
A batalha final acontece. Kuwyk se revela e somente com a ajuda de Fafnir nosso heróis conseguirão derrotá-lo. Não perca a emocionante conclusão de Drakonia.
O grande dragão negro.
O Primeiro.
Esse fazia valer jus ao nome e ao título de Grande Dragão Negro, Matador de Homens.
O grande dragão desceu dos céus e seu peso fez a terra tremer.
Com a sacudida, os homens foram ao chão.
Jorge foi o primeiro a conseguir levantar e a quis atacar o dragão com sua lança. Ele arrumou a lança em sua mão, correu alguns metros e arremessou a lança diretamente no coração da besta-fera. Há centímetros da pele do dragão, num ataque certeiro, a lança congelou sua trajetória.
Jorge viu com assombro que esse dragão estava segurando a lança com suas patas dianteiras.
Ele se ergueu nas pastas traseiras, girou a lança e arremessou de volta para o guerreiro, o atravessando.
A morte foi instantânea.
Os outros dois guerreiros, apavorados, deram as costas para a cena e correram, correram até uma labareda de fogo os alcançar e transformá-los em cinzas.
Cinzas que serviriam para alimentar o grande Dragão Negro.
Sem o barulho ensurdecedor que tirava sua concentração e o prendia ao solo, ele pode alçar vôo e descobrir o que estava acontecendo na batalha. Sua família estava sendo dizimada, mas ele ainda estava vivo e poderia reconstruir tudo. Mas antes, os homens deveriam morrer.
Todos eles.
Aquele dragão era diferente de todos os outros que foram atacados até agora.
Ele estava consciente, pois do alto dos céus atacava com estratégia, lançando as bolas de fogo de longe, ficando fora do alcance dos arcos e flechas e lanças.
Com as labaredas, ele derrubava as casas e ia impossibilitando os homens de fugirem e se reagruparem para, aos poucos, dividir as forças.
Dividir para conquistar...
Após conseguir separar todo contingente de guerreiro que sobraram em seis grupos, ele atacou para matar.
Matar e comer, pois a noite tinha sido longa e ele fora acordado pela chacina que os homens estavam fazendo.
Nada mais justo que esses guerreiros fossem o seu café da manhã, hoje.
A carnificina havia mudado de lado, antes o que era caça, agora era o caçador. Apenas o grupo de Alex conseguiu fugir.
O primeiro grupo foi encurralado na praça central de Londres, num beco. Após dizimar a todos com o fogo que saia de suas ventas, ele entrou calmamente no local e devorou as cinzas e a carne humana, queimada.
Não precisaria ter pressa, pois os outros grupos estavam longe e presos.
E assim ele repetiu a história com os outros grupos.
Um a um foram sendo dizimados.
Sem piedade.
Quando chegou ao último grupo, chefiado por Alex, ele percebeu que esse grupo era maior e estava melhor organizado. Aproveitaram o tempo para fazer proteções contra as labaredas, o que obrigaria o dragão a descer ao solo para acertá-los.
Mas o dragão estava atento. Ele sabia que havia algo mais no ar, e novamente o barulho ensurdecedor o atacou, fazendo cair das alturas, mas durante a queda ele pode ver um dragão vermelho portando um artefato.
- Lá está o problema – pensou do fundo de sua mente animal.
Mas ainda antes de alcançar o solo, o som parou. Ele recobrou o vôo e partiu em direção ao dragão vermelho que avistara.
Drake estava novamente sem fôlego quando o ataque veio de cima. Thomas quase não conseguiu avisar a tempo para que ele se esquivasse da bola de fogo que descia dos céus.
O dragão vermelho ainda estava fraco por causa da trombeta, mas ainda tinha fôlego suficiente para tentar encarar uma briga. E ele teria ajuda dos homens, bastava que trouxesse o dragão negro mais perto do solo.
Lançando uma bola de fogo e uma de gelo, Drake alçou vôo para alcançar seu opositor. Desviando do ataque inicial das bolas antagônicas lançadas, ele não pode se preparar para o ataque que veio por cima, com as garras de Drake em suas costas, que o forçaram ao solo.
Mas o dragão negro era experiente. Os homens não o alcançaram enquanto ele estava no solo e ele já estava atacando Drake nos céus, quando o barulho ensurdecedor novamente ecoou nos céus. Mais forte e mais potente, de modo que Drake também ouviu e sentiu um leve desequilibro.
Ele olhou para o chão e não viu o local onde havia deixado a corneta, mas no céu acima, Fafnir voava e a tocava.
Não mais o Fafnir velho e alquebrado que vira na caverna, mas um portentoso Dragão Guerreiro, vermelho em toda sua fúria.
Quando o dragão negro estava no chão se contorcendo pela dor em seu ouvido, Fafnir desceu do céu com a corneta e a silenciou.
- Lembra-se dessa corneta, Kuwyk?
O grande dragão negro somente o fitava.
- Lembra-se. Eu sei que você lembra. Afinal, você foi amaldiçoado sobre ela. E é ela que te derruba dos céus.
- Faffffffnirrrrrr – grunhe o dragão, com uma voz ofídica.
- Você ainda se lembra da fala? Se você ainda sabe falar, você vai me entender.
- Fafffffffffnirrrrrr – grunhe novamente – vou mataaaarrrrrr vooooooocê.
- Realmente, será a única maneira de se ver livre da sua maldição. Maldição que o transformou nessa besta-assassina. Se eu soubesse o mal que você iria causar assim mesmo, eu teria te matado e comido quando tive a oportunidade, apesar de saber a dor de barriga que você ia me causar.
Kuwyk atacou Fafnir, que se esquivou e tocou novamente a corneta. Apesar de sua aparência, já carcomida pelo tempo, havia força e magnitude em suas palavras, assim como a altivez no seu porte. A convicção com que falava e sua segurança lhe davam forças para tocar a corneta sem fazer esforço nenhum.
- Na minha morte você ficará livre dessa maldição. Pena que você vá morrer antes de mim.
E Fafnir, tocando a corneta alça vôo. De uma boa altura, ele solta a corneta e mergulha em direção ao dragão negro. A poucos metros do choque, ambos soltam uma labareda de fogo que faz um portentoso estrondo, que levanta uma nuvem de fumaça e poeira no local do choque.
Quando a fumaça se dissipa, ambos os dragões se encaram, no solo. Fafnir com a corneta na mão e Kuwyk com os olhos injetados de sangue e ódio. Fafnir então faz algo que ninguém espera, ele solta a corneta e com sua pata direita a esmaga.
- Kuwyk, você vai morrer por minhas mãos, e não por um artefato mágico. A batalha será como sempre deveria ter sido, a muitos anos atrás.
E ambos os dragões alçam vôo para continuar a contenda nos céus. O esforço e a energia despendida pelos dragões eram enormes e a cada bola de fogo que se chocava nos céus, os guerreiros no chão eram momentaneamente cegados pela força da luminosidade que se formava.
Essa contenda durou horas, enquanto os guerreiros no chão apenas assistiam e Drake, proibido por Fafnir de ajudá-lo, assistia impotente.
Fafnir e Kuwyk desceram ao solo e permaneceram imóveis por dez minutos, carregando forças. Eles se encaravam, mas nenhum dava o primeiro passo para o que seria o ataque definitivo. A luta estava no seu clímax final.
Após esse tempo, ambos estufaram o peito e liberaram labaredas de fogo, que se chocaram no meio do caminho. A força era tamanha por parte de ambos, que o local do choque hora pendia para perto de Fanir, hora para perto de seu opositor. Num sobre fôlego, Fafnir renovou seu jato de fogo e o choque explodiu, levantando uma nuvem de fumaça e poeira nunca vista antes.
O calor que provinha da cratera fumegante que se formou no local era agonizante.
Vários minutos se passaram até que a poeira e o calor abrandassem o suficiente para que os guerreiros que a tudo assistiam pudessem se aproximar para o resultado final.
O grande dragão negro sai de dentro dessa poeira, andando. Capengando. Drake, vendo isso alçou vôo e ia atacá-lo, quando ele caiu novamente, e por trás do corpo, Fafnir tinha suas narinas fumegantes.
Seu último ataque, antes de morrer.
Morrer vitorioso, guerreiro, como um dos anciões deveria morrer.
Na constelação de Dragão, uma estrela brilha mais forte.
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Epílogo
Meses passam depressa.
Feridas na pele cicatrizam depressa.
Mas não as feridas do coração.
Num ponto distante, ao norte da escócia, um cavaleiro e um dragão estão parados em frente a uma lápide, erguida no meio da floresta.
Nenhuma palavra é dita, apenas meditam.
O Dragão alça vôo.
O cavaleiro se ajoelha perante a lápide.
- John. Obrigado por ter aberto meus olhos para a vida e para a existência dos dragões. Descobrimos pistas sobre o paradeiro de Volten. Estamos indo para lá, para resgatar o último dos dragões vermelhos. Nesse ano aprendi muito com Drake, mas o principal foi o legado que você nos deixou.
O Código de Honra dos Cavaleiros.
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