Como a vida de uma órfã, criada desde pequena para ser escrava, pode mudar quando encontra alguém que a entenda? E o que acontece quando esse alguém é membro da família imperial Skrull?
Descubra na origem da Fóton 2099.
Descubra na origem da Fóton 2099.
O passado distante.
Em 2012 a humanidade quase foi extinta, devido a um grande cataclisma mundial que foi impedido somente quando todos os superseres do planeta, heróis e vilões, uniram forças diante de uma ameaça que não podiam enfrentar sozinhos.
O que poderia ter sido o início de uma nova era de paz logo se tornou o pior pesadelo da humanidade.
Skrulls, Shiar’s, Krees, Espectros, Ninhada, Falange e Badoons.
Uma coalizão dessas raças invadiu o planeta e em pouco mais de um ano a humanidade foi derrotada.
Na sequencia uma grande colonização teve início, com cada raça recebendo uma área do planeta para controlar conforme sua vontade.
Tem sido assim a quase cem anos.
O presente.
No ano 2099 vários focos de resistência têm surgido ao redor do planeta, ao mesmo tempo em que os atuais senhores do mundo enfrentam uma situação inusitada, tendo perdido contato com seus impérios estelares, deixando-os vulneráveis a um ataque dos rebeldes.
Finalmente a ofensiva de retomada da Terra começou.

Passado que não se esquece.
Por João Norberto da Silva.
Em 2012 a humanidade quase foi extinta, devido a um grande cataclisma mundial que foi impedido somente quando todos os superseres do planeta, heróis e vilões, uniram forças diante de uma ameaça que não podiam enfrentar sozinhos.
O que poderia ter sido o início de uma nova era de paz logo se tornou o pior pesadelo da humanidade.
Skrulls, Shiar’s, Krees, Espectros, Ninhada, Falange e Badoons.
Uma coalizão dessas raças invadiu o planeta e em pouco mais de um ano a humanidade foi derrotada.
Na sequencia uma grande colonização teve início, com cada raça recebendo uma área do planeta para controlar conforme sua vontade.
Tem sido assim a quase cem anos.
O presente.
No ano 2099 vários focos de resistência têm surgido ao redor do planeta, ao mesmo tempo em que os atuais senhores do mundo enfrentam uma situação inusitada, tendo perdido contato com seus impérios estelares, deixando-os vulneráveis a um ataque dos rebeldes.
Finalmente a ofensiva de retomada da Terra começou.
Passado que não se esquece.
Por João Norberto da Silva.
“Nunca conheci o toque amoroso de um pai ou uma mãe em minha infância.
Meu nome é Isabelle... É o único que eu preciso... Pelo menos foi o que me disseram quando atingi idade o suficiente para entender tal coisa...
Fui “criada” pela Madame Víbora, ou era assim que ela costumava chamar a si mesma e nos forçava a chamá-la também... Ela era a dona da “Casa das meninas de ouro”. Para a população em geral um abrigo para pobres garotas que perdiam seus pais e não tinham ninguém que cuidasse delas.
A verdade era que a Madame Víbora raptava crianças, da área baixa da cidade, quando não matava seus pais, as criando para vender mais tarde como escravas ou até como comida. O que pagasse mais.
Nas reuniões sociais ela levava algumas de nós e nos apresentava, arrecadando fundos para sua “caridade”, para que as pobres e desafortunadas garotas sob sua guarda tivessem uma boa vida.
Era a imagem da benfeitora.
Como eu a odiava...
Todos os dias ela nos fazia levantar de madrugada, fazendo exercícios que manteriam nossos corpos atraentes para seus clientes, quem não conseguia fazer o que ela mandava apanhava, mesmo quem conseguia acabava apanhando. Apanhar era uma das primeiras lições que aprendíamos.
“Vocês precisam ser adestradas desde pequenas, suas cadelas...” era a frase preferida da maldita.
Pelo menos nessa época foi quando descobri que adorava correr, o que costumo fazer até hoje.
Durantes as sessões de treino eu imaginava que estava correndo para longe, para um lugar melhor, mas logo era trazida para a dura realidade.
Assim como minhas colegas, eu não tinha para onde ir e mesmo se tivesse, ela mantinha a mim e outras garotas presas no que ela chamava de “casa feliz”...
Nós a chamávamos de abatedouro.
Ela e seus empregados, ou capangas, depende de para quem você perguntar, tentavam de todas as maneiras quebrar nossos espíritos e nos deixar mais “mansas” para nossos futuros donos.
Quem seriam esses donos?
Quem pagasse mais, como eu já disse, era a resposta para a maioria... No meu caso foi pior.
Eu fui vendida para a família imperial Skrull.
Tinha só doze anos e logo lá estava eu, com roupas mínimas, transparentes e que deixavam a minha pele toda arrepiada por causa do frio do lugar onde eu me encontrava.
Nem faço idéia do tempo que permaneci parada, sem saber se podia ou sequer se devia me sentar, ou o que deveria fazer, quando ouvi o característico som de uma porta se abrindo.
Passos ecoaram pelo lugar e em breve um skrull entrou no meu campo de visão, mas se engana quem pensar que era um simples sapão...
Era o próprio imperador Dorreck.
“Bem, bem, bem... Quem a Madame Víbora me mandou hoje? Pergunta retórica... Não me diga seu nome pequenina... É o que eu menos quero saber hoje...”
Ele me rodeou como um predador faz com sua presa e mesmo contra todas as minhas forças eu senti as lágrimas rolando pelo meu rosto.
“Hum... Eu gosto quando elas choram... Vamos nos divertir muito pequena...”
As roupas dele começaram a deslizar, como se fossem feitas de algum tipo de líquido e logo ele estava nu.
Fechei os olhos e virei o rosto... Naquela idade era realmente algo que eu não queria ver.
“Acha meu corpo esmeralda repulsivo? Não seja por isso...” Ouvi um som nojento, como carne sendo rasgada e ossos quebrando, sons que eu conhecia bem e então ele voltou a falar, a voz muito diferente “Agora olhe novamente para mim!”
E quando abri um dos olhos vi um jovem humano que aparentava ter, no máximo, uns quinze anos.
“Segundo as arcaicas leis humanas, um adulto não poderia fazer com uma criança o que eu pretendo, mas e se eu também aparentar ser uma criança?”
Ele estendeu a mão na minha direção e tocou levemente meu rosto, com o que ele devia imaginar ser um carinho. Sua pele continuava áspera.
Minha reação imediata foi dar o mais forte tapa que eu pude, afastando-o um pouco.
Ele sorriu e em seguida me deu um soco.
Cai no chão com a visão turva e logo senti um corpo por cima do meu, minhas roupas foram rasgadas e minhas pernas afastadas uma da outra.
As lágrimas continuavam caindo, mas eu não daria a ele o gosto de ouvir qualquer barulho vindo de mim. Nem o mais baixo choro ou gemido.
E de fato não fiz nenhum barulho.
Ele se ergueu e depois que eu ouvi novamente o barulho de sua transformação, ainda sem poder focalizar minha visão, eu só pude ouvir o que ele disse.
“Muito bem... Acho que vamos nos divertir muito... Humana...”
A última palavra foi dita com escárnio e nojo, para logo em seguida, ele sair.
Nem imagino o tempo que fiquei ali jogada no chão me abraçando, até que outras escravas foram me tirar de lá e cuidar de meus ferimentos.
Aquela tortura se repetiu durante os anos seguintes, mas tudo mudou quando completei dezoito.
Eu já vinha sentindo uns calores estranhos, na época se concentrando nas minhas mãos e eu rezava em segredo para Thor que eu finalmente morresse, mas ainda assim as sessões com Dorreck continuavam.
Soube bem depois que ele nunca mais havia comprado outras garotas. Menos mal eu pensava. Funcionava quase como uma compensação.
Nas últimas vezes em que Dorreck vinha, eu tinha certeza de ouvir sons como uma discussão do lado de fora da sala e descobri um dia quem era.
Dorreck estava estranho, andava de um lado para o outro, parecendo procurar algo e quando finalmente pareceu encontrar eu percebi que ele destruía o que parecia uma câmera de segurança.
Aos poucos ele mudou de forma, quase nada para uma humana como eu, que desprezava os sapões, mas ainda assim era claro que ele não era Dorreck.
“Sou Kl'rt... Irmão de Dorreck e vim para libertá-la do cativeiro...”
Daquela primeira vez nós não chegamos a sequer dar um passo, pois os dispositivos de segurança nos paralisaram quase que imediatamente.
“Tsc, tsc... Ah... Irmãozinho...” O imperador entrou na sala, acariciando o queixo e cuspindo sangue “Quando você vai aprender que debaixo de nossas botas...” Dizendo isso Dorreck fazia questão de pisar em minha cabeça “É o lugar dessa escória?”
“Nunca” Foi a resposta do outro e, por mais que eu quisesse negar, um sentimento de respeito e esperança começou a crescer no meu peito.
Esperança essa que o imperador pareceu ter percebido e decidido acabar o mais rápido possível, dobrando meus castigos e abusos. Confesso que ele quase conseguiu.
Nos meses seguintes à primeira tentativa de me libertar, Kl'rt tentava sempre estar perto de mim, me ajudando a manter minha mente focada na liberdade... Ele me trazia livros antigos e proibidos, que falavam do “espírito indomável do se humano” um termo que ele adorava. Seus olhos faiscavam com um brilho que eu nunca tinha visto antes.
Percebi aterrorizada que ele podia estar se apaixonando por mim.
Eu nunca disse nada claramente sobre a minha suspeita, mas ainda assim tentava tirar isso da cabeça dele, uma vez que a vida de escravidão e dor era tudo o que eu conhecia... Que ele, como um príncipe ou o que quer que ele fosse, devia viver como seu irmão mandava, mas nessas horas ele ria alto e dizia que eu era engraçada.
Eu não estava tentando ser engraçada.
Certo dia ele finalmente foi longe demais.
Eu já estava no centro da sala, o lugar de costume, quando vi uma porta se abrindo atrás de mim e o imperador passar por ela, mas logo percebi que havia algo estranho em seus olhos, eles estavam revirados para cima.
Quando o corpo do Imperador pendeu para frente e acabou caindo no chão, eu vi que atrás dele estava seu irmão.
“Vamos...” Ele estendeu uma das mãos e agarrou meu braço “Finalmente vamos conseguir”.
Eu confesso que não tive forças para protestar e então praticamente fui arrastada por ele, enquanto mantinha o seu disfarce de imperador e depois de alguns minutos eu vi, pela primeira vez na minha vida, a cidade alta.
Foi apenas um vislumbre, infelizmente.
Soldados Skrulls e alguns membros do Olho Público nos cercaram e, usando uma coleira inibidora, prenderam Kl'rt e me levaram de volta para a sala onde Dorreck já me aguardava, passando as mãos pela cabeça, que devia ter sido atingida por Kl'rt.
“Bem sua vadiazinha... Nossa sessão se atrasou por conta do meu irmãozinho... O idiota ainda acha que vocês humanos tem direitos iguais aos nossos... Absurdo, é claro... Agora venha cá...”
Enquanto ele avançava, suas roupas iam desaparecendo e eu vi nos olhos dele que o desgraçado não iria se contentar apenas com abusos sexuais. Levantei minhas mãos procurando inutilmente me defender e me surpreendi.
Não foi inútil.
O calor das minhas mãos aumentou de forma absurda e Dorreck se surpreendeu tanto quanto eu mesma quando duas rajadas de energia o lançaram longe, contra uma das paredes da sala.
“Guardas!!!” enquanto eu tentava entender o que tinha acontecido, preocupada com as energias que ainda subiam das minhas mão, não percebi o que o Imperador estava fazendo, indo para trás de um grupo de skrulls armados.
“Matem-na!!!!!!!!!” Quando eu ergui a cabeça só consegui ver as armas apontadas e o som dos disparos. Tudo que pude fazer foi fechar imediatamente os olhos e, enquanto sentia os raios jogarem meu corpo para trás, esperar pela morte.
Alguns instantes depois eu abri os olhos e... Uma nova surpresa: Eu não havia morrido!
Despertei num dos quartos de um luxuoso hotel, localizado no outro lado da cidade, com as mesmas energias que eu tinha visto ao redor da minha mão, mas agora elas percorriam todo o meu corpo.
Uma empregada veio limpar o quarto e aproveitei a chance para sair de lá o mais rápido que podia.
Fiquei deslumbrada com as ruas e prédios da cidade alta, mas sabia que lá não era um lugar seguro.
Corri feito louca, até chegar à cidade baixa e encontrar um local que parecia abandonado há muito tempo. Fazendo às vezes do que se podia chamar de casa, eu passei a treinar o que eu vim a aprender que era capaz.
Eu podia controlar e me transformar em vários tipos de energia, o que me dava a capacidade de lançar raios e também de voar acima da velocidade da luz. Poderes muito úteis a alguém que, logo percebi, estava com a cabeça a prêmio, após atacar o Imperador Dorreck e matar seu irmão.
Malditos... Eu sabia que Kl'rt estava vivo até quando fugi e foi quando decidi que derrubaria o Imperador de qualquer maneira.
Levei mais de um ano até aperfeiçoar meus poderes e, pouco a pouco, comecei a atacar vários pontos de poder e influência Skrull. Aprendi que seria muito arriscado um ataque direto a Dorreck, por isso ia minando suas bases de poder.
Quando descobri um rasto da Madame Víbora, parece que Dorreck ficou bem descontente com o fato dela ter enviado a ele uma mutante, eu cheguei tarde demais à sua nova “Casa Feliz”.
Quando eu entrei no local onde seria seu escritório, achei apenas o corpo dela, caído no chão e com um enorme rombo no peito, de onde ainda subia a fumaça de um típico disparo laser.
Fiquei parada alguns instantes e quando me virei eu o vi pela primeira vez.
John se apresentou como o Capitão América, ele só revelaria sua identidade verdadeira algum tempo depois de começarmos nosso relacionamento, mas o que mais me marcou foi o que pensei ao vê-lo ali na minha frente.
“Esse é o cara com quem vou ficar até o fim dos meus dias”.
Nós saímos juntos da casa da Madame Víbora, ele me levou até um dos seus esconderijos e me apresentou ao Visão que, após ver meus poderes, sugeriu o nome que eu usaria a partir daquele dia.
Fóton.”
- Eu devia saber que ele teria um jeito para sobreviver... – Fóton deixava de se lembrar do passado e falava com o Capitão América, através do comunicador da máscara do outro. - Eu devia ter destruído todo o prédio...
- Não se preocupe Belle... Ele não vai escapar sempre... Agora vamos nos dividir... Você entra em contato com O'Hara... Eu vou até o Schmidt...
- Você nunca me deixa ir chamar o Herman... Sinto uma ponta de ciúmes?
- Claro... Eu já percebi como ele te olha e eu não confio no cara nem um pouco...
- Isso parece a lendária disputa entre o Capitão América e o Caveira Vermelha...
- Se ele te escuta chamando ele de Caveira...
- Sei que ele prefere Crânio Vermelho, mas fazer o que né? Lá vou eu atrás do esquisito teioso...
- O Homem-Aranha é um aliado muito mais confiável que o Crânio...
- Claro... Mas agora vou indo... Aposto que chego primeiro que você na base... Beijinhos...
O comunicador silenciou e John Arveen ficou a sós com seus pensamentos.
“Sei o quanto a notícia do Dorreck mexeu com você Bella... Mas acredite, para mim será ainda melhor quando eu mesmo o fizer pagar por tudoo que o desgraçado te fez.”
Fim.
Epílogo:
Num laboratório secreto do prédio que antigamente era conhecido como Edifício Baxter, o Imperador Dorreck acompanhava uma equipe de cientistas que o chamaram dizendo ter criado a arma perfeita contra seus inimigos e, se necessário, contra seus aliados.
- Vamos logo seus imprestáveis... Não tenho todo o tempo do universo...
De dentro de um tubo de metal que ia do chão até o teto, uma enorme figura começava a sair, cambaleando como se fosse a primeira vez que andava.
Depois de alguns passos incertos a criatura se ergueu, endireitou o corpo e então surpreendeu o imperador quando parte de seu corpo começou a ficar invisível, um dos braços se tornou algo que lembrava um tipo de rocha, o outro se esticou e todo o corpo começou a apresentar pequenas chamas.
- Imperador Dorreck... Conheça o Super-Skrull.
“Que meus inimigos se acautelem.” Foi o primeiro pensamento de Dorreck enquanto os cientistas viram orgulhosos o imenso sorriso que se formou no rosto de seu líder.
Meu nome é Isabelle... É o único que eu preciso... Pelo menos foi o que me disseram quando atingi idade o suficiente para entender tal coisa...
Fui “criada” pela Madame Víbora, ou era assim que ela costumava chamar a si mesma e nos forçava a chamá-la também... Ela era a dona da “Casa das meninas de ouro”. Para a população em geral um abrigo para pobres garotas que perdiam seus pais e não tinham ninguém que cuidasse delas.
A verdade era que a Madame Víbora raptava crianças, da área baixa da cidade, quando não matava seus pais, as criando para vender mais tarde como escravas ou até como comida. O que pagasse mais.
Nas reuniões sociais ela levava algumas de nós e nos apresentava, arrecadando fundos para sua “caridade”, para que as pobres e desafortunadas garotas sob sua guarda tivessem uma boa vida.
Era a imagem da benfeitora.
Como eu a odiava...
Todos os dias ela nos fazia levantar de madrugada, fazendo exercícios que manteriam nossos corpos atraentes para seus clientes, quem não conseguia fazer o que ela mandava apanhava, mesmo quem conseguia acabava apanhando. Apanhar era uma das primeiras lições que aprendíamos.
“Vocês precisam ser adestradas desde pequenas, suas cadelas...” era a frase preferida da maldita.
Pelo menos nessa época foi quando descobri que adorava correr, o que costumo fazer até hoje.
Durantes as sessões de treino eu imaginava que estava correndo para longe, para um lugar melhor, mas logo era trazida para a dura realidade.
Assim como minhas colegas, eu não tinha para onde ir e mesmo se tivesse, ela mantinha a mim e outras garotas presas no que ela chamava de “casa feliz”...
Nós a chamávamos de abatedouro.
Ela e seus empregados, ou capangas, depende de para quem você perguntar, tentavam de todas as maneiras quebrar nossos espíritos e nos deixar mais “mansas” para nossos futuros donos.
Quem seriam esses donos?
Quem pagasse mais, como eu já disse, era a resposta para a maioria... No meu caso foi pior.
Eu fui vendida para a família imperial Skrull.
Tinha só doze anos e logo lá estava eu, com roupas mínimas, transparentes e que deixavam a minha pele toda arrepiada por causa do frio do lugar onde eu me encontrava.
Nem faço idéia do tempo que permaneci parada, sem saber se podia ou sequer se devia me sentar, ou o que deveria fazer, quando ouvi o característico som de uma porta se abrindo.
Passos ecoaram pelo lugar e em breve um skrull entrou no meu campo de visão, mas se engana quem pensar que era um simples sapão...
Era o próprio imperador Dorreck.
“Bem, bem, bem... Quem a Madame Víbora me mandou hoje? Pergunta retórica... Não me diga seu nome pequenina... É o que eu menos quero saber hoje...”
Ele me rodeou como um predador faz com sua presa e mesmo contra todas as minhas forças eu senti as lágrimas rolando pelo meu rosto.
“Hum... Eu gosto quando elas choram... Vamos nos divertir muito pequena...”
As roupas dele começaram a deslizar, como se fossem feitas de algum tipo de líquido e logo ele estava nu.
Fechei os olhos e virei o rosto... Naquela idade era realmente algo que eu não queria ver.
“Acha meu corpo esmeralda repulsivo? Não seja por isso...” Ouvi um som nojento, como carne sendo rasgada e ossos quebrando, sons que eu conhecia bem e então ele voltou a falar, a voz muito diferente “Agora olhe novamente para mim!”
E quando abri um dos olhos vi um jovem humano que aparentava ter, no máximo, uns quinze anos.
“Segundo as arcaicas leis humanas, um adulto não poderia fazer com uma criança o que eu pretendo, mas e se eu também aparentar ser uma criança?”
Ele estendeu a mão na minha direção e tocou levemente meu rosto, com o que ele devia imaginar ser um carinho. Sua pele continuava áspera.
Minha reação imediata foi dar o mais forte tapa que eu pude, afastando-o um pouco.
Ele sorriu e em seguida me deu um soco.
Cai no chão com a visão turva e logo senti um corpo por cima do meu, minhas roupas foram rasgadas e minhas pernas afastadas uma da outra.
As lágrimas continuavam caindo, mas eu não daria a ele o gosto de ouvir qualquer barulho vindo de mim. Nem o mais baixo choro ou gemido.
E de fato não fiz nenhum barulho.
Ele se ergueu e depois que eu ouvi novamente o barulho de sua transformação, ainda sem poder focalizar minha visão, eu só pude ouvir o que ele disse.
“Muito bem... Acho que vamos nos divertir muito... Humana...”
A última palavra foi dita com escárnio e nojo, para logo em seguida, ele sair.
Nem imagino o tempo que fiquei ali jogada no chão me abraçando, até que outras escravas foram me tirar de lá e cuidar de meus ferimentos.
Aquela tortura se repetiu durante os anos seguintes, mas tudo mudou quando completei dezoito.
Eu já vinha sentindo uns calores estranhos, na época se concentrando nas minhas mãos e eu rezava em segredo para Thor que eu finalmente morresse, mas ainda assim as sessões com Dorreck continuavam.
Soube bem depois que ele nunca mais havia comprado outras garotas. Menos mal eu pensava. Funcionava quase como uma compensação.
Nas últimas vezes em que Dorreck vinha, eu tinha certeza de ouvir sons como uma discussão do lado de fora da sala e descobri um dia quem era.
Dorreck estava estranho, andava de um lado para o outro, parecendo procurar algo e quando finalmente pareceu encontrar eu percebi que ele destruía o que parecia uma câmera de segurança.
Aos poucos ele mudou de forma, quase nada para uma humana como eu, que desprezava os sapões, mas ainda assim era claro que ele não era Dorreck.
“Sou Kl'rt... Irmão de Dorreck e vim para libertá-la do cativeiro...”
Daquela primeira vez nós não chegamos a sequer dar um passo, pois os dispositivos de segurança nos paralisaram quase que imediatamente.
“Tsc, tsc... Ah... Irmãozinho...” O imperador entrou na sala, acariciando o queixo e cuspindo sangue “Quando você vai aprender que debaixo de nossas botas...” Dizendo isso Dorreck fazia questão de pisar em minha cabeça “É o lugar dessa escória?”
“Nunca” Foi a resposta do outro e, por mais que eu quisesse negar, um sentimento de respeito e esperança começou a crescer no meu peito.
Esperança essa que o imperador pareceu ter percebido e decidido acabar o mais rápido possível, dobrando meus castigos e abusos. Confesso que ele quase conseguiu.
Nos meses seguintes à primeira tentativa de me libertar, Kl'rt tentava sempre estar perto de mim, me ajudando a manter minha mente focada na liberdade... Ele me trazia livros antigos e proibidos, que falavam do “espírito indomável do se humano” um termo que ele adorava. Seus olhos faiscavam com um brilho que eu nunca tinha visto antes.
Percebi aterrorizada que ele podia estar se apaixonando por mim.
Eu nunca disse nada claramente sobre a minha suspeita, mas ainda assim tentava tirar isso da cabeça dele, uma vez que a vida de escravidão e dor era tudo o que eu conhecia... Que ele, como um príncipe ou o que quer que ele fosse, devia viver como seu irmão mandava, mas nessas horas ele ria alto e dizia que eu era engraçada.
Eu não estava tentando ser engraçada.
Certo dia ele finalmente foi longe demais.
Eu já estava no centro da sala, o lugar de costume, quando vi uma porta se abrindo atrás de mim e o imperador passar por ela, mas logo percebi que havia algo estranho em seus olhos, eles estavam revirados para cima.
Quando o corpo do Imperador pendeu para frente e acabou caindo no chão, eu vi que atrás dele estava seu irmão.
“Vamos...” Ele estendeu uma das mãos e agarrou meu braço “Finalmente vamos conseguir”.
Eu confesso que não tive forças para protestar e então praticamente fui arrastada por ele, enquanto mantinha o seu disfarce de imperador e depois de alguns minutos eu vi, pela primeira vez na minha vida, a cidade alta.
Foi apenas um vislumbre, infelizmente.
Soldados Skrulls e alguns membros do Olho Público nos cercaram e, usando uma coleira inibidora, prenderam Kl'rt e me levaram de volta para a sala onde Dorreck já me aguardava, passando as mãos pela cabeça, que devia ter sido atingida por Kl'rt.
“Bem sua vadiazinha... Nossa sessão se atrasou por conta do meu irmãozinho... O idiota ainda acha que vocês humanos tem direitos iguais aos nossos... Absurdo, é claro... Agora venha cá...”
Enquanto ele avançava, suas roupas iam desaparecendo e eu vi nos olhos dele que o desgraçado não iria se contentar apenas com abusos sexuais. Levantei minhas mãos procurando inutilmente me defender e me surpreendi.
Não foi inútil.
O calor das minhas mãos aumentou de forma absurda e Dorreck se surpreendeu tanto quanto eu mesma quando duas rajadas de energia o lançaram longe, contra uma das paredes da sala.
“Guardas!!!” enquanto eu tentava entender o que tinha acontecido, preocupada com as energias que ainda subiam das minhas mão, não percebi o que o Imperador estava fazendo, indo para trás de um grupo de skrulls armados.
“Matem-na!!!!!!!!!” Quando eu ergui a cabeça só consegui ver as armas apontadas e o som dos disparos. Tudo que pude fazer foi fechar imediatamente os olhos e, enquanto sentia os raios jogarem meu corpo para trás, esperar pela morte.
Alguns instantes depois eu abri os olhos e... Uma nova surpresa: Eu não havia morrido!
Despertei num dos quartos de um luxuoso hotel, localizado no outro lado da cidade, com as mesmas energias que eu tinha visto ao redor da minha mão, mas agora elas percorriam todo o meu corpo.
Uma empregada veio limpar o quarto e aproveitei a chance para sair de lá o mais rápido que podia.
Fiquei deslumbrada com as ruas e prédios da cidade alta, mas sabia que lá não era um lugar seguro.
Corri feito louca, até chegar à cidade baixa e encontrar um local que parecia abandonado há muito tempo. Fazendo às vezes do que se podia chamar de casa, eu passei a treinar o que eu vim a aprender que era capaz.
Eu podia controlar e me transformar em vários tipos de energia, o que me dava a capacidade de lançar raios e também de voar acima da velocidade da luz. Poderes muito úteis a alguém que, logo percebi, estava com a cabeça a prêmio, após atacar o Imperador Dorreck e matar seu irmão.
Malditos... Eu sabia que Kl'rt estava vivo até quando fugi e foi quando decidi que derrubaria o Imperador de qualquer maneira.
Levei mais de um ano até aperfeiçoar meus poderes e, pouco a pouco, comecei a atacar vários pontos de poder e influência Skrull. Aprendi que seria muito arriscado um ataque direto a Dorreck, por isso ia minando suas bases de poder.
Quando descobri um rasto da Madame Víbora, parece que Dorreck ficou bem descontente com o fato dela ter enviado a ele uma mutante, eu cheguei tarde demais à sua nova “Casa Feliz”.
Quando eu entrei no local onde seria seu escritório, achei apenas o corpo dela, caído no chão e com um enorme rombo no peito, de onde ainda subia a fumaça de um típico disparo laser.
Fiquei parada alguns instantes e quando me virei eu o vi pela primeira vez.
John se apresentou como o Capitão América, ele só revelaria sua identidade verdadeira algum tempo depois de começarmos nosso relacionamento, mas o que mais me marcou foi o que pensei ao vê-lo ali na minha frente.
“Esse é o cara com quem vou ficar até o fim dos meus dias”.
Nós saímos juntos da casa da Madame Víbora, ele me levou até um dos seus esconderijos e me apresentou ao Visão que, após ver meus poderes, sugeriu o nome que eu usaria a partir daquele dia.
Fóton.”
- Eu devia saber que ele teria um jeito para sobreviver... – Fóton deixava de se lembrar do passado e falava com o Capitão América, através do comunicador da máscara do outro. - Eu devia ter destruído todo o prédio...
- Não se preocupe Belle... Ele não vai escapar sempre... Agora vamos nos dividir... Você entra em contato com O'Hara... Eu vou até o Schmidt...
- Você nunca me deixa ir chamar o Herman... Sinto uma ponta de ciúmes?
- Claro... Eu já percebi como ele te olha e eu não confio no cara nem um pouco...
- Isso parece a lendária disputa entre o Capitão América e o Caveira Vermelha...
- Se ele te escuta chamando ele de Caveira...
- Sei que ele prefere Crânio Vermelho, mas fazer o que né? Lá vou eu atrás do esquisito teioso...
- O Homem-Aranha é um aliado muito mais confiável que o Crânio...
- Claro... Mas agora vou indo... Aposto que chego primeiro que você na base... Beijinhos...
O comunicador silenciou e John Arveen ficou a sós com seus pensamentos.
“Sei o quanto a notícia do Dorreck mexeu com você Bella... Mas acredite, para mim será ainda melhor quando eu mesmo o fizer pagar por tudoo que o desgraçado te fez.”
Fim.
Epílogo:
Num laboratório secreto do prédio que antigamente era conhecido como Edifício Baxter, o Imperador Dorreck acompanhava uma equipe de cientistas que o chamaram dizendo ter criado a arma perfeita contra seus inimigos e, se necessário, contra seus aliados.
- Vamos logo seus imprestáveis... Não tenho todo o tempo do universo...
De dentro de um tubo de metal que ia do chão até o teto, uma enorme figura começava a sair, cambaleando como se fosse a primeira vez que andava.
Depois de alguns passos incertos a criatura se ergueu, endireitou o corpo e então surpreendeu o imperador quando parte de seu corpo começou a ficar invisível, um dos braços se tornou algo que lembrava um tipo de rocha, o outro se esticou e todo o corpo começou a apresentar pequenas chamas.
- Imperador Dorreck... Conheça o Super-Skrull.
“Que meus inimigos se acautelem.” Foi o primeiro pensamento de Dorreck enquanto os cientistas viram orgulhosos o imenso sorriso que se formou no rosto de seu líder.
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