Após destruir a sede da Corporação e acabar com o Esquadrão, o psicótico Cronnus leva Temporal para uma viagem ao passado onde conhecemos as origens dos heróis. Viagem essa que abre portas para mais perguntas do que respostas.
E ainda: a 2ª parte de O Precursor!
Universo Nova Frequência
Anderson “Aracnos” Oliveira
Versão definitiva.
Episódio 2. O Passado.
Capa Alternativa.
Março de 2006. Baia de Guanabara. Rio de Janeiro. Brasil.
A bordo do porta-aviões São Paulo, o jovem sargento Igor Moreira sente a brisa marítima em seu rosto enquanto pensa o quanto sua vida é perfeita. Hoje realiza seu sonho de infância, pois está prestes a ser condecorado tenente da marinha brasileira, no mais importante navio da frota nacional na cidade em que nasceu e onde conheceu seu grande amor. Ele olha para a costa e tenta procurar entre os prédios e casas na distância o rosto de Denise, que só espera Igor voltar do mar para enfim marcarem a data do casamento. Quando pensa nisso Igor procura em sua mão direita a sua aliança para ter certeza de que isso não é um sonho. Aos constatar o anel ele fica tranquilo e novamente pensa: que dia perfeito!
// ALERTA VERMELHO, ALERTA VERMELHO! //
As sirenes do porta-aviões disparam num piscar de luzes frenético enquanto marinheiros e pilotos correm de um lado para o outro. Quando Igor se dá por si percebe que o trabalho o chama. O que é isso, alguém está invadindo a costa? Alguém declarou guerra ao Brasil? Igor, ao vislumbrar novamente a praia, logo descobre que as respostas as suas perguntas são sim e não ao mesmo tempo. Afinal, não deixa de seu uma invasão, uma guerra em potencial, porém o inimigo é além de qualquer treinamento.
— Um monstro! Um monstro!! — grita um dos marinheiros sintetizando os pensamentos de todos. Afinal, o que parece ser um lagarto gigantesco estava saído do mar e indo para a cidade, disparando raios por sua boca[1]. Afobados e apavorados, os militares se lançam à defesa da costa, seguindo as ordens que chegaram pelo rádio. Caças decolavam do porta-aviões enquanto os outros preparavam a artilharia. O monstro a essa altura já tinha destruído grande parte da baía e os bairros próximos. A criatura ainda resistia aos ataques dos caças e os abatia facilmente. Ao perceber que o intento do monstro era cada vez mais ir para o continente, Igor teve um medo primitivo ao perceber que a casa de Denise estava em seu caminho.
Tomado por uma coragem cega, Igor correu até o lançador de bombas da embarcação, tirou o operador de lá a força e tomou seu lugar, ligando a arma e fazendo a mira bem na cabeça da criatura. “Morra, maldito!”, pensou enquanto disparava o primeiro torpedo. O monstro urrou com a dor da explosão, mas nada que o fizesse tombar. Igor então, desrespeitando seu oficial que já vinha lhe tirar dali, disparou outra vez. Com isso, a fera se enfureceu ainda mais, se voltando de supetão, fazendo sua calda destruir tudo que estava em seu caminho.
— Denise!!! — gritou Igor ao ver a destruição que foi levada ao bairro onde seu grande amor mora. — Desgraçado!!! Vai pagar por isso!! — agora totalmente cego pela ira, Igor lançou novas bombas contra o monstro que, em resposta, disparou seu raio em direção ao porta-aviões. — Nããããooooo!!! — para se salvar, Igor pulou no mar, mas mesmo antes dele tocar na superfície da água, uma parte da fuselagem do navio o atingiu, fazendo ele ficar desacordado e, lentamente, afundar nas profundezas do Atlântico.
— Está vendo?
— S-sim... Eu vi. — no calçadão, em meio ao caos que se forma, dois homens negros, completamente iguais, feito irmãos gêmeos, observam tudo calmamente. O vestido de branco se denomina Cronnus, e mantém o outro, Simon Smith, o Temporal, preso e abatido.
— Assim seu amigo Igor começava parte de seu destino: afundando nas profundezas do Atlântico. Quer ver como isso termina? Venha. — e de súbito, Cronnus ajusta seu visor e os dois somem dali, vindo a ressurgir no mesmo ponto, mas algum tempo depois:
25 de Agosto de 2007. Baia de Guanabara (ou o que ainda resta dela).
Desde que aquela criatura saiu do mar, o Rio de Janeiro mudou completamente. As áreas destruídas jamais foram reerguidas devido ao descaso das autoridades. Em vez disso, ergueram um muro para segregar as pessoas “comuns” daquelas que padeceram do ataque do monstro. O Muro das Aberrações é uma cicatriz terrível nessa bela cidade[2]. Seus habitantes promoveram um verdadeiro êxodo para Niterói[3] enquanto ouvem histórias de lutas fantásticas e terríveis.
Hoje, outra criatura emerge das águas. Não é um monstro. É apenas um homem, um homem vestido com uma roupa de borracha, como um mergulhador, trazendo também uma armadura verde e com um tridente na mão. Apesar de uma aparência altiva, ele parece que foge. Quando chega ao solo, sente um alívio profundo enquanto parece que há muito tempo não sente o oxigênio entrar em seus pulmões. Só após longos instantes, ele se dá conta de que mundo veio renascer.
— Meu Deus! — exclama o sargento Igor Moreira ao ver o que aconteceu com a cidade em que nasceu, onde cresceu e amou.
— Depois de mais de um ano desaparecido, seu amigo Igor surge do mar demonstrando habilidades até então desconhecidas. Você sabe o que aconteceu com ele?
— Claro que sei, maldito!
— Ah, mas mesmo assim vamos ver: — e Cronnus manipula o tempo novamente, levando Temporal agora para um lugar totalmente diferente do que conhecemos. Um reino no fundo do mar, cercado por paredes de vidro e rico em tecnologia. — O reino de Oceânia! Igor, após afundar no mar, despertou poderes latentes e pôde sobreviver sem oxigênio. Para isso desenvolveu guelras em seu pescoço. Descoberto por soldados desse império secreto, foi levado a presença do soberano, lorde Shar'kin. O rei ficou impressionado com o ser da superfície que decidiu mantê-lo como hóspede. Treinando com os soldados da guarda real, Igor foi percebendo novos dons, como o de manipular a água, controlar sua temperatura, se comunicar com criaturas marinhas, além da grande força que adquiriu para suportar a pressão das profundezas. Admirado com esse homem, Shar'kin decidiu honrá-lo como general de sua guarda.
— E-eu conheço a história. Igor me contou! — diz Temporal enquanto tudo que Cronnus dizia se descortinava diante de seus olhos como um filme de cinema.
— Mas ele te contou por que deixou Oceânia? — Temporal pensa um pouco nessa pergunta, e percebe que não sabe a resposta. — Mas é claro que não iria contar. — E novamente as cenas se passam seguindo o relato de Cronnus. — Como comandante das tropas, Igor despertou a inveja de Sin'kar, o melhor soldado de Oceânia, que almejava tal posto. Igor também despertou o amor de Alb'ksun, filha do rei e prometida a Sin'kar. Leviana, certa noite a princesa entrou no dormitório de Igor enquanto ele dormia e armou para que os camareiros os encontrassem abraçados pela manhã. Sabendo do ocorrido, o rei primeiro pensou em casar seu filha com Igor, mas palavras duras de Sin'kar o fez escolher por matá-lo. Igor lutou contra quase toda a tropa, mas conseguiu escapar de Oceânia, levando com sigo a armadura de general e o tridente, a arma dos oficiais do reino.
— Interessante. — diz Simon num claro ar de ironia.
— Pois bem. Veremos agora algum outro de seus amigos. — Cronnus ativa seus poderes e logo transporta Temporal para outro cenário.
1º de abril de 2006. Florianópolis, Santa Catarina, Brasil.
— Isso é ilegal Sandra, sabia?!
— É isso que deixa mais gostoso, Sandy! Vem logo!
Sandra e Sandy Alves. Irmãs gêmeas. Duas lindas mulatas de enlouquecer qualquer homem, mas nessa noite enluarada elas deixaram os rapazes de lado para se aventurarem naquilo que mais gostam: o mar. Desobedecendo as leis e as ordens de seus pais, as duas foram até a Beira-Mar Sul, onde resolveram mergulhar e coletar espécies para seu curso de biologia na faculdade. Após descerem com cautela as encostas perigosas que levam ao ponto mais exótico daquela faixa litorânea, as duas tiraram suas roupas, ficando apenas de biquínis, e entraram na água, nessa hora morna e deliciosa, num pequeno banco de areia.
— Que delícia! — Sandra estava curtindo aquilo muito mais que Sandy. Das duas, a primeira sempre foi a mais ousada em todos os campos, amizade, trabalho, amor, enquanto Sandy ficava à sombra da irmã que era só quinze minutos mais velha que ela. Mas não quer dizer que Sandy sofria por isso. Se por um lado Sandra se divertia com dez rapazes por semana, Sandy apreciava mais ficar com um garoto só por bastante tempo. Se Sandra tinha mais amigos em sua página do orkut, Sandy tinha os melhores e mais fiéis amigos que se poderia ter. Ou seja, cada uma a sua maneira, tinha o que queria.
— Ei, Sandra... cê ouviu aquilo? — Sandy se assusta com um estranho barulho.
— Aquilo o que, mana? — então um novo barulho, só que maior e mais prolongado se faz ouvir. — Ah, seria aquilo igual a isso?!
As duas então se sobressaltam e por um momento pensam se a polícia que teria ouvido algo e veio verificar. Então elas decidem se esconder até que eles vão embora. Sandra prende a respiração e mergulha na água até não poder mais ser vista enquanto Sandy se arrasta vagarosamente para a encosta, se escondendo debaixo das pedras, tendo seu corpo coberto por areia. Porém o que elas não poderiam imaginar é que, a poucos metros acima delas, uma batalha ímpar estava eclodindo entre agentes da ABIN e estranhas criaturas que traziam seus corpos cobertos por armaduras de diferentes cores[4]. Ao passo que a luta prosseguia, a destruição causada por tudo aquilo se espalhava e em pouco tempo as pessoas de armadura tiveram seus corpos cobertos com diferentes formas de energia.
As duas irmãs lá embaixo, não suportando mais ficarem escondidas, ouvindo cada ruído estranho e assustador. O som de tiros, de gritos, de explosões... elas resolveram sair dali de algum jeito ou de outro, antes que aquilo tudo as atingisse. Mas a idéia não deu muito certo e quando uma rajada de alguma energia desconhecida se espalhou pelo quadrante da região e acertou as garotas, elas tiveram o impacto de um golpe e caíram desacordadas onde estavam. Sandra boiou enquanto pôde na água até que seu corpo começou a afundar aos poucos. Porém não parecia que estava de fato afundando, mas sim se dissolvendo naquela água. O mesmo aconteceu com Sandy, deitada na areia, até afundar completamente enquanto mais raios de energia bombardeavam o local.
— Quando Sandy acordou, seu corpo estava misturado àquele banco de areia. — dizia Cronnus. — Porém Sandra desaparecera. Talvez levada pela água. Depois de muito tempo, Sandy veio a descobrir que seu corpo tinha a capacidade de absorver partículas e suas células imitavam suas propriedades. A radiação a que foi exposta devido a luta dos estranhos seres, fez com que a areia se unisse ao seu corpo definitivamente. O mesmo deve ter ocorrido com Sandra, só que com a água. — Cronnus estranha o silêncio de Temporal. — Ah, é verdade... Sandy era sua... namorada? Chegou a tal ponto ou não passou de uns amassos?
— Meça suas palavras--
— Tá, já entendi. Que tal mudarmos de cenário novamente?
12 de julho de 2006. Estação do Metrô Trianon-Masp, São Paulo.
Já era noite e a estação tinha pouco movimento. Era véspera do Dia Mundial do Rock e teria alguns eventos pela cidade. Tal atração atraiu três jovens amigos, todos na faixa dos dezoito anos. Paulo, Guilherme e a irmã deste, Renata, estavam a fim de irem a algum show que haveria na cidade. Após estarem um bom tempo andando pela Avenida Paulista, resolveram ir de metrô até o Tatuapé, onde tinha um show programado.
Dos três, Paulo era o considerado CDF, sempre estudioso, fanático por computadores, RPG, quadrinhos e outras “nerdíces”, como chamava Guilherme, este bem mais festeiro. Há tempos Paulo queria chamar Renata para saírem a sós, visto que sua amizade começava a atingir um nível mais íntimo, mas nunca teve a oportunidade. Mesmo assim não tinha como ele não reparar na estonteante ruiva ali perto, alvo dos olhares de todos os homens presentes na estação.
— Cês tão olhando o quê? — disse a irritada Renata.
— Ué... nada... — respondeu Guilherme.
— É... nada mesmo! — disse Paulo sem graça.
Entre umas risadas e outras, vendo que no som ambiente tocava a música “Fear of the Dark” do Iron Maiden, os três adolescentes mal reparam a chegada do trem. Se preparando para entrar no vagão, Paulo e seus amigos se assustaram quando uns homens saídos do trem atacavam um grupo de rapazes ao lado. Uma confusão se formava quando Paulo viu incrédulo um dos rapazes ativar uma esfera que emitia chamas de fogo. Mais incrédulo ficou quando viu que os atacantes tinham presas, como as dos vampiros dos filmes.
A confusão crescia. Um homem saído do trem impedia que as pessoas deixassem a estação, criando em seu corpo uma energia que simulava a forma de uma moto. Paulo e seus amigos resolveram se proteger atrás de uma coluna da estação, quando viram surgir na plataforma o vigilante conhecido como Resgate em sua moto[5]. Enfrentando os “vampiros” e o cara da moto de energia, Resgate e uns dois rapazes iam se esforçando, até que o trem até então parado ali fecha suas portas e começa a andar.
Ao mesmo tempo, um destroço derivado de bancos da estação que eram atirados pelos “vampiros” atinge a região onde Paulo e os outros se escondiam, atingindo as pessoas à frente deles, provocando um “efeito dominó”, empurrando o último deles para os trilhos.
— Paulo! — grita Renata vendo o amigo cair no fosso. — Não! Ele vai se eletrocutar!
Porém o inesperado acontece, quando Paulo encosta na parte onde circula eletricidade. Primeiramente ele sente o choque, uma descarga fortíssima, percorrendo todo seu corpo, mas estranhamente ele começa a absorver tal energia, canalizando a dor inicial em uma sensação prazerosa, quase divina. Renata e Guilherme vêem aquilo mais assustados do que quando os vampiros apareceram. Paulo os encarava com uma expressão estranha, indecifrável. Ao passo que a energia tomava conta de si, seu corpo começava a brilhar numa luz forte, mesclando com tons azulados. Foi quando Paulo disse:
— Eu... eu acho que... Renata, sei lá... Acho que vou morrer!
— Ah, meu Deus! Gui, o que a gente faz!? — perguntava Renata em desespero ao irmão. Este só ficava em silêncio, revelando um medo primitivo que sua posse de durão escondia. Logo, numa fração de segundo, o brilho emanado por Paulo desapareceu, assim como o rapaz, deixando seus dois amigos confusos e temerosos, mas que devido ao incidente envolvendo o herói mascarado e os vampiros, eles não contaram nada as autoridades...
— Interessante, não? — é Cronnus quem diz, junto de Temporal dentro da estação, sem serem vistos por ninguém. — Percebeu como seus amigos ganharam seus poderes? Eles foram submetidos a experiências onde qualquer pessoa teria morrido, mas eles acabam despertando novos dons. Isso se deve porque eles JÁ TINHAM esses dons desde que nasceram! Só precisavam de uma mãozinha para “ativarem o botão”.
— Eu... eu estava mesmo estudando nossa condição biológica... — diz Simon já quase sem forças.
— Que pena que seus estudos vão acabar. Mas antes vou lhe dar mais uns vislumbres das outras pessoas que ainda faltam visitar. Ah, já ia esquecendo. O que aconteceu com Paulo depois que sumiu na estação? Vamos ver. — então Cronnus os teleporta para outro cenário, onde vêem uma fonte de energia branca aos poucos tomar a forma humana no alto de uma casa. — Paulo se dissipou no campo eletromagnético na Terra. Durante alguns dias ele vagou disperso, até que conseguiu forças para voltar para casa, onde encontrou seu velho pai preocupado. Depois foi até seus amigos. Eles os recebem bem, mas quando Paulo mostrou que podia dominar a eletricidade dentro de si, eles ficaram assustados e pediram que ele não mais os procurasse... Que amigos, hein?
— Paulo já falou deles... com algum rancor...
— Ora, vejo que já está ficando fraco. Vamos, acorde... iremos agora ver suas outras amigas. — Cronnus aciona novamente seus poderes e faz o cenário mudar outra vez.
17 de maio de 2006. Estádio do Morumbi, São Paulo.
— E quem te disse que eu gosto de futebol, Gil!?
— Ah... desculpa Mõnica... eu só pensei que seria divertido. — Um jovem casal de adolescentes, na faixa dos quatorze anos, discute enquanto o rapaz puxa a menina pela mão até os lugares na arquibancada do estádio.
— Pensei que iríamos conhecer São Paulo! — reclama a jovem Mônica, fazendo seu típico beicinho do qual Gil gostava tanto.
— E estamos conhecendo! E nada mais paulistano do que um jogo do Corinthians! — responde Gil com boas intenções. Mas a garota tinha ali outro motivo pra pensar a respeito desse seu namoro. Tinha que dar o braço a torcer e concordar com seus pais que diziam que ela era muito jovem para namorar.
Não querendo provocar uma briga ali, e para não estragar a diversão de Gil, Mônica se contenta em sentar e tentar acompanhar o jogo, sem entender muita coisa, com certo medo daquelas brigas de torcidas que tanto via pela TV, lá na sua cidade de Jandira, na Grande São Paulo. Gil a tranquilizava a esse respeito, apontando todos os policiais da tropa de choque com seus escudos de prontidão. Passava-se uns vinte minutos de jogo quando Mônica reparou, na arquibancada oposta, uma esfera de energia se formar e vir na direção deles[6].
— Cuidado!! — grita a garota quando a esfera atinge todas pessoas naquele setor. Ao atingi-las, elas começavam a fritar por dentro. Mônica, apavorada, fechou seus olhos e cobriu seu rosto com os braços, sem esperança de sobreviver, apenas querendo se proteger da dor. Porém, a única coisa que sentia era um calor intenso. Desagradável, mas indolor.
Abrindo seus olhos, ela se vê parcialmente em chamas. Suas roupas viravam cinzas, se preocupando em cobrir sua nudez enquanto se via num mar de carne queimada daquela gente pega pela energia. Inclusive Gil, que ela não pôde identificar entre os pedaços de corpos carbonizados que ali jaziam.
O caos tomava conta do estádio. Muitos tentavam fugir, causando mais confusão enquanto a energia se dividia em duas e cercava todos os lados do campo. Mônica procurou se enrolar numa bandeira da torcida, mas ela também queimou, já que ainda estava com seu corpo em chamas. Inclusive seus olhos, que eram verdes estavam vermelhos e com chamas vivas saindo deles. Assim como seu cabelo vermelho que era literalmente uma tocha ardente. Assustada com sua própria condição e com o festival de mortes, Mônica desmaiou.
— Horas depois ela acordou numa cama de hospital com sua família ao redor dela. Hospital onde o pai dela era diretor. — diz Cronnus, que fez a imagem do estádio se converter para o leito hospitalar. — Confusa e sonolenta, ela só via sua mãe agradecer a Deus por sua filha ter sobrevivido aquela tragédia. Dias depois, em sua casa, Mônica se espantou que não tinha nenhuma queimadura no corpo. Diante do espelho, por horas, ela se concentrou até que viu faíscas saírem de seus olhos. Levou dias para ela dominar a pirocinese, mas assim que dominou, logo aprendeu a flutuar em massas de ar quente geradas pelo calor. Ela nunca deixou de usar o cordão que recebera do pai, na forma de uma letra M. Aliás, por que vocês são o Esquadrão M?
— Não faz... diferença... — Temporal tinha ali uma mistura de cansaço e ódio.
— Tanto faz! Agora veremos sua última amiguinha. Ah... e como eu vou gostar de vê-la... — Cronnus ativa o visor e logo eles migram para outro lugar no tempo.
Curitiba, dia 5 de fevereiro de 1988.
O casal Oliveira aguarda ansioso a palavra do médico. Seu bebê, a pequena Ângela Cristina Maria von Swhëden de Oliveira de poucos meses apresentou-se muito doente. O médico, com um olhar nada tranquilizador, começou a lhes explicar que a menina tinha um nível altíssimo de ferro e outros metais em seu organismo. Que isso, com o passar do tempo, poderia acarretar alguns traumas, como o enrijecimento dos membros, um tipo de calcificação.
A menina cresceu cercada de cuidados. Proibida de participar de brincadeiras consideradas perigosas, ela se continha em ler e estudar. Na escola, se tornou uma boa aluna. Na pré-adolescência começava a ter os desafios da puberdade. Ela era uma menina magricela, branquela, de cabelos desgrenhados, rosto com sardas, aparelhos nos dentes e óculos enormes. Porém os anos lhe foram gentis, e seu corpo tomou formas perfeitas, seus cabelos receberam cuidado especial, o aparelho nos dentes lhe conferiu um lindo sorriso, com óculos mais delicados, podiam-se ver seus olhos azuis. Ângela se tornaria uma linda mulher. E todos os garotos que a desdenhavam na infância, agora babavam por ela. Somado a isso os anos que passou estudando, além de beleza ela tinha inteligência, vindo a se interessar pelas áreas que seus pais professores atuavam: arqueologia e antropologia.
Tais formações acadêmicas a levaram ao Estado do Pará, precisamente na cidade de Santa Maria dos Aflitos, a 300 km de Belém, no dia 30 de janeiro de 2006. Em um quarto num pequeno hotel da cidade, Ângela deixa sobre a cama um artefato raro e de beleza impar. Um cetro, feito de prata, cerca de dois metros de comprimento, com uma forma que lembra um M na ponta.
— Daqui a alguns dias vou para o Amazonas. — dizia Ângela ao celular. — Mesmo a contra gosto dos meus pais, quero buscar vestígios dessa civilização que deve ter florescido no meio da selva. Esse cetro que achei no porão de casa é uma prova dessa cultura perdida. — Ângela pára de falar e escuta a outra pessoa enquanto morde os lábios. — Tá, eu sei que às vezes sou muito... acadêmica! Claro que tô com saudades, meu lindo. Mas tá tudo bem... logo eu tô de volta. Agora eu preciso dormir, amanhã tenho muita coisa pra pesquisar. Tá... beijo!
Ângela se despede do namorado e vai até a janela, de onde não se vê muito, apenas a rua daquela cidadezinha pacata. Porém, nesse momento, ela avista uma estranha perturbação vindo do Hospital Municipal[7]. Ouve gritos e o som de um tiro. Ela estranha o fato, até se assusta com um caso de violência num lugar tão calmo. Nisso distraída, ela recua um passo e tropeça no tapete. Num instinto, para se proteger da queda, ela gira o corpo e leva as mãos ao chão. Porém o que vê a seguir a toma de medo.
— M-meu Deus! — exclama ao ver em suas mãos apontarem pedaços de metal, saindo de sua carne. Formas toscas de metal, como que ainda brutos nas minas. Antes mesmo de poder compreender o que era aquilo, uma nova surpresa a tomou quando uma voz começou a dizer em sua mente. “Ângela, minha filha... venha, sua hora chegou.”
Então, tomada por uma força mística, Ângela pegou o cetro deixado sobre a cama, e, fazendo o metal em suas mãos regredir, ao mesmo tempo fez surgir grandes asas do mesmo metal com as quais, saído pela janela, levantou vôo naquela noite fria de lua cheia rumo ao oeste.
— O, assim chamado “espírito do cetro” guiou Ângela até as ruínas da civilização Mithrak, descendentes dos Incas, ou de um povo mais antigo, que montou no meio da Amazônia uma cidade fortaleza, isolada de tudo. — Cronnus narrava os fatos para Temporal. — Chegando no templo, Ângela foi recebida por harpias, aves da região, adoradas por esse povo. Dentro do templo recebeu instruções do “espírito”, sendo identificada como a sacerdotisa dos Mithrak e com uma missão curiosa. Fora desse estado de transe, ela já estava vestindo a roupa-armadura que adotou como uniforme. Começou a estudar a natureza de seus poderes, vendo que podia moldar esse metal que corre em suas veias da forma que quiser, e mantendo segredo da localização das ruínas antigas. E isso levou a todos vocês se reunirem...
— Eu lembro... — Temporal agora não precisava de viagens para ver a cena, pois estava tudo na sua memória. Mas antes que pudesse se aprofundar, Cronnus o ergue pelo pescoço e o encara dizendo.
— Foi divertido o passeio? Pois bem... espero que aguente firme, pois eu tive uma idéia. — E acionando um novo teleporte, Cronnus some com Temporal dizendo: — Vimos o passado... agora vamos ver como seria seu futuro!
Continua...
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[1] – Desejos Negros #2, escrito pela Equipe UNF: João, Flávio, Nery, Daniel e Lucas (esses dois últimos não mais por aqui).
[2] – Conforme citado a mini da Arena: Laços de Família, escrito por João Norberto.
[3] – Conforme visto em Echelon #11, escrito por Gustavo Levin.
[4] – Em Combates #5, escrito por Tom "Ignotus Writer".
[5] – Isso tudo aconteceu no Especial Dia Mundial do Rock, um cross entre o Resgate, os Ex-VII e os Haziness, escrito por João Norberto, Daniel Luz e Flávio Teixeira.
[6] – Em Desejos Negros #5.
[7] – Essa perturbação se deu em Nexo #5, escrito por Alex Nery.
Fica minha homenagem a estes grandes escritores e amigos, que juntos formamos o UNF!
Obs.: Tudo isso se deu no UNF 1.0, brevemente disponível em eBooks (ou não).
Esquadrão M: Extras:
O PRECURSOR
Por: Anderson Oliveira (escrito originalmente em 2005)
CAPÍTULO 2
Porque uma Nova Vida começa.
Minha mãe morreu de insuficiência respiratória... isso num curto espaço em que eu fui até a farmácia comprar seu remédio. Agora não tenho ninguém. Tinha meu avô, aquele que me levou ao Queens, mas esse também morreu, meses antes da mamãe. Sem ninguém, fui jogado num orfanato.
Diziam que eu era velho demais pra alguém querer me adotar, que iria ficar lá até completar dezoito anos, e assim seria jogado na rua a minha própria sorte. Sabe... eles tinham razão.
Assim fui levando minha vida naquele orfanato... a única coisa que levei comigo foram minhas roupas, uma foto da minha mãe e meus poucos gibis... esses não duraram muito, pois caíram nas mãos dos moleques mais novos. Só aquele dos X-Men, que ganhei do Sr. Johnson, me restou.
Aliás, o Sr. Johnson me visitou uma vez. Estava mau da pneumonia e parecia muito doente... seria esse meu castigo? Todos aqueles de quem eu gostava morreriam? Passei a pensar assim. E me sentindo culpado... com medo que outras pessoas pudessem morrer por minha causa, fiz o possível pra não me apegar com ninguém. Nem as freiras do orfanato, nem as crianças... ninguém.
Passou o tempo e fiz dezoito anos. Era hora de seguir meu caminho. Já tinha completado os estudos básicos no orfanato... pensava em continuar estudando... entrar na faculdade, mas como? Se eu nem tinha onde morar? Resolvi então procurar um emprego. Andei por lanchonetes, lava rápidos e mercadinhos, mas não encontrei nada.
No fim do dia, sem lugar pra morar, tive que dormir na rua. Foi a pior experiência da minha vida... Mas algo, nessa noite, iria mudar complemente minha história:
— E rapaz! Sai daí... esse lugar é meu! — me disse um mendigo.
— Desculpa... — me levantei. — Tem alguém dormindo aqui ao lado?
— Tem... Eu! — me disse outro... nisso, o primeiro mendigo começou a mexer nas minhas coisas...
— Larga isso... isso é meu!
— Calma filho... quando se vive nas ruas... você não é dono de nada! — disse o segundo que me segurou. Esse cara era forte.
— Me solte!! — eu me debatia, mas não adiantava.
— Veja Phil... o que vamos fazer com esse cara?
— Sei lá Joe... faz o que quiser...
O grandão começou a rir... perecia ser algum tipo de maníaco. Então ele quis me estrangular... apertou forte meu pescoço... foi quando algo incrível aconteceu... Ao perder a respiração percebi que ele parou, ou melhor, tudo parou. Consegui me soltar e voltei a respirar...
— Mas... como?! Como você escapou das minhas mãos?!
Ele veio pra cima de mim, então prendi a respiração novamente... ele parou, tudo parou. Os carros, os pombos, as pessoas... tudo ficou congelado. Dei alguns passos para trás e soltei o ar. Tudo se mexeu. O cara caiu no chão... aproveitei para correr.
Entrei num beco, já bem longe dali. Então comecei a entender o que estava acontecendo comigo. Cada vez que eu prendia a respiração... era como se o tempo parava... tudo a minha volta se tornava imóvel, menos eu... que me movia normalmente... Isso era... fantástico... não... Fabuloso! Como os X-Men!!
Eu tinha um poder, um poder mutante... eu podia parar o tempo! Eu era o único mutante em todo o mundo. Um personagem de gibi que andava pelas ruas! Admito... no começo, usei meu poder para me dar bem... comecei a roubar. Era simples... eu prendia a respiração e entrava numa loja, enchia os bolsos o mais rápido que podia e voltava pra fora... ninguém percebia... sei que era errado, mas era só até eu me aprumar na vida.
Aos poucos fui conseguindo roupas, comida e dinheiro... e um lugar pra morar... Arranjei um emprego numa loja de sapatos e fui me virando. Namorei até com uma colega da loja por um tempo... mas as coisas ficavam confusas quando eu alterava a respiração durante um beijo... não durou muito. Foi então que eu percebi que meu poder não se limitava em parar o tempo... era algo maior.
Nas horas vagas resolvi treinar (como os X-Men na sala de perigo!), enfiava a cabeça num balde de água e com um relógio marcava o tempo em que eu aguentava ficar sem respirar... porém nunca dava certo, pois o relógio parava enquanto eu não respirava... mas eu sabia que estava aumentando minha capacidade. Comecei a treinar o corpo... malhar e pegar peso. Não sabia no que isso poderia me ajudar, mas eu queria ser um mutante completo.
Certo dia, enquanto tentava meditar, como via nos filmes de kung fu, me dei conta dos meus verdadeiros poderes. Ao me concentrar, eu podia viajar no tempo... no começo, voltava alguns segundos... a tempo de me ver sentado meditando... vi que me deslocava também pelo espaço, já que não surgia no mesmo lugar em que partia. Fui aperfeiçoando e um dia consegui voltar dez horas...! Ganhei uma vez na loteria com isso, pois marcava o resultado, voltava até o dia anterior e apostava naqueles números!
Com esse dinheiro investi nos estudos e entrei na universidade... queria compreender melhor meus poderes... para isso cursei física. Aprimorei meus treinos e minhas meditações e consegui driblar a limitação que era a respiração. Não precisava mais prender a respiração para controlar o tempo. Bastava minha vontade. Anos depois, um noticiário na TV me daria um sentido para um bom uso dos meus poderes: teriam descoberto a cura pra doença que levou minha mãe a morte... era algo banal... pensei que se tivessem encontrado a cura anos antes, minha mãe estaria viva...
Espere... mas, e se eu voltasse até aquela época e lhe levasse a cura? Salvaria sua vida! Mudaria minha história. Não existiria orfanato... não existiria solidão. Era isso que eu deveria fazer... mas... como? Pois ela tinha morrido há quase dez anos, e eu só podia voltar, agora mais evoluído, só alguns dias? Foi aí que entrei em outro curso: engenharia mecatrônica.
Fim do Capítulo 2
DOS ARQUIVOS DE AURORA, COMPUTADOR CENTRAL DA CORPORAÇÃO
FICHA TÉCNICA
FLAMY

1. Dados físicos:
• Nome Verdadeiro: Mônica Muniz
• Cidade Natal: Itapevi, São Paulo, Brasil
• Etnia: Caucasiana (branca)
• Cabelos: Tingidos de vermelho, curtos, diversos penteados
• Olhos: Verdes
• Altura: 1,50 m
• Peso: 48,7 Kg
• Outras características: Nenhuma evidente
• Personalidade: Flamy é sem dúvida a mais divertida e carismática pessoa no grupo. Tem uma veia cômica natural, mesmo nas situações mais problemáticas, consegue sempre fazer uma piada da situação. Além disso, como muitas garotas da sua idade, é rebelde e odeia que lhe deem ordens. Também apresenta um apetite descomunal.
• Escolaridade: Ainda cursa o Ensino Médio.
• Parentes conhecidos: Ronaldo e Márcia Muniz (pais)
• Profissão: Nenhuma
• Base de Operações: Sede da Corporação, São Paulo, Brasil
• Afiliação: Esquadrão M
2. Dados vitais:
• Poderes/Habilidades: Flamy é pirocinética. Consegue controlar o fogo, podendo iniciá-lo ou extingui-lo no ambiente propício. Também pode elevar a temperatura do próprio corpo a níveis altíssimos, fazendo surgir chamas em locais naturalmente mais quentes, como mãos, pés, juntas e olhos. Não fica totalmente em chamas. Pode lanças bolas de fogo e labaredas e flutuar em massas de ar quente. Possui grande potencial ainda a ser desenvolvido.
• Armas: Nenhuma.
• Outros acessórios: Um colar na forma de M.
• Descrição da roupa: Flamy usa uma roupa especial desenvolvida pelo Dr. Deodoro Newton cujo tecido pode resistir a sua combustão sem se desfazer. Geralmente usa essa roupa especial por baixo de roupas comuns. Tal roupa consiste em um top e um short de ginástica na cor preta. O shot tem um M vermelho desenhado. Luvas de motoqueiro pretas e Tênis modelo AllStar também preto.
• Ponto fraco: O uso prolongado de seus poderes lhe causa extremo cansaço e fome. Sua imaturidade pode lhe meter em diversas confusões.
3. Níveis de força:
• Força: 1
• Inteligência: 2
• Velocidade: 2
• Tecnologia: 3
• Projeção de energia: 7
• Agilidade: 2
______________
* 1 é o nível de um ser humano comum.
O PRECURSOR
Por: Anderson Oliveira (escrito originalmente em 2005)
CAPÍTULO 2
Porque uma Nova Vida começa.
Minha mãe morreu de insuficiência respiratória... isso num curto espaço em que eu fui até a farmácia comprar seu remédio. Agora não tenho ninguém. Tinha meu avô, aquele que me levou ao Queens, mas esse também morreu, meses antes da mamãe. Sem ninguém, fui jogado num orfanato.
Diziam que eu era velho demais pra alguém querer me adotar, que iria ficar lá até completar dezoito anos, e assim seria jogado na rua a minha própria sorte. Sabe... eles tinham razão.
Assim fui levando minha vida naquele orfanato... a única coisa que levei comigo foram minhas roupas, uma foto da minha mãe e meus poucos gibis... esses não duraram muito, pois caíram nas mãos dos moleques mais novos. Só aquele dos X-Men, que ganhei do Sr. Johnson, me restou.
Aliás, o Sr. Johnson me visitou uma vez. Estava mau da pneumonia e parecia muito doente... seria esse meu castigo? Todos aqueles de quem eu gostava morreriam? Passei a pensar assim. E me sentindo culpado... com medo que outras pessoas pudessem morrer por minha causa, fiz o possível pra não me apegar com ninguém. Nem as freiras do orfanato, nem as crianças... ninguém.
Passou o tempo e fiz dezoito anos. Era hora de seguir meu caminho. Já tinha completado os estudos básicos no orfanato... pensava em continuar estudando... entrar na faculdade, mas como? Se eu nem tinha onde morar? Resolvi então procurar um emprego. Andei por lanchonetes, lava rápidos e mercadinhos, mas não encontrei nada.
No fim do dia, sem lugar pra morar, tive que dormir na rua. Foi a pior experiência da minha vida... Mas algo, nessa noite, iria mudar complemente minha história:
— E rapaz! Sai daí... esse lugar é meu! — me disse um mendigo.
— Desculpa... — me levantei. — Tem alguém dormindo aqui ao lado?
— Tem... Eu! — me disse outro... nisso, o primeiro mendigo começou a mexer nas minhas coisas...
— Larga isso... isso é meu!
— Calma filho... quando se vive nas ruas... você não é dono de nada! — disse o segundo que me segurou. Esse cara era forte.
— Me solte!! — eu me debatia, mas não adiantava.
— Veja Phil... o que vamos fazer com esse cara?
— Sei lá Joe... faz o que quiser...
O grandão começou a rir... perecia ser algum tipo de maníaco. Então ele quis me estrangular... apertou forte meu pescoço... foi quando algo incrível aconteceu... Ao perder a respiração percebi que ele parou, ou melhor, tudo parou. Consegui me soltar e voltei a respirar...
— Mas... como?! Como você escapou das minhas mãos?!
Ele veio pra cima de mim, então prendi a respiração novamente... ele parou, tudo parou. Os carros, os pombos, as pessoas... tudo ficou congelado. Dei alguns passos para trás e soltei o ar. Tudo se mexeu. O cara caiu no chão... aproveitei para correr.
Entrei num beco, já bem longe dali. Então comecei a entender o que estava acontecendo comigo. Cada vez que eu prendia a respiração... era como se o tempo parava... tudo a minha volta se tornava imóvel, menos eu... que me movia normalmente... Isso era... fantástico... não... Fabuloso! Como os X-Men!!
Eu tinha um poder, um poder mutante... eu podia parar o tempo! Eu era o único mutante em todo o mundo. Um personagem de gibi que andava pelas ruas! Admito... no começo, usei meu poder para me dar bem... comecei a roubar. Era simples... eu prendia a respiração e entrava numa loja, enchia os bolsos o mais rápido que podia e voltava pra fora... ninguém percebia... sei que era errado, mas era só até eu me aprumar na vida.
Aos poucos fui conseguindo roupas, comida e dinheiro... e um lugar pra morar... Arranjei um emprego numa loja de sapatos e fui me virando. Namorei até com uma colega da loja por um tempo... mas as coisas ficavam confusas quando eu alterava a respiração durante um beijo... não durou muito. Foi então que eu percebi que meu poder não se limitava em parar o tempo... era algo maior.
Nas horas vagas resolvi treinar (como os X-Men na sala de perigo!), enfiava a cabeça num balde de água e com um relógio marcava o tempo em que eu aguentava ficar sem respirar... porém nunca dava certo, pois o relógio parava enquanto eu não respirava... mas eu sabia que estava aumentando minha capacidade. Comecei a treinar o corpo... malhar e pegar peso. Não sabia no que isso poderia me ajudar, mas eu queria ser um mutante completo.
Certo dia, enquanto tentava meditar, como via nos filmes de kung fu, me dei conta dos meus verdadeiros poderes. Ao me concentrar, eu podia viajar no tempo... no começo, voltava alguns segundos... a tempo de me ver sentado meditando... vi que me deslocava também pelo espaço, já que não surgia no mesmo lugar em que partia. Fui aperfeiçoando e um dia consegui voltar dez horas...! Ganhei uma vez na loteria com isso, pois marcava o resultado, voltava até o dia anterior e apostava naqueles números!
Com esse dinheiro investi nos estudos e entrei na universidade... queria compreender melhor meus poderes... para isso cursei física. Aprimorei meus treinos e minhas meditações e consegui driblar a limitação que era a respiração. Não precisava mais prender a respiração para controlar o tempo. Bastava minha vontade. Anos depois, um noticiário na TV me daria um sentido para um bom uso dos meus poderes: teriam descoberto a cura pra doença que levou minha mãe a morte... era algo banal... pensei que se tivessem encontrado a cura anos antes, minha mãe estaria viva...
Espere... mas, e se eu voltasse até aquela época e lhe levasse a cura? Salvaria sua vida! Mudaria minha história. Não existiria orfanato... não existiria solidão. Era isso que eu deveria fazer... mas... como? Pois ela tinha morrido há quase dez anos, e eu só podia voltar, agora mais evoluído, só alguns dias? Foi aí que entrei em outro curso: engenharia mecatrônica.
Fim do Capítulo 2
DOS ARQUIVOS DE AURORA, COMPUTADOR CENTRAL DA CORPORAÇÃO
FICHA TÉCNICA
FLAMY
1. Dados físicos:
• Nome Verdadeiro: Mônica Muniz
• Cidade Natal: Itapevi, São Paulo, Brasil
• Etnia: Caucasiana (branca)
• Cabelos: Tingidos de vermelho, curtos, diversos penteados
• Olhos: Verdes
• Altura: 1,50 m
• Peso: 48,7 Kg
• Outras características: Nenhuma evidente
• Personalidade: Flamy é sem dúvida a mais divertida e carismática pessoa no grupo. Tem uma veia cômica natural, mesmo nas situações mais problemáticas, consegue sempre fazer uma piada da situação. Além disso, como muitas garotas da sua idade, é rebelde e odeia que lhe deem ordens. Também apresenta um apetite descomunal.
• Escolaridade: Ainda cursa o Ensino Médio.
• Parentes conhecidos: Ronaldo e Márcia Muniz (pais)
• Profissão: Nenhuma
• Base de Operações: Sede da Corporação, São Paulo, Brasil
• Afiliação: Esquadrão M
2. Dados vitais:
• Poderes/Habilidades: Flamy é pirocinética. Consegue controlar o fogo, podendo iniciá-lo ou extingui-lo no ambiente propício. Também pode elevar a temperatura do próprio corpo a níveis altíssimos, fazendo surgir chamas em locais naturalmente mais quentes, como mãos, pés, juntas e olhos. Não fica totalmente em chamas. Pode lanças bolas de fogo e labaredas e flutuar em massas de ar quente. Possui grande potencial ainda a ser desenvolvido.
• Armas: Nenhuma.
• Outros acessórios: Um colar na forma de M.
• Descrição da roupa: Flamy usa uma roupa especial desenvolvida pelo Dr. Deodoro Newton cujo tecido pode resistir a sua combustão sem se desfazer. Geralmente usa essa roupa especial por baixo de roupas comuns. Tal roupa consiste em um top e um short de ginástica na cor preta. O shot tem um M vermelho desenhado. Luvas de motoqueiro pretas e Tênis modelo AllStar também preto.
• Ponto fraco: O uso prolongado de seus poderes lhe causa extremo cansaço e fome. Sua imaturidade pode lhe meter em diversas confusões.
3. Níveis de força:
• Força: 1
• Inteligência: 2
• Velocidade: 2
• Tecnologia: 3
• Projeção de energia: 7
• Agilidade: 2
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* 1 é o nível de um ser humano comum.
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