Alex convence Fafnir a ajudá-los, mas isso será suficiente? Alex convence vários aldeões a ajudá-los, mas essa ajuda extra será suficiente? O pequeno exército vai a Londres na esperança de extirpar o mal da terra, o Grande Dragão Negro.
O velho dragão estava parado no meio da caverna. Ao seu lado, Drake estava numa posição que o facilitaria salvar Alex se Fafnir o atacasse. Ele agarraria o amigo e fugiria dali. Mas algo que Fafnir fez o surpreendera no momento. O velho dragão deitara, para conversar com Alex.
- Diga-me pequenino. Agora que prendeu minha atenção, e sua vida está em jogo. O que eu deveria fazer?
- Drake me falou que você pode destruir os dragões.
- Claro. Até você, um Matador de Dragões pode. É só atravessar uma lança em seus dois corações.
- Isso nós já sabemos. Precisamos de mais.
- Por que precisam de mais? Isso já não é suficiente?
- Não. Precisamos que eles desçam dos céus, para podermos atingi-los.
- Ataquem seu ouvido. Os Dragões Negros tem uma deficiência neles. Se estiverem com os ouvidos feridos, não vai conseguir se equilibrar no vôo.
- Ouvido? Mas como atingiremos seus ouvidos, no céu?
- A Trombeta.
- Trombeta? O que é isso – Pedem Drake e Alex juntos.
- Quando amaldiçoei o cavaleiro, tirei um chifre da Ymria, e fiz dele uma trombeta. Quando tocado, ele emite um som que só pode ser ouvido por eles, e isso afeta seu equilíbrio.
- Legal. Você pode nos ceder a trombeta?
- Claro. Você vai adorar ela.
Fafnir volta para o fundo da caverna e intermináveis e angustiantes minutos se passam até ele voltar, e jogar a Trombeta para Drake. O grande chifre de dragão cai em cima de Alex, o fazendo recuar e cair deitado, devido ao tamanho e peso do chifre. Nenhum humano conseguiria usar aquilo.
- Como você pode notar – diz Fafnir – isso não foi feito para humanos. Vocês vão precisar de um dragão que toque isso. A única maneira de viverem é poupando os dragões vermelhos.
Alex e Drake se olham. Finalmente eles tinham uma arma contra os Dragões Negros.
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Aldeia de Lafgir
Como uma tempestade de fogo eles desceram dos céus. A sombra alada trazia terror aos aldeões, pois não havia escapatória. Para onde fossem ou corressem, havia um dragão negro à espera.
E com fome.
Muita fome.
Labaredas de fogo queimavam os aldeões até as cinzas, que era consumida pelos dragões, que brigavam pelas migalhas, afinal, a aldeia não tinha pessoas o suficiente para alimentarem os doze dragões que ali pousaram.
Crianças, mulheres e velhos.
Ninguém era poupado.
Não havia piedade nos dragões negros, nem racionalidade.
Apenas fome, destruição e miséria por onde passavam.
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Lar de Fafnir
Drake e Alex estavam exultantes. Fafnir tinha uma arma, e lhes cedera. Isso facilitaria muito a luta contra os Dragões Negros. Só havia um problema. Como Alex poderia convencer outras pessoas que Drake era necessário, além de ser um amigo? Como explicar que eles precisavam de um dragão para matar outro. Mas isso era um problema para se pensar quando chegasse a hora. Agora eles precisavam voltar à civilização, e descobrir onde os dragões negros estavam localizados. Com certeza haveria um ninho, onde estaria a grande maioria. Ambos de despendem de Fafnir, e Drake alça vôo com Alex em suas costas, e eles vão até o lugar onde estavam os cavalos. Com dois cavalos a sua disposição, Alex conseguiria cobrir mais facilmente a distância que faltava até sua volta para casa, enquanto isso, Drake ia tentar descobrir onde era o ninho dos Dragões Negros. Após algumas semanas de viagem, eles se reencontraram no lugar ao sul de Londres, a distância de uma semana da cidade.
- Alex. Tenho boas notícias. Londres é o ninho.
- Bom. Há muitos dragões?
- Não, são em torno de uns trinta. Todas fêmeas. Não localizei o macho.
- É uma pena. Mas matando as fêmeas, eliminamos o mal.
- Sim.
Agora vinha o grande problema. Para atacar trinta dragões, Alex deveria contar com pelo menos duzentas pessoas. Pois Drake precisaria de proteção, enquanto estivesse tocando a trombeta. Ele precisava convocar o povo das vilas, mas como faria isso? Por duas semanas ele e Drake ficaram bolando uma estratégia, e decidiram que o melhor a fazer, era contar somente para um pequeno número de guerreiros, somente os que iriam proteger Drake é que saberiam que a ajuda do dragão era necessária. Depois da batalha, ele contaria a verdade para o restante, e com isso voltaria a paz entre humanos e dragões. Na primeira aldeia, Alex não conseguira juntar muitas pessoas, pois todos tinham muito medo dos dragões, e não acreditavam que Alex tinha uma arma eficaz contra eles. Como ele poderia mostrar a trombeta, se somente Drake conseguia que ela tocasse? E ainda por cima um som que humanos não podiam ouvir? Não. O povo tinha que confiar nele, o que estava se tornando difícil. Em vários dias de caminha, somente dez pessoas tinha se prontificado a ajudá-lo.
- Drake, não vamos conseguir pessoas o suficiente.
- Claro que vamos, Alex. Tenha fé.
- Não, Drake. Temos que ser realistas, como convencer as pessoas a isso?
Sentado com Drake e Alex estava Thomas, um jovem arqueiro, filho de um padre. Ele descobrira a existência de Drake da mesma forma que Alex... bisbilhotando.
- E se nós mostrássemos uma carcaça de dragão?
- Como? – Drake e Alex, em uníssono.
- Vamos matar um dragão negro. Colocamos sua carcaça numa carroça, e mostramos que é possível.
- Claro, ótima idéia.
Com isso, eles foram para perto de Londres, pois lá havia mais chances de acharem um dragão. A dois dias de Londres, havia uma vila, que estava sendo atacado por um dragão, e lá eles ficaram a espera de outro ataque, que não demorou a acontecer. Numa noite chuvosa, o dragão atacou. Bolas flamejantes desciam do céu. Queimava casas, o que obrigava seus habitantes a correrem noite afora. O dragão os pulverizava com bolas de fogo, descia para comer as cinzas. Os aldeões corriam para atacá-lo, mas com as asas e a cauda o dragão expulsava facilmente seus algozes. Alex estava com uma lança, ao lado de Thomas.
- Vamos atacar.
- Não. Espere.
- Não podemos esperar. Ele esta matando camponeses.
- Ele precisava levantar vôo. Precisamos que Drake toque a Trombeta para ver se ela funciona.
- Mas, e os camponeses.
- Se ele não levantar vôo, nós vamos atacar.
Mas, como se o dragão ouvisse o que eles falavam, alçou vôo.
- Agora, Drake. Toque a Trombeta.
E Drake tocou. O que se viu, foi muito estranho. O dragão negro guinchou, e não conseguia manter o vôo, uma das asas batia numa direção, ao contrário da outra. Ele não tinha nenhum senso de direção, e se chocou com a torre da igreja. Quando o dragão caiu ao chão, a torre caiu em cima dele, e os aldeões o atacaram. No chão, mesmo assim o dragão não conseguia mover as asas para afastar os aldeões. Seus jorros de fogo não tinham um alvo definido, incendiando todas as casas que estava ao alcance de suas cusparadas. Alex e Thomas, em conjunto com os outros atacaram o dragão. Com a lança que carregava, Alex estocou um os corações, e Thomas, com outra, terminou de matar o dragão.
- Alex, tem certeza que vamos precisar de mais gente? Em dois a gente matou o dragão.
- Tenho. E se houvesse mais quatro dragões. Como a gente ia atacar um? E se ele lançasse fogo em nossas costas? Não, precisamos de muita gente. Para que possamos abatê-lo assim que toque o chão. Vamos ver como está Drake.
Os dois saíram por um canto escuro, perto da igreja, para perto de um grande estábulo, onde Drake estava escondido. Lá chegando, viram um dragão calmo, mas cansado.
- Como está Drake – pede Alex.
- Cansado. A corneta exige muito esforço.
- Isso é um problema – diz Thomas – e se Drake cansar, e ainda houver muitos dragões para matar?
- Entendeu por que precisamos de tantas pessoas? Para que não dê tempo de Drake cansar.
Thomas assentiu com a cabeça. Agora, com a carcaça, seria muito mais fácil arregimentar pessoas. Era só mostrar a carcaça e mostrar as lanças. Depois de duas semanas, a notícia corria solta pelas aldeias, sobre os Matadores de Dragões. Vários jovens vinham das mais distantes aldeias para entrar no exército. Um jovem em especial, integrou a batalha. Seu nome era Jorge, e ele tinha desenhado uma lança, uma lança para matar dragões. Ele soubera sobre os dois corações, então ele montou a ponta de lança, de maneira que após entrar no primeiro coração, ela seria puxada para trás, e assim abriria duas outras pontas, de modo a ferir o outro coração. Mas eles precisavam testar, e novamente eles partiram para emboscar um dragão. Quanto mais perto de Londres, mas facilmente eles encontravam os dragões. Jorge, com sua lança, explicou ao outros como ela perfuraria o dragão. E essa noite seria o grande teste, já que um dragão estava nas redondezas. Ao cair da noite. O flagelo chegou. Mas, a tropa estava treinada, correram em direção a um beco, de uma aldeiazinha, quando o dragão foi atrás. Drake tocara a corneta, fazendo com que a fera caísse. Jorge, com sua lança, correu em direção do Dragão, e enfiou fundo em seu peito. Era uma lança um pouco mais fina, para entrar mais profundamente. Assim que ele a enfiou. Foi para o lado, e seus companheiros açoitaram o cavalo que tinha uma corda presa à sela, e na outra ponta a lança. Quando o cavalo partiu, ele trouxe a lança para trás, fazendo com que ela traspassasse também o outro coração. Todos deram vivas para Jorge, o Matador de Dragões. Na mesma noite, ele foi apresentado para Drake.
- O que um dragão faz aqui? – pede ele, assustado, procurando uma arma.
- Calma, Jorge. Drake é amigo – Diz Thomas, ao lado de Alex.
- Como uma besta assassina pode ser amigo?
- Quer explicara para ele, Drake? – Pede Alex.
- Claro. E eu não sou uma besta assassina, Jorge. Você já notou como você se lança para matar o dragão?
- Como? – Jorge olha para Alex e Thomas – o dragão fala?
- Claro que falo.
E assim, Drake conta toda a história para Jorge. Sobre o antigo código dos dragões. Sobre a diferença do preto e do vermelho, sobre Fafnir, e a origem de primeiro dragão. Apesar de ficar meio assustado. Jorge sentia que podia confiar naquele dragão. Ele ficou sabendo da trombeta, do que ela fazia nos dragões negros, e por isso, junto com a lança que ele inventara, não seria mais uma tarefa impossível para eles abaterem os dragões em seu ninho. Pelas últimas visitas de Drake a Londres, o número de dragões havia aumentado, deveria haver ainda uns cinqüenta, mas eles estavam em cento e cinqüenta homens, tinha Drake e a Trombeta, além da lança de Jorge. Isso sem falar, que nas emboscadas, eles já tinham conseguido matar mais oito dragões.
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Londres
O pequeno exército de Alex chegara perto do ninho. Realmente, no lugar restava algo em torno de trinta e cinco a quarenta dragões, mas o que mais chamou a atenção era um grande Dragão Negro, que ficava no centro da cidade, já devastada por eles.
- Veja, Thomas. Aquele deve ser o primeiro dragão. Note como ele é muito maior que as fêmeas. Principalmente ele não pode sair vivo daqui.
- Sim. Mas será que daremos conta de todos.
- Não temos escolha. A gente demora muito a emboscar os dragões. Nesse ritmo precisaríamos de meses para completar o trabalho.
- Isso é verdade.
- Agora vamos dividir o pessoal. Thomas, você é o homem de minha plena confiança. Você vai cuidar de Drake, pois ele vai precisar chegar perto, para que a trombeta tenha alcance para todos os dragões negros.
- Eu vou cuidar do macho – diz Jorge – no futuro serei lembrado com o Homem que matou o Grande Dragão.
- Tudo bem – diz Alex – não faço questão de encarar aquele monstro mesmo.
- Certo. O restantes dos dragões, vamos dividir para o pessoal. Como vamos atacar? Pede Thomas.
- Primeiramente, devemos nos infiltrar na cidade, aos poucos, para estarmos mais perto, quando Drake começar a tocar a trombeta. Quando ele tocar, vamos atacar com tudo.
Durante a noite, Alex, Thomas e Jorge cuidaram dos preparativos, e dividiram vários grupos, para atacar os dragões. Quem acabasse com seu dragão, tinha o dever de ajudar os outros. A comemoração ficaria para o final do dia, quando todos os dragões estivessem mortos.
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Londres
O amanhecer
No raiar do dia, todos os homens já estavam de pé, se infiltrando na cidade, sorrateiramente, antes que os dragões levantassem vôo. Durante a noite eles se mantiveram bem agitados, o que levava os homens a crerem que eles iriam dormir um sono pesado, pelo menos na maior parte da manhã. A infiltração começara. Os grupos iam devagar, para que os dragões não sentissem o cheiro, nem escutassem algum barulho. Os homens iam se infiltrando pelos becos, por dentro de casas destruídas pela ação dos dragões, pelas estrebarias e chiqueiros. Alguns homens perderam a vida nessa manhã, por acharem que os dragões não iriam acordar, e saíram a descoberto, de modo que um outro acordou e os devorou, mas nada que alardeasse os outros. Já no final da manhã, todos estavam posicionados. O que mais demoraram a posicionar-se era o grupo de Jorge, mais numeroso, que iria atacar o grande macho negro.
Após um sinal de Jorge, indicando que estava no local propício, o ataque começou. Como Drake tinha que ficar escondido, Thomas ficou num lugar estratégico, para dar o alarme para ele tocar a trombeta. Alex iniciara o ataque, e assim que os dragões acordassem e começassem os berros, era hora de Drake agir. O grupo de Alex estava bem próximo a um dragão, e conseguiram matá-lo antes que ele conseguisse alçar vôo, mas o berro quando morreu alardeou os outros dragões. Vários alçaram vôo, que foi quando Drake tocou a trombeta.
Daí a carnificina começou.
Os dragões alçavam vôo e logo caiam, devido ao som da trombeta. Os homens avançavam sobre eles como formigas no mel.
Alguns dragões, por azar, caíram por cima dos prédios semi-destruídos, o que obrigava aos homens a correrem pode dentro dos prédios, nas escadas, para subirem ao andar superior onde estava o dragão negro.
Uma dragonesa em especial foi mais difícil de matar, visto que ela caiu dentre várias construções e o guincho que ainda havia nos céus, feito pelos outros dragões bloqueava parcialmente o som da corneta.
Ela ainda não podia voar, mas no solo estava plenamente ciente do que deveria fazer. E atacava com as labaredas de fogo nos guerreiros ali presentes. Com as lanças desenvolvidas por Jorge, tentavam estocar o coração da criatura que, ainda forte, repelia as lanças com as asas e com a cauda arremessava os homens para longe. Foi preciso que um subisse no alto de uma construção e pulasse com a lança em suas costas para conseguir acertar os corações. Após a lança enfiada, bastou firmar os pés e puxá-la novamente para cima.
Mais uma dragonesa tinha partido.
Em questão de meia hora, a maioria absoluta dos dragões já estavam mortos e o restante, feridos. Mas ainda havia um.
O Grande Dragão Negro. Kuwyk.
Logo no início da contenda, ele tentou alçar vôo e caiu do alto do seu ninho, ficando a mercê dos seus algozes, mas por ser o primeiro, era o mais feroz, e os homens erraram ao atacá-lo de frente. Com uma labareda ele eliminou a maioria dos homens de Jorge, deixando apenas o líder e mais dois vivos.
Com isso, não foi possível para eles chegarem perto para atacá-lo e perfurar seus corações com a lança.
Nesse tempo, Drake não teve mais forças para continuar a tocar a trombeta e caiu, praticamente desfalecido pela falta de fôlego.
Os dragões que estavam feridos não tinham mais possibilidades de vôo e com isso foram sendo dizimados.
Mas o grande dragão negro.
O Primeiro.
Esse fazia valer jus ao nome e ao título de Grande Dragão Negro, Matador de Homens.
O grande dragão desceu dos céus e seu peso fez a terra tremer.
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