que tal?
Com um giro rápido, Jade segura um dos braços de Roy, e o derruba no chão.
- Pode repetir agora ?
- Ah, me ajuda a levantar?
- Agora, sim...
Os dois seguem juntos para o refeitório, cruzando com dezenas de homens lustrando coturnos e limpando armas, todos terroristas da organização Jihad. Roy sabe que estes homens não hesitariam em eliminá-lo ao menor motivo de suspeita de que ele é um agente infiltrado. Já no refeitório, Roy e Jade entram na fila para pegar a refeição. Roy não deixa de notar os olhares tortos em sua direção. “- O que um americano ruivo faz no meio de terroristas islãmicos?”- eles devem pensar.
- Bota mais dessa gororoba aí, Baduch! – grita Roy, quando um homem gordo, de aparência meio suja praticamente “arremessa” uma estranha massa na bandeja de Willians.
- Ah ahahahah... você é engraçado, Willians... só não te mato porque você é um sujeito legal... e também porque é protegido do Ravan...
- Acalme-se, Baduch. Ele está só brincando.
Os dois pegam as bandejas e olham ao redor, procurando um bom lugar para sentar e comer.
- Jade, como se sente sendo a única mulher por aqui?
- Mulheres são fracas. Estou aqui porque fui acolhida quando criança por Rustam. Foi ele que me acolheu quando pensava que minha vida tinha acabado. As surras que levei na vida pelo menos servir...
- Oque?? Esse crápula te batia?
- Muito. Mas eu entendi que aquilo só me fazia mais forte. Ele fazia isso para o meu bem.
- E porque ainda está aqui, Jade?
- Bem ou mal, isso é tudo o que tenho...
Derepente, um estrondo. Um dos homens havia acabado de golpear o rosto de outro com um das bandejas de comida. Um briga.
- Você me deve, maldito. Acha que consigo drogas de graça por aqui? – Grita o homem, que continua a golpear o outro com a bandeja de metal.
O outro saca de uma faca e desfere vários golpes em seu agressor, esguichando sangue pra todo o lado. Nem bem se levanta, o homem, meio desfigurado em razão dos golpes recebidos em seu rosto recebe vários tiros e morre. Outros dois homens os arrastam para fora, deixando um rastro de sangue pelo chão.
No instante seguinte, um silêncio sepulcral toma conta do enorme salão. Todos param imediatamente de comer, levantam-se e batem continência para o homem que entra lentamente, e segue por entre as mesas, com as duas mãos pra trás, como se estivesse fiscalizando o que cada um fazia alí.
Silenciosamente, Rustam chega até a mesa onde Willians e Jade se encontram. Ele olha fixamente para os olhos de Willians, na esperança de que ele desviaria o olhar, o que não acontece, deixando-o claramente frustrado. Certamente, aquilo não ficaria assim.
Rustam pega no braço esquerdo de Jade. Pela pressão, nota-se visívelmente a vermelhidão que o aperto causou. Ele a puxa para junto de si. Seu braço, por detrás da cintura da garota a traz junto a seu corpo. Os olhos se olham. As bocas se beijam.
Roy fica vermelho, de vergonha e de raiva... Punhos cerrados, ele se vira e se senta...
CONTINUA...
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