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Inferno #4.

capa04

Finalmente a luta decisiva contra o casal de incendiários e depois disso a vida de Marcelo nunca mais será a mesma.
O final do primeiro arco de histórias do Inferno.



Conheça o Inferno. Conclusão.
Por João Norberto da Silva.

O presente.

- Me perdoem...

Em seguida Renato se teleportou.

Do lado de fora da casa do rapaz, Xangô e Héstia olhavam fixamente para o apartamento do mesmo.

- Então ele escolheu...

- Sim... E foi justamente o que eu pensei... Vamos... Quero estar lá quando ele chegar...

Dizendo isso Xangô desapareceu numa pequena e silenciosa explosão de fogo.

Héstia demorou um instante a mais, o suficiente para que seus pensamentos se voltassem para o dia em que sua nova vida havia começado.

XXX

O passado. Dezoito anos atrás. O interior flamejante e escondido de uma caverna, localizada numa área de floresta, nas proximidades de Campinas, a Reserva Mata de Santa Genebra.

- Então... - A voz ancestral ecoava pelas paredes da caverna, fazendo tremer os corpos do casal, que permaneciam debilmente parados na frente de um lago feito de lava, ambos ficando ainda mais assustados quando duas criaturas se ergueram, quase atingindo o teto do local. - A decisão foi tomada?

- E-eu... - “Maldição! Pare de gaguejar...” Antônio tentava recuperar o controle, antes que o medo o forçasse a fazer suas necessidades ali mesmo, ele odiava essa fraqueza e acreditava que jamais se sentiria daquele jeito novamente, caso aceitasse o que as estranhas criaturas estavam oferecendo. - Nós. Nós aceitamos a sua dádiva, aceitamos nos tornar seus agentes na salvação de nosso mundo.

Gabriela se mantinha em silêncio total, nem se quisesse conseguiria falar algo, tamanho era o medo que sentia na presença dos Flamejantes. Ao menos, ela dizia para si mesma, agora conseguia olhá-los, antes nem isso era possível.

As formas básicas de ambos era humana. Cabeças, troncos e dois braços, as pernas, se eles as tinham, permaneciam mergulhadas na lava, mas era apenas nisso que eles se assemelhavam à humanidade. As cabeças não apresentavam algo que pudesse ser classificado como olhos, nariz, ou boca, tudo era lava derretida que tremia quando eles falavam, se é que aquilo era falar, pois suas “vozes” reverberavam por dentro do casal, eles mais sentiam que ouviam. Os braços longos não apresentavam detalhes como dedos, ou mesmo uma divisão como os cotovelos, eram longos e apenas se dobravam como se faz com uma mangueira ou um tubo qualquer de material flexível e as mãos nada mais eram que bolas, coisas que mais lembravam um emaranhado de lava e pedra e conforme as moviam pequenas pedras fumegantes se soltavam, mergulhando na lava de onde os seres pareciam brotar.

- Pois bem... - Um dos Flamejantes, Gabriela nunca soube diferenciá-los e nem imaginava se existia uma forma de fazê-lo, esticou a bola de lava que era sua mão e a manteve suspensa sobre o casal, que permanecia abraçado. - Que comece o renascimento...

A primeira sensação foi um calor que os cercava, fazendo-os suarem em profusão, logo em seguida parecia que suas gargantas iam secando, o que começava a se estender para o resto do corpo, forçando-os a dobrar um pouco seus corpos, tentando assim diminuir o desconforto, mas o pior veio depois.

- AAAAHHHH!!!!! - Uma pedrinha de lava acertou o ombro de Gabriela a carne atingida começou a borbulhar, derretendo conforme a pedra abria caminho até atravessar o corpo da mulher e cair no chão. - AAAAAHHHHHH!!! AAAAAAHHHHH!!!!!!!!!

- AAAAAAAAARRRRGGGGGHHHHHHH!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! - Agora ambos gritavam em uníssono, quando uma enorme quantidade de lava era despejada sobre eles.

- Uma grande verdade universal... Não há nascimento sem dor... Nem renascimento sem dor ainda pior.

O Flamejante que estendera a “mão” agora a recolhia e ficava imóvel ao lado de seu companheiro, ou companheira, nunca se soube se eles tinham alguma tido de divisão desse gênero, ambos observavam o monte de lava secar pouco a pouco se tornando uma prisão de pedra negra, com rachaduras vermelhas que pulsavam.

Uma prisão não. Um útero.

O silêncio imperou na caverna durante alguns minutos, mas logo o som de pedra se quebrando começou a ecoar.

- Abram seu caminho a força... Que o poder sagrado do fogo os traga de volta à vida... Libertem-se... Nossos novos agentes... Despertem para sua nova vida!!!

Uma explosão. Muito longe dali aparelhos registraram um movimento estranho, quando ocorreu um pequeno terremoto na região de Campinas que foi, por causa da impossibilidade do ocorrido, arquivado e esquecido.

No local onde estavam Antônio e Gabriela, surgiam dois seres que, apesar da aparência humana, já não o eram, agora haviam se tornado agentes do fogo, do sagrado fogo e eles olhavam para seus corpos nus, como se fosse a primeira vez.

Se abraçaram, olhos derramando escaldantes lágrimas e então se beijaram e fizeram amor ali, tendo por testemunhas os dois impávidos Flamejantes, que esperaram os dois se separarem, permanecendo parados e ofegantes, deitados no solo quente da caverna, ignorando o calor que tocava suas novas peles.

- Agora... - E as criaturas elementais começavam a se aproximar lentamente. - É hora de aprenderem a usar a dádiva que receberam. Mas antes devem escolher os nomes pelos quais serão conhecidos daqui para frente.

Assim nasceram Xangô e Héstia.

XXX

Uma das primeiras imagens que Stahl viu quando se teleportou ao local escolhido, foi uma cortina de chamas se desfazendo, finalmente sendo substituídas pelo local em si.

Parque da Figueira. Não havia outra escolha, por mais que Renato amasse seus amigos, a família deveria vir em primeiro lugar. Ele os salvaria e depois tentaria fazer o mesmo por Santos e Bete, ou vingá-lo, se fosse o caso.

Foi quando finalmente ele pôde olhar ao redor que se lembrou do tamanho do parque e do absurdo que seria procurar o lugar exato onde sua família estaria presa.

- Ora, ora, ora... - A voz de Xangô fez com que o herói desse uma volta para ficar de frente com o seu inimigo. - Não é que nosso filhote realmente é um “homem de família”?

Héstia aparecia calada por detrás de seu marido, o que dava certo alívio para Stahl, se ela estava ali, seus amigos se encontravam em segurança e era só vencer os vilões que tudo estaria bem. Ele poderia falar para seus pais sobre os poderes, a vida como herói e tudo voltaria o mais próximo possível da normalidade.

Um jato de fogo forçou o rapaz a desviar o rosto, terminando assim seu devaneio.

- Acorda prá cuspir moleque... Hum... Sonhando acordado heim? Imagino que está pensando que, com nós dois aqui, sua família e amigos estão em segurança... Há!!! Eu vou adorar isso meu filho...

- Não sou seu filho... - Agora as duas mãos de Stahl eram envolvidas em esferas flamejantes. - Pára de me chamar assim...

- Mas é a verdade!!! Nós deixamos você na porta dos Oliveira anos atrás... Não queríamos te levar prá vida que estávamos começando... Você só ia atrapalhar... - Héstia fechava os olhos com força, como que tentando não ouvir as palavras do marido. - E agora aqui estamos nós!!! Nem fazíamos idéias de que você desenvolveria poderes como os nossos... Isso não deveria nem ser possível, já que nós mesmo só ganhamos depois de te deixar... Mas isso agora não interessa, já que você os tem, tá na hora de se unir ao papai e à mamãe para incendiarmos o mundo...

- Isso... - Um salto e as duas esferas de fogo foram disparadas na direção de Xangô. - NUNCA!!!!

Muito mais do que a experiência, uma vez que ele jamais enfrentara alguém com poderes iguais, foi a malícia que o vilão desenvolvera com o passar dos anos que o levou a se desviar, rolando no chão e já se erguendo, contendo as mãos de seu filho, que já tentava encaixar um novo ataque.

Eles permaneceram assim durante alguns segundos, mesmo que nunca admitisse, Xangô estava impressionado com a força do rapaz.

- Héstia? - Ele então procurou a ajuda da esposa, enquanto fazia como Stahl e inflamava suas mãos. - Seria um bom momento para que você viesse me ajudar...

- E-eu... - A mulher se abraçava, não suportando o fardo que a situação lhe cobrava, fazer o que ela já fez a estranhos, como o casal Dantas, era algo que ela aceitava como parte de sua missão, uma vez que os Flamejantes haviam dito que os dois eram da diretoria de uma multinacional, que não se importava em diminuir a quantidade de poluição que produzia. Fazer sofrer pessoas assim ela conseguia, mas era o próprio filho contra quem estavam lutando agora. - Eu não posso!!!!!!!!!!!!

Uma grande explosão separou os lutadores e enquanto Héstia se aproximava do marido para ajudá-lo a se levantar, Stahl já se recuperava, se preparando para um novo ataque e pensando em como encontrar e salvar sua família e amigos.

- Onde eles estão? - Era uma tentativa desesperada de ganhar tempo, ele sabia, mas não tinha outra idéia, tamanha era sua preocupação. - Cadê a minha família? Deixa eles fora disso e...

- HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA!!!!! - A gargalhada de Xangô, que agora mantinha uma das mãos flamejantes segurando e ferindo o braço de sua esposa, ecoou pelo parque, o que deixou Stahl ainda mais raivoso e indeciso quanto ao próximo passo. - Você quer saber onde eles estão? HÁ! Essa é muito boa mesmo!!!

- Xangô... Me solta... - O fogo queimava a pele alva de Héstia, mas seu marido parecia não escutar, ou mesmo se importar, com seus protestos. - Me larga... Xangô... - Num ato de desespero, um grito que ele não ignoraria. - ANTÔNIO!!!!

Silêncio.

O vilão sacudia a cabeça, aturdido por ser chamado pelo nome que abandonara há tanto tempo e se voltou para a esposa, vendo os olhos cheios de lágrimas dela e depois se voltando para seu filho.

- Maldito... Você estragou tudo... E é muito burro mesmo... Seu desespero foi tão grande que nem sacou onde seus pais e amigos estavam de verdade não é?

- Xangô...

- Cala a boca Héstia... - Mais pressão no braço da esposa, agora ele sentia a carne começando a derreter. - Você também estragou tudo, quando não pôde atacar esse merdinha...

Uma nova esfera flamejante, facilmente desviada pelo vilão.

- Nem pense nisso filho... Agora me escute... Você já viu esse parque... Tem algum lugar aqui que lembre o local onde você viu a sua família no vídeo que a gente te mandou? - Stahl permanecia parado, analisando quando teria uma nova brecha, mas uma vez ou outra olhava com pena para a mulher, que agonizava ao toque do marido. - Vamos moleque... Pensa... Eles não estavam em seu apartamento e é lógico que não estão por aqui também... E antes que se teleporte para o Lago do Taquaral, saiba que lá não existe nenhum lugar para prendê-los daquela forma... Onde mais estariam?

Foi então que um brilho de entendimento passou pelos olhos de Stahl, finalmente lembrando-se de onde já vira as cadeiras onde os vilões haviam amarrado não apenas seus familiares, mas também seus amigos.

Antes de qualquer reação do rapaz, entretanto, Xangô o surpreendeu.

- Adeus meu amor... Você nunca deveria ter se voltado contra mim...

Criando uma lâmina de fogo ao redor da mão, Xangô atravessou o corpo de Héstia através do abdome, causando um longo jarro de sangue, que espirrou pelas costas da mesma, sujando a grama atrás deles e, enquanto Stahl corria na direção dos dois, o vilão se despediu.

- Vá até a Reserva Mata de Santa Genebra e me encontre filho!!! Lá acertaremos as contas...

Dizendo isso ele desapareceu numa explosão de fogo, enquanto o rapaz finalmente se aproximava do corpo daquela que se dizia ser sua mãe biológica, sem imaginar o que deveria fazer.

- N-não... Se preocupe... Comigo... - Um movimento e Héstia soltou uma quantidade absurda de sangue pela boca, tentando compensar dezoito anos em poucos segundos, o máximo que ela conseguiu foi levar a mão até o rosto dele e acariciá-lo. - E-ele mentiu... Nós o deixamos... Porque o amávamos demais... - Gotas de lágrimas vinham dos olhos de Renato, que tirara a máscara que ele ainda usava por hábito. - Sa-salve a sua família... Eles estão todos na sua casa...

- Eu... Não posso te abandonar... Se eu conseguir te levar para um médico...

- Eu... Te... Amo...

Silêncio. Uma mão que deixou de tocar o rosto de Renato e caiu lentamente até o chão.

Em seguida um urro quase inumano.

- XAAAAANNNNGGGGÔÔÔÔÔÔÔÔÔÔ!!!!!!!!!!!!!!!!

E ele desapareceu em uma explosão de chamas.

XXX

- Bem irmão... – Longe de onde acontecia a batalha entre Stahl e seus inimigos, os dois seres elementais, conhecidos como Flamejantes, trocavam impressões sobre o movimento de seus peões. – Perdemos Héstia...

- Não acredito que um dia ela esteve realmente conosco irmão... Mesmo que ela agisse como tal, nunca foi realmente nossa agente, nunca abraçou a dádiva que recebeu de coração... Não vejo isso, portanto como uma perda, mas um incentivo a mais para que Xangô se descontrole ainda mais, servindo melhor a nossos planos...

- Isso é verdade, mas você acha que ele trará o filho para nossa causa? Afinal o rapaz se mostrou um manipulador de fogo de nascença...

- Isso é um mistério até mesmo para mim meu irmão... Mas de qualquer modo, eu prefiro ele morto, do que aliado a nossos inimigos.

- Sim... Isso é verdade... Aliás, os malditos estão quietos demais para o meu gosto... Xangô e Héstia estiveram ativos durante todo esse tempo... Alguns deles já deviam ter se envolvido...

- Para mim tanto melhor... Talvez eles tenham visto que nossos métodos estão funcionando e resolveram se afastar, deixando-nos cuidando de tudo como deveria ter sido há mais tempo...

- Isso é verdade... Mas os outros sempre foram tão contra nossa solução... Ainda acho que estão escondidos planejando algo...

- Você sempre foi mais desconfiado irmão... Veja... Parece que eles finalmente chegaram onde se encerrará esse episódio de suas vidas...

- Sim... Vamos aguardar e ver o que o destino nos reserva...

- Isso eu já sei...

- E o que seria?

- A vitória final sobre esse câncer chamado de Humanidade.

XXX

Stahl pretendia surgir na sala de sua casa, mas foi impedido por algo que jamais havia acontecido enquanto ele usava o caminho do Fogo: Como se tivesse batido numa parede, ele sentiu ser expulso da dimensão que atravessava, caindo sentado no meio da rua diante da casa de seus pais.

- Mas que mer...

- Olha a boca filhinho... – Stahl ergueu o rosto, vendo que seu inimigo estava no telhado, os braços abertos e aquele sorriso demente que o herói já aprendera a odiar. – Desse jeito você me força a lavar a sua boca com sabão, ou seria melhor queimá-la até que a sua língua derretesse?

- Desgraçado!! – Os gritos dos dois começaram a chamar a atenção dos vizinhos, mas com tanto em jogo, Stahl não se importou. – Desce até aqui e vamos terminar isso! Só nós dois!!!

- Você é vidente garoto?

- Heim?

- Ora... Afinal você está certo! Só nós dois estamos por aqui!

- Mas o que...

A frase do herói foi interrompida pelo estrondo, quando Xangô ergueu os dois braços e enormes colunas de fogo se ergueram aos céus para, logo em seguida, descerem sobre as casas de toda a vizinhança, destruindo, queimando, derretendo tudo o que havia ao redor dos dois inimigos.

Alguns gritos puderam ser ouvidos antes de serem abafados pelo crepitar do fogo, que a tudo consumia, deixando o ar imediatamente tomado por uma densa fumaça preta, sendo seguida pelo fedor de madeira e metal sendo queimados, mas o pior era o cheiro de carne queimada que o lembrava dos vários seres humanos que estavam sendo consumidos naquele momento.

Pai e filho foram os únicos sobreviventes, um olhar bastaria para deixar isso bem claro.

- MALDITO!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! – Seu pai, sua mãe, seus irmãos, Santos e Bete, todos estavam mortos, mas essa compreensão demorou alguns instantes até chegar ao cérebro anestesiado de Stahl, mas quando ele digeriu a informação, o pesar foi deixado para trás, trocado pelo mais profundo sentimento de ódio. – AAAARRRGGGHH!!!!!

Stahl se lançou ao ataque, uma esfera de fogo cobrindo cada um dos seus dois punhos e, ao mesmo tempo, Xangô pulou de onde estava, indo na direção de seu filho.

Os dois se chocaram em pleno ar.

O herói caiu de costas contra o chão, na pele de sua barriga podia ser visto uma marca enorme de queimado, através do buraco que havia se formado em seu uniforme, enquanto seu pai biológico pousava graciosamente a alguns metros de distância dele.

- Filho da puta!!!! - O ódio fez com que a dor fosse esquecida e ele novamente voltou ao ataque. - Eu vou te matar!!!!!!!

- Nananinanão... - Com grande facilidade Xangô desviou do ataque desajeitado e, com um novo soco, dessa vez no queixo de Stahl, o vilão o jogou outra vez ao chão. - Desse jeito o papai vai ter que fazer o que prometeu... Derreter essa sua língua suja...

- Vai prá pu... AAAARRRGGGHHHH!!!!! - Uma tentativa de chute falhou e Xangô o segurou pela perna, quebrando-a em seguida.

- Por favor... Você é meu filho! Deveria dar mais trabalho do que isso...

- De-desgraçado... - O rapaz não conseguia se por em pé, por mais que tentasse. - Você não é meu pai!!!! Uuunnfff...

Um soco, que ele nem vira de onde havia vindo, e Stahl sentiu seu queixo ser quebrado, o que não o deixaria falar direito mais nada, apenas gemer alto por causa dos vários golpes que ele recebia em seguida.

Xangô estava totalmente descontrolado, em grande parte devido à morte de Héstia, que servia como um fiapo de consciência para seu marido e, desse modo, o vilão não pretendia parar de acertar seu próprio filho até a morte dele.

- Eu vou ser o último!!! - Mais um soco e agora os olhos do rapaz se fechavam, inchados. - Eles me prometeram isso!

“Apenas um manipulador de fogo será nosso escolhido Xangô...” Entre um soco e um chute, a mente do vilão relembrava das palavras dos Flamejantes, na última vez em que o vilão encontrara sozinho com seus mestres “Acreditamos que Héstia não possui o espírito que precisamos para o que está por vir... Livre-se dela Xangô, e também de seu filho, e todo o poder será para sempre seu...”.

Um chute no estômago quase não é sentido pelo herói já quase inconsciente. Finalmente sendo derrotado pela dor física e a de ter perdido todos que amava na vida, naquele momento a morte seria bem vinda.

- Tudo o que tenho de fazer é matar você, seu merdinha!!! - Agora lágrimas começavam a brotar dos olhos do vilão, logo sendo evaporadas pelo calor que o corpo dele começava a emanar. - Eu já me livre da Héstia! E olha que eu a amava e...

- Fo... - Com um esforço tremendo Stahl começava a balbuciar aquela que ele sabia que seria sua última frase. - Focê... Num... Ama... Ninguém...

- O quê??!!!! - Agora o vilão segurava seu oponente pela gola do que restara da roupa e o acertava com socos nos lados da cabeça. - Acho que eu não entendi... Nunca, nunca questione o meu amor, moleque! - Novos golpes e então ele parou de repente, sentindo que o corpo de seu filho pendia quase desacordado. - Agora peça perdão e eu lhe darei uma morte rápida...

- ...

- O quê? Não ouvi... - O vilão segurou a cabeça do outro bem perto da própria orelha. - Repete moleque... Quer pedir perdão?

- Fa-fai... Se... Fo-foder...

- DESGRAÇADO!!!!!!!!!!!! - Com um chute Xangô lançou seu inimigo a alguns metros de distância, se chocando contra os restos fumegantes de um carro e ficando imóvel no chão. - Agora eu vou...

- Não fará nada... Nosso escolhido.

Sem qualquer aviso o vilão se viu diante de seus mestres, ele fora teleportado até a caverna dos Flamejantes, mal percebendo o deslocamento pelo caminho do fogo, tamanha era sua concentração no massacre de seu inimigo.

- Mas... Eu estava prestes a acabar com o moleque e... - Ele tentava em vão se teleportar. - Me mandem de volta!!

- Não... Essa luta terminou... Agora é momento em que você, nosso escolhido, renascerá...

- O quê? Mais uma vez? eu... AAAAAAAAAAARRRRRRRRRRRRRRGGGGGGGGHHHHHHHHHHHHHHH!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Os dois seres elementais esticaram o que parecia ser seus braços e ondas de fogo banharam Xangô, fazendo com que o vilão sentisse uma dor que jamais pudera pensar que fosse possível existir.

E o mundo jamais seria o mesmo.

Fim.

Epílogo.

Os bombeiros chegaram rápido ao local do misterioso incêndio que havia destruído totalmente um bairro de Campinas, muitos deles tiveram mais urgência por saberem se tratar do bairro em que morava o Capitão Oliveira.

Muitas horas depois de finalmente terem controlado as chamas, os bombeiros começaram a triste e árdua tarefa de procurar e identificar o que poderia ter sobrado das vítimas do incêndio.

Seria uma tarefa que a maioria dos bombeiros faria com os olhos marejados, não por causa da fumaça, mas pela tristeza de terem perdido um amigo.

Longe dali, um senhor passeava com sua neta pelas ruas do centro de Campinas, ambos olhando para todos os lados como se procurassem algo.

- Vovô!!! – A garota, que aparentava ter por volta de doze anos, cabelos castanhos, algumas sardas acima do nariz, corpo começando a se desenvolver, estendia uma das mãos para um beco ali perto. – Aqui!!!

- Já estou indo... – O velho vinha devagar, puxando uma perna e se apoiando numa bengala, seus mais de oitenta anos cobrando o preço por uma vida nada comum. – É ele mesmo?

- Eu não acho que poderia ter outro cara com esse tipo de ferimento...

Assim que o idoso chegou ao lado da garota, ambos olharam para baixo, percebendo um rapaz negro, com as roupas todas esfarrapadas, desmaiado, com o corpo muito ferido e apresentando horrendas manchas pretas em vários pontos da pele.

- Tem certeza de que... É esse cara aí? Ele não tá me parecendo grande coisa...

- Dê um desconto a ele... Mesmo tão ferido ele conseguiu vir até aqui... – Apesar de parecer impossível, o idoso se abaixou e, com a ajuda de sua neta, colocou o rapaz sobre um de seus ombros. – Unnnfff... Pesadinho... Vem Letícia, seus pais já devem estar preocupados...

A garota acompanhava o avô, sempre dando um jeito de olhar para o rosto desfigurado do rapaz que eles estavam ajudando.

- Sei não viu vô...

- Calma Letícia... Ele está assim agora, mas deixa ele melhorar que você vai ver...

O dia começava a morrer no horizonte enquanto a garota se calava, mantendo para si os pensamentos negativos a respeito daquele que, segundo o avô, seria a última esperança da humanidade.

Se ele falhar então todos estaremos perdidos.
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